Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Os gatos




Os gatos são uma constante fonte de inspiração para artistas, músicos e poetas, assim como para todos que são admiradores da beleza e elegância. Foi esta inspiração felina que me impeliu a escrever o poema “Os gatos”, que faz parte do meu último livro de poesia “Terra”, magnificamente ilustrado pelo mestre-pintor Orlando Pompeu.



Os gatos
Venha a noite que vier
 os olhos dos gatos
círios de liberdade
brilharão no escuro.
Misteriosas criaturas
veneram o silêncio,
os encantos e agruras
dos seus antepassados.
Caudatos errantes
saltam vedações
percorrem os caminhos velados
deixam pegadas nos corações.
Quem me dera ser como os gatos
reconhecer os ratos,
brincar com as borboletas,
possuir sete vidas!
E quando a dúvida e o medo
de mim tomarem conta
levando-me acaso a cair,
saber eu prosseguir
com a felina dignidade
de cair de pé. 


Daniel Bastos, “Os gatos”, in Terra.

Desenho - Orlando Pompeu


domingo, 18 de outubro de 2015

A velha armadura de Dom Quixote de La Mancha



Uma das personagens clássicas da Literatura, imortalizada por leitores de todas as épocas, Dom Quixote de La Mancha, herói central do célebre livro com o mesmo nome do escritor Miguel de Cervantes, continua a ser uma fonte de inspiração para todos nós que perante as adversidades, dificuldades e desafios com que nos deparamos no nosso quotidiano, não devemos perder o sentido da justiça, da razão e da fé na vida.

O exemplo inspirador e romântico do virtuoso paladino impeliu-me a escrever o poema “A velha armadura de Dom Quixote de La Mancha”, que faz parte do meu último livro de poesia “Terra”, magnificamente ilustrado pelo mestre-pintor Orlando Pompeu, e que integra ainda o Vol. VI da Antologia de Poesia Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" que reúne mais de um milhar de poemas escritos em língua portuguesa por autores no nosso tempo.


A velha armadura de Dom Quixote de La Mancha
Revestido da velha armadura da fé
percorro montado no dorso
de Rocinante
os caminhos ancestrais dos pastores
sonhando como Dom Quixote
 de La Mancha
defender o ideal de cavaleiro andante.
Enfrento as deceções e os dissabores
de quem nasceu no tempo errado
de quem anda no sentido contrário
ao da multidão,
mas contra tudo e contra todos
cansado e com o corpo alquebrado
prometeu pelejar pelos oprimidos,
os injustiçados e perseguidos.
Nada temerei,
nem os gigantes da iniquidade,
a bondade infinita
e o sentimento de justiça
transcendem os moinhos
que empoam a realidade.





sábado, 10 de outubro de 2015

Memórias da Chuva

Dentro das paredes do saber,
templo de culto da solidão,
perscruto o fragor da chuva
arauto dos mistérios da criação.
Descerro a janela da memória
embaciada de recordações,
e parto enlevado em velhas canções
para junto da criança que fui outrora.


Daniel Bastos, “Memórias da Chuva” in Terra, Editora Converso, 2014.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Porque caem as folhas das árvores no Outono?



Hoje à noite, no hemisfério norte, começa a terceira estação do ano, o Outono. Uma das estações mais bonitas do ano, o Outono é uma estação de essência poética, nostálgica e melancólica, onde a queda das folhas das árvores, as paletas naturais de cores amarelas, castanhas e vermelhas da natureza, o tom cinzento do céu e o sabor dos frutos amadurecidos, simbolizam o processo de transformação da vida. 

Foi essa mundividência que procurei refletir no poema “Porque caem as folhas das árvores no Outono?”, que faz parte do meu último livro de poesia “Terra” magnificamente ilustrado pelo mestre-pintor Orlando Pompeu:


Porque caem as folhas das árvores no Outono?

Embaladas pela dança do vento
as folhas secas de Outono
soltam-se dos ramos das árvores
caindo suavemente no chão.
Ressequidas pelos vendavais
agitam-se ansiosamente
numa dança contagiante
de melodias e cores naturais.
Desaparecendo
na voragem da estação
as folhas secas de Outono
caem porque têm que cair,
sinal da vida que se renova,
são o novo dia que está por vir.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Rancho Folclórico da Casa do Povo de Cepães organiza 8.º Encontro Nacional de Folclore em Fafe




 O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Cepães organiza no próximo sábado, dia 19 de setembro, a partir das 21h00, o 8.º Encontro Nacional de Folclore que este ano decorrerá nas Praças das Comunidades de Fafe, inserido na II edição do Festival Gastronómico da Vitela Assada à Moda de Fafe



Com o apoio do Município de Fafe da União de Freguesias Cepães e Fareja, dos Vinhos Norte e do Complexo Turístico de Rilhadas, deslocam-se este ano ao concelho de Fafe, o Rancho Folclórico de Maçãs de D. Maria  (Alvaiázere de Leiria), o Rancho Folclórico de Nine ( Vila Nova de Famalicão), Rancho Folclórico de S. Pedro do Souto ( Arcos de Valdevez), Rancho Folclórico de Catel (Braga), e o grupo anfitrião, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Cepães (Fafe).

A promoção do 8.º Encontro Nacional de Folclore tem como principais objetivos promover a etnografia e as tradições populares da freguesia de Cepães e do concelho de Fafe, divulgar a cultura popular e valorizar a dança folclórica através do estímulo e do incentivo a mesma.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Era dos Descobrimentos



No ano em que Portugal comemora os 600 anos da tomada de Ceuta, o primeiro marco da expansão marítima portuguesa, um dos períodos mais importantes da história de Portugal, deixo aqui enquanto professor, escritor e historiador o meu singelo reconhecimento e homenagem à epopeia dos navegadores e descobrimentos portugueses que tornaram eterna a pátria de Camões, vertido no poema “Era dos Descobrimentos”, que faz parte do meu último livro de poesia “Terra” magnificamente ilustrado pelo consagrado mestre-pintor Orlando Pompeu:  


Era dos Descobrimentos
No princípio era sonho,
desejo incontido de conquista
sublimado no signo da cruz
e bramido no cabo da espada.
Era querer ir mais além
desvendar os mistérios do mundo
dos homens e dos deuses
desbravar a vastidão imensa
ligar o Ocidente ao Oriente.
Era partir em viagem
perscrutar no horizonte
a miragem do destino incerto
navegar ao sabor do mar
e do vento sustido em velas
de frágeis caravelas.
Era desígnio hercúleo
concedido por el rei
de Portugal
a destemidos aventureiros
e desditosos marinheiros
seduzidos pela ilusão
da fortuna e glória.