Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Lançamento em Portugal do livro “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”



No próximo dia 4 de dezembro (sexta-feira), é lançado em Portugal o livro Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.

A obra, concebida e realizada pelo historiador português Daniel Bastos a partir do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos de 1960, é apresentada às 21h30 no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe, cidade que alberga o Museu das Migrações e das Comunidades, uma instituição que tem como missão aprofundar o conhecimento das migrações na diáspora portuguesa.


Gérald Bloncourt ladeado pelo historiador Daniel Bastos (dir.) e pelo tradutor Paulo Teixeira (esq.)

A apresentação do livro com chancela da Editora Converso, uma edição bilingue traduzida para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, que conta com prefácio do multipremiado ensaísta e pensador Eduardo Lourenço, e posfácio de Maria da Conceição Tina, “a menina da boneca” fotografada por Bloncourt no bidonville de Saint Denis na década de 1960, estará a cargo da reputada socióloga das migrações Maria Beatriz Rocha – Trindade.

Além das imagens emblemáticas e históricas que o fotógrafo de 89 anos captou sobre a vida dos emigrantes portugueses nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, que já integraram várias exposições em Portugal e França, e que fazem parte do arquivo da Cité nationale de l’histoire de l’immigration em Paris, e do Museu das Migrações e das Comunidades em Fafe, a obra reúne memórias, testemunhos e mais de centena e meia de fotografias originais da maior importância para a história portuguesa do último meio século. Designadamente fotografias praticamente inéditas que o fotógrafo francês de origem haitiana realizou durante a sua primeira viagem a Portugal na década de 1960, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves, assim como as da viagem a “salto” que fez com emigrantes portugueses além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 na capital portuguesa que permanecem como a maior manifestação popular da história portuguesa.


Capa do livro

Segundo Daniel Bastos, a concretização deste projeto sobre o olhar comprometido de Gérald Bloncourt com os portugueses, que o fotógrafo identifica desde os bancos da instrução primária como os descendentes dos grandes descobridores do mundo, constitui “um justo reconhecimento aos protagonistas anónimos da história portuguesa que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade. Todos eles representados por uma personalidade ímpar que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e em Portugal”.
Para Eduardo Lourenço, consagrado intelectual português de grande reputação internacional que assina o prefácio do livro, em pleno drama da nossa emigração de europeus, os portugueses subiram do lugar sem luz como hoje milhares de outros emigrantes atravessam os vários Mediterrânios da vida para o tombadilho onde o ar do largo lhes restitui ao mesmo tempo a esperança e a dignidade”. Tendo nos anos 60 a sorte de terem tido “como companhia o sorriso aberto de marinheiro de Gérald Bloncourt. E a sua máquina para os lembrar para sempre nos retratos com que os salvou do esquecimento.
 

Convite
Refira-se que a obra é patrocinada por duas dezenas de empresas representativas do tecido socioeconómico luso-francês, como o Hipermercado E.Leclerc, a Companhia de Seguros Fidelidade em Paris e a cadeia de lojas FNAC, em cujos espaços culturais será comercializado o livro e circulará simultaneamente uma exposição fotográfica evocativa da ligação de Gérald Bloncourt a Portugal. No início de 2016 estão agendadas várias sessões de apresentação da obra junto das comunidades portuguesas residentes no estrangeiro, em particular da numerosa comunidade portuguesa radicada em Paris, uma sessão carregada de grande simbolismo que contará com a presença do fotógrafo que seguiu durante 30 anos a vida dos portugueses em França.
Contra-capa do Livro

Além de fotógrafo, Gérald Bloncourt é pintor e poeta, tendo participado na criação do Centro de Arte Haitiana (1944) e publicado vários livros, com destaque para “Le Paris de Gérald Bloncourt” (2010), foi no início deste ano condecorado cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra francesa, a mais alta distinção civil de França.

Com diversas participações em conferências nacionais e internacionais, assim como livros publicados no domínio da História Local e da História Contemporânea, Daniel Bastos exerce atualmente atividades docentes no Colégio João Paulo II e na Cooperativa de Ensino Didáxis, instituições de referência no campo do ensino particular e cooperativo no norte de Portugal.

O tradutor Paulo Teixeira, especialista em Administração Educacional com experiência profissional no Centro Europeu de Línguas, colabora regularmente na publicação de várias obras com a tradução de textos, em prosa e em verso, para Francês e para Inglês.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Os gatos




Os gatos são uma constante fonte de inspiração para artistas, músicos e poetas, assim como para todos que são admiradores da beleza e elegância. Foi esta inspiração felina que me impeliu a escrever o poema “Os gatos”, que faz parte do meu último livro de poesia “Terra”, magnificamente ilustrado pelo mestre-pintor Orlando Pompeu.



Os gatos
Venha a noite que vier
 os olhos dos gatos
círios de liberdade
brilharão no escuro.
Misteriosas criaturas
veneram o silêncio,
os encantos e agruras
dos seus antepassados.
Caudatos errantes
saltam vedações
percorrem os caminhos velados
deixam pegadas nos corações.
Quem me dera ser como os gatos
reconhecer os ratos,
brincar com as borboletas,
possuir sete vidas!
E quando a dúvida e o medo
de mim tomarem conta
levando-me acaso a cair,
saber eu prosseguir
com a felina dignidade
de cair de pé. 


Daniel Bastos, “Os gatos”, in Terra.

Desenho - Orlando Pompeu


domingo, 18 de outubro de 2015

A velha armadura de Dom Quixote de La Mancha



Uma das personagens clássicas da Literatura, imortalizada por leitores de todas as épocas, Dom Quixote de La Mancha, herói central do célebre livro com o mesmo nome do escritor Miguel de Cervantes, continua a ser uma fonte de inspiração para todos nós que perante as adversidades, dificuldades e desafios com que nos deparamos no nosso quotidiano, não devemos perder o sentido da justiça, da razão e da fé na vida.

O exemplo inspirador e romântico do virtuoso paladino impeliu-me a escrever o poema “A velha armadura de Dom Quixote de La Mancha”, que faz parte do meu último livro de poesia “Terra”, magnificamente ilustrado pelo mestre-pintor Orlando Pompeu, e que integra ainda o Vol. VI da Antologia de Poesia Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho" que reúne mais de um milhar de poemas escritos em língua portuguesa por autores no nosso tempo.


A velha armadura de Dom Quixote de La Mancha
Revestido da velha armadura da fé
percorro montado no dorso
de Rocinante
os caminhos ancestrais dos pastores
sonhando como Dom Quixote
 de La Mancha
defender o ideal de cavaleiro andante.
Enfrento as deceções e os dissabores
de quem nasceu no tempo errado
de quem anda no sentido contrário
ao da multidão,
mas contra tudo e contra todos
cansado e com o corpo alquebrado
prometeu pelejar pelos oprimidos,
os injustiçados e perseguidos.
Nada temerei,
nem os gigantes da iniquidade,
a bondade infinita
e o sentimento de justiça
transcendem os moinhos
que empoam a realidade.





sábado, 10 de outubro de 2015

Memórias da Chuva

Dentro das paredes do saber,
templo de culto da solidão,
perscruto o fragor da chuva
arauto dos mistérios da criação.
Descerro a janela da memória
embaciada de recordações,
e parto enlevado em velhas canções
para junto da criança que fui outrora.


Daniel Bastos, “Memórias da Chuva” in Terra, Editora Converso, 2014.