Morgado de Fafe
O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.
domingo, 1 de março de 2026
Casa dos Açores de Hilmar: um pilar da comunidade portuguesa na Califórnia
A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se intensificou entre o primeiro quartel do século XIX e o último quartel do século XX — período em que se estima terem emigrado cerca de meio milhão de portugueses, essencialmente oriundos dos arquipélagos dos Açores e da Madeira — destaca-se hoje pela sua plena integração, inegável espírito empreendedor e relevante papel socioeconómico e cultural na principal potência mundial.
Segundo os dados mais recentes dos censos norte-americanos, residem atualmente nos EUA mais de um milhão de luso-americanos. Só no estado mais populoso do país, a Califórnia, vivem mais de 300 mil, na sua maioria de origem açoriana. Muitos trabalham por conta de outrem, designadamente na indústria, embora sejam também numerosos os que exercem atividade no setor dos serviços ou se distinguem nas áreas científica e académica, nas artes, nas profissões liberais e na vida política.
No seio das numerosas comunidades luso-americanas da Califórnia — o estado com maior concentração de diáspora portuguesa nos EUA — proliferam dezenas de associações recreativas e culturais, órgãos de comunicação social, clubes desportivos e sociais, fundações educativas, bibliotecas, grupos de teatro, bandas filarmónicas, ranchos folclóricos, casas regionais, sociedades de beneficência e instituições religiosas. Existem igualmente espaços museológicos que preservam e divulgam a herança cultural portuguesa, como o History San José e o Portuguese Historical Center.
Entre as associações recreativas e culturais que mais têm contribuído, nas últimas décadas, para a dinamização da açorianidade e da portugalidade na Califórnia, destaca-se, de forma inequívoca, a Casa dos Açores de Hilmar, situada no Vale de San Joaquin, um dos mais tradicionais e relevantes polos da emigração portuguesa naquele estado.
Fundada em 1977, a instituição assumiu, desde a sua génese, como objetivos centrais o fortalecimento da identidade e da memória cultural açoriana, em particular, e portuguesa, em geral, através da música, do desporto, da literatura e da recriação de tradições religiosas, como as celebrações do Espírito Santo.
Recentemente, a Casa dos Açores de Hilmar — membro do Conselho Mundial das Casas dos Açores — deu um passo decisivo para honrar o passado, valorizar o presente e projetar o futuro, com o lançamento da primeira pedra da sua nova sede. Trata-se de um espaço orçado em vários milhões de dólares, cuja empreitada foi oficialmente autorizada no final do mês de fevereiro e cuja conclusão está prevista para o final do próximo ano. O novo edifício funcionará como um moderno centro cultural multifuncional, apto a acolher festividades e uma vasta gama de iniciativas, como exposições, concertos, eventos literários, colóquios, programas intergeracionais, encontros sociais e celebrações comunitárias.
Este passo constitui simultaneamente um sinal de confiança no presente e no futuro do associativismo luso-californiano, que enfrenta hoje desafios complexos, designadamente o envelhecimento dos seus quadros dirigentes. Com efeito, nas últimas décadas, a América do Norte — Estados Unidos e Canadá — deixou de ser destino prioritário da emigração portuguesa, o que tem repercussões naturais na renovação geracional das estruturas associativas.
O futuro do associativismo luso-californiano, à semelhança do que sucede no restante espaço norte-americano, passará inevitavelmente pela diversificação das atividades de animação sociocultural, conciliando a matriz tradicional que sustenta o movimento associativo com novas expressões contemporâneas — como o cinema, a literatura, o design, a dança, o teatro ou a moda — capazes de mobilizar as gerações mais jovens de lusodescendentes, autênticos garantes da continuidade da presença portuguesa.
Nesse contexto, a Casa dos Açores de Hilmar afirma-se como um exemplo paradigmático do caminho a trilhar. Nas recentes festividades carnavalescas promovidas pela associação, atuaram e desfilaram dezenas de crianças e jovens lusodescendentes nas áreas da música, do teatro e da dança, perante centenas de convidados e associados, revelando uma vitalidade que constitui motivo de legítima esperança quanto à preservação e renovação das tradições ligadas à açorianidade e à portugalidade na Califórnia.
O passado, o presente e o futuro da Casa dos Açores de Hilmar encontram expressão simbólica na conjugação de experiência e renovação que marca a sua liderança. De um lado, o jovem lusodescendente George Costa Jr., presidente da instituição; do outro, o seu vice-presidente, o comendador Manuel Eduardo Vieira, figura destacada da comunidade portuguesa na Califórnia. A articulação entre a energia transformadora da juventude e a memória acumulada de quem construiu o percurso associativo ao longo de décadas revela-se decisiva: é nesse diálogo intergeracional — entre inovação e experiência, entre continuidade e visão estratégica — que reside a garantia de um futuro sólido para a presença portuguesa na Califórnia e, mais amplamente, na América do Norte.
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Diáspora portuguesa formaliza parceria estratégica e reforça ação social em França
Uma das marcas mais distintivas das comunidades portuguesas no estrangeiro reside na sua reconhecida capacidade empreendedora e no enraizado sentido de solidariedade e benemerência. Esta matriz identitária tem sido reiteradamente confirmada pelos percursos de inúmeros compatriotas que, a partir da diáspora, edificam empresas de sucesso e promovem iniciativas de elevado impacto económico, cultural e social, contribuindo simultaneamente para a projeção internacional de Portugal.
Entre os empresários portugueses da diáspora — hoje crescentemente valorizados como ativos estratégicos na promoção externa do país — destaca-se o percurso do guardense João Pina, conhecido em França por Jean Pina, uma das figuras mais dinâmicas e solidárias da comunidade luso-francesa. Atualmente administrador do Grupo Jean Pina, sediado na região parisiense e constituído por seis empresas com atividade nos setores da construção civil, limpeza e reciclagem de resíduos, Jean Pina afirma-se como um dos mais relevantes empresários luso-franceses. Todavia, o êxito alcançado no plano empresarial tem sido, de forma consistente, acompanhado por um inequívoco compromisso social em prol dos mais vulneráveis, tanto em Portugal como em França.
Esse compromisso ganhou expressão institucional em novembro de 2019, com a criação da Fundação Nova Era Jean Pina, cuja missão se sintetiza no lema “Solidariedade em Movimento”. Desde então, a Fundação tem desenvolvido uma ação estruturada e continuada de apoio social, promovendo projetos dirigidos a populações particularmente vulneráveis — idosos, crianças institucionalizadas, desempregados e famílias em situação de fragilidade — contribuindo para a coesão social e para a salvaguarda da dignidade humana nos dois países.
Foi neste enquadramento que, no passado sábado, 21 de fevereiro, o presidente da Fundação celebrou um protocolo de colaboração estratégica com a Associação Soleils de Paris, que tem vindo a desenvolver um notável trabalho social junto de pessoas em situação de vulnerabilidade na capital francesa. Com uma intervenção centrada na ação social direta, a associação organiza, na última sexta-feira de cada mês, ações de rua que incluem a distribuição de refeições quentes, vestuário e bens essenciais em várias zonas de Paris.
A relevância do trabalho da associação — composta por cerca de vinte voluntários, entre os quais portugueses e lusodescendentes, e presidida pela jovem lusodescendente Eleonor Patrício — ganha particular significado à luz do contexto socioeconómico francês. Segundo dados divulgados pelo INSEE, em 2023 a taxa de pobreza em França atingiu 15,4%, o valor mais elevado desde 1996, sendo que na área metropolitana da Grande Paris os indicadores superam a média nacional. Trata-se de um cenário que exige respostas complementares às políticas públicas, envolvendo a sociedade civil organizada e o voluntariado.
Neste contexto, a assinatura do protocolo entre a Fundação Nova Era Jean Pina e a Associação Soleils de Paris reveste-se de particular importância. Não se trata de um gesto meramente simbólico, mas da formalização de uma parceria estruturada, que garante previsibilidade, continuidade e enquadramento institucional ao apoio concedido. Através da oferta regular de donativos em espécie — designadamente bens alimentares, produtos de higiene e artigos de primeira necessidade — a Fundação reforça a capacidade operacional da associação, permitindo-lhe ampliar e consolidar a sua intervenção junto das populações mais vulneráveis. No próprio ato de assinatura do protocolo foram já entregues trinta sacos contendo bens alimentares e produtos de higiene e limpeza, que serão distribuídos pelos voluntários da associação a pessoas em situação precária, incluindo cidadãos em situação de sem-abrigo na capital francesa. Este primeiro gesto concreto evidencia a natureza pragmática e operacional da parceria agora estabelecida.
Num país que acolhe uma comunidade portuguesa estimada em cerca de um milhão de pessoas — a maior da Europa e uma das mais expressivas comunidades estrangeiras em França — iniciativas desta natureza assumem um significado que ultrapassa o plano assistencial. Elas afirmam a maturidade cívica da diáspora portuguesa e a sua capacidade de organização, demonstrando que o sucesso empresarial pode e deve ser acompanhado por responsabilidade social.
A celebração deste protocolo constitui, assim, um exemplo paradigmático do papel estruturante que a diáspora e os lusodescendentes desempenham nas sociedades de acolhimento, sem nunca romperem os laços com a pátria de origem. Ao mobilizar recursos, redes e capital humano em prol dos mais vulneráveis, a comunidade portuguesa projeta uma imagem de Portugal como nação solidária, empreendedora e universalista. Num tempo marcado por desigualdades persistentes e desafios sociais complexos, a ação concertada de fundações, associações e voluntários de matriz lusa reafirma que a diáspora não é apenas memória ou identidade: é também compromisso ativo, responsabilidade partilhada e construção concreta de pontes de solidariedade entre povos e territórios.
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Chef Anthony Gonçalves: a cozinha portuguesa no topo de Nova Iorque
Uma das marcas mais distintivas das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é a sua reconhecida vocação empreendedora. Ao longo de décadas, inúmeros compatriotas têm afirmado percursos de sucesso, criando empresas sólidas e desempenhando funções de relevo nos planos cultural, social, económico e político.
Entre os muitos exemplos de portugueses e lusodescendentes da diáspora — hoje amplamente reconhecidos como um ativo estratégico na promoção internacional do país — destaca-se o percurso inspirador do chef Anthony Gonçalves, genuíno embaixador da gastronomia portuguesa em Nova Iorque, uma das mais emblemáticas metrópoles dos Estados Unidos da América e do mundo.
Filho de emigrantes naturais dos concelhos de Torres Vedras e do Sabugal, que partiram para os Estados Unidos na década de 1960, Anthony Gonçalves não frequentou qualquer escola formal de culinária. A sua formação construiu-se na prática e na vivência familiar, no Trotters Tavern, restaurante português da família em Nova Iorque, onde, desde tenra idade, despertou para a arte da cozinha, guiado pelo pai e pela avó, entre aromas, sabores e memórias que moldaram a sua identidade gastronómica.
A paixão pela culinária foi posteriormente aprofundada em contextos de elevada exigência profissional, nomeadamente no Hotel Ritz-Carlton e nos restaurantes 42 e Bellota. Em 2016, assumiu a chefia do restaurante Kanopi, em Nova Iorque. Situado no 42.º andar da torre envidraçada do The Opus Westchester, Autograph Collection, hotel de luxo localizado no centro de White Plains, a pouco mais de meia hora de Manhattan, com vista panorâmica sobre o vale do Hudson, o Kanopi tornou-se, sob a sua liderança, numa autêntica embaixada da cozinha portuguesa em território norte-americano.
Através de uma abordagem contemporânea e criativa da tradição gastronómica lusa, apoiado por uma equipa com fortes ligações a Portugal — e com o contributo pessoal de raízes familiares que se estendem também ao Algarve, terra natal da sua esposa — Anthony Gonçalves tem atraído uma clientela exigente e de elevado perfil, que inclui atletas da NBA, figuras do mundo da moda e personalidades da vida política. O menu de jantar é integralmente inspirado na matriz culinária portuguesa; diversos pratos dialogam com os sabores da lusofonia; e a carta de vinhos apresenta exclusivamente referências importadas de Portugal, reforçando a identidade inequívoca do projeto.
A excelência, a visão estratégica e a fidelidade às raízes que o chef imprime ao Kanopi — constantemente renovadas através de visitas frequentes a Portugal — têm sido amplamente reconhecidas. O restaurante tem merecido destaque nas páginas do The New York Times, uma das mais influentes publicações internacionais, e Anthony Gonçalves foi, em 2023, semifinalista do prémio anual da Fundação James Beard, na categoria de “Melhor Chef” do Estado de Nova Iorque.
Em 2025, o Kanopi foi distinguido com o “Best Award of Excellence” atribuído pela revista Wine Spectator, no âmbito dos “Annual Restaurant Awards – The World’s Best Wine Lists”, que premeiam as melhores cartas de vinhos entre milhares de restaurantes avaliados a nível mundial. Este reconhecimento evidencia igualmente o trabalho de Danny Martins, sommelier e diretor de vinhos do Kanopi, natural de Coimbra e com ligações a Aveiro, responsável por uma carta com 395 referências, das quais 180 são portuguesas — uma das mais completas seleções de vinhos nacionais no setor da restauração nos Estados Unidos.
Também em Portugal o mérito do chef foi assinalado. A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal distinguiu, em 2024, Anthony Gonçalves com o prémio “Portugueses Lá Fora”, reconhecimento atribuído a profissionais que projetam a gastronomia nacional além-fronteiras e que contribuem para o prestígio internacional de Portugal.
O percurso de Anthony Gonçalves demonstra, de forma inequívoca, como a cozinha portuguesa constitui hoje um instrumento privilegiado de diplomacia cultural e económica. Através do talento, da inovação e da fidelidade às suas raízes, o chef não apenas afirma a identidade gastronómica lusa num dos mercados mais competitivos do mundo, como também reforça o papel dos lusodescendentes enquanto protagonistas na construção de uma imagem moderna, qualificada e cosmopolita de Portugal.
Na mesa do Kanopi, a tradição reinventa-se e transforma-se em narrativa de país. Cada prato servido, cada vinho português apresentado, cada referência à herança cultural comum traduz-se numa poderosa ação de promoção externa. É neste diálogo entre memória e contemporaneidade que a diáspora portuguesa encontra uma das suas expressões mais eficazes de afirmação internacional — provando que, onde houver talento e ligação às origens, Portugal estará sempre representado.
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Aneclet Teixeira: empreendedor da diáspora madeirense e guardião da memória coletiva
A emigração constitui uma realidade intrínseca à identidade madeirense, marcando, desde o povoamento do arquipélago até à contemporaneidade, as suas dimensões sociais, culturais, económicas e políticas. A vasta diáspora da denominada “pérola do Atlântico”, estimada em cerca de 1,5 milhões de madeirenses e seus descendentes, transporta consigo, ao longo de gerações, tradições, valores e memórias para destinos tão diversos como a África do Sul, Austrália, Brasil, Canadá, Curaçau, Estados Unidos da América, França, Havai, Inglaterra e Venezuela.
É precisamente neste último país da América Latina que se encontra radicada a maior comunidade emigrante madeirense, estimada em cerca de 300 mil emigrantes e descendentes, num universo aproximado de meio milhão de luso-venezuelanos. Trata-se de uma comunidade maioritariamente composta por naturais da Madeira que, apesar de nos últimos anos viver imersa numa profunda crise económica, política e social, tem persistido, desde a segunda metade do século XX, como um pilar estruturante do desenvolvimento urbano, económico e sociocultural da Venezuela.
O relevante legado histórico da diáspora madeirense na pátria de Simón Bolívar encontra-se, desde o início da segunda década do século XXI, materializado na missão e visão do Museu da Família Teixeira, situado na Fajã da Murta, freguesia do Faial, concelho de Santana. Este espaço museológico foi idealizado pelo empreendedor e benemérito Aneclet Teixeira, emigrante de sucesso radicado em Caracas, onde, desde a década de 1980, impulsionou e consolidou as cadeias de lojas Rey David. O museu tem como principal desígnio homenagear e perpetuar a memória dos seus progenitores, Albino Teixeira e Conceição Caires, naturais da Fajã da Murta, que, à semelhança de milhares de conterrâneos, iniciaram, na década de 1950, uma trajetória migratória familiar rumo à Venezuela.
Detentor de diversos investimentos na América Latina e no seu torrão natal, onde tem apostado de forma consistente nos sectores da hotelaria e do imobiliário, Aneclet Teixeira viu esse percurso reconhecido em 2021, quando, no âmbito das comemorações do Dia da Região e das Comunidades Madeirenses, foi distinguido pelo Governo Regional da Madeira com a Insígnia Autonómica de Bons Serviços. O empresário luso-venezuelano ergueu, na Fajã da Murta, um espaço museológico que alberga memórias, objetos, correspondência e fotografias da Família Teixeira, constituindo-se como um testemunho vivo da epopeia emigratória madeirense.
A profunda ligação ao arquipélago da Madeira e a notável visão empreendedora de Aneclet Teixeira têm-se materializado, nos últimos anos, num conjunto significativo de investimentos no sector da hotelaria e do turismo, numa região frequentemente distinguida como o melhor destino insular do mundo pelos World Travel Awards. Este contributo relevante para o crescimento económico, a criação de emprego e a geração de riqueza local, regional e nacional traduziu-se, em 2023, na inauguração, no centro do Funchal, do Barceló Hotels & Resorts. Trata-se de um empreendimento turístico de cinco estrelas, resultante de um investimento de várias dezenas de milhões de euros, assente na reabilitação de seis edifícios da baixa citadina, operado pelo grupo Barceló, e dotado de 111 quartos, ginásio, salas de reunião, restaurante à carta, restaurante buffet, lobby bar e rooftop bar BHeaven.
Ainda nesse ano, o empreendedor e visionário luso-venezuelano, reconhecido pelo cultivo dos valores familiares e pela preocupação em perpetuar esse legado entre gerações, inaugurou o empreendimento Suites King David. Esta unidade de Alojamento Local, fruto de um investimento superior a cinco milhões de euros, é composta por 15 apartamentos das tipologias T0 e T1, totalmente equipados e com vista privilegiada sobre a Avenida do Mar, o porto e a baía do Funchal.
Atualmente, Aneclet Teixeira encontra-se a concluir a reabilitação de uma casa centenária situada na Avenida do Infante, projeto que representa a concretização de um sonho profundamente ligado à memória saudosa dos seus filhos, Renny Xavier e Andrea Daniela, a quem dedica pública e sentidamente uma eterna homenagem. Esta intervenção constitui mais um relevante exemplo de reabilitação urbana de um edifício emblemático da cidade do Funchal, outrora devoluto, agora transformado na sua residência, rebatizada como King David Palace, numa alusão à marca que consolidou na Venezuela e difundiu por toda a América Latina.
A moradia preserva a sua estrutura original, integrando elementos de calçada madeirense e portuguesa, e será enobrecida com o brasão da Família Teixeira, esculpido pelas próprias mãos do emigrante luso-venezuelano. Este gesto simbólico reflete, de forma eloquente, a capacidade empreendedora da diáspora portuguesa, que, ancorada numa profunda ligação às suas origens, investe ativamente no desenvolvimento do território pátrio.
O percurso de Aneclet Teixeira constitui um exemplo paradigmático de como a emigração, longe de representar um afastamento definitivo, pode transformar-se numa poderosa ponte entre territórios, culturas e gerações. O seu contributo para a preservação da memória histórica da emigração madeirense, materializado no Museu da Família Teixeira, alia-se a uma intervenção decisiva no desenvolvimento da hotelaria, do turismo e da reabilitação urbana na Madeira, sectores estratégicos para a afirmação económica e cultural da Região Autónoma.
Através do seu espírito empreendedor, do profundo apego às raízes e de uma visão que conjuga memória, identidade e modernidade, Aneclet Teixeira personifica o papel fundamental da diáspora portuguesa na projeção de Portugal no mundo. A sua ação confirma, com renovada atualidade, a célebre visão de Eça de Queiroz sobre a emigração como força civilizadora, demonstrando que o sucesso além-fronteiras pode — e deve — reverter em benefício do desenvolvimento, da coesão e da valorização do país de origem.
sábado, 31 de janeiro de 2026
Mecenato da diáspora: a missão solidária de Jean Pina ao serviço da Casa de Portugal em Paris
Uma das marcas mais distintivas das comunidades portuguesas no estrangeiro reside na sua reconhecida capacidade empreendedora e no enraizado sentido de solidariedade e benemerência. Esta matriz identitária tem sido amplamente confirmada pelos percursos de inúmeros compatriotas que, a partir da diáspora, constroem empresas de sucesso e dinamizam iniciativas de elevado impacto económico, cultural, social e até político, contribuindo simultaneamente para a projeção positiva de Portugal além-fronteiras.
Entre os empresários portugueses da diáspora, cada vez mais valorizados como uma mais-valia estratégica na promoção do país, destaca-se o percurso do empresário João Pina, conhecido em França por Jean Pina, uma das figuras mais dinâmicas e beneméritas da comunidade luso-francesa.
Natural de Trinta, pequena localidade do concelho da Guarda, João Pina emigrou para França no início da década de 1980, com apenas 19 anos, integrando o vasto movimento migratório de portugueses que então procuravam, na pátria gaulesa, melhores condições de vida. A sua chegada a Paris foi marcada por dificuldades significativas, incluindo um grave acidente que o deixou em coma durante vários dias — episódio determinante que viria a reforçar a sua profunda devoção a Nossa Senhora de Fátima. Superadas as adversidades iniciais, construiu um notável percurso empresarial no setor da construção civil, amplamente retratado na obra biográfica Jean Pina: de sonhador a promotor, da autoria de Elizabete Dente, publicada em 2016.
Atualmente administrador do Grupo Jean Pina, sediado nos arredores de Paris e constituído por seis empresas com atividade nos setores da construção civil, limpeza e reciclagem de resíduos, Jean Pina afirma-se como um dos mais relevantes empresários luso-franceses. Contudo, o sucesso alcançado ao longo de décadas no mundo dos negócios tem sido, de forma consistente, acompanhado por um inequívoco compromisso solidário em prol da comunidade portuguesa e dos mais vulneráveis, tanto em França como em Portugal.
Este espírito solidário encontrou expressão institucional em novembro de 2019, com a criação da Fundação Nova Era Jean Pina, cuja missão assenta no lema “Solidariedade em Movimento”. Desde então, a Fundação tem desenvolvido uma dinâmica notável de apoio social, promovendo projetos dirigidos a populações especialmente vulneráveis — seniores, crianças institucionalizadas, desempregados e famílias em situação de fragilidade — reforçando a coesão social e a dignidade humana nos territórios de origem e de acolhimento da diáspora.
Foi neste enquadramento que, no final do mês de janeiro, Jean Pina, enquanto administrador do Grupo Jean Pina e presidente da Fundação Nova Era Jean Pina, firmou um protocolo solidário com a Fondation Nationale de la Cité internationale universitaire de Paris (CIUP), fundação privada de utilidade pública responsável pela gestão da emblemática Cité Internationale Universitaire de Paris. Instituição singular no panorama universitário francês e internacional, a CIUP promove, desde 1925, o intercâmbio cultural, o diálogo entre povos e a convivência pacífica, acolhendo mais de dez mil estudantes, investigadores e artistas de todo o mundo em dezenas de residências universitárias.
Entre as 43 casas que integram este campus universitário de referência destaca-se a Casa de Portugal – André de Gouveia (Maison du Portugal – André de Gouveia), criada em 1967, cuja missão passa pelo acolhimento de estudantes, investigadores, artistas e atletas portugueses de alto nível. Inserida num contexto internacional e cosmopolita, a Casa de Portugal assume-se como uma verdadeira montra da cultura portuguesa em Paris e como um espaço de afirmação da identidade lusófona. Sob a direção do pianista português João Costa Ferreira, que exerce funções desde 2023, a instituição desenvolve uma intensa programação cultural, com cerca de uma centena de iniciativas anuais nas áreas da música, dança, teatro e cinema.
É neste exigente quadro de acolhimento de mais de uma centena de estudantes universitários e de intensa promoção cultural — frequentemente limitado por recursos financeiros e humanos escassos — que o protocolo solidário agora celebrado assume particular relevância. A título gracioso, e suportado pelo presidente da Fundação Nova Era Jean Pina, o acordo insere-se no projeto de renovação da Maison du Portugal – André de Gouveia, contemplando a requalificação de vários quartos, a modernização das casas de banho, bem como a limpeza e valorização do átrio de entrada. Intervenções fundamentais para melhorar as condições de conforto, segurança e dignidade dos residentes, salvaguardando simultaneamente o valor arquitetónico e patrimonial do edifício.
Este protocolo enquadra-se no regime de mecenato previsto no artigo 238 bis do Code général des impôts (CGI), aplicável a donativos efetuados em benefício de organismos de interesse geral, permitindo mitigar os encargos inerentes ao funcionamento desta instituição, que se assume, na prática, como uma verdadeira embaixada cultural de Portugal em Paris.
Num país que acolhe uma comunidade portuguesa estimada em cerca de um milhão de pessoas — a maior da Europa e uma das mais expressivas comunidades estrangeiras em França —, a ação solidária contínua de Jean Pina constitui um exemplo paradigmático do papel estruturante da diáspora portuguesa. Mais do que um gesto isolado, este protocolo simboliza uma visão de responsabilidade social, de compromisso com a educação, a cultura e a identidade nacional, demonstrando como o sucesso empresarial, quando aliado à solidariedade, se transforma num poderoso instrumento de coesão, desenvolvimento e afirmação de Portugal no mundo.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
John Negreiro Guedes: empreendedorismo e benemerência da diáspora luso-americana ao serviço da terra natal
Uma das marcas distintivas das comunidades portuguesas na diáspora é o seu forte espírito empreendedor, patente nas trajetórias de numerosos compatriotas que alcançaram sucesso empresarial e relevância cívica. Entre esses exemplos, destaca-se o percurso inspirador de John Negreiro Guedes, empreendedor e benemérito de referência da comunidade luso-americana.
Natural de Vilas Boas, no concelho de Chaves, João Negreiro Guedes emigrou para os Estados Unidos da América no início da década de 1960, com apenas 10 anos, num contexto marcado pelas dificuldades socioeconómicas do interior transmontano durante o Estado Novo. Formado em Arquitetura no Norwalk State College, no Connecticut, fundou no final da década de 1970 a Primrose Companies, empresa de arquitetura e construção sediada em Bridgeport, especializada em projetos comerciais, multiresidenciais e médicos no Connecticut e em Nova Iorque.
Com mais de 40 anos de atividade no setor, o arquiteto luso-americano assinou numerosos projetos de referência, entre os quais se destacam o The Birmingham Apartments, em Shelton, o Federal Arms Apartments, em Bridgeport, o Twin Brooks Village Homes, em Trumbull, o Post Road Professional Center, em Westport, ou o Easton Community Center, em Easton.
O sucesso alcançado nos Estados Unidos tem sido acompanhado por um apoio contínuo à sua região de origem, à qual John Negreiro Guedes, como é conhecido na América, permanece profundamente ligado por um consistente espírito benemérito. Na aldeia natal, onde regressa com regularidade, financiou diversas iniciativas de caráter desportivo, cultural e recreativo, incluindo a aquisição do terreno para o campo de futebol e a construção da sede da associação cultural.
Este compromisso solidário estende-se a outras instituições do concelho de Chaves, com particular destaque para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago, que tem encontrado em John Negreiro Guedes um apoio determinante ao longo dos anos.
Entre os vários contributos de relevo em prol desta corporação, cuja área de intervenção abrange sete freguesias a sul do concelho de Chaves, no distrito de Vila Real, destaca-se a doação, em 2007, de um monitor de sinais vitais. No ano seguinte, ofereceu uma Ambulância de Socorro totalmente equipada, no valor de cerca de 60 mil euros. Em 2017, concedeu um donativo que permitiu equipar todo o corpo ativo com farda n.º 2 e, no início de 2023, possibilitou a aquisição de uma viatura de comando e de duas viaturas destinadas ao transporte de doentes não urgentes.
Mais recentemente, durante a última quadra natalícia, o emigrante luso-americano voltou a assumir um papel decisivo ao contribuir de forma substancial para a aquisição de uma nova Ambulância de Socorro (ABSC) para os Bombeiros Voluntários de Vidago. Este meio revelou-se essencial para o reforço da capacidade de resposta da corporação numa área de atuação com cerca de 100,27 km² e aproximadamente 5.300 habitantes, caracterizada por uma forte predominância florestal, mas também por uma crescente presença de estruturas comerciais e industriais, bem como por uma densa rede viária, onde se incluem a A24, a EN2 e várias estradas nacionais e municipais. A nova viatura permite, assim, uma intervenção mais célere, eficaz e tecnicamente apetrechada em situações de emergência.
Não por acaso, em reconhecimento do valioso contributo prestado à causa dos bombeiros, a Liga dos Bombeiros Portugueses distinguiu John Negreiro Guedes com o Crachá de Ouro, uma das mais elevadas distinções honoríficas da instituição, destinada a galardoar atos e serviços de inequívoca relevância para a dignificação da causa bombeira. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago atribuiu-lhe igualmente a Medalha de Prata da corporação e erigiu um busto em sua homenagem no quartel dos “Soldados da Paz”, descerrado em 2022.
O percurso de John Negreiro Guedes constitui um exemplo paradigmático do papel insubstituível que a diáspora portuguesa — em particular a comunidade luso-americana — desempenha na solidariedade social, na coesão territorial e na projeção de Portugal no mundo. Ao conjugar sucesso empresarial com um profundo sentido de responsabilidade cívica e de ligação às raízes, estes emigrantes afirmam-se como verdadeiros embaixadores do país, reforçando laços afetivos, apoiando causas estruturantes e contribuindo, de forma concreta, para o desenvolvimento das suas terras de origem e para a valorização internacional de Portugal.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Liga dos Bombeiros Portugueses homenageia Manuel Carvalho, benemérito da diáspora luso-americana
Um dos pilares fundamentais da proteção civil em Portugal, os bombeiros desempenham um serviço essencial em múltiplas frentes: socorro em acidentes rodoviários, combate a incêndios, resposta a desastres naturais e industriais, emergência pré-hospitalar e transporte de doentes, abastecimento de água às populações, salvamento de náufragos, bem como ações de prevenção, formação e sensibilização junto das comunidades.
Exemplos maiores de altruísmo e cidadania, nem sempre reconhecidos com a justiça devida pelos poderes públicos, as corporações de bombeiros em Portugal enfrentam, de forma recorrente, sérias dificuldades estruturais, resultantes da crónica escassez de meios financeiros, que em muitos casos condiciona a prestação de serviços essenciais às populações.
Ao longo dos últimos anos, parte desses constrangimentos — frequentemente agravados por contextos de crise económica — tem sido mitigada graças à generosidade de emigrantes portugueses que, um pouco por todo o território nacional, se constituem como um apoio vital ao funcionamento das corporações e à prossecução da sua missão humanitária.
Um exemplo paradigmático dessa solidariedade encontra-se na figura do emigrante luso-americano Manuel Carvalho, natural de Tamengos, no concelho de Anadia. Empresário de referência na área da restauração em Mineola, localidade situada a cerca de 30 quilómetros de Nova Iorque, onde aproximadamente 15% dos cerca de 21 mil habitantes são de origem portuguesa, Manuel Carvalho tem vindo, ao longo de várias décadas, a dinamizar um conjunto significativo de iniciativas de apoio aos Bombeiros Voluntários de Anadia, associação humanitária fundada em 1933.
A sua notável filantropia tem permitido encontrar soluções concretas para apetrechar esta corporação do coração da Bairrada. Entre as várias ações desenvolvidas, destaca-se a iniciativa promovida após ter tomado conhecimento das dificuldades financeiras vividas pelos bombeiros da sua terra natal, no verão de 2016. Esse contexto levou-o a organizar, no início do ano seguinte, um evento solidário de grande impacto. O jantar, realizado na Churrasqueira Bairrada, estabelecimento de que é proprietário - uma referência no seio da comunidade nova-iorquina- mobilizou a comunidade luso-americana de Mineola e permitiu angariar cerca de 25 mil euros, verba entregue à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia, destinada a apoiar obras no quartel e a aquisição de uma viatura operacional.
Esta generosidade constante e desinteressada para com a corporação do seu torrão natal é acompanhada por um envolvimento igualmente ativo no apoio aos bombeiros do território de acolhimento e da terra de origem da sua esposa, Jackie Carvalho. Em reconhecimento desse percurso, Manuel Carvalho é Bombeiro Honorário em Mineola e recebeu, em 2023, a mais alta distinção honorária atribuída pelos Bombeiros da República do Panamá.
Ainda no final desse ano, no âmbito das comemorações do 90.º aniversário dos Bombeiros Voluntários de Anadia, foi entronizado como “Embaixador dos Bombeiros Voluntários de Anadia em Mineola”. Na mesma cerimónia, foi-lhe atribuído o título de sócio benemérito n.º 1365, bem como um Diploma de Reconhecimento da Associação Humanitária.
É neste quadro de mérito amplamente reconhecido que, no passado dia 10 de janeiro, Manuel Carvalho foi distinguido, no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Anadia, com a Medalha de Agradecimento da Liga dos Bombeiros Portugueses. Esta distinção, atribuída pela confederação que representa as associações e corpos de bombeiros voluntários e profissionais em Portugal, destina-se a galardoar pessoas singulares ou coletivas que pratiquem atos de especial relevância em prol da causa dos bombeiros portugueses, em território nacional ou em missões de apoio internacional.
Na cerimónia marcaram presença, entre outros responsáveis, o Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, e o Presidente da Mesa dos Congressos da Liga, Luís António Vicente Gil Barreiros. Nos fundamentos da distinção, é sublinhado o contributo do «Benemérito Manuel Carvalho, Embaixador dos Bombeiros Voluntários de Anadia em Mineola, por atos de relevância ao serviço da Causa dos Bombeiros Portugueses».
Uma distinção que honra não apenas o percurso de Manuel Carvalho, mas também a melhor tradição solidária da diáspora portuguesa, que continua a fazer do compromisso cívico e da gratidão às raízes uma marca identitária incontornável.
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