Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Fafe acolheu apresentação do livro Portugal: da Ditadura à Democracia perante auditório esgotado

Na passada terça-feira, 4 de agosto, foi apresentado, em Fafe, no âmbito da Festa do Emigrante, o livro Portugal: da Ditadura à Democracia, da autoria do historiador da diáspora Daniel Bastos, concebido a partir do espólio fotográfico de Marques Valentim, um dos mais relevantes nomes do fotojornalismo português. A obra reúne um valioso conjunto de fotografias captadas por Marques Valentim, que acompanhou alguns dos momentos mais marcantes da história contemporânea portuguesa, documentando, com singular sensibilidade e rigor, o processo de transição da ditadura para a democracia e a consolidação do regime democrático. Integrada no programa da Festa do Emigrante, iniciativa promovida pelo Município de Fafe que, anualmente, assinala na "Sala de Visitas do Minho" o regresso de milhares de emigrantes ao concelho, a sessão encheu por completo o auditório da Estação Memória. À apresentação assistiram antigos e atuais emigrantes, veteranos da Guerra do Ultramar, dirigentes associativos e numerosos membros da comunidade local, entre os quais o presidente da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa, o presidente da Assembleia Municipal, Raúl Cunha, e a vereadora da Cultura, Paula Nogueira.
Na abertura da sessão, a vereadora da Cultura, Paula Nogueira, destacou a importância de iniciativas que promovem a valorização da memória histórica e da identidade coletiva, enquadradas num programa que homenageia os emigrantes. Na sua intervenção, Daniel Bastos convidou o público à leitura da obra, sublinhando que esta constitui uma homenagem às mulheres e aos homens que contribuíram para o progresso de Portugal e, em particular, das comunidades locais e da diáspora. O autor salientou ainda que o livro representa uma oportunidade para refletir sobre um dos períodos mais decisivos da história contemporânea portuguesa e sobre o percurso coletivo que conduziu à conquista da liberdade e da democracia. Por sua vez, Marques Valentim manifestou o orgulho por ver reunido, nesta publicação, um conjunto significativo do seu trabalho fotográfico, considerando que a obra preserva a memória visual de uma época determinante da história nacional e constitui um importante contributo para a salvaguarda da memória coletiva. No encerramento da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa, sublinhou a relevância de promover momentos de reflexão sobre a história recente de Portugal, enaltecendo o papel da memória na afirmação dos valores da cidadania, da democracia e da liberdade, bem como o contributo determinante dos emigrantes para o desenvolvimento do concelho e do país. Editado em versão bilingue (português e inglês), com tradução de Paulo Teixeira e o apoio institucional da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, o livro reúne mais de duas centenas de fotografias emblemáticas, entre imagens raramente divulgadas e registos inéditos, dando a conhecer alguns dos acontecimentos e protagonistas mais marcantes da sociedade portuguesa da segunda metade do século XX. A partir das memórias visuais de Marques Valentim, a obra percorre alguns dos momentos mais marcantes da história contemporânea portuguesa. Das vivências da Guerra Colonial em Moçambique ao processo de integração dos chamados "retornados", após a Revolução de 25 de Abril de 1974, passando pelos principais acontecimentos do período revolucionário, o livro constitui um testemunho visual de excecional valor histórico. As fotografias revelam ainda as profundas transformações políticas e sociais do país, através de figuras da vida pública, do quotidiano de trabalhadores, famílias, comunidades do Portugal profundo e emigrantes que partiram em busca de melhores condições de vida, preservando a dimensão humana da construção da democracia. A apresentação em Fafe integrou o roteiro nacional e internacional de divulgação de Portugal: da Ditadura à Democracia. Desde o seu lançamento na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em Lisboa, a obra tem sido apresentada em várias cidades portuguesas e junto das comunidades portuguesas no mundo, afirmando-se como um importante contributo para a preservação da memória histórica, a valorização do património democrático português e o reforço dos laços culturais entre Portugal e a sua diáspora.

sábado, 18 de julho de 2026

Viana do Castelo acolheu apresentação do livro Portugal: da Ditadura à Democracia

No passado sábado, 18 de julho, foi apresentado, na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, o livro Portugal: da Ditadura à Democracia, da autoria do historiador da diáspora Daniel Bastos, concebido a partir do espólio fotográfico de Marques Valentim, um dos mais relevantes nomes do fotojornalismo português. A obra reúne um valioso conjunto de imagens captadas por Marques Valentim, fotógrafo que acompanhou alguns dos momentos mais marcantes da história contemporânea portuguesa, documentando, com singular sensibilidade e rigor, o processo de transição da ditadura para a democracia e a consolidação do regime democrático. A sessão, promovida pelo Centro de Estudos Regionais (CER), instituição dedicada ao estudo, à investigação, à preservação e à divulgação dos valores históricos, artísticos, antropológicos, culturais, socioeconómicos, científicos e paisagísticos do Minho, reuniu antigos combatentes e emigrantes, dirigentes associativos, académicos, representantes da comunicação social regional e personalidades da comunidade local. A apresentação esteve a cargo de Licínio Rego, Diretor do Serviço de Cirurgia Geral da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, que destacou o valor histórico, documental e pedagógico da obra, salientando o seu papel na valorização do conhecimento sobre o processo de transição democrática portuguesa. Sublinhou, igualmente, que as imagens de Marques Valentim convidam à reflexão sobre os caminhos percorridos pela sociedade portuguesa na construção da democracia e sobre os desafios que se colocam às gerações presentes e futuras na salvaguarda desse legado.
Mesa de honra da sessão de apresentação do livro Portugal: da Ditadura à Democracia, realizada na Sala Couto Viana da Biblioteca Municipal de Viana do Castelo. Da esquerda para a direita: o historiador da diáspora Daniel Bastos, o Presidente do Centro de Estudos Regionais (CER), Armando Borlido, e o Diretor do Serviço de Cirurgia Geral da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, Licínio Rego. Editado em versão bilingue (português e inglês), com tradução de Paulo Teixeira e o apoio institucional da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, o livro dá a conhecer um espólio fotográfico de inegável valor histórico. Ao longo de mais de duas centenas de fotografias emblemáticas, entre imagens pouco divulgadas e registos inéditos, Marques Valentim retrata alguns dos acontecimentos e protagonistas mais marcantes da sociedade portuguesa da segunda metade do século XX. A partir destas memórias visuais, a obra percorre episódios determinantes da história contemporânea nacional. Das vivências da Guerra Colonial em Moçambique ao processo de integração dos chamados “retornados” após a Revolução de 25 de Abril de 1974, passando pelos principais acontecimentos do período revolucionário, como o 11 de Março, o Verão Quente e o 25 de Novembro, o livro constitui um testemunho visual de excecional valor histórico. As fotografias documentam ainda as profundas transformações da sociedade portuguesa, revelando figuras da vida política e do processo de integração europeia, bem como o quotidiano de trabalhadores, famílias, comunidades do Portugal profundo e emigrantes que partiram em busca de melhores condições de vida, preservando a dimensão humana da construção da democracia. A apresentação em Viana do Castelo integrou o roteiro nacional e internacional de divulgação de Portugal: da Ditadura à Democracia. Desde o seu lançamento, no passado mês de junho, na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em Lisboa, a obra tem sido apresentada em várias cidades portuguesas e junto de comunidades da diáspora, nomeadamente em Toronto, no Canadá, afirmando-se como um relevante testemunho para a compreensão da memória histórica, a valorização do património democrático português e o reforço dos laços culturais entre Portugal e as suas comunidades espalhadas pelo mundo.

terça-feira, 14 de julho de 2026

O Abade Correia da Serra: pioneiro da presença portuguesa nos Estados Unidos

No passado dia 4 de julho assinalou-se o Dia da Independência dos Estados Unidos da América (EUA), o mais emblemático feriado nacional norte-americano, que evoca a adoção da Declaração de Independência, em 1776, quando as Treze Colónias proclamaram formalmente a sua separação do Império Britânico. No ano em que os Estados Unidos celebram o 250.º aniversário da sua fundação, a efeméride constitui um oportuno pretexto para revisitar alguns dos momentos fundadores das relações entre Portugal e a América. Um vínculo histórico particularmente relevante para os portugueses, cuja comunidade nos EUA se distingue, desde há gerações, pelo espírito empreendedor, pelo dinamismo associativo e pelo forte sentido de solidariedade, contribuindo de forma exemplar para prestigiar Portugal além-fronteiras. Importa recordar que Portugal foi o terceiro país a reconhecer formalmente a independência dos Estados Unidos, em 1783, circunstância que explica por que razão as relações diplomáticas entre os dois países figuram entre as mais antigas e duradouras da história norte-americana. Nas primeiras páginas desta relação bicentenária destaca-se a figura singular do Abade Correia da Serra, uma das personalidades mais notáveis da ciência, da cultura e da diplomacia portuguesas e o primeiro representante diplomático de Portugal junto dos Estados Unidos. Natural de Serpa, José Francisco Correia da Serra (1751-1823) partiu ainda criança para Itália com a família, de origem cristã-nova, procurando escapar à perseguição da Inquisição. Entre Nápoles e Roma recebeu uma sólida formação intelectual, estudando com o economista António Genovesi e contactando com Luís António Verney, um dos maiores expoentes do Iluminismo português, que despertou nele o interesse pelas ciências naturais.
Abade Correia da Serra (1751–1823) Licenciado em Direito Canónico, abraçou a vida religiosa e estabeleceu amizade com D. João Carlos de Bragança, 2.º Duque de Lafões. Regressado a Portugal em 1778, fundou, no ano seguinte, com o Duque de Lafões, a Real Academia das Ciências de Lisboa, instituição decisiva para o desenvolvimento científico e cultural do país. As suas convicções iluministas, a proximidade à Maçonaria e a simpatia pelas Revoluções Americana e Francesa tornaram-no alvo de crescente hostilidade política. Em finais do século XVIII fixou-se em Londres, onde exerceu funções na legação portuguesa e consolidou o seu prestígio internacional como botânico, publicando estudos científicos nas mais prestigiadas sociedades científicas britânicas. Em 1802 transferiu-se para Paris, onde conviveu com algumas das maiores figuras da ciência europeia, entre as quais Antoine Laurent de Jussieu, Alexander von Humboldt e Georges Cuvier. Nove anos mais tarde, recusando colaborar com a política napoleónica durante as invasões francesas de Portugal, partiu para os Estados Unidos. Na América encontrou o ambiente ideal para desenvolver a sua atividade científica e intelectual. O prestígio internacional de que já gozava, aliado às cartas de recomendação dirigidas ao Presidente James Madison e a Thomas Jefferson por personalidades como o Marquês de Lafayette, abriu-lhe as portas da elite política e académica norte-americana. Tornou-se membro da American Philosophical Society, colaborou com a Universidade da Pensilvânia e cultivou uma estreita amizade com vários estadistas americanos. A ligação a Thomas Jefferson foi particularmente significativa. Com o terceiro Presidente dos Estados Unidos trocou mais de uma centena de cartas e foi presença frequente em Monticello, na Virgínia. Ainda hoje é possível visitar naquela residência histórica o quarto reservado ao seu hóspede português — "The Abbé's Room" — testemunho da estima que unia os dois homens. Em 1816, Correia da Serra foi nomeado ministro plenipotenciário de Portugal em Washington, tornando-se o primeiro representante diplomático permanente português junto dos Estados Unidos. O conhecimento profundo que possuía da realidade americana e a proximidade às principais figuras da jovem República permitiram-lhe desempenhar um papel relevante na consolidação das relações bilaterais durante um período decisivo da política externa norte-americana. Regressado a Portugal na sequência da Revolução Liberal de 1820, foi eleito deputado às Cortes Constituintes pelo círculo de Beja, colocando a sua vasta experiência internacional ao serviço da construção do Portugal liberal. Viria a falecer nas Caldas da Rainha, em 1823, deixando uma obra científica, diplomática e intelectual que ultrapassou largamente as fronteiras nacionais e projetou o nome de Portugal nos mais prestigiados meios académicos e políticos do seu tempo. Mais de dois séculos depois, o Abade Correia da Serra permanece como uma das figuras mais notáveis da história contemporânea portuguesa. Cientista de renome internacional, diplomata, intelectual cosmopolita e homem de diálogo entre povos e culturas, foi igualmente um pioneiro da presença portuguesa nos Estados Unidos, muito antes das grandes vagas migratórias que marcaram a emigração portuguesa dos séculos XIX e XX. O seu percurso evidencia que os laços entre Portugal e a América nasceram também do intercâmbio de conhecimento, da diplomacia e da circulação de ideias, encontrando nele um dos seus mais lúcidos promotores. Evocar a sua memória é reconhecer uma personalidade ímpar, precursora da afirmação portuguesa nos Estados Unidos e uma das figuras que contribuíram para consolidar as históricas relações de amizade, cooperação e entendimento entre Portugal e a nação norte-americana.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Lena Barreto: um rosto da solidariedade luso-canadiana

Uma das características mais distintivas da diáspora portuguesa é a sua notável capacidade de iniciativa, refletida no percurso de milhares de compatriotas que, nos países de acolhimento, se afirmam no mundo empresarial, cultural, social, político e associativo. Entre esses exemplos de dedicação cívica, destaca-se o percurso de Lena Barreto, uma das personalidades mais respeitadas da comunidade portuguesa da região de Toronto. Natural do concelho minhoto de Fafe, Madalena Barreto, conhecida na comunidade luso-canadiana da região de Toronto como Lena, emigrou para o Canadá com a família em 1970, aos seis anos de idade. Cresceu em Toronto, cidade que acolhe uma das maiores e mais antigas comunidades portuguesas e lusodescendentes fora de Portugal, cujas raízes remontam à década de 1950. Desde muito jovem participou ativamente na vida comunitária, integrando iniciativas culturais e folclóricas, nomeadamente através do Rancho da Associação Cultural do Minho.
Entrega da Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, Grau Ouro, a Lena Barreto, pelo Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, a 11 de junho, em Toronto. Em paralelo, construiu uma sólida carreira profissional no Royal Bank of Canada (RBC), onde trabalhou durante quarenta anos. Terminou recentemente o seu percurso como Community Manager do Toronto West Community Hub, liderando a principal estrutura do banco dedicada à comunidade portuguesa. Ao longo de quatro décadas, distinguiu-se pela capacidade de liderança, pela criação de equipas de elevado desempenho e por sucessivos reconhecimentos de mérito profissional atribuídos pela instituição. O sucesso profissional nunca a afastou do compromisso comunitário. Pelo contrário, reforçou uma vocação de serviço que a levou a dedicar milhares de horas ao voluntariado e à participação cívica. Convicta da importância da representação política da comunidade luso-canadiana, colaborou em diversas campanhas eleitorais de personalidades de origem portuguesa, entre as quais Ana Bailão, Charles Sousa e Peter Fonseca. O seu voluntariado estendeu-se igualmente às áreas da educação, da saúde e da intervenção social. A partir de 1994, colaborou com a Junior Achievement, lecionando noções de economia a alunos do ensino básico em escolas de Toronto e Mississauga, cidade onde reside atualmente. Durante muitos anos coordenou iniciativas de angariação de fundos do RBC em benefício da United Way of Greater Toronto, do SickKids Hospital, da RBC Race for the Kids e do RBC Canadian Open. No seio da comunidade portuguesa desempenhou funções dirigentes em várias organizações de referência, contribuindo para o seu fortalecimento institucional. No Portuguese Cultural Centre of Mississauga exerceu responsabilidades como diretora de relações públicas, coordenadora do Carassauga e diretora do grupo folclórico. Foi igualmente dirigente e presidente da Federation of Portuguese Canadian Business & Professionals, organização dedicada à valorização dos empresários e profissionais luso-canadianos. Entre as instituições às quais mais dedicou o seu tempo destaca-se a Luso-Canadian Charitable Society, referência no apoio a adultos com deficiência física e intelectual, onde exerceu funções de vice-presidente e dinamizou importantes iniciativas de angariação de fundos para fins sociais. Particular destaque merece também a sua ligação ao Abrigo Centre, uma das mais relevantes instituições sociais da comunidade luso-canadiana. Entre 2018 e 2026 presidiu ao Conselho de Administração, contribuindo para consolidar o papel da instituição no apoio a vítimas de violência doméstica, na proteção das mulheres, na integração comunitária e no acompanhamento de idosos e famílias em situação de vulnerabilidade. Mais recentemente assumiu funções de tesoureira da Magellan Community Charities, entidade responsável pela criação, em Toronto, do primeiro lar de cuidados continuados destinado à comunidade de expressão portuguesa. O seu percurso tem sido amplamente reconhecido através de diversas distinções, entre as quais o RBC Community Leader Award, o RBC Community Spirit Award, o Professional Excellence Award da Federation of Portuguese Canadian Business & Professionals e a Medalha do Jubileu de Diamante da Rainha Isabel II. Em junho deste ano, durante a visita oficial a Toronto do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, foi agraciada com a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, Grau Ouro, em reconhecimento pelo seu extraordinário contributo para a comunidade portuguesa no Canadá. Mesmo após a aposentação, Lena Barreto continua a dedicar-se ao voluntariado, colaborando com a Canadian Cancer Society através do programa Wheels of Hope, que assegura o transporte de doentes oncológicos para tratamentos médicos. O seu percurso demonstra que a vitalidade da diáspora portuguesa não se mede apenas pelo sucesso material dos seus membros, mas também pela capacidade de construir instituições sólidas, promover a solidariedade e preservar a identidade cultural. Lena Barreto representa exemplarmente essa tradição de serviço à comunidade, honrando Portugal e projetando o melhor da presença portuguesa no Canadá, ao mesmo tempo que evidencia o papel determinante das mulheres na afirmação e desenvolvimento das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

domingo, 28 de junho de 2026

Livro "Portugal: da Ditadura à Democracia" apresentado em Toronto perante uma expressiva participação da comunidade luso-canadiana

No passado sábado, 27 de junho, foi apresentado em Toronto, cidade canadiana que alberga uma das mais expressivas comunidades portuguesas e lusodescendentes do mundo, o livro Portugal: da Ditadura à Democracia. A obra, concebida pelo historiador da diáspora Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Marques Valentim, um dos nomes maiores do fotojornalismo português, que acompanhou alguns dos momentos mais decisivos da história contemporânea nacional durante o processo de transição e consolidação da democracia, foi apresentada na Peach Gallery, um dos mais relevantes espaços culturais da comunidade luso-canadiana.
Integrada nas celebrações do Mês do Património Português em Toronto, a sessão contou com uma expressiva participação da comunidade luso-canadiana, reunindo emigrantes, lusodescendentes, dirigentes associativos, representantes dos órgãos de comunicação social e diversas personalidades da comunidade, entre as quais o deputado federal canadiano Charles Sousa, o presidente da Aliança de Clubes e Associações Portuguesas de Ontário (ACAPO), Joe Eustáquio, e o presidente da Luso-Canadian Charitable Society, Jack Prazeres. A apresentação esteve a cargo do empresário e filantropo Manuel DaCosta, que sublinhou a relevância histórica e documental da obra, considerando-a um importante contributo para a preservação da memória colectiva da construção da democracia portuguesa. Destacou igualmente a atualidade da sua mensagem, num contexto internacional marcado pela crescente polarização política, pela ascensão dos extremismos e pelo enfraquecimento da confiança nas instituições democráticas. A sessão constituiu também uma homenagem ao papel desempenhado pela comunidade luso-canadiana na preservação e afirmação dos valores da liberdade, da democracia e da portugalidade, reforçando os laços históricos e afetivos que unem Portugal às suas comunidades espalhadas pelo mundo. Editada em versão bilingue (português e inglês), com tradução de Paulo Teixeira e apoio institucional da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, a obra dá a conhecer o singular espólio fotográfico de Marques Valentim. Ao longo de mais de duas centenas de fotografias emblemáticas, imagens pouco divulgadas e registos inéditos, o fotojornalista documenta, com notável sensibilidade e rigor, alguns dos acontecimentos e protagonistas mais marcantes da sociedade portuguesa na segunda metade do século XX. A partir das memórias visuais de Marques Valentim, que registou o conflito colonial em Moçambique e integrou, durante mais de três décadas, as redações de alguns dos mais importantes jornais portugueses, o livro percorre momentos marcantes da história contemporânea portuguesa. Aborda as vivências da guerra e o processo de integração dos chamados «retornados», na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, bem como os principais acontecimentos do período revolucionário, como o 11 de Março, o Verão Quente e o 25 de Novembro. As fotografias documentam também as profundas transformações da sociedade portuguesa, revelando tanto protagonistas da vida política e da integração europeia como o quotidiano de trabalhadores, famílias, comunidades do Portugal profundo e emigrantes que partiram em busca de melhores condições de vida, preservando a dimensão humana da transição democrática. Refira-se que, paralelamente à apresentação em Toronto, cujas receitas da venda do livro revertem integralmente a favor da Magellan Community Foundation, entidade que está a desenvolver o primeiro lar de cuidados continuados destinado a idosos de expressão portuguesa naquela cidade, a obra foi lançada no passado dia 18 de junho, em Lisboa, na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Mário Soares e Maria Barroso. Ao longo dos próximos meses, estão previstas novas sessões de apresentação de Portugal: da Ditadura à Democracia em várias localidades de Portugal e em diferentes comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, dando continuidade à divulgação de uma obra que constitui um relevante contributo para a preservação da memória histórica e para a valorização do património democrático português.