Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Daniel Bastos apresenta livro sobre as comunidades portuguesas no Festival das Migrações no Luxemburgo

No próximo 25 de fevereiro (sábado), o escritor e historiador Daniel Bastos apresenta no Festival das Migrações no Luxemburgo, a segunda edição do seu último livro “Crónicas - Comunidades, Emigração e Lusofonia”.


 

A segunda edição da obra, agora revista e aumentada, que reúne as crónicas que o historiador tem escrito nos últimos anos na imprensa de língua portuguesa no mundo, é apresentada às 13h00 na Sala 2B da LuxExpo, em Kirchberg, no âmbito do 40.º aniversário do Festival das Migrações, um certame que reúne milhares de visitantes e se assume como o encontro de todas as culturas no Luxemburgo.

A apresentação do livro, que é prefaciado pelo advogado e comentador Luís Marques Mendes, integra o programa da conferência-debate sobre a emigração lusófona promovida pelo Centro de Documentação sobre Migrações Humanas (CDMH). Uma iniciativa que contará com a presença de Maria Beatriz Rocha-Trindade, uma das maiores especialistas nacionais do fenómeno das migrações, e que será moderada pela socióloga Heidi Martins, investigadora do CDMH.

 


Refira-se que nesta última obra, o escritor revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam nas pátrias de acolhimento e de origem, como é o caso da comunidade lusa no Luxemburgo, a maior comunidade no Grão-Ducado, representando cerca de 20% da população total do país.

Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesaDaniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

 

 

domingo, 5 de fevereiro de 2023

O apoio na diáspora aos alunos lusodescendentes

 

Entre as características mais distintas da diáspora, a enorme capacidade empreendedora e o seu forte espírito de solidariedade, são seguramente das que mais sobressaem no código genético das comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo.

Ao longo das décadas têm sido inúmeras as campanhas solidárias, as iniciativas de apoio e os gestos de altruísmo protagonizados, a título individual ou coletivo, pelos portugueses no estrangeiro em prol de causas, valores e pessoas, muitas delas concidadãos que por vicissitudes da vida encontram na generosidade de muitos compatriotas uma bússola e um porto de abrigo.

Um desses exemplos paradigmáticos de espírito solidário é o que no decurso dos últimos anos tem sido protagonizado pelo “Dr. Edward Leitão Memorial Scholarship Fund”. Um fundo que atribui bolsas de estudo a luso-americanos na Nova Inglaterra, região no nordeste dos Estados Unidos, que abrange os estados de Maine, Vermont, Nova Hampshire, Massachusetts, Connecticut e Rhode Island.

Tendo como co-fundadora e presidente da Comissão do Fundo de Bolsas, a reputada médica portuguesa Helena Santos-Martins, que recentemente abriu uma clínica de medicina interna no Massachusetts, o Fundo para Bolsas de Estudo Dr. Edward Leitão é gerido pela Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers (MAPS). E foi criado em 2015, em memória do médico, que faleceu naquele ano, um conceituado clínico e diretor da Cambridge Health Alliance, que durante várias décadas cuidou de muitos pacientes da comunidade de língua portuguesa na área de Cambridge. 

O objetivo primacial do fundo é oferecer bolsas de estudo a alunos luso-americanos que prosseguem medicina e outras vertentes na área da saúde, procurando desse modo suprir a necessidade da comunidade por profissionais de saúde de língua portuguesa na Nova Inglaterra. Nesse sentido, os candidatos precisam de ser portugueses ou luso-americanos a estudar na Nova Inglaterra, assim como frequentarem o primeiro ou último ano do ensino médio, e estarem matriculados numa faculdade ou frequentarem a faculdade de medicina / odontologia.

Ainda no ocaso do mês passado, decorreu no Faialense Club, em Cambridge, uma cerimónia que reuniu as forças vivas da comunidade portuguesa da Nova Inglaterra, e no decurso da qual foram entregues a seis luso-americanas interessadas em seguir carreira na medicina e outras áreas da saúde, bolsas de estudos concedidas pelo “Dr. Edward Leitão Memorial Scholarship Fund”, no valor de 11 mil dólares.

Ao contribuir decisivamente para honrar o passado, dinamizar o presente e projetar o futuro da comunidade portuguesa da Nova Inglaterra, região que concentra uma das maiores comunidades lusas na América do Norte, e cuja relevância é aferida por várias organizações luso-americanas centenárias, histórias de sucesso empresarial e protagonistas sociopolíticos, o ativismo benemérito do Fundo para Bolsas de Estudo Dr. Edward Leitão, recorda-nos a máxima de José Saramago, um dos mais importantes nomes da literatura contemporânea: “Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir”.

 

 

 

 

 


sábado, 28 de janeiro de 2023

José Luís Vale: um emigrante na América que não esquece as suas raízes

 

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, destacam-se vários percursos de vida de compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada na América e ascenderam na escala social graças à capacidade de trabalho e de mérito, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso de José Luís Vale, um reconhecido empresário na área da construção civil em Nova Jérsia.

Natural de Casal dos Crespos, freguesia de Nossa Senhora da Piedade, concelho de Ourém, José Luís Vale emigrou para os Estados Unidos na década de 1980, na esteira de milhares de compatriotas à procura de melhores condições de vida.

A chegada ao território americano, onde entretanto casou e constituiu família, vincou um percurso de vida forjado no trabalho, esforço e resiliência, premissas que transformaram o antigo serralheiro oureense num relevante empresário no ramo da construção civil nos EUA.

Conhecido por cultivar a simplicidade, discrição e humildade, assim como os valores da família e a firmeza da amizade, José Luís Vale sobressai indelevelmente por manter uma estreita ligação ao torrão natal, como corrobora o seu investimento hoteleiro em Fátima.

Mas o profundo apego às suas raízes, tem-se manifestado paradigmaticamente ao longo dos últimos anos, na dinamização de várias iniciativas de apoios aos Bombeiros Voluntários de Ourém, uma entidade de utilidade pública e carácter humanitário que remonta aos primórdios da Primeira República.

O extraordinário sentimento benemérito do empresário luso-americano, ele que foi também bombeiro em Ourém antes de se ter fixado em Newark, a cidade mais populosa do estado de Nova Jérsia, tem possibilitado encontrar formas e meios para apetrechar os Bombeiros Voluntários deste concelho do Médio Tejo.

Entre várias iniciativas, destaca-se por exemplo, a que dinamizou em 2016 no PISC, clube português da cidade de Elizabeth, Nova Jérsia, que juntou centenas de conterrâneos e compatriotas, e que permitiu angariar 50 mil dólares que reverteram para os Bombeiros Voluntários de Ourém.

A sua constante e desprendida generosidade com os Bombeiros de Ourém, contribuiu para que no âmbito do 106.º aniversário da corporação humanitária, a chegada de um novo Veículo Florestal de Combate e Incêndios (VFCI-10) fosse apadrinhado pelo casal José Luís Vale e Edite, tendo o mesmo sido benzido com o nome de “Golden Eagle – Comunidade Luso-Americana”.

Contexto que tem levado igualmente a associação oureense a homenageá-lo e a enaltecer diversas vezes o seu espírito filantropo em prol da corporação. Assim como, a Liga dos Bombeiros Portugueses, que se constitui como a confederação das Associações e Corpos de Bombeiros voluntários ou profissionais no território nacional, e que lhe atribuiu em 2019, a Medalha de Serviços Distintos – Grau Ouro.

Uma condecoração justa e merecida, que destina-se a galardoar elementos dos Corpos de Bombeiros, dirigentes dos órgãos sociais das entidades detentoras de Corpos de Bombeiros e das Federações Regionais ou Distritais de Bombeiros e Liga dos Bombeiros Portugueses. Bem como indivíduos e entidades da sociedade civil, pela prática de Serviços Distintos que contribuíram com notável evidência para o engrandecimento e prestígio das instituições de Proteção e Socorro.

Sem nunca esquecer as suas raízes, e nunca abdicando da humildade e seriedade, o exemplo de vida do emigrante e empresário benemérito José Luís Vale, inspira-nos a máxima do escritor francês Honoré de Balzac, considerado o fundador do Realismo na literatura moderna: “Seja no que for, só se recebe na medida do que se dá.”

 

sábado, 21 de janeiro de 2023

A (re)valorização da música portuguesa no seio da lusodescendência

 

No decurso dos últimos anos tem-se assistido, um pouco por toda a dispersa geografia das comunidades portuguesas, a um conjunto relevante de iniciativas, que nas suas mais variadas manifestações artísticas têm contribuído para uma redescoberta das raízes culturais no seio da lusodescendência.

Muitas destas iniciativas têm sido inclusivamente dinamizadas no estrangeiro por diversos lusodescendentes, que ao manterem acesa a herança cultural portuguesa dos seus pais e avós, contribuem decisivamente para a projeção internacional do país.

Um desses exemplos paradigmáticos mais recentes é o que está a ser dinamizado por um coletivo de músicos e artistas lusodescendentes, franceses e portugueses que se dedicam a revisitar o folclore português numa expressão nova. Cognominado “Criatura”, o grupo marcou presença no ano transato em vários palcos de festivais, e tem como um dos seus últimos temas uma música cinematográfica “Labuta”, um rearranjo de uma antiga canção popular com laivos intervencionistas.

A versão gravada, que contou com a participação do Coro dos Anjos, foi apresentada ao vivo na Lavaria do Cabeço do Pião, nas antigas Minas da Panasqueira, um conjunto de explorações mineiras com mais de um século de história localizadas na Beira Interior e que marcaram indelevelmente a história, a memória e a identidade das populações da Covilhã e do Fundão.

Os trabalhos do coletivo musical, robustecido pela presença de vários lusodescendentes radicados em França, o país do mundo onde vive e trabalha a maior comunidade portuguesa no estrangeiro, podem ser visualizados no canal de música no YouTube “Soundscape”. Um projeto vídeo-musical fundado pelo produtor e realizador francês Yoann Le Gruiec, que tem vindo a filmar artistas contemporâneos nacionais, em diferentes cidades lusas, de forma a dar a conhecer a nível mundial a música que se faz em Portugal, mas sem divulgação no estrangeiro.

O canal de Youtube “Soundscape”, criado em 2021, contou com o apoio do Instituto Francês, no âmbito da Temporada Cruzada França-Portugal, tendo recebido depois o apoio do Turismo de Portugal, dada a sua relevância na promoção e divulgação de artistas contemporâneos lusos, dos mais diferentes estilos, associando-os a diferentes cidades nacionais, como é o caso do coletivo “Criatura”.

Esta dinâmica hodierna de (re)valorização da música portuguesa no seio da lusodescendência, revivesce a constatação da investigadora Mireille Heleno Torrado,  que na dissertação Os descendentes de emigrantes portugueses em França: o reencontro com as suas raízes, assevera: “o reencontro dos luso-descendentes com as suas raízes portuguesas é feito de muitas expetativas e muitos sonhos mas que, ao longo do tempo, se vão apercebendo de que, apesar de terem uma dupla pertença, existe um longo trabalho de inserção na sociedade portuguesa que deve ser empreendido por todos”.