Morgado de Fafe
O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.
segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Memórias da ditadura revisitadas na comunidade portuguesa em Paris
No passado sábado (21 de setembro), foi apresentado na capital francesa o livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.
A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, foi apresentada na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris.
A sessão de apresentação, que encheu a Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, um centro de irradiação da cultura portuguesa na capital francesa, de emigrantes, lusodescendentes, empresários, líderes comunitários, dirigentes associativos e órgãos de informação da diáspora, esteve a cargo de Paulo Pisco, Deputado eleito da Assembleia da República pelo círculo eleitoral da Europa, que enalteceu o percurso de Daniel Bastos em prol da promoção do papel das comunidades portuguesas. Segundo o mesmo, a apresentação deste livro no ano em que se assinala meio século da Revolução de Abril, acentua o papel da memória histórica, contribuindo assim para uma sociedade mais conhecedora da sua história recente, e mais participativa, plural e democrática.
Refira-se que nesta nova obra, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira e prefácio do investigador José Pacheco Pereira, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura portuguesa nos anos 60 e 70.
Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados, desde logo, as primeiras manifestações do Maio de 1968 em Paris, acontecimento icónico onde o fotógrafo engajado consolidou a sua consciência cívica e política. E, com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70.
Em plena celebração de meio século de liberdade em Portugal, a apresentação deste livro na capital francesa, como aludiu João Costa Ferreira, Diretor da Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, constituiu um reconhecimento dos laços históricos que unem Portugal e França. Assim como, da importância da comunidade portuguesa em França, a mais numerosa das comunidades lusas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês.
No final da sessão de apresentação do livro na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, os presentes puderam degustar de uma seleção de vinhos verdes, promovida pelos Vinhos Norte, um dos maiores produtores nacionais de vinho verde que procura aliar a tradição de fazer vinho com a inovação no sector.
sábado, 14 de setembro de 2024
André Fernandes: um “self-made man” luso-americano
A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.
No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, destacam-se vários percursos de vida de compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).
Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada na América e ascenderam na escala social graças a capacidades extraordinárias de trabalho, mérito e resiliência, destaca-se o percurso de sucesso do empresário e piloto de corridas, André Fernandes, umas das figuras mais proeminentes da numerosa comunidade luso-americana no estado de Nova Iorque.
Natural de Cabeda, distrito de Vila Real, o emigrante transmontano integra a plêiade de empresários luso-americanos que se evidenciam no ramo da construção civil, quer predial, quer de infraestruturas, no árduo e competitivo mercado norte-americano.
No caso concreto do emigrante transmontano, André Fernandes encetou há duas décadas um percurso notável de genuíno “self-made man” através da criação e liderança da ASF Construction & Excavation Corp., uma empresa de construção civil que se tem assumido nos últimos anos como líder de betão em Nova Iorque e na Flórida. Dois importantes estados norte-americanos, onde a diáspora lusa está significativamente implantada, e tem desempenhado um importante papel ao nível do progresso e desenvolvimento socioeconómico.
Com uma trajetória marcada pelo mérito e pela inovação, e dotado de uma energia incansável, o trabalho e resiliência de André Fernandes transformou a ASF Construction & Excavation Corp, numa empresa de referência nas áreas de escavação, bombagem de betão, fundações para estruturas, pavimentos ou aluguer de guindastes.
Nos vários serviços prestados pela empresa luso-americana de construção civil, a visão e missão da mesma assenta em padrões de excelência, rigor e sustentabilidade, premissas que permitem que com o passar do tempo, a ASF Construction & Excavation Corp continue a trilhar os caminhos da inovação e acompanhamento das necessidades do mercado norte-americano.
Entre as obras mais emblemáticas onde se encontra o cunho da empresa do emigrante com raízes transmontanas, destaca-se recentemente o maior arranha-céus da cidade de Newark, com mais de 600 apartamentos. Um empreendimento singular que marca indelevelmente a paisagem urbana da cidade mais populosa do estado de New Jersey, e onde se encontra uma das mais representativas comunidades portuguesas nos Estados Unidos.
No profícuo rol de projetos de prestígio que têm o cunho da empresa liderada pelo luso-americano André Fernandes, encontram-se, entre muitos outros, o Ridge Hill High Rise Building, o Larkin Plaza High Rise Building,e o Modera Hudson, ambos na cidade de Yonkers, no estado de Nova Iorque. Ou, o NewRo Studios, o 500 Main Street, o Milennia, e o Multi Storied Building, ambos na cidade de New Rochelle, a sudeste do estado de Nova Iorque.
Uma das facetas mais conhecidas do empresário luso-americano, é igualmente a sua paixão pelo desporto automóvel. Na qualidade de “gentleman driver”, o também piloto e empresário da ASF Motorsport integrou recentemente o competitivo pelotão da Porsche Carrera Cup North America. Aos comandos de um Porsche 992 GT3 CUP representou as cores nacionais numa das corridas de apoio ao Grande Prémio do Canadá de Fórmula 1, que se disputou em junho deste ano, no lendário Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal.
A paixão pelas corridas, combinada com o apego às raízes lusas, tem levado a que o emigrante empreendedor e piloto radicado em Nova Iorque, venha com regularidade competir a Portugal, mormente a Portimão, Estoril ou ao torrão natal, em Vila Real. Ainda no ano passado, integrou o pelotão da edição 2023 da Porsche Sprint Challenge Ibérica e esta época apontou foco ao Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, marcando presença nas rampas da Arrábida e Porca de Murça, alcançando dois pódios na Categoria GT.
Uma das figuras mais proeminentes da numerosa comunidade luso-americana no estado de Nova Iorque, o percurso de sucesso do emigrante, empresário e piloto de corridas, André Fernandes, inspira-nos a máxima de Walter Elliot: “Perseverança não é uma corrida longa, são muitas corridas curtas, uma após a outra”.
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
Monumentos a Camões na Diáspora: símbolos identitários das comunidades portuguesas
2004 é o ano em que se comemoram os 500 anos do nascimento de Camões, o maior poeta português e símbolo cimeiro da língua portuguesa e da nossa cultura. Nas palavras do tradutor e poeta húngaro Árpád Mohácsi, o autor do poema épico do povo português, Os Lusíadas, é “um poeta de primeira classe, um dos melhores escritores de sonetos da literatura mundial”.
Uma das maiores figuras da literatura lusófona e um dos grandes poetas da tradição ocidental, Camões foi adotado, sobretudo a partir do séc. XIX, como símbolo de portugalidade. O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebrado anualmente a 10 de Junho, data da morte do poeta, e assim designado desde a Revolução de Abril, presta, portanto, homenagem a Portugal, aos portugueses, à cultura lusófona e à presença portuguesa no mundo, através da figura de um dos maiores nomes da literatura universal.
Não é, pois, de admirar, que um pouco por todo o território nacional tenham sido erigidos, ao longo dos anos, inúmeros monumentos alusivos a Luís de Camões. Um símbolo nacional que em estruturas comemorativas, como esculturas ou bustos, alinda e enobrece, de modo marcante, a paisagem de muitos espaços públicos de cidades portuguesas.
Menos conhecidos do público em geral, mas não menos repletos de simbolismo e sentimento pátrio, são também vários os exemplos de monumentos alusivos a Camões erigidos no seio da Diáspora. Perpetuando e dinamizando na esteira de D. Rui Valério, patriarca de Lisboa, “a valorização da portugalidade integrada e interpretada numa mundivisão mais ampla”.
Por exemplo, em França, a mais numerosa das comunidades portuguesas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês, rondando um milhão de pessoa, foi inaugurado no dia 19 de outubro de 1987 por Jacques Chirac, então primeiro-ministro e presidente da Câmara Municipal de Paris, na presença de Mário Soares, então presidente da República Portuguesa, um busto do poeta que fica no final das escadas da Avenue de Camões, Paris 16ème, bem perto dos jardins do Trocadero.
No entanto, a primeira estátua de Camões na capital francesa foi inaugurada no dia 13 de junho de 1912, nos anos iniciais da Primeira República. Um busto, enorme, encomendado ao escultor italiano Luigi Betti, e instalado num pedestal com cerca de 5 metros de altura, que após vários imprevistos se encontra atualmente no Jardim Camões da Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, um centro de irradiação da cultura portuguesa na capital francesa.
Já no Luxemburgo, onde cerca de 100 mil portugueses representam praticamente 15% da população total do Grão-Ducado, assumindo-se como o mais importante grupo estrangeiro no país desde os anos 80, foi oferecida em 2006 à capital luxemburguesa, pela CCILL – Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa, e a Santa Casa da Misericórdia do Luxemburgo, uma estátua de Camões. Resultado da generosidade de três empresários portugueses no Grão-Ducado, mormente António Silva, José Veiga e Manuel Cardoso, o busto de Camões no Luxemburgo foi transferido em 2016, de Bonnevoie para a Praça Joseph Thorn, onde se encontra presentemente, em frente às instalações do Instituto Camões.
Na América do Norte, concretamente em Toronto, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, desde o alvorecer de junho de 2013, ano em que o espírito empreendedor e benemérito do comendador Manuel DaCosta, um dos mais ativos empresários portugueses em Toronto, impulsionou as obras de revitalização da praça de Camões (Camões Square). Encontra-se, no centro da maior cidade do Canadá, entre outros relevantes símbolos e estruturas de engrandecimento da portugalidade, um imponente busto de Camões, o maior poeta da língua portuguesa.
No seio da dispersa geografia da Diáspora, a comunidade portuguesa em Macau, cifrada em milhares de compatriotas, e elo fundamental da cultura e presença secular lusa no Oriente, usufrui desde a centúria oitocentista, e após vicissitudes várias, um dos mais afamados bustos do poeta, na Gruta de Camões. O próprio, terá vivido em Macau durante dois anos, apontado a tradição lendária que terminou nesta gruta, local incontornável de visita na hodierna região autónoma na costa sul da China continental, Os Lusíadas, a obra mais importante da literatura de língua portuguesa.
Estes monumentos, e outros que se encontram ou possam vir a ser projetados nas pátrias de acolhimento dos portugueses espalhados pelo mundo, são uma indubitável mais-valia na perpetuação e dinamização da cultura e identidade lusa na Diáspora. De tal modo que é nestes autênticos marcos de portugalidade, que as comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo realizam incontornavelmente as celebrações simbólicas do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Revivendo assim anualmente um sentimento inefável, paradigmaticamente expresso por Fernando Pessoa: “O povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo”.
terça-feira, 3 de setembro de 2024
Paris é palco de apresentação de livro sobre memórias da ditadura portuguesa
No dia 21 de setembro (sábado), é apresentado em Paris o livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”.
A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, é apresentada às 17h30 na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris.
O fotógrafo Fernando Mariano Cardeira (esq.) acompanhado do historiador Daniel Bastos
A apresentação do livro, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira, e prefácio do historiador e investigador José Pacheco Pereira, estará a cargo de Paulo Pisco, Deputado eleito da Assembleia da República pelo círculo eleitoral da Europa.
Nesta nova obra, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nas décadas de 1960-70.
Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados, desde logo, as primeiras manifestações do Maio de 1968 em Paris, acontecimento icónico onde o fotógrafo engajado consolidou a sua consciência cívica e política. E, com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70.
No ano em que se celebra meio século de liberdade em Portugal, a apresentação deste livro em Paris, constitui um reconhecimento dos laços que unem Portugal e França, e do contributo da comunidade portuguesa em França, a mais numerosa das comunidades lusas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês, rondando um milhão de pessoas, ao longo dos anos no engrandecimento dos valores da liberdade e da portugalidade.
Refira-se que a sessão de apresentação na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, um centro de irradiação da cultura portuguesa na capital francesa, incluirá uma prova de vinho verde, promovida pelos Vinhos Norte, um dos maiores produtores nacionais de vinho verde que procura aliar a tradição de fazer vinho com a inovação no sector.
Nascido já depois da Revolução de Abril, e com vários livros publicados no domínio da História e da Emigração, cujas sessões de apresentação o têm colocado em contacto estreito com as comunidades portuguesas, o percurso do historiador e escritor Daniel Bastos tem sido alicerçado no seio da Diáspora.
Depois de uma trajetória marcada pela deserção, emigração e exílio nas décadas de 1960-70, Fernando Mariano Cardeira regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974. Foi um dos fundadores da Associação de Exilados Políticos Portugueses (AEP61/74), e presidiu à Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória-NAM.
domingo, 1 de setembro de 2024
Comendador Rogério Oliveira: uma vida dedicada à comunidade portuguesa no Luxemburgo
Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é a sua dimensão empreendedora, solidária e associativa como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso, e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico e político.
Nos vários exemplos de portugueses da diáspora que têm trilhado um percurso incansável de apoio constante a compatriotas nas pátrias de acolhimento e de origem, destaca-se o percurso inspirador e notável do comendador Rogério Oliveira, uma das figuras mais conhecidas da comunidade portuguesa no Luxemburgo.
Uma comunidade no coração da Europa, onde os portugueses representam praticamente 15% da população total do Luxemburgo, constituindo o mais importante grupo estrangeiro no país desde os anos 80. Principalmente ligados às atividades tradicionais da construção civil, comércio, hotelaria, restauração e serviços, a relevância dos cerca de 100 mil portugueses presentes no Grão-Ducado, encontra-se singularizada no discurso em 2023, do então primeiro-ministro luxemburguês, Xavier Bettel, no Parlamento Europeu: “A comunidade portuguesa ajudou a construir o meu país. O Luxemburgo não seria o que é hoje sem a comunidade portuguesa”.
Natural do concelho de Anadia, em pleno centro da região da Bairrada, Rogério Oliveira emigrou no alvorecer dos anos 70 para o Grão-Ducado, em demanda de melhores condições de vida, após uma infância e adolescência marcada pelo espectro de grandes carências, e o serviço militar cumprido em Lisboa, que lhe permitiu não ser chamado para a Guerra Colonial.
Dotado de uma enorme capacidade de trabalho, esforço e resiliência, que se revelaram essenciais para ultrapassar as vicissitudes da vida, o emigrante anadiense alcançou ao longo da sua trajetória profissional postos de chefia no maior grupo de distribuição do Luxemburgo. Desde muito cedo se envolveu também na vida comunitária, sendo um dos fundadores, em 1997, da Associação Cultural e Humanitária da Bairrada no Luxemburgo (ACHBL), uma coletividade que tem sido um farol de benemerência em prol de compatriotas no Luxemburgo e em Anadia.
É o caso dos apoios constates aos bombeiros da região da Bairrada, Tondela ou Gouveia, essenciais para a aquisição de ambulâncias ou carros de combate a fogos, e a IPSS que melhoram as condições de vida dos seniores, como por exemplo, o Centro Social de Tourigo. Ainda no passado mês de agosto, a ACHBL, liderada por Rogério Oliveira, entregou com a presença do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, um donativo no valor de cinco mil euros aos Bombeiros de Anadia, assim como, ao Lar de Idosos São Joaninho, em Santa Comba Dão.
Os donativos entregues, foram angariados no decurso do mês de julho, no âmbito da festa anual que a ACHBL promoveu no Parque Municipal Gaalgebierg (Esch/Alzette), pátria de acolhimento, onde por exemplo, o Centro Ulisses da Cáritas do Luxemburgo, tem sido apoiado pela Associação Cultural e Humanitária da Bairrada no Luxemburgo.
Com uma vida há mais de meio século devotada à comunidade lusa do Grão-Ducado, Rogério Oliveira que foi durante vários anos conselheiro das Comunidades Portuguesas, eleito no Luxemburgo, é detentor da Medalha de Mérito da comuna luxemburguesa de Strassen. E desde 2012, da Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, Grau Ouro, atribuída pelo Governo da República Portuguesa, ano em que a ACHBL também recebeu a medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, por ocasião do 15. ° aniversário da associação.
O percurso de vida associativo e benemérito de Rogério Oliveira, singularmente plasmado à frente dos destinos da ACHB, coletividade detentora de um dos galardões dos prémios ING Solidarity Awards, que distinguem instituições que trabalham no campo da solidariedade no Grão-Ducado, concorreu ainda para que o emigrante anadiense tenha sido durante vários anos membro do Conselho Nacional dos Estrangeiros no Luxemburgo. Assim como, para que Rogério Oliveira tenha sido distinguido com o “Prémio Personalidade”, da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL) em 2014, e a Comenda de Ordem de Mérito Civil, atribuída pela Presidência da República, em 2015, e que se destina a galardoar atos ou serviços meritórios praticados no exercício de quaisquer funções, públicas ou privadas, que revelem abnegação em favor da coletividade.
Uma das figuras mais conhecidas da comunidade portuguesa no Luxemburgo o exemplo de vida abnegado e benemérito do comendador Rogério Oliveira, inspira-nos a máxima do filósofo romano Cícero: “Não há nada que não se consiga com a força de vontade, a bondade e, principalmente, com o amor”.
domingo, 25 de agosto de 2024
George Perry: um neurocientista com orgulho nas raízes portuguesas
A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.
Atualmente, segundo dados dos últimos censos americanos, residem nos EUA mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, principalmente concentrados na Califórnia, Massachusetts, Rhode Island e Nova Jérsia. A grande maioria da população luso-americana trabalha por conta de outrem, na indústria, mas são já muitos os que trabalham nos serviços ou se destacam na área científica, no ensino, nas artes, nas profissões liberais e nas atividades políticas.
Entre as várias trajetórias de portugueses ou lusodescendentes que se distinguem pelo papel empreendedor e inovador no contexto da sociedade norte-americana, e que constituem simultaneamente um ativo estratégico na promoção internacional e de investimento económico em Portugal, destaca-se o percurso inspirador do neurocientista George Perry, um dos principais investigadores mundiais da doença de Alzheimer.
Neto de portugueses das ilhas açorianas do Pico e de Santa Maria que emigraram para os EUA no alvorecer do séc. XX, George Perry nasceu perto de Lompoc, cidade localizada no estado americano da Califórnia, no condado de Santa Bárbara. Tendo crescido numa quinta isolada, o pai era agricultor e cortava a relva num campo de golfe, a mãe era empregada de limpeza num hotel, o esforço e a resiliência que o jovem lusodescendente apreendeu no seio familiar. impeliram desde muito cedo um gosto peculiar pela formação inicial em Biologia.
Depois desta primeira etapa de formação como biólogo marinho, que passou pela graduação na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara na década de 1970; a aquisição de experiência profissional na Estação Marítima de Hopkins, em Stanford, e um doutoramento na Scripps Institution of Oceanography em La Jolla, um centro de oceanografia e ciências da terra sediado na Universidade da Califórnia, em San Diego. George Perry iniciou a partir dos anos 80 um percurso notável e de referência no âmbito doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência, caracterizada por uma redução no número e tamanho das células cerebrais que deteriora de forma irreversível as funções cognitivas dos doentes. A linguagem, o pensamento, a atenção e a concentração são algumas das funções afetadas pela doença que leva à morte das células cerebrais e ao corte de comunicação dentro do cérebro.
Professor de Biologia e Decano da Faculdade de Ciências na Universidade do Texas em San Antonio, George Perry é atualmente um dos principais investigadores da doença de Alzheimer, com mais de 1.000 publicações, e um dos 100 cientistas mais citados em neurociência e comportamento. Contexto que concorre para que seja uma referência mundial na doença de Alzheimer, como corrobora o facto de ser, entre outros, diretor editorial do “Journal of Alzheimer’s Disease”, e tenha sido reconhecido com o “Distinguished University Chair in Neurobiology” da Semmes Foundation.
Uma das dimensões mais singulares do neurocientista, que é também Presidente da American Association of Neuropathologists e da Southwestern and Rocky Mountain Division of the American Association for the Advancement of Science, e membro de inúmeras associações e organizações ligadas à Ciência, como as Academias de Ciência do México, Portugal e Espanha, é o seu profundo apego às raízes portuguesas.
Ao longo dos últimos anos George Perry tem estreitado a ligação com a pátria de origem dos seus antepassados, como atesta o facto de ser um dos principais dinamizadores da National Organization of Portuguese Americans (NOPA), e da TEXASPALC – Texas Portuguese American Leadership Conference. Assim como, jurado da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para o prémio anual de Neurociências, e desde 2018, membro do Conselho da Diáspora Portuguesa. Uma associação constituída com o Alto Patrocínio do Presidente da República que tem como propósito estreitar as relações entre Portugal e a sua diáspora, portugueses e luso-descendentes, para que estes através do seu mérito e influência contribuam para a afirmação universal dos valores e cultura portuguesa, bem como para a elevação e reforço permanente da reputação do país.
Uma das figuras mais proeminentes da comunidade luso-americana, o percurso notável de vida e profissional de George Perry, aliado ao seu profundo apego às raízes portuguesas, inspira-nos a máxima do poeta e dramaturgo alemão August Graf von Platen: “O ideal deve, como a árvore, ter as suas raízes na terra”.
domingo, 18 de agosto de 2024
A magnanimidade da diáspora em prol dos Bombeiros
Um dos mais importantes pilares da proteção civil em Portugal, os Bombeiros desempenham um serviço fundamental em ações de socorro decorrentes de acidentes rodoviários, combate a incêndios, desastres naturais e industriais, emergência pré-hospitalar e transporte de doentes, assim como abastecimento de água às populações, socorros a náufragos, e inúmeras ações de prevenção e sensibilização junto das populações.
Exemplos de altruísmo e de cidadania, às vezes sem o devido reconhecimento dos poderes políticos, as corporações de bombeiros em Portugal debatem-se constantemente com grandes dificuldades, resultantes da falta crónica de meios financeiros, que em muitos casos entravam inclusive a prestação de serviços essenciais às populações.
Ao longo dos últimos anos, muitas destas dificuldades e entraves, agravados pelos contextos das crises económicas, têm sido mitigados e ultrapassados graças à generosidade de vários emigrantes portugueses, que um pouco por todo o território nacional são um apoio vital para o funcionamento de corporações e para a prossecução de relevantes serviços prestados pelos bombeiros às populações.
Um desses exemplos paradigmáticos encontra-se plasmado na magnanimidade do emigrante luso-americano Manuel Carvalho, natural de Tamengos, concelho de Anadia. Ao longo das últimas décadas, o conhecido empresário na área da restauração em Mineola, vila que fica a 30 quilómetros da cidade de Nova Iorque, e em que 15% dos seus cerca de 21 mil habitantes são de origem portuguesa, tem dinamizado um conjunto significativo de iniciativas de apoio aos Bombeiros Voluntários de Anadia, uma entidade de utilidade pública e carácter humanitário que remonta a 1933.
A notável filantropia do empresário luso-americano tem possibilitado, nos últimos anos, encontrar formas e meios para apetrechar os Bombeiros Voluntários do município inserido em pleno centro da Região da Bairrada. Entre as várias iniciativas, destaca-se por exemplo, a que dinamizou no verão de 2016, quando teve conhecimento das dificuldades financeiras dos bombeiros da sua terra natal, contexto que o motivou no alvorecer do ano seguinte a organizar um evento solidário em prol da coletividade anadiense.
A iniciativa, que decorreu durante um jantar na Churrasqueira Bairrada, da qual é proprietário, mobilizou a comunidade luso-americana de Mineola e permitiu a angariação de uma quantia de cerca de 25 mil euros, que foram entregues à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia com o objetivo de auxiliar nas obras do quartel e na aquisição de uma viatura.
A sua constante e desprendida generosidade com a corporação do seu torrão natal, é acompanhado de um constante apoio aos bombeiros do território de acolhimento e de origem da sua esposa Jackie Carvalho. Em razão disso, além de Bombeiro Honorário em Mineola, no ano transato recebeu a mais alta distinção honorária dos Bombeiros da República do Panamá.
Ainda no final desse ano, o emigrante anadiense foi entronizado como “Embaixador dos Bombeiros Voluntários de Anadia em Mineola”, no âmbito do 90.º aniversário da corporação. No decurso da cerimónia foi justamente atribuído a Manuel Carvalho o título de “sócio benemérito n.º 1365” e um “Diploma de Reconhecimento” em nome da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Anadia.
Nos fundamentos do Diploma, é reconhecido e enaltecido «o relevante e imprescindível apoio concedido a esta Associação pelo anadiense Manuel Carvalho, a partir dos Estados Unidos da América, pais onde reside», salientando-se que o mesmo está «sempre atento às necessidades desta Associação e por se mostrar disponível para colaborar na importante missão dos Bombeiros de Anadia».
A singular magnanimidade de Manuel Carvalho em prol dos Bombeiros Voluntários de Anadia, que em 2021 tinham já distinguido o emigrante luso-americano com uma "Medalha de Mérito da Associação" pelo papel de essencial importância na angariação de fundos para a aquisição de uma ambulância para a corporação, alenta a máxima da poeta e escritora Iara Schmegel: “Bombeiros, aqueles que acendem a chama da esperança”.
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