Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

domingo, 13 de outubro de 2024

Memórias da ditadura revisitadas no FOLIO - Festival Literário Internacional de Óbidos

No passado domingo (13 de outubro), foi apresentado no FOLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos, o livro Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência. A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, foi apresentada na Livraria de Santiago, um dos espaços mais emblemáticos da vila de Óbidos.
A sessão de apresentação, repleta de público, encontros e emoções, integrou a programação oficial da 9.ª edição do FOLIO, um evento que tem atualmente uma das principais programações literárias da Europa e dos países de língua portuguesa. E que este ano decorre de 10 a 20 de outubro, sob o mote da “Inquietação”, assinalando a comemoração dos 50 anos do 25 de Abril e dos 500 anos do nascimento de Luís Vaz de Camões, através da dinamização de quase 600 iniciativas, entre mesas de autor, conversas, lançamentos de livros, apresentações, tertúlias, debates, sessões, masterclasses, exposições e seminários, sempre com o livro como âncora e fio condutor. Refira-se que nesta nova obra, uma edição bilingue (português e inglês), realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, com tradução de Paulo Teixeira e prefácio de José Pacheco Pereira, o historiador da diáspora Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura nas décadas de 1960-70.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

As ondas de solidariedade dos emigrantes em prol dos Bombeiros

Um dos mais importantes pilares da proteção civil em Portugal, os Bombeiros desempenham um serviço fundamental em ações de socorro decorrentes de acidentes rodoviários, combate a incêndios, desastres naturais e industriais, emergência pré-hospitalar e transporte de doentes, assim como abastecimento de água às populações, socorros a náufragos, e inúmeras ações de prevenção e sensibilização junto das populações.
O almoço-convívio dinamizado pelos empresários luso-americanos José Luís Vale e David Oliveira, no dia 14 de julho, congregou vários emigrantes oureenses e compatriotas nos Estados Unidos, que doaram 15 mil dólares aos Bombeiros Voluntários de Ourém Ainda em meados do mês passado, numa fase crítica em que Portugal enfrentou dezenas de incêndios, em particular no Norte e Centro do país, ficou patente a coragem e a importância dos Bombeiros. Sendo que inclusive quatro “soldados da paz” tombaram em serviço da defesa e proteção das populações, o saudoso herói João Manuel dos Santos Silva, de 60 anos, durante o combate às chamas na freguesia de Pinheiro da Bemposta, no concelho de Oliveira de Azeméis, vítima de um problema cardíaco. E os saudosos e valentes Paulo Jorge Santos, Susana Cristina Carvalho e Sónia Cláudia Melo, quando o carro em que seguiam estes bombeiros de Vila Nova de Oliveirinha, foi apanhado pelas chamas no combate ao incêndio que lavrou no concelho da Tábua. Exemplos de genuíno serviço de cidadania, às vezes sem o devido reconhecimento dos poderes políticos, as corporações de bombeiros em Portugal debatem-se constantemente com grandes dificuldades, resultantes da falta de meios financeiros, que em muitos casos entravam inclusive a prestação de serviços essenciais às populações. Ao longo dos últimos anos, muitas destas dificuldades e entraves, agravados pelos contextos de debilidades económicas, têm sido mitigados e ultrapassados graças à generosidade de vários emigrantes portugueses, que um pouco por todo o território nacional são um apoio vital para o funcionamento de corporações e para a prossecução de relevantes serviços prestados pelos bombeiros às populações. Um desses exemplos paradigmáticos encontra-se plasmado no altruísmo do emigrante luso-americano José Luís Vale, natural de Casal dos Crespos, freguesia de Nossa Senhora da Piedade, concelho de Ourém. O empresário na área da construção civil no estado norte–americano de Nova Jérsia tem nas últimas décadas dinamizado um conjunto significativo de iniciativas de apoios aos Bombeiros Voluntários de Ourém, uma entidade de utilidade pública e carácter humanitário que remonta aos primórdios da Primeira República. A sua constante e desprendida generosidade com os Bombeiros de Ourém, contribuiu, por exemplo, para que em 2018, no âmbito do 106.º aniversário da corporação humanitária, fosse possível a chegada de um novo Veículo Florestal de Combate e Incêndios (VFCI-10). Ainda recentemente, no passado mês de julho, José Luís Vale juntou num almoço-convívio na pátria de acolhimento dezenas de amigos e conterrâneos da comunidade luso-americana, angariando 15 mil dólares que foram encaminhados para os Bombeiros de Ourém procederem á aquisição de um veículo escada. O gesto generoso computou ainda no mês seguinte, a 20 de agosto a dinamização de um jantar no torrão natal, tendo então José Luís Vale, acompanhado de vários amigos, recolhido mais 3600 euros que foram entregues aos Bombeiros de Ourém. Refira-se que nesta iniciativa, que congregou vários emigrantes oureenses no território norte-americano, destacou-se igualmente o papel ativo do empresário e dirigente associativo David Oliveira. Natural da freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, concelho de Ourém, David Oliveira é um renomado empresário metalúrgico no Yonkers, burgo do estado de Nova Iorque, onde tem sido no decurso dos últimos anos, um dos principais dinamizadores do Centro Comunitário Português. Nunca esquecendo as suas raízes, o emigrante natural da freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias, tem ao longo dos anos contribuído também generosamente para a missão do corpo de Bombeiros de Ourém. Neste sentido, estas ondas de solidariedade dinamizadas por José Luís Vale e David Oliveira em prol dos Bombeiros de Ourém, assim como outras iniciativas que estão ou foram dinamizadas noutras latitudes da diáspora em prol dos “soldados da paz”, dão amplo sentido à mensagem do mais alto magistrado da Nação, no âmbito do Dia Nacional do Bombeiro: «Mensageiros de esperança, os Bombeiros portugueses são o bastião que protege e socorre as nossas comunidades em situações de crise ou catástrofe e o garante de que, independentemente das circunstâncias, há sempre alguém, que com abnegação e altruísmo, se prontifica a ajudar o próximo. Que as múltiplas ações de reconhecimento público possam contribuir para o reforço das capacidades dos Bombeiros, permitindo-lhes desempenhar as suas funções com dignidade. O bem dos Bombeiros de Portugal é o bem de todos os Portugueses. Hoje e todos os dias, continuaremos a homenagear os nossos Bombeiros, verdadeiros guardiões da vida, da paz e da segurança».

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Marques Valentim inaugurou exposição “E Depois do Adeus – Fotografias com História” em Famalicão

No passado sábado (28 de setembro), o fotojornalista Marques Valentim inaugurou a exposição “E Depois do Adeus – Fotografias com História” no novo “Espaço Memória” da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Médio Ave, em Famalicão.
O fotojornalista Marques Valentim (ao centro), ladeado de Carlos Sousa (esq), presidente da Casa da Memória Viva, e de Daniel Bastos, historiador da Diáspora, no decurso da inauguração da exposição “E Depois do Adeus – Fotografias com História” A mostra, patente ao público até 13 de outubro, reúne cerca de 50 fotos que documentam episódios e protagonistas da implantação da Democracia em Portugal. Como por exemplo, fotografias alusivas à Guerra Colonial, às primeiras eleições livres, às movimentações político-militares, à Assembleia Constituinte, ao processo de descolonização, até à adesão de Portugal à então CEE. Nascido em Cascais, a 1 de agosto de 1949, Marques Valentim fez a sua comissão de serviço militar obrigatório em Moçambique, como furriel miliciano foto-cine, após ter concluído em Lisboa o curso de Fotografia e Cinema, nos Serviços Cartográficos do Exército. Com uma profícua carreira de fotojornalista em órgãos de informação de referência em Portugal, o espólio fotográfico de Marques Valentim reaviva memórias de personalidades protagonistas de episódios e acontecimentos marcantes que fizeram a História de Portugal.

A emigração portuguesa na obra do mestre-pintor Orlando Pompeu

Um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade, Orlando Pompeu nasceu a 24 de maio de 1956, na freguesia de Cepães, no concelho minhoto de Fafe. Estudou desenho, pintura e escultura em Barcelona, Porto e Paris, e nos anos 90 progrediu no seu percurso artístico ao ir trabalhar para os Estados Unidos da América, onde expôs na Galeria Eight Four, em Nova Iorque, e depois, Japão, tendo exposto na TIAS – Tokio International Art Show e na Galeria Garou Monogatari em Tóquio. Detentor de uma carreira de quase quarenta anos, bem como um currículo nacional e internacional ímpar, a sua obra consta de variadas coleções particulares e oficiais em Portugal, Espanha, França, Suíça, Inglaterra, Alemanha, Croácia, Austrália, Brasil, México, Dubai, Canadá, Itália, EUA e Japão. Dentro do estilo pictórico singular, heterogéneo, criativo e contemporâneo que perpassam as diversas fases e dimensões temáticas da obra do artista plástico, encontram-se várias representações alusivas à emigração portuguesa. Em 1989, o artista concebeu uma obra hiper-realista, acrílico sobre tela 130 x100, atualmente na posse de um colecionador particular, intitulada “Portugueses, Emigrantes e Heróis”, que constitui uma grandiosa alegoria da emigração lusa para França nas décadas de 1960-70. Nesse quadro de grandes dimensões, Orlando Pompeu, pinta numa estação de comboios, uma família carregada de malas e de sonhos na demanda de melhores condições de vida, impulso maior que levou mais de um milhão de portugueses a emigrar “a salto” para o território gaulês nesse período.
Orlando Pompeu, “Portugueses, Emigrantes e Heróis” 130 x 100 - acrílico s/ tela. Col. Particular Uma emigração, nas palavras de Eduardo Lourenço, «de sangue, suor e lágrimas, mas que, ao fim e ao cabo, foi uma emigração com sentido e que deu sentido a tantas gerações, a tantas vidas e a tantos portugueses». Que até aos dias de hoje, representam uma das principais comunidades estrangeiras presentes no território gaulês, a mais numerosa das comunidades lusas na Europa, rondando um milhão de pessoas, e desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da França. Já em 2018, no âmbito do programa das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no Canadá, nação que alberga uma das mais dinâmicas comunidades lusas na América do Norte, a Peach Gallery, uma das mais vibrantes galerias de arte em Toronto, deu a conhecer à numerosa comunidade luso-canadiana uma exposição composta por 40 aguarelas sobre papel do reputado pintor. Uma exposição cujas aguarelas foram pintadas com várias representações de símbolos identitários da cultura portuguesa, como a bandeira nacional e a guitarra, que muito contribuem para a construção e reforço da portugalidade. Assim como, com diversos elementos canadianos, como por exemplo, a CN Tower, um símbolo de Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes neste território da América do Norte. Em agosto de 2022, no âmbito da Festa do Emigrante promovida pelo Município de Fafe, uma iniciativa que congregou um conjunto diversificado de acontecimentos de cariz cultural, social e identitário que pretendeu homenagear os emigrantes locais, o artista plástico inaugurou uma exposição composta pelos desenhos concebidos propositadamente para a ilustração do livro “Crónicas – Comunidades, Emigração e Lusofonia”. Os desenhos, que arrebataram no Salão Nobre do Teatro Cinema de Fafe, antigos e atuais emigrantes no Brasil, Canadá, França, Inglaterra e Suíça, na esteira da missão primordial do livro assinado pelo escritor e historiador da Diáspora, Daniel Bastos, dignificam, reconhecem e valorizam as sucessivas gerações de compatriotas que saíram de Portugal. Refira-se ainda, que desde 2023, o Museu Histórico de São José, com uma forte componente dedicada à emigração portuguesa para a Califórnia, terceiro maior estado dos Estados Unidos, onde vive e trabalha a maior comunidade luso-americana do país, constituída por mais de 300 mil pessoas, possui no seu acervo uma aguarela do artista plástico alusiva aos fortes laços que unem as duas nações é a presença da diáspora. Na esteira de grandes mestres da pintura portuguesa, que também verteram nos seus trabalhos representações da emigração portuguesa, como por exemplo, Domingos Rebelo, com o quadro “Os Emigrantes” (1929), ou Almada Negreiros, com o tríptico “A partida dos emigrantes” (1947-49). Orlando Pompeu sublima assim a máxima de Orhan Pamuk, escritor e professor turco vencedor do prémio Nobel de Literatura de 2006: “A pintura ensinou a literatura a descrever”. Neste caso traçando com a mestria dos pincéis e tintas uma constante estrutural da história portuguesa.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Memórias da ditadura revisitadas na comunidade portuguesa em Paris

No passado sábado (21 de setembro), foi apresentado na capital francesa o livro “Memórias da Ditadura – Sociedade, Emigração e Resistência”. A obra, concebida pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico inédito de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista, militar desertor, emigrante e exilado político, foi apresentada na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris.
A sessão de apresentação, que encheu a Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, um centro de irradiação da cultura portuguesa na capital francesa, de emigrantes, lusodescendentes, empresários, líderes comunitários, dirigentes associativos e órgãos de informação da diáspora, esteve a cargo de Paulo Pisco, Deputado eleito da Assembleia da República pelo círculo eleitoral da Europa, que enalteceu o percurso de Daniel Bastos em prol da promoção do papel das comunidades portuguesas. Segundo o mesmo, a apresentação deste livro no ano em que se assinala meio século da Revolução de Abril, acentua o papel da memória histórica, contribuindo assim para uma sociedade mais conhecedora da sua história recente, e mais participativa, plural e democrática. Refira-se que nesta nova obra, uma edição bilingue (português e inglês) com tradução de Paulo Teixeira e prefácio do investigador José Pacheco Pereira, realizada com o apoio institucional da Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Daniel Bastos revela o espólio singular de Fernando Mariano Cardeira, cuja lente humanista e militante teve o condão de captar fotografias marcantes para o conhecimento da sociedade, emigração e resistência à ditadura portuguesa nos anos 60 e 70. Através das memórias visuais do antigo oposicionista, assentes num conjunto de centena e meia de imagens, são abordados, desde logo, as primeiras manifestações do Maio de 1968 em Paris, acontecimento icónico onde o fotógrafo engajado consolidou a sua consciência cívica e política. E, com particular incidência, o quotidiano de pobreza e miséria em Lisboa, a efervescência do movimento estudantil português, o embarque de tropas para o Ultramar, os caminhos da deserção, da emigração “a salto” e do exílio, uma estratégia seguida por milhares de portugueses em demanda de melhores condições de vida e para escapar à Guerra Colonial nos anos 60 e 70. Em plena celebração de meio século de liberdade em Portugal, a apresentação deste livro na capital francesa, como aludiu João Costa Ferreira, Diretor da Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, constituiu um reconhecimento dos laços históricos que unem Portugal e França. Assim como, da importância da comunidade portuguesa em França, a mais numerosa das comunidades lusas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês. No final da sessão de apresentação do livro na Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, os presentes puderam degustar de uma seleção de vinhos verdes, promovida pelos Vinhos Norte, um dos maiores produtores nacionais de vinho verde que procura aliar a tradição de fazer vinho com a inovação no sector.

sábado, 14 de setembro de 2024

André Fernandes: um “self-made man” luso-americano

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial. No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, destacam-se vários percursos de vida de compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”). Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada na América e ascenderam na escala social graças a capacidades extraordinárias de trabalho, mérito e resiliência, destaca-se o percurso de sucesso do empresário e piloto de corridas, André Fernandes, umas das figuras mais proeminentes da numerosa comunidade luso-americana no estado de Nova Iorque. Natural de Cabeda, distrito de Vila Real, o emigrante transmontano integra a plêiade de empresários luso-americanos que se evidenciam no ramo da construção civil, quer predial, quer de infraestruturas, no árduo e competitivo mercado norte-americano. No caso concreto do emigrante transmontano, André Fernandes encetou há duas décadas um percurso notável de genuíno “self-made man” através da criação e liderança da ASF Construction & Excavation Corp., uma empresa de construção civil que se tem assumido nos últimos anos como líder de betão em Nova Iorque e na Flórida. Dois importantes estados norte-americanos, onde a diáspora lusa está significativamente implantada, e tem desempenhado um importante papel ao nível do progresso e desenvolvimento socioeconómico. Com uma trajetória marcada pelo mérito e pela inovação, e dotado de uma energia incansável, o trabalho e resiliência de André Fernandes transformou a ASF Construction & Excavation Corp, numa empresa de referência nas áreas de escavação, bombagem de betão, fundações para estruturas, pavimentos ou aluguer de guindastes. Nos vários serviços prestados pela empresa luso-americana de construção civil, a visão e missão da mesma assenta em padrões de excelência, rigor e sustentabilidade, premissas que permitem que com o passar do tempo, a ASF Construction & Excavation Corp continue a trilhar os caminhos da inovação e acompanhamento das necessidades do mercado norte-americano. Entre as obras mais emblemáticas onde se encontra o cunho da empresa do emigrante com raízes transmontanas, destaca-se recentemente o maior arranha-céus da cidade de Newark, com mais de 600 apartamentos. Um empreendimento singular que marca indelevelmente a paisagem urbana da cidade mais populosa do estado de New Jersey, e onde se encontra uma das mais representativas comunidades portuguesas nos Estados Unidos. No profícuo rol de projetos de prestígio que têm o cunho da empresa liderada pelo luso-americano André Fernandes, encontram-se, entre muitos outros, o Ridge Hill High Rise Building, o Larkin Plaza High Rise Building,e o Modera Hudson, ambos na cidade de Yonkers, no estado de Nova Iorque. Ou, o NewRo Studios, o 500 Main Street, o Milennia, e o Multi Storied Building, ambos na cidade de New Rochelle, a sudeste do estado de Nova Iorque. Uma das facetas mais conhecidas do empresário luso-americano, é igualmente a sua paixão pelo desporto automóvel. Na qualidade de “gentleman driver”, o também piloto e empresário da ASF Motorsport integrou recentemente o competitivo pelotão da Porsche Carrera Cup North America. Aos comandos de um Porsche 992 GT3 CUP representou as cores nacionais numa das corridas de apoio ao Grande Prémio do Canadá de Fórmula 1, que se disputou em junho deste ano, no lendário Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal. A paixão pelas corridas, combinada com o apego às raízes lusas, tem levado a que o emigrante empreendedor e piloto radicado em Nova Iorque, venha com regularidade competir a Portugal, mormente a Portimão, Estoril ou ao torrão natal, em Vila Real. Ainda no ano passado, integrou o pelotão da edição 2023 da Porsche Sprint Challenge Ibérica e esta época apontou foco ao Campeonato de Portugal de Montanha JC Group, marcando presença nas rampas da Arrábida e Porca de Murça, alcançando dois pódios na Categoria GT. Uma das figuras mais proeminentes da numerosa comunidade luso-americana no estado de Nova Iorque, o percurso de sucesso do emigrante, empresário e piloto de corridas, André Fernandes, inspira-nos a máxima de Walter Elliot: “Perseverança não é uma corrida longa, são muitas corridas curtas, uma após a outra”.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Monumentos a Camões na Diáspora: símbolos identitários das comunidades portuguesas

2004 é o ano em que se comemoram os 500 anos do nascimento de Camões, o maior poeta português e símbolo cimeiro da língua portuguesa e da nossa cultura. Nas palavras do tradutor e poeta húngaro Árpád Mohácsi, o autor do poema épico do povo português, Os Lusíadas, é “um poeta de primeira classe, um dos melhores escritores de sonetos da literatura mundial”. Uma das maiores figuras da literatura lusófona e um dos grandes poetas da tradição ocidental, Camões foi adotado, sobretudo a partir do séc. XIX, como símbolo de portugalidade. O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, celebrado anualmente a 10 de Junho, data da morte do poeta, e assim designado desde a Revolução de Abril, presta, portanto, homenagem a Portugal, aos portugueses, à cultura lusófona e à presença portuguesa no mundo, através da figura de um dos maiores nomes da literatura universal. Não é, pois, de admirar, que um pouco por todo o território nacional tenham sido erigidos, ao longo dos anos, inúmeros monumentos alusivos a Luís de Camões. Um símbolo nacional que em estruturas comemorativas, como esculturas ou bustos, alinda e enobrece, de modo marcante, a paisagem de muitos espaços públicos de cidades portuguesas. Menos conhecidos do público em geral, mas não menos repletos de simbolismo e sentimento pátrio, são também vários os exemplos de monumentos alusivos a Camões erigidos no seio da Diáspora. Perpetuando e dinamizando na esteira de D. Rui Valério, patriarca de Lisboa, “a valorização da portugalidade integrada e interpretada numa mundivisão mais ampla”. Por exemplo, em França, a mais numerosa das comunidades portuguesas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês, rondando um milhão de pessoa, foi inaugurado no dia 19 de outubro de 1987 por Jacques Chirac, então primeiro-ministro e presidente da Câmara Municipal de Paris, na presença de Mário Soares, então presidente da República Portuguesa, um busto do poeta que fica no final das escadas da Avenue de Camões, Paris 16ème, bem perto dos jardins do Trocadero. No entanto, a primeira estátua de Camões na capital francesa foi inaugurada no dia 13 de junho de 1912, nos anos iniciais da Primeira República. Um busto, enorme, encomendado ao escultor italiano Luigi Betti, e instalado num pedestal com cerca de 5 metros de altura, que após vários imprevistos se encontra atualmente no Jardim Camões da Casa de Portugal André de Gouveia, na Cidade Internacional Universitária de Paris, um centro de irradiação da cultura portuguesa na capital francesa. Já no Luxemburgo, onde cerca de 100 mil portugueses representam praticamente 15% da população total do Grão-Ducado, assumindo-se como o mais importante grupo estrangeiro no país desde os anos 80, foi oferecida em 2006 à capital luxemburguesa, pela CCILL – Câmara de Comércio e Indústria Luso-Luxemburguesa, e a Santa Casa da Misericórdia do Luxemburgo, uma estátua de Camões. Resultado da generosidade de três empresários portugueses no Grão-Ducado, mormente António Silva, José Veiga e Manuel Cardoso, o busto de Camões no Luxemburgo foi transferido em 2016, de Bonnevoie para a Praça Joseph Thorn, onde se encontra presentemente, em frente às instalações do Instituto Camões. Na América do Norte, concretamente em Toronto, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, desde o alvorecer de junho de 2013, ano em que o espírito empreendedor e benemérito do comendador Manuel DaCosta, um dos mais ativos empresários portugueses em Toronto, impulsionou as obras de revitalização da praça de Camões (Camões Square). Encontra-se, no centro da maior cidade do Canadá, entre outros relevantes símbolos e estruturas de engrandecimento da portugalidade, um imponente busto de Camões, o maior poeta da língua portuguesa. No seio da dispersa geografia da Diáspora, a comunidade portuguesa em Macau, cifrada em milhares de compatriotas, e elo fundamental da cultura e presença secular lusa no Oriente, usufrui desde a centúria oitocentista, e após vicissitudes várias, um dos mais afamados bustos do poeta, na Gruta de Camões. O próprio, terá vivido em Macau durante dois anos, apontado a tradição lendária que terminou nesta gruta, local incontornável de visita na hodierna região autónoma na costa sul da China continental, Os Lusíadas, a obra mais importante da literatura de língua portuguesa. Estes monumentos, e outros que se encontram ou possam vir a ser projetados nas pátrias de acolhimento dos portugueses espalhados pelo mundo, são uma indubitável mais-valia na perpetuação e dinamização da cultura e identidade lusa na Diáspora. De tal modo que é nestes autênticos marcos de portugalidade, que as comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo realizam incontornavelmente as celebrações simbólicas do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Revivendo assim anualmente um sentimento inefável, paradigmaticamente expresso por Fernando Pessoa: “O povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo”.