Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Daniel Bastos leva a Bruxelas os lugares de memória da emigração portuguesa

No próximo dia 19 de setembro, sábado, Bruxelas, capital da Bélgica e da União Europeia, acolhe a apresentação do livro “Monumentos ao Emigrante – Uma Homenagem à História da Emigração Portuguesa”, uma obra que percorre, através da fotografia e da investigação histórica, a memória material da emigração portuguesa. Concebido pelo historiador da diáspora Daniel Bastos, em parceria com o fotógrafo Luís Carvalhido, o livro resulta de um levantamento pioneiro dos monumentos de homenagem ao emigrante existentes nos 18 distritos de Portugal continental e nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores.
A apresentação está marcada para as 15h00, na livraria La Petite Portugaise, espaço de referência em Bruxelas na promoção da língua e da cultura portuguesas, e estará a cargo de Susana Pratt, cofundadora e responsável pela livraria. Com edição bilingue, em português e inglês, tradução de Paulo Teixeira, prefácio do filósofo e escritor Onésimo Teotónio Almeida e posfácio da socióloga das migrações Maria Beatriz Rocha-Trindade, a obra constitui uma viagem pela presença da figura do emigrante na memória e no património português. Através de um itinerário profusamente ilustrado, “Monumentos ao Emigrante” percorre todas as regiões do país e dá a conhecer mais de uma centena de monumentos, entre bustos, estátuas e memoriais, que evocam aqueles que partiram e testemunham a importância que a emigração assumiu na história contemporânea de Portugal. Mais do que um inventário patrimonial, o livro propõe uma leitura da forma como a sociedade portuguesa foi representando e inscrevendo no espaço público a experiência da partida, do trabalho, da ausência, do regresso e da construção de novas vidas além-fronteiras. Estes monumentos constituem, assim, uma relevante fonte material para compreender a história da emigração portuguesa e a dimensão da diáspora lusa espalhada pelos quatro cantos do mundo. A sessão de apresentação em Bruxelas, aberta à comunidade, assume igualmente um significado especial pelo reconhecimento da importância da comunidade portuguesa na Bélgica, uma das mais numerosas e dinâmicas comunidades portuguesas na Europa, que conta atualmente com cerca de 70 mil cidadãos portugueses, a que se junta uma expressiva população de lusodescendentes. A apresentação na La Petite Portugaise, ponto de encontro incontornável na promoção da língua, da cultura e da identidade portuguesas na capital belga, assinala também, em território europeu, o encerramento de um ciclo de apresentações de uma obra que, desde o seu lançamento, em 2025, tem levado a memória da emigração portuguesa a diferentes geografias da diáspora. No prefácio, Onésimo Teotónio Almeida, Professor Emérito da Universidade Brown e uma das vozes mais reconhecidas no estudo e reflexão sobre a portugalidade, sublinha a força da dimensão visual da obra: “Se uma imagem vale mil palavras, temos aqui duas centenas e meia de milhar de belas palavras saltando-nos à vista com gritante eloquência.” Por seu lado, Maria Beatriz Rocha-Trindade, autora de uma vasta bibliografia dedicada às migrações, destaca, no posfácio, o contributo da publicação para o conhecimento histórico: “Este livro constitui uma valiosa contribuição para o conhecimento da História de Portugal.” Com o apoio institucional da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e da Sociedade de Geografia de Lisboa, “Monumentos ao Emigrante – Uma Homenagem à História da Emigração Portuguesa” afirma-se como uma obra de memória, património e identidade, colocando em diálogo o Portugal de partida com o Portugal de hoje e com a sua vasta diáspora espalhada pelo mundo.