Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

domingo, 22 de março de 2020

O dinamismo da Comissão de Migrações da Sociedade de Geografia de Lisboa


A Sociedade de Geografia de Lisboa (SGL), cuja génese remonta ao último quartel do séc. XIX, então com o desiderato de promover em Portugal o ensino e a exploração científica na área da Geografia, com particular enfâse na exploração do continente africano, remanesce na atualidade, agora com novos horizontes e objetivos, uma das mais importantes instituições culturais do país.
Para isso, em muito contribui o seu ecletismo e organigrama assente em diversas comissões dedicadas à cultura e conhecimento, como é o caso paradigmático da Comissão de Migrações, ainda constituída aquando da criação da SGL. 
 
No ocaso do ano passado, a comunidade portuguesa em França promoveu no Museu Nacional da História da Imigração em Paris, uma cerimónia pública de homenagem a Gérald Bloncourt, que contou entre outros, com a Presidente da Comissão de Migrações da SGL, Maria Beatriz Rocha-Trindade (centro), o historiador Daniel Bastos (dir.), e o dirigente associativo Parcídio Peixoto (esq.)
Coordenada presentemente pela Professora Catedrática Maria Beatriz Rocha-Trindade, a primeira mulher antropóloga portuguesa, e autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as Migrações. A Comissão de Migrações da Sociedade de Geografia de Lisboa é constituída por membros oriundos de vários quadrantes da sociedade que têm estudado e refletido sobre o fenómeno migratório, emigração/imigração. 


Ao longo dos últimos anos, a Comissão de Migrações da SGL tem sido responsável pela dinamização de relevantes iniciativas no campo do fenómeno migratório, uma constante marcante da sociedade portuguesa. Como por exemplo, no final do ano passado, quando realizou o colóquio “CPLP - que presente e que futuro?”, ou no anterior, o “Fórum Luso-Estudos/ Edição 2018”, o seminário “Enologia, Mobilidade e Turismo” e a conferência “Jornalismo para a Paz em contexto de mobilidade”. 

Ainda para o final deste mês, a Comissão de Migrações da SGL, não fosse o atual contexto de isolamento social e medidas de contenção da pandemia do coronavírus, tinha previsto a promoção na capital portuguesa de uma cerimónia de homenagem póstuma a Gérald Bloncourt, consagrado fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para França nos anos 60. A cerimónia, entretanto adiada, comportava inclusivamente o lançamento oficial do novo livro do escritor e historiador Daniel Bastos, intitulado “Comunidades, Emigração e Lusofonia”, que procura dignificar, reconhecer e valorizar as sucessivas gerações de compatriotas que, por razões muito diversas, saíram de Portugal, e que em datas oportunas tem previstas várias sessões de apresentação junto das Comunidades Portuguesas.


sábado, 21 de março de 2020

Inquietude Poética

Em tempos de isolamento social e em que a imaginação e criatividade são ferramentas essenciais para ultrapassarmos estes dias adversos, revivo hoje, dia 21 de março, Dia Mundial da Poesia, o desenho e o poema “Inquietude Poética”, que fazem parte do livro “Terra”, uma breve incursão que encetei no campo da poesia, e que foi magnificamente ilustrado pelo mestre-pintor Orlando Pompeu.


Inquietude Poética

Quando a palavra fica presa,
reclusa da falta de inspiração,
a chama permanece acesa
no recôndito da imaginação.

Embora soturno e moribundo,
o espírito errante do poeta
enleado no sono profundo,
prossegue a vida asceta.
No silêncio sagrado da solidão
purifica a angústia do dilema
revestindo-se da luz da criação.
Remidas do jazigo da desilusão
as palavras irrompem o poema
refeitas na seiva da superação.

Daniel Bastos, “Inquietude Poética”, in Terra (2014).

terça-feira, 17 de março de 2020

Ler continua a ser uma das melhores formas de passar o tempo

Nestes novos tempos marcados pela quarentena e o isolamento social, pois a vida humana não tem preço e prevenir ainda é o melhor remédio, aproveite para desfrutar da companhia da família e para colocar a leitura em dia. Porque ler continua a ser uma das melhores formas de passar o tempo, aqui ficam 7 (boas) sugestões de leitura.






domingo, 15 de março de 2020

Os efeitos do medo do coronavírus na dinâmica associativa das Comunidades Portuguesas


O tema é incontornável. Os efeitos do medo do coronavírus espalham-se a uma velocidade estonteante por todo o mundo, e por estes dias assumem na Europa, novo epicentro da pandemia, consequências devastadoras. Em particular na Itália, onde o total de infetados no momento ultrapassa os 20 mil casos, e as mortes perfazem quase dois milhares de vítimas.

O apelo no Velho Continente é para ficar em casa. Portugal não é exceção, antes pelo contrário. Por estes dias, somam-se novos casos da covi-19 no país, registando-se nesta altura cerca de 250 casos confirmados, felizmente ainda sem vítimas, mas a apontar-se o aumento de número de casos até ao final de abril, que se esperam mitigados através do encerramento de escolas e a limitação das fronteiras aéreas, marítimas e terrestres.

Os sinais dos novos tempos são assim, um pouco por todo o mundo, não obstante o impacto tremendo da pandemia na atividade económica, a quarentena e o isolamento social, pois a vida humana não tem preço e prevenir ainda é o melhor remédio. Disseminadas pelos quatro cantos do mundo, as Comunidades Portuguesas, a mais autêntica e consistente manifestação portuguesa além-fonteiras, não estão imunes a estes efeitos que alteram transversalmente o nosso quotidiano e rotinas.

De facto, são já conhecidos vários casos no movimento associativo das comunidades lusas, em que estão a ser cancelados ou adiados eventos e iniciativas que integram os planos anuais de atividades de muitas associações, quer devido aos efeitos do medo do coronavírus, assim como pelas medidas de contenção e mitigação da pandemia. Esta conjuntura que desorganiza desde logo o normal funcionamento das associações, e entrava a execução integral do seu plano anual de atividades, pode colocar inclusive em causa a sua subsistência, dado que os eventos e iniciativas que estão a ser cancelados ou adiados, são em vários casos essenciais para obter receitas que permitam financiar o seu normal funcionamento.

Nesse sentido, perante esta nova realidade socioecónomica que afeta a dinâmica associativa das Comunidades Portuguesas urge uma visão de apoio e solidariedade dos responsáveis políticos das pátrias de origem e de acolhimento dos emigrantes lusos, os mais genuínos embaixadores da Pátria de Camões.



domingo, 16 de fevereiro de 2020

O Festival das Migrações, Culturas e Cidadania


No final deste mês realiza-se uma vez mais, no Grão Ducado do Luxemburgo, um país da Europa Setentrional circundado pela Bélgica a oeste, a França a sul e a Alemanha a leste, uma nova edição do Festival das Migrações, Culturas e Cidadania, que atrai todos os anos milhares de pessoas.

Este ano assinala-se a 37.ª edição desta iniciativa do Comité de Ligação das Associações de Estrangeiros (CLAE), que constitui um ponto de encontro anual dos estrangeiros no Luxemburgo, que representam cerca de metade da população do país. O português é mesmo uma das cinco línguas mais faladas no país depois do francês, luxemburguês e alemão, tanto que em 2015, havia mais de 90.000 portugueses no território, representando 17% da população do Luxemburgo.

Valorizar as culturas e partilhá-las, assim se pode resumir a essência deste evento multicultural que inclui exposições, concertos, encontros literários, projeções de filmes e gastronomia dos quatro cantos do mundo. Na esteira de Jorge de La Barre, sociólogo que se tem interessado pela etnomusicologia, o festival enquanto processo de internacionalização da cultura, acentua a preocupação “de “dar a voz” ao Outro, respeitar as diferenças, as maneiras de ser e de dizer”.

No decurso do festival na LuxExpo no Kirchberg, decorre a 20ª Feira do Livro e o 8.º encontro de culturas e artes contemporâneas, ArtsManif, que, como em edições anteriores, contará com a presença de escritores e artistas dos quatro cantos do mundo, inclusive do espaço lusófono, que têm nestes dias um palco privilegiado para a promoção e divulgação dos seus trabalhos. 

Numa época em que a tentação de construção de muros a separar povos e culturas é grande, onde os populismos parecem ganhar terreno à custa das consequências económicas, da crise de refugiados e de intolerâncias religiosas, o Festival das Migrações, Culturas e Cidadania é uma pedrada no charco que agita as águas, reafirmando a premência da construção de uma cidadania europeia e mundial ativa, assente no primado universal da diversidade cultural, das minorias e dos valores dos direitos humanos.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Açorianos no mundo


No ocaso do ano passado, o presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, anunciou no decurso de um jantar-convívio com a comunidade portuguesa, açoriana e lusodescendente nas Bermudas, um território britânico ultramarino membro da comunidade do Caribe, localizado no Oceano Atlântico, a entrada em vigor da plataforma de recenseamento de açorianos no mundo.

Uma plataforma, implementada no seguimento do projeto do Conselho da Diáspora, que representa uma medida de enorme alcance, dado que se estima que na atualidade cerca de 1,5 milhões de açorianos e seus descendentes residam no estrangeiro. Em particular, no Canadá, Estados Unidos, Brasil e Bermudas, áreas geográficas onde a presença açoriana passará a eleger cerca de dois terços dos 33 elementos que integrarão o Conselho da Diáspora.

Criado, no âmbito do departamento do Governo Regional com competência em matéria de emigração e comunidades, e aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa Regional, o Conselho da Diáspora Açoriana (CDA), constitui-se como um órgão consultivo do Governo Regional que visa assegurar a participação, a colaboração e a auscultação, dos açorianos no mundo, no projeto de desenvolvimento dos Açores.

Nesse sentido, os açorianos da diáspora que se inscrevam na plataforma passam a ter uma maior interligação e intervenção na realidade sociopolítica de um arquipélago que assinala presentemente 600 anos de história e 400 anos de emigração. E simultaneamente possibilitam às autoridades regionais obter uma radiografia mais precisa da identidade arquipelágica espalhada pelo mundo, e assim incrementar uma nova dinâmica na promoção das inúmeras potencialidades que envolvem o universo da diáspora açoriana.

Ao pretender deste modo aproximar mais os emigrantes e os lusodescendentes do projeto de desenvolvimento do arquipélago, as autoridades regionais reconhecem na esteira das palavras da investigadora Susana Serpa Silva, o papel dos que em «muito contribuíram para o desenvolvimento das ilhas os que partiram sem regressar e os que regressaram também, sem que se possa, no entanto, obliterar o contributo de todos os demais que, por apego ao mundo insular ou por melhor sorte e nível de vida, por cá ficaram e por cá lutaram nesta terra de sonhos adiados e penosamente alcançados”.