Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sábado, 18 de abril de 2020

O impacto da pandemia de coronavírus nas Comunidades Portuguesas


Surgida há cerca de cinco meses na China, a pandemia de coronavírus disseminou-se a um ritmo vertiginoso à escala global, provocando nas sociedades efeitos devastadores no campo socioeconómico, espelhados em milhares de vítimas e de casos de infeção no mundo, assim como generalizadas medidas de confinamento que paralisam a economia e colocam os países às portas de uma recessão sem precedentes. 

Com um percurso alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, o historiador Daniel Bastos (esq.) é colaborador do jornal Milénio Stadium, que integra o MDC Media Group presidido pelo comendador Manuel da Costa (dir.), e tem participado regularmente nas Comemorações do Dia de Portugal no estrangeiro, em particular, em Toronto no Canadá

Espalhadas pelos quatro cantos do mundo, as Comunidades Portuguesas, centelhas incessantes de amor pátrio, não estão imunes a estes efeitos que têm alterado radicalmente o nosso quotidiano. Para além da perda de rendimentos inevitáveis e ameaça de insegurança económica, são já conhecidos infelizmente casos de infeção e de mortes entre emigrantes lusos, como o que prematuramente ceifou a vida de João Loureiro, proprietário de um dos mais conhecidos restaurantes portugueses de Newark, cidade onde se encontra uma das maiores comunidades portuguesas nos Estados Unidos da América.

No seio das Comunidades Portuguesas, é também já notório o cancelamento ou adiamento de eventos e iniciativas que integram os planos anuais de muitas associações. No início deste mês, por exemplo, a Aliança de Clubes e Associações Portuguesa do Ontário (ACAPO), responsável pela organização das comemorações do Dia de Portugal, em Toronto, no Canadá, território onde vive e trabalha uma das mais dinâmicas comunidades lusas, divulgou o adiamento da “Semana de Portugal 2020” que tinha eventos planeados entre 2 de maio e 28 de junho.

Como na pátria de origem, onde os jornais nacionais perdem inúmeros leitores por dia nas edições em papel e assistem à queda acentuada do investimento publicitário, a imprensa de língua portuguesa no mundo enfrenta com espírito de resiliência e solidariedade dos seus diretores, colaboradores, leitores e empresários mecenas, as enormes dificuldades expostas pela crise socioeconómica. Conseguindo manter o formato original ou reduzindo o seu tamanho, e noutros casos casos suspendendo momentaneamente a edição e subsistindo no mundo digital, os órgãos de comunicação social da diáspora perseveram na missão singular de promover a língua, a cultura e a economia nacional no estrangeiro, assim como do pulsar da vida das sociedades em que estão inseridos.


Nestes dias de isolamento social e abrandamento económico, um dos casos mais notáveis ao nível da dinâmica e perseverança dos meios de comunicação social das comunidades portuguesas, encontra-se no exemplo inspirador e resiliente do MDC Media Group presidido pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto. Esta relevante empresa de comunicação social portuguesa no Canadá, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, e a Camões Rádio e TV, persiste de modo inovador e solidário na criação de informação de qualidade, de forma ética e independente, promovendo a cidadania e o desenvolvimento económico, cultural e social da comunidade luso-canadiana, não descurando a segurança dos seus profissionais.

Inclusive, neste período em que se passa mais tempo em casa e em que as famílias estão com quebras de rendimentos, é possível ligar gratuitamente a Camões TV, o que não pode deixar de ser considerado como um importante e solidário contributo do MDC Media Group em prol da numerosa comunidade luso-canadiana.

É através destes exemplos inspiradores de solidariedade, e de muitos outros que se vão operando no seio das Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo, como o da comunidade lusa em Macau que durante este mês arrecadou milhares de euros, para comprar material médico para ajudar Portugal no combate à pandemia, ou de associações de emigrantes no Luxemburgo que lançaram uma campanha de angariação de fundos destinados a comprar material e equipamentos para hospitais nacionais, que iremos seguramente ultrapassar esta grave crise, mantendo a essência dos valores da dignidade humana e a esperança na construção de um futuro melhor.



sexta-feira, 10 de abril de 2020

Correr Mundo - Dez mulheres, dez histórias de emigração


Nestes novos tempos marcados pela quarentena e o isolamento social, pois a vida humana não tem preço e prevenir ainda é o melhor remédio, ler continua a ser uma das melhores formas de passar o tempo.

É nesse sentido, que o livro recentemente lançado no Dia Internacional da Mulher, “Correr Mundo - Dez mulheres, dez histórias de emigração”, ganha especial destaque, porque além de permitir ocupar o tempo de forma útil, constitui mais um relevante contributo para entendermos o fenómeno da emigração portuguesa. 

Um contributo da Oxalá Editora, uma editora vocacionada para a publicação da obra de autores da diáspora, que encerra a particularidade de constituir um conjunto de olhares femininos, em forma de contos, sobre a “saudade da infância e das origens, da língua, da família, as questões da identidade e do desenraizamento, a desvalorização dos emigrantes no país de acolhimento pela natureza do seu trabalho, as dificuldades de adaptação, as viagens até ao país de acolhimento”.

As escritoras que projetam estes múltiplos olhares atentos sobre a emigração portuguesa são designadamente Irene Marques, professora de Literatura e Escrita Criativa nas Universidades de Toronto e Ryerson, no Canadá, que em 2019 arrecadou o Prémio Ferreira de Castro; Paula de Lemos, investigadora de Literatura Comparada na Universidade de Trier, na Alemanha, e detentora do Prémio Manuel Teixeira Gomes 2002; Luísa Costa Hölzl, tradutora, poetisa e professora de Língua Portuguesa da Universidade de Munique, na Alemanha; Luísa Semedo, doutorada em Filosofia e Conselheira das Comunidades Portuguesas eleita em França, que em 2017 ganhou o Prémio Literário e de Ilustração Eça de Queiroz; Gabriela Ruivo Trindade, formada em Psicologia e a viver em Londres foi a vencedora do Prémio LeYa em 2013; Maria João Dodman, doutorada em Literatura pela Universidade de Toronto e professora na York University, no Canadá; São Gonçalves, escritora e poetisa que reside no Luxemburgo;  Luz Marina Kratt, escritora e jornalista que vive entre a Suíça e a Áustria; Helena Araújo, blogger e escritora residente em Berlim, na Alemanha;  e Altina Ribeiro, conhecida escritora da comunidade portuguesa em França. 

Na esteira das palavras da escritora Ana Cristina Silva, que prefacia o livro, “Trata-se, em suma, de uma coletânea admirável que fazia falta ao panorama literário português”.

sábado, 4 de abril de 2020

Rostos da Emigração


No decurso dos últimos anos o acervo bibliográfico sobre o fenómeno migratório tem sido profusamente enriquecido com o lançamento de um conjunto significativo de livros que têm ampliado o estudo e conhecimento sobre a história da emigração portuguesa.

Um desses exemplos que asseveram a importância destas obras na análise e compreensão da emigração portuguesa, encontra-se vertido no livro “Rostos da Emigração” da autoria de Joaquim Tenreira Martins. Assistente social que durante largos anos trabalhou no Serviço Social e Jurídico da Embaixada de Portugal em Bruxelas – Secção Consular, onde prestou apoio a milhares de compatriotas. 
 
O livro “Rostos da Emigração” do escritor Joaquim Tenreira Martins (esq.), entre várias sessões junto das comunidades portuguesas e no território nacional, foi lançado na cidade berço de Portugal em 2017, numa sessão de apresentação que esteve a cargo do historiador Daniel Bastos (dir.)
Foi a pensar nesses milhares de emigrantes portugueses radicados no centro da Europa, que o autor escreveu em 2017 esse livro que conta com chancela da Editora Orfeu. Um misto de livraria e de editora, dirigida desde o final dos anos 90 pelo ativista cultural  Joaquim Pinto da Silva, e que tem sido o berço de várias obras preteridas pelos circuitos comerciais e que manifestamente têm importância para a nossa cultura e para a sua expansão.


A obra, na esteira do primeiro trabalho que escreveu sobre a emigração “Visages de l’Émigration Portugaise”, publicado em Paris, assume-se declaradamente como uma homenagem aos emigrantes portugueses, os mesmos que segundo Joaquim Tenreira Martins “nunca aparecerão nas manchetes dos jornais”, mas que têm sido ao longo dos anos uma força motriz do desenvolvimento socioeconómico das suas pátrias de origem e de acolhimento. Muitas das vezes sem o devido reconhecimento de ambas as pátrias, e em vários casos com trajetórias de vida marcadas por dificuldades, situações de precariedade, doença, desemprego, abandono e solidão.

Como salienta Maria Manuela Aguiar, antiga Secretária de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas, que assina o prefácio de “Rostos da Emigração”, o livro constitui “uma viagem ao interior do mundo da realidade migratória português, de alguém que alia a experiência de anos e anos de contacto com situações concretas, difíceis e problemáticas a uma grande sensibilidade para o sofrimento de pessoas inadaptadas, marginalizadas, e que possui também um conhecimento das regulamentações jurídicas, das burocracias dos países de acolhimento, dos contornos das questões sociais que se colocam com premência, e que exigem soluções adequadas”.