Morgado de Fafe
O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.
sábado, 18 de abril de 2020
sexta-feira, 10 de abril de 2020
Correr Mundo - Dez mulheres, dez histórias de emigração
Nestes
novos tempos marcados pela quarentena e o isolamento social, pois a vida humana
não tem preço e prevenir ainda é o melhor remédio, ler continua a ser uma das
melhores formas de passar o tempo.
É
nesse sentido, que o livro recentemente lançado no Dia
Internacional da Mulher, “Correr Mundo - Dez mulheres, dez histórias de
emigração”, ganha especial destaque, porque além de permitir ocupar o tempo de
forma útil, constitui mais um relevante contributo para entendermos o fenómeno da
emigração portuguesa.
Um contributo da
Oxalá Editora, uma editora vocacionada para a
publicação da obra de autores da diáspora, que encerra a particularidade de
constituir um conjunto de olhares femininos, em forma de contos, sobre a “saudade da infância e das origens, da língua, da
família, as questões da identidade e do desenraizamento, a desvalorização dos
emigrantes no país de acolhimento pela natureza do seu trabalho, as
dificuldades de adaptação, as viagens até ao país de acolhimento”.
As escritoras que projetam estes múltiplos olhares
atentos sobre a emigração portuguesa são designadamente Irene Marques, professora
de Literatura e Escrita Criativa nas Universidades de Toronto e Ryerson, no
Canadá, que em 2019 arrecadou o Prémio Ferreira de
Castro; Paula de Lemos, investigadora de Literatura Comparada na Universidade de Trier, na
Alemanha, e detentora do Prémio Manuel
Teixeira Gomes 2002; Luísa Costa Hölzl, tradutora, poetisa e professora de Língua Portuguesa da Universidade de
Munique, na Alemanha; Luísa
Semedo, doutorada em Filosofia e Conselheira das Comunidades Portuguesas eleita em França, que
em 2017 ganhou o Prémio Literário e de Ilustração Eça de Queiroz; Gabriela Ruivo Trindade, formada em Psicologia e a viver em Londres foi a vencedora do Prémio LeYa em 2013; Maria João Dodman, doutorada em Literatura pela
Universidade de Toronto e professora na York University, no Canadá; São Gonçalves, escritora e poetisa que reside no Luxemburgo; Luz Marina Kratt, escritora e jornalista que
vive entre a Suíça e a Áustria; Helena Araújo, blogger e escritora residente em Berlim, na Alemanha; e Altina Ribeiro, conhecida
escritora da comunidade portuguesa em França.
Na esteira das palavras da escritora Ana Cristina
Silva, que prefacia o livro, “Trata-se, em suma, de uma coletânea admirável que
fazia falta ao panorama literário português”.
sábado, 4 de abril de 2020
Rostos da Emigração
No
decurso dos últimos anos o acervo bibliográfico sobre o fenómeno migratório tem
sido profusamente enriquecido com o lançamento de um conjunto significativo de livros
que têm ampliado o estudo e conhecimento sobre a história da emigração
portuguesa.
Um
desses exemplos que asseveram a importância destas obras na análise e compreensão
da emigração portuguesa, encontra-se vertido no livro “Rostos da Emigração” da
autoria de Joaquim Tenreira Martins. Assistente social que durante largos anos
trabalhou no Serviço Social e Jurídico da Embaixada de Portugal em Bruxelas –
Secção Consular, onde prestou apoio a milhares de compatriotas.
Foi
a pensar nesses milhares de emigrantes portugueses radicados no centro da
Europa, que o autor escreveu em 2017 esse livro que conta com chancela da
Editora Orfeu. Um misto de livraria e de editora, dirigida
desde o final dos anos 90 pelo ativista cultural Joaquim
Pinto da Silva, e que tem sido o berço de várias obras preteridas pelos
circuitos comerciais e que manifestamente têm importância para a nossa cultura
e para a sua expansão.
A
obra, na esteira do primeiro trabalho que escreveu sobre a emigração “Visages de l’Émigration Portugaise”, publicado em
Paris, assume-se declaradamente como uma homenagem aos emigrantes
portugueses, os mesmos que segundo Joaquim Tenreira Martins “nunca aparecerão
nas manchetes dos jornais”, mas que têm sido ao longo dos anos uma força motriz
do desenvolvimento socioeconómico das suas pátrias de origem e de acolhimento.
Muitas das vezes sem o devido reconhecimento de ambas as pátrias, e em vários
casos com trajetórias de vida marcadas por dificuldades, situações de
precariedade, doença, desemprego, abandono e solidão.
Como
salienta Maria Manuela Aguiar, antiga Secretária de Estado da Emigração e das Comunidades Portuguesas, que assina o prefácio de
“Rostos da Emigração”, o livro constitui “uma viagem ao interior do mundo da
realidade migratória português, de alguém que alia a experiência de anos e anos
de contacto com situações concretas, difíceis e problemáticas a uma grande
sensibilidade para o sofrimento de pessoas inadaptadas, marginalizadas, e que
possui também um conhecimento das regulamentações jurídicas, das burocracias
dos países de acolhimento, dos contornos das questões sociais que se colocam
com premência, e que exigem soluções adequadas”.
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