Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

In memoriam Agostinho Santos

 

No decurso da semana passada, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento do embaixador da cultura minhota no Brasil, Agostinho Santos, presidente da Casa do Minho do Rio de Janeiro, e uma das figuras mais gradas da maior comunidade lusa na América Latina.

Natural de Cinfães do Douro, onde nasceu em 10 de agosto de 1944, Agostinho Santos emigrou para o Brasil no final dos anos 50, na companhia da mãe e dos irmãos mais novos, ao encontro da figura paterna que emigrara anos antes em demanda de melhores condições de vida.

Profundamente apaixonado pela cultura minhota, o emigrante duriense entrou no Rancho Folclórico da Casa do Minho no Rio de Janeiro, onde foi dançarino, acordeonista e depois diretor do grupo folclórico até ao ano de 1975. No alvorecer da década de 1980, foi eleito presidente da Casa do Minho, cargo que ocupava hodiernamente, transformando a agremiação numa embaixada de referência das tradições minhotas no Brasil, através de uma relação estreita com o Santoinho, o típico e reconhecido arraial minhoto localizado em Darque, freguesia do município de Viana do Castelo.

A relação muito próxima com Viana do Castelo foi reconhecida em 2017, quando a edilidade do Alto Minho lhe atribuiu a distinção de Cidadão de Honra, sendo que inclusive no ano seguinte, o minhoto adotivo presidiu à Comissão de Honra da Romaria da Senhora d’Agonia, uma das maiores festas populares de Portugal.

No campo da intervenção associativa e social, Agostinho Santos destacou-se ainda pelo papel relevante que desempenhou à frente da Obra Portuguesa de Assistência no Rio de Janeiro, fundada em 14 de outubro de 1921, e da qual assumiu a presidência em 1985. Uma das vertentes de atuação da Obra é o Hospital Egas Moniz, recentemente modernizado, e que apesar das dificuldades tem auxiliado a comunidade luso-brasileira na área da saúde e cuidados médicos, em especial no apoio à terceira idade.

Diretor do Real Gabinete Português de Leitura, símbolo incontornável da cultura lusófona no Rio de Janeiro, e sócio conselheiro de várias instituições luso-brasileiras, o percurso de vida generoso de Agostinho Santos, o seu sentido de missão e profundo apego à cultura portuguesa, particularmente à minhota, concorreram para que recebesse o título de Comendador do Governo Português por serviços prestados à Pátria. E inspiram-nos a máxima do filósofo e escritor José Luís Nunes Martins: “Talvez o sentido da vida não seja assim tão complicado: Amar para ser feliz, realizando sonhos”.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Daniel Bastos destaca contributo madeirense na comunidade luso-canadiana

O historiador e escritor Daniel Bastos, que ao longo dos últimos anos tem publicado vários livros no domínio da História e Emigração, cujas sessões de apresentação o têm colocado em contacto estreito com as comunidades portuguesas, participou na passada sexta-feira (4 de fevereiro), como orador convidado no VIII Encontro de História Regional e Local na Escola, promovido pela Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia da Região Autónoma da Madeira.

 

No decurso da iniciativa, subordinada ao tema “Movimentos Migratórios Regionais: passado e presente”, e destinada a professores de todos os grupos de recrutamento, investigadores e outros agentes culturais, Daniel Bastos apresentou uma comunicação intitulada “Galeria dos Pioneiros Portugueses - um espaço de memória da comunidade luso-canadiana em Toronto: o exemplo dos madeirenses”.

Ao longo da sua comunicação, o investigador destacou a integração, o empreendedorismo e a dinâmica associativa da comunidade portuguesa no Canadá. Em particular, da comunidade madeirense, que representará cerca de 5% da comunidade luso-canadiana, cerca de 20 mil madeirenses, principalmente em Toronto, capital do Ontário, e cidade onde se encontra a maior comunidade madeirense no Canadá.

O historiador realçou a dinâmica associativa do Canadian Madeira Club (Casa da Madeira), agremiação estabelecida no início dos anos 60, e as festas tradicionais madeirenses, com especial destaque para a de Nossa Senhora do Monte, que se realizam no Madeira Park. Assim, como o papel dos fundadores madeirenses da Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto, José Mário Coelho e Bernardette Gouveia, que em conjunto com o comendador vianense Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários lusos em Toronto, impulsionaram este espaço singular que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros portugueses para o Canadá, entre eles, alguns naturais da pérola do Atlântico.

Historiador, escritor e professor, Daniel Bastos, é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que pretende criar uma plataforma entre diversos núcleos museológicos, arquivos e coleções respeitantes à história e à memória, à vida e às perspetivas de futuro dos portugueses que vivem e trabalham fora do seu país.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Fundação Nova Era Jean Pina doou bens à Misericórdia de Fafe

 

A Fundação Nova Era Jean Pina, uma instituição presidida pelo empresário benemérito luso-francês, João Pina, administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, que tem cooperado várias com associações locais, doou no início desta semana uma tonelada e meia de bens à Santa Casa da Misericórdia de Fafe.



O historiador fafense Daniel Bastos (dir.), representante da Fundação Nova Era Jean Pina junto das comunidades portuguesas, e que tem intermediado a chegada dos diversos bens ao concelho, no armazém da Misericórdia de Fafe, acompanhado do vice-provedor da instituição local, Joaquim Antunes Rodrigues (esq.)

 

Uma das maiores instituições sociais do Norte do país, já com uma longa história, e cuja ação promove o desenvolvimento de respostas sociais direcionadas para a Terceira Idade, Infância e Saúde, como é o caso da gestão do Hospital de São José, a Misericórdia de Fafe foi contemplada com a oferta de tonelada e meia de produtos de higiene para bebés e seniores, assim como materiais didáticos para crianças.

Além da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, foi novamente contemplada com o envio de bens a Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta (ADDAF), entidade local responsável pelo trabalho de voluntariado no canil municipal, que recebeu 100 kgs de ração para cães.

Refira-se que a instituição luso-francesa ao longo dos últimos anos tem apoiado quer na Diáspora, como em Portugal, o desenvolvimento de projetos de solidariedade em prol de diversas associações de cariz social, tem previsto a breve trecho continuar a apoiar mais instituições sociais de Fafe. E que os custos de transporte dos bens que chegaram no início desta semana ao concelho provenientes de França, foram suportados pela Transnós, uma empresa local especializada no transporte, armazenagem, logística e distribuição de mercadorias.