Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Manuel Bettencourt – entre o sonho americano e o orgulho nas raízes portuguesas

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

Atualmente, segundo dados dos últimos censos americanos, residem nos EUA mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, principalmente concentrados na Califórnia, Massachusetts, Rhode Island e Nova Jérsia. A grande maioria da população luso-americana trabalha por conta de outrem, na indústria, mas são já muitos os que trabalham nos serviços ou se destacam na área científica, no ensino, nas artes, nas profissões liberais e nas atividades politicas.

No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, onde proliferam centenas de associações recreativas e culturais, clubes desportivos e sociais, fundações para a educação, bibliotecas, grupos de teatro, bandas filarmónicas, ranchos folclóricos, casas regionais e sociedades de beneficência e religiosas, destacam-se percursos de vida de vários compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada na América e ascenderam na escala social graças ao trabalho, ao mérito e ao empenho, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do comendador Manuel Bettencourt, uma das figuras mais gradas da comunidade luso-americana.

Natural de Ribeirinha, uma aldeia do concelho de Santa Cruz da Graciosa, ilha Graciosa, arquipélago dos Açores, Manuel Bettencourt emigrou para a América no final dos anos 60, na casa dos vinte anos de idade, ao encontro dos pais que tinham partido um ano antes em demanda de melhores condições de vida para uma família humilde e numerosa, marcada pelo espectro de grandes carências, na esteira da larga maioria da população que durante a ditadura portuguesa vivia na pobreza, quando não na miséria.

A chegada à Califórnia, estado no oeste dos EUA, numa fase de crescimento da emigração açoriana para o território americano, marca o início de um percurso de vida de um verdadeiro “self-made man”, que sem saber falar inglês, desde logo arranjou trabalho no hotel onde o pai fazia limpezas. Durante cerca de uma década, Manuel Bettencourt, ao mesmo tempo que lavava pratos e servia às mesas, compondo assim os rendimentos da família formada por uma dezena de irmãos, deu asas ao sonho de estudar, de tirar um curso superior, que acalentava desde o torrão natal, em particular do Faial onde tirou o segundo ano do liceu.

O trabalho, o esforço e a resiliência, valores coligidos no seio familiar, permitiram ao jovem graciosense fazer, em regime noturno, o ensino secundário, e depois graduar-se em Educação Geral no San Jose City College e posteriormente licenciar-se em Biologia na San Jose State University.

A progressão na carreira e a valorização profissional levariam Manuel Bettencourt nos quatro anos seguintes a ir para o México, para Guadalajara, estudar Estomatologia, com o objetivo de regressar à Califórnia e abrir um consultório em Santa Clara, atual centro de Silicon Valley, desígnio que cumpriria e que o levou a exercer cirurgia dentária durante 30 anos.

Profissional de medicina dentária renomado, com uma trajetória marcada pelo carecimento, humildade, dedicação e mérito, o dentista luso-americano que sempre trabalhou de perto com os seus compatriotas, demonstrou sempre ao longo da sua vida uma faceta de apoio aos mais necessitados. Contexto que concorreu para que nunca tenha recusado um paciente por falta de dinheiro, ou se mostre ainda hoje disponível para prestar cuidados dentários a inúmeras crianças de agregados carenciados de imigrantes mexicanos.

Atualmente reformado, o sucesso que alcançou no campo da cirurgia dentária foi constantemente acompanhado de uma enorme dedicação às tradições e instituições da comunidade portuguesa na Califórnia, tendo ao longo das últimas décadas ocupado diversos cargos de direção no movimento associativo.

Os notáveis serviços de cidadania e os relevantes contributos em prol da comunidade luso-americana, assim como o reiterado orgulho nas raízes portuguesas que o levam quase todos os anos ao torrão natal, estão na base das condecorações de Comendador da Ordem de Mérito (2002), Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (2011) e Insígnia Autonómica de Reconhecimento (2015) que lhe foram atribuídas pelas autoridades nacionais e regionais.

Uma das figuras mais gradas da comunidade luso-americana, o exemplo de vida do comendador Manuel Bettencourt, inspira-nos a máxima do escritor indiano Rabindranath Tagore:“Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza”.

 

 

 

 

 

 

domingo, 31 de janeiro de 2021

Jean Pina, de sonhador a promotor da solidariedade luso-francesa

 

Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas é a sua dimensão empreendedora e benemérita, como corroboram os percursos de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e dinamizam atividades de relevo a nível económico, político, cultural e social.

Nos vários exemplos de empresários da diáspora, cada vez mais reconhecidos como uma mais-valia na promoção do país, destaca-se a trajetória do empresário português João Pina, radicado na região de Paris, um dos mais dinâmicos e beneméritos empresários portugueses em França.

Natural de Trinta, uma pequena povoação do concelho da Guarda, João Pina emigrou para França nos anos 80, com 19 anos de idade, na esteira de milhares de portugueses que procuravam na pátria gaulesa uma vida melhor. A chegada a Paris, ainda que marcada inicialmente por um conjunto de contratempos e dificuldades, como foi o caso de um acidente grave que fez com que ficasse em coma vários dias, e que concorreu para que se tornasse um zeloso devoto de Nossa Senhora de Fátima, assinalou um percurso de empresário de sucesso na área da construção civil, como é vivificado na obra biográfica assinada em 2016 por Elizabete Dente - “Jean Pina de sonhador a promotor”.

Presentemente administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, um conjunto de seis empresas com atividades em áreas como a construção civil, limpeza e reciclagem de resíduos, que o elevam a um dos mais relevantes empresários luso-franceses, o êxito que João Pina, conhecido em terras gaulesas por Jean Pina, alcançou ao longo das últimas décadas no mundo dos negócios, tem sido reiteradamente acompanhado de uma inequívoca solidariedade em prol da comunidade portuguesa em França.

O espírito solidário de Jean Pina foi paradigmaticamente consubstanciado em novembro de 2019, quando o empresário guardense constituiu a Fundação Nova Era Jean Pina. O lema da instituição “Solidariedade em Movimento” é revelador da sua missão primacial. Mormente, dinamizar a cooperação entre França e Portugal através da promoção, apoio e desenvolvimento de projetos de solidariedade para com as pessoas mais desfavorecidas e vulneráveis, como idosos, crianças institucionalizadas e desempregados.

Foi nesta entrecho, que por exemplo, o empresário luso-francês esteve em 2018 na base do estabelecimento de protocolos entre instituições franco-portuguesas de apoio a deficientes. Ou no ano seguinte, na concretização de um protoloco de cooperação com o Centro Cultural Português em Paris do Instituto Camões com o Groupe Jeunesse SOS – M.E.C.S. Félix Faure, com vista à inserção de alunos franceses através da iniciação à língua e cultura portuguesa.

Dinamizador e patrocinador de várias atividades, e projetos de cariz sociocultural e solidário, o empresário e benemérito da comunidade em França não esquece as suas raízes, sendo que pessoalmente ou através da Fundação Nova Era Jean Pina tem sido responsável pela realização de múltiplas iniciativas na região da Guarda.

Atividades no torrão natal que ao longo dos últimos anos têm impelido o encontro de empresários guardenses em Paris, e a oferta de bens alimentares à Loja Social “Mão Amiga” e a idosos e crianças da região da Guarda. Assim como a doação de roupa, brinquedos e material para a ala de Pediatria e Oncologia do Hospital da Guarda, e a entrega de duas dezenas de bolsas de estudo a reclusos do Estabelecimento Prisional da Guarda.

Têm sido várias as ceias de Natal organizadas por Jean Pina na Guarda para as quais convida crianças institucionalizadas e idosos isolados. Ainda recentemente para mitigar as dificuldades socioeconómicas causadas pela pandemia de coronavírus, a sua fundação ofereceu cerca de meio milhar de cabazes de Natal a famílias carenciadas da cidade mais alta de Portugal.

A inesgotável generosidade de Jean Pina na região da Guarda levaram no final do ano passado a Assembleia Municipal de Celorico da Beira a aprovar um voto de louvor à fundação Nova Era e ao empresário luso-francês. Ainda nesse ano, a Assembleia de Freguesia da Guarda, Almeida e o Município de Mangualde tinham aprovado por unanimidade votos de louvor pelo trabalho de Jean Pina, méritos que tinham já concorrido em 2015 para que tivesse sido distinguido com a Medalha de Mérito Municipal da Cidade da Guarda.

Uma das figuras mais conhecidas da comunidade lusa em França, provavelmente a maior comunidade portuguesa fora de Portugal, o exemplo de vida do empresário e benemérito Jean Pina inspira-nos a máxima de Madre Teresa de Calcutá: “Eu sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor”.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Os notáveis exemplos de solidariedade das comunidades portuguesas em tempos de pandemia

 

Nestes tempos difíceis que atravessamos, devido aos efeitos da pandemia de coronavírus que ao longo do último ano gerou uma crise socioeconómica mundial sem precedentes, as comunidades portuguesas têm sido palcos constantes de muitos e bons exemplos de solidariedade.

Uma generosidade que perpassa a geografia universal dos portugueses no estrangeiro, e que se tem revelado essencial para mitigar o espectro de desemprego, as perdas de rendimento e as grandes dificuldades de vida que bateram à porta de muitos compatriotas.

Os exemplos deste sentimento de responsabilidade, partilha e auxílio no seio da diáspora lusa têm sido muitos, verdadeiramente inspiradores, a todos os títulos notáveis, e não devem deixar de ser enaltecidos e prosseguidos no nosso quotidiano.

É o caso, por exemplo, da incomensurável onda de generosidade que tem sido dinamizada em França, onde vive a maior comunidade portuguesa de emigrantes, mais de um milhão, e que através do coletivo “Todos Juntos” reuniu, no decurso do ano transato, várias toneladas de alimentos para ajudar famílias carenciadas de emigrantes lusos que vivem na região parisiense.

Na mesma esteira solidária, e durante o mesmo período, a comunidade portuguesa e de luso-descendentes na África do Sul, que se estima que atualmente ronde o meio milhão de pessoas, na sua maioria com raízes madeirenses, através do Fórum Português da África do Sul, entregou cerca de 400 toneladas de alimentos ao Governo sul-africano para ajudar no combate à fome na província de Gauteng, a mais afetada pela pandemia da covid-19.

Por esta altura em Toronto, a maior cidade do Canadá, onde reside uma das mais dinâmicas comunidades portuguesas da América do Norte, uma das mais relevantes plataformas de comunicação social lusa, a MDC Media Group, presidida pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários luso-canadianos, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, e a Camões Rádio e TV, persevera na recolha de alimentos para entregar no Food Banks Canada.

 

Ainda na maior cidade do Canadá, e com o apoio constante dos diversos órgãos de informação da MDC Media Group, ao longo dos últimos tempos a equipa de voluntários liderada por José Dias, Luís Miguel de Castro e Carlos Lopes têm dinamizado a “Food for Thought”. Através da generosidade de vários estabelecimentos e figuras gradas da comunidade luso-canadiana, o grupo de voluntários têm conseguido distribuir “alimento para a alma” de vários agregados de concidadãos que por estes dias vivem com mais dificuldades.

 

Estes notáveis exemplos de solidariedade, e muitos outros que estão atualmente a ser dinamizados no seio das comunidades portuguesas, dão sentido à incitação universal e intemporal de Nelson Mandela, um dos símbolos dos direitos humanos mais reconhecidos do século XX: “Um dos desafios do nosso tempo, sem ser beato ou moralista, é reinstalar na consciência do nosso povo esse sentido de solidariedade humana, de estarmos no mundo uns para os outros, e por causa e por meio dos outros”.

 

 

sábado, 16 de janeiro de 2021

Daniel Bastos distinguido pelo trabalho literário em prol da Emigração Portuguesa

O historiador Daniel Bastos, colaborador de diversos meios de comunicação dirigidos para as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo, assim como órgãos de informação nacionais, regionais e locais. E autor de vários livros sobre História e Emigração, cujas sessões de apresentação o têm colocado em contacto estreito com as Comunidades Portuguesas, foi distinguido no decurso do presente mês pela Junta de Freguesia de Fafe com a Medalha de Mérito na área da Literatura, em reconhecimento do trabalho que ao longo dos últimos anos tem dedicado à Diáspora Portuguesa.  


O historiador Daniel Bastos (ao centro), acompanhado do executivo da Junta de Freguesia de Fafe, no momento de entrega da Medalha de Mérito na área da Literatura

Natural do concelho minhoto, e com uma formação eclética que perpassa as áreas da História, Teologia, Ética e Filosofia Politica, e vários prémios e participações em conferências nacionais e internacionais, o percurso pessoal e literário do professor, escritor e historiador, autor entre outros dos livros “O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores” e “Dias de Liberdade em Portugal”, concebidos a partir do espólio do consagrado fotógrafo que imortalizou a Emigração Portuguesa, Gérald Bloncourt, tem sido alicerçado no seio da Diáspora e da Lusofonia.