Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Fundação Nova Era Jean Pina doou bens à Misericórdia de Fafe

 A Fundação Nova Era Jean Pina, uma instituição presidida pelo empresário benemérito luso-francês, João Pina, administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, que tem firmado várias parcerias com associações locais, doou no início desta semana meia tonelada de bens à Santa Casa da Misericórdia de Fafe.


O historiador fafense Daniel Bastos (dir.), embaixador da Fundação Nova Era Jean Pina junto das comunidades portuguesas, e que tem intermediado a chegada dos diversos bens ao concelho, no armazém da Misericórdia de Fafe, acompanhado do vice-provedor da instituição local, Joaquim Antunes Rodrigues (esq.)

 


Uma das maiores instituições sociais do Norte do país, já com uma longa história, e cuja ação promove o desenvolvimento de respostas sociais direcionadas para a Terceira Idade, Infância e Saúde, como é o caso da gestão do Hospital de São José, a Misericórdia de Fafe foi contemplada com a oferta de meia tonelada de produtos de higiene para bebés e seniores, assim como produtos de limpeza e alimentares.

Além da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, foram novamente contempladas com o envio de bens a Delegação de Fafe da Cruz Vermelha, instituição local que presta assistência humanitária e social, em especial aos mais vulneráveis, que recebeu meia tonelada de alimentos e produtos de higiene. Assim como, a Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta (ADDAF), entidade local responsável pelo trabalho de voluntariado no canil municipal, que recebeu uma tonelada de ração para cães e lixívia.

Refira-se que a instituição luso-francesa ao longo dos últimos anos tem apoiado quer na Diáspora, como em Portugal, o desenvolvimento de projetos de solidariedade em prol de diversas associações de cariz social, tem previsto ainda durante esta quadra natalícia apoiar outras instituições sociais de Fafe. E que os custos de transporte dos bens que chegaram no início desta semana ao concelho provenientes de França, via a associação portuguesa Lusibanda, sediada em Le Havre, foram suportados pelos Transportes Mesquita, uma empresa de transportes internacionais em camião TIR, com sede na região norte, ambos membros associado da Fundação Nova Era Jean Pina.

 






segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Leonor Xavier: a emigração portuguesa como fonte de inspiração

 

No início desta semana passada, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento da jornalista e escritora Leonor Xavier (1943 – 2021), cujo percurso profissional e literário conferiu um importante impulso à afirmação da mulher portuguesa na diáspora.

Nascida em Lisboa, Leonor Xavier licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em março 1975, no decurso da Revolução de Abril, emigrou na companhia do marido, o advogado Alberto Xavier, professor de Direito da Universidade de Lisboa e antigo titular da Secretaria de Estado do Planeamento, e os três filhos, para São Paulo, no Brasil.

Na capital paulista, viveu como recordaria mais tarde, quatro anos “decisivos na minha história de mulher”, passando de dona de casa para professora particular de francês e revendedora porta-a-porta de recipientes tupperware. No Rio de Janeiro, para onde se mudou em 1979, encetou o seu percurso como jornalista, tendo sido correspondente do Diário de Notícias, colaboradora da revista Manchete, do Jornal do Brasil e redatora do jornal Mundo Português.

Paralelamente à careira jornalista, no âmbito da qual recebeu por duas vezes o “Prémio de Melhor Jornalista da Comunidade Portuguesa no Rio de Janeiro”, publicou em terras de Vera Cruz os seus primeiros livros, mormente os ensaios Atmosferas e Entrevistas, e o romance Ponte aérea. Regressada a Lisboa em 1987, ano em que foi agraciada com o grau de Oficial da Ordem do Mérito, colaborou com as revistas Máxima, Vogue, Sábado e o Jornal de Letras, escreveu os romances O Ano da Travessia e Botafogo, e assinou as biografias de Maria Barroso (Um Olhar Sobre a Vida), Raul Solnado (A Vida Não Se Perdeu), de quem foi companheira, e do político Rui Patrício (A Vida Conta-se Inteira).

Vencedora em 2010 do Prémio Máxima de Literatura, com o livro Casas Contadas, e em 2016 do Prémio Frei Bernardo Domingues, com a obra Passageiro Clandestino, e autora de várias comunicações em congressos sobre a emigração portuguesa para o Brasil, a sua experiência migratória em terras brasileiras inspiraram vários dos seus trabalhos literários. Como a mesma asseverou em entrevista no alvorecer da década de 2010: “O emigrante é o meu discurso interior”, até porque “um livro que se escreve não é só uma narrativa de factos. O discurso interior é o compromisso com todas as situações que vivi”.

 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

A rede museológica digital dedicada à emigração portuguesa

 

O desígnio e imperativo de valorização do conhecimento da história da emigração portuguesa têm impelido, nos últimos anos, o poder político a procurar incrementar estratégias culturais capaz de aglutinar os espaços museológicos ligados ao fenómeno migratório que se encontram disseminados pelo território nacional.

 

Uma dessas estratégias foi implementada no alvorecer do ano que agora está a findar, através da apresentação por parte da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, liderada por Berta Nunes, de um projeto que visa a criação de uma rede museológica digital dedicada à emigração lusa.

 

Uma rede museológica, cuja principal ambição passa por ligar a história da diáspora portuguesa e suas vias de acesso, via digital e num itinerário real, fisicamente implantado, apto a reconhecer os diferentes fluxos migratórios e capaz de atrair o interesse pelo país e suas gentes. Como sustenta Luís Castro Mendes, embaixador e antigo ministro da Cultura que preside ao conselho de consultores do projeto, pretende-se assim fomentar “uma rede entre espaços museológicos, com vantagens em relação a um museu que concentrasse tudo”.

 

Precursora de uma visão museológica desconcentrada, esta rede museológica visa, mediante a dinamização de uma plataforma online, disponibilizar os acervos do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, do Espaço Memória e Fronteira, localizado em Melgaço, e do Museu da Emigração Açoriana, instalado na Ribeira Grande. Uma plataforma que seguramente também não olvidará projetos e instituições como o Cais da Língua e das Migrações, em Matosinhos, o Museu Português da Migração, no Sabugal, o Espaço Memória e Fronteira, no Fundão, o Museu do Salto, em Vilar Formoso, ou o Museu da Família Teixeira, na Madeira.

 

Esta plataforma, que pretende ligar os espólios que em Portugal contam a história da emigração portuguesa, pode e deve aglutinar ainda espaços museológicos que têm sido construídos ao longo das últimas décadas por portugueses no estrangeiro. Como, por exemplo, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, em Toronto, impulsionada no presente pelo comendador Manuel DaCosta, e que se dedica à dinamização do legado dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá; o Museu da Imigração, em Lausanne, na Suíça, criado pelo português Ernesto Ricou, que depois de quase uma vintena de anos de atividade na Avenida de Tivoli, tem uma nova casa na rua Saint-Martin 36, incluído no centro dedicado aos migrantes, com o apoio das igrejas católicas e protestantes; o Museu Etnográfico Português em Sydney, na Austrália, que tem procurado manter viva a identidade cultural da comunidade luso-australiana; ou o Museu Histórico Português em São José, Califórnia, dedicado às tradições lusas, em especial religiosas, neste estado norte-americano.

 

Uma ligação que pode e deve ainda procurar interligar-se com vários museus nacionais espalhados pela geografia da diáspora portuguesa, e cujos espólios acentuam o contributo marcante da imigração portuguesa no desenvolvimento dessas pátrias de acolhimento. Como, por exemplo, o Museu Nacional da Imigração Canadiano, localizado em Halifax, na província da Nova Escócia, que conserva nas suas variadas coleções inúmeros testemunhos da presença portuguesa no país; o Museu Nacional da História da Imigração em Paris, cujos documentos de arquivo, imagens, obras de arte, objetos da vida diária e testemunhos visuais e sonoros destacam o papel e importância da comunidade portuguesa em França, ou o Museu da Baleação de New Bedford, cuja ala dedicada aos baleeiros dos Açores, presta homenagem aos portugueses, mormente açorianos e o seu significativo contributo para a herança marítima norte-americana.  

 

Estes espaços museológicos, e outros que se encontram ou possam vir a ser projetados na pátria de origem ou de acolhimento dos portugueses espalhados pelo mundo, são uma indubitável mais-valia na perpetuação da memória da emigração lusa, e fundamentais para a prossecução da missão descentralizada e polinuclear da rede museológica digital dedicada à emigração portuguesa.