Morgado de Fafe
O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.
domingo, 7 de junho de 2026
Alexandre Aires da Silva: um português na liderança mundial da ciência das pescas
Uma das marcas mais distintivas das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo é a sua reconhecida vocação empreendedora. Ao longo de décadas, inúmeros compatriotas construíram percursos de sucesso, criando empresas sólidas e assumindo posições de relevo nos planos cultural, social, económico, político e científico.
Num tempo em que o mundo assenta cada vez mais numa sociedade do conhecimento, em que a inovação tecnológica e a produção científica são motores fundamentais de desenvolvimento, a diáspora científica portuguesa afirma-se como um ativo estratégico para a projeção internacional de Portugal e para a consolidação de uma ciência sem fronteiras.
É neste contexto que se destaca o percurso do investigador português Alexandre Aires da Silva, membro do Comité Consultivo Científico da Fundação Internacional para a Sustentabilidade dos Produtos do Mar (ISSF) e Coordenador da Investigação Científica da Comissão Interamericana do Atum Tropical (IATTC).
Alexandre Aires da Silva © Inter-American Tropical Tuna Commission (IATTC)
Nascido em 1971, em Lourenço Marques — atual Maputo —, na então província ultramarina portuguesa de Moçambique, Alexandre Aires da Silva licenciou-se, em 1996, em Biologia Marinha e Pescas pela Universidade do Algarve. Iniciou depois a sua carreira como técnico superior de investigação na Universidade dos Açores, instituição que tem desempenhado um papel relevante no desenvolvimento das ciências do mar em Portugal.
A experiência adquirida no contexto açoriano proporcionou-lhe bases sólidas para aprofundar competências na investigação aplicada às pescas. Em 2000, iniciou o doutoramento como bolseiro do Programa Fulbright, na prestigiada Escola de Ciências Aquáticas e das Pescas da Universidade de Washington, em Seattle, nos Estados Unidos da América. Concluiu o doutoramento em 2008, distinguido com o Prémio de Mérito Académico, na sequência de investigação avançada em métodos quantitativos aplicados à avaliação de recursos pesqueiros. A sua tese incidiu sobre a dinâmica populacional do tubarão-azul no Atlântico Norte.
O prestígio académico e científico alcançado levou-o, em 2007, a integrar a equipa da Comissão Interamericana do Atum Tropical (IATTC), sediada em La Jolla, na área metropolitana de San Diego, na Califórnia. Entre as suas responsabilidades destacou-se a avaliação da unidade populacional de atum-patudo no Oceano Pacífico Oriental.
Importa recordar que San Diego, segunda maior cidade da Califórnia, chegou a ser conhecida, em meados do século XX, como a “capital mundial do atum”. A esse protagonismo esteve profundamente ligada a histórica comunidade luso-americana da região, composta sobretudo por emigrantes oriundos dos Açores e da Madeira, que desempenharam um papel determinante no desenvolvimento da indústria conserveira e da pesca do atum.
Desde 2017, Alexandre Aires da Silva exerce funções de Coordenador da Investigação Científica da IATTC, organização regional responsável pela conservação e gestão sustentável do atum e de outras espécies marinhas no Oceano Pacífico Oriental, numa vasta área marítima que se estende do Alasca ao Chile.
Paralelamente, integra o Comité Consultivo Científico da Fundação Internacional para a Sustentabilidade dos Produtos do Mar, entidade internacional de referência na promoção da sustentabilidade das pescas do atum e na conservação dos ecossistemas marinhos.
As suas raízes lusas, associadas ao reconhecimento científico internacional e à existência de uma pequena frota portuguesa de pesca do atum, concentrada sobretudo nos Açores e na Madeira, contribuíram decisivamente para que a 104.ª Reunião Anual da Comissão Interamericana do Atum Tropical se realize este ano em Lisboa, entre 31 de agosto e 4 de setembro.
O encontro, organizado pela União Europeia em Portugal, reunirá delegações governamentais, cientistas e representantes das principais partes interessadas das Américas, Europa e Ásia, para debater a gestão sustentável da pesca do atum no Oceano Pacífico Oriental. Será um momento particularmente relevante, em que ciência, política e cooperação internacional convergirão em Lisboa.
No âmbito da reunião anual da IATTC, prevê-se igualmente, em articulação com o Museu de Marinha, uma homenagem aos pescadores portugueses que marcaram a história da frota do atum em San Diego. Uma iniciativa que contará com o contributo decisivo de Alexandre Aires da Silva, mas também com o empenho do Cônsul Honorário de Portugal em San Diego, Idalmiro da Rosa, destacado promotor da portugalidade, e de Kenny Alameda, empresário luso-descendente de reconhecido sucesso na Califórnia.
O percurso de Alexandre Aires da Silva constitui, assim, um exemplo maior da capacidade de afirmação internacional da diáspora científica portuguesa, demonstrando como o talento, o conhecimento e a ligação às raízes nacionais continuam a projetar Portugal nos mais elevados patamares da ciência global contemporânea.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário