Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

domingo, 31 de maio de 2026

“Portugal: da Ditadura à Democracia” lançado em Lisboa e na diáspora, em Toronto

No próximo dia 18 de junho, em Lisboa, será lançada a obra Portugal: da Ditadura à Democracia. O livro, concebido pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Marques Valentim, um dos nomes mais relevantes do fotojornalismo português, que acompanhou momentos decisivos da história contemporânea nacional durante o processo de transição e consolidação do regime democrático, será apresentado às 18h00, na Fundação Mário Soares e Maria Barroso.
O fotojornalista Marques Valentim (ao centro), com o historiador Daniel Bastos (à direita) e o tradutor Paulo Teixeira, na histórica cooperativa livreira UNICEPE, no Porto, espaço cultural de liberdade e de solidariedade onde o livro “Portugal: da Ditadura à Democracia” se encontra disponível em território nacional. A obra apresenta-se numa edição bilingue, em português e inglês, com tradução de Paulo Teixeira e prefácio de João Soares. A sessão, integrada nas comemorações do centenário do nascimento de Mário Soares e Maria Barroso, contará com a intervenção do próprio prefaciador, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ex-ministro da Cultura. Antes da apresentação, às 17h00, terá lugar a inauguração de uma exposição fotográfica de Marques Valentim, inspirada na vida e nos legados deste casal, símbolo da luta pela liberdade e pela democracia em Portugal.
Paralelamente à apresentação em Lisboa, a obra será lançada junto da diáspora portuguesa no dia 27 de junho, às 10h00, na Peach Gallery, em Toronto, no Canadá, cidade onde reside uma das mais expressivas comunidades portuguesas e lusodescendentes do mundo. A sessão de lançamento, integrada nas celebrações do Mês do Património Português em Toronto, será conduzida pelo empresário e filantropo Manuel DaCosta, constituindo um reconhecimento do papel desempenhado pela comunidade luso-canadiana na preservação e afirmação dos valores da liberdade e da portugalidade. A totalidade das receitas provenientes da venda dos livros reverterá a favor da Magellan Community Foundation, instituição responsável pela construção, em Toronto, do primeiro lar de cuidados continuados destinado a idosos de expressão portuguesa. Neste novo livro, realizado com o apoio institucional da Fundação Mário Soares e Maria Barroso e com apresentações previstas ao longo do ano em território nacional e na diáspora, Daniel Bastos dá a conhecer o singular espólio fotográfico de Marques Valentim. Entre mais de duas centenas de fotografias emblemáticas, registos menos divulgados e imagens inéditas, o fotógrafo captou, com notável sensibilidade, acontecimentos e protagonistas marcantes da sociedade portuguesa no último quartel do século XX.
A partir das memórias visuais do antigo fotocine, que registou o conflito colonial em Moçambique e integrou, ao longo de mais de três décadas, redações de jornais de referência em Portugal, são retratadas as vivências da guerra, bem como um universo humano intenso e diversificado, composto por populações locais, olhares expressivos e paisagens luminosas da então província ultramarina. A obra aborda igualmente a chegada e o difícil processo de integração dos chamados “retornados”, na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974. Os principais acontecimentos revolucionários são amplamente documentados pela lente de Marques Valentim, desde a tentativa de golpe de Estado de 11 de março de 1975, passando pelo “Caso República”, pelo “Caso Rádio Renascença” e pelo conturbado “Verão Quente”, até ao 25 de Novembro, um dos momentos mais marcantes e debatidos da Revolução portuguesa. O olhar atento de Marques Valentim não se limita, contudo, aos grandes acontecimentos políticos. Ao captar as expectativas, tensões e transformações de uma sociedade em rápida mudança, o fotojornalista revela também a dimensão humana da transição democrática. Tornam-se visíveis não apenas os rostos de figuras incontornáveis da democracia portuguesa e do processo de adesão europeia, mas também os quotidianos de trabalhadores, famílias e comunidades do Portugal profundo nas décadas de 1970 e 1980, assim como as vivências de emigrantes que, em fuga à pobreza e à guerra colonial, partiram em busca de melhores condições de vida. Num tempo em que Portugal vive já há mais anos em liberdade do que viveu em ditadura, esta obra propõe, a partir das memórias visuais de Marques Valentim, cujo trabalho se inscreve entre os mais relevantes testemunhos do fotojornalismo português sobre o 25 de Abril, uma reflexão sobre o regime ditatorial, a mudança política e os caminhos que conduziram à consolidação da democracia. Ao promover um conhecimento mais aprofundado do passado recente, o livro afirma-se como um exercício de memória e cidadania, particularmente relevante num contexto nacional e internacional marcado pelo crescimento de movimentos populistas e extremistas que tendem a colocar em causa pilares fundamentais das democracias. Segundo João Soares, autor do prefácio, este livro-álbum “constitui um contributo importante para a nossa memória coletiva. Para aqueles que viveram os tempos aqui retratados, representa um reencontro com momentos marcantes da nossa história. Para os que não os viveram, oferece uma oportunidade rara de os conhecer, ver e compreender, através do olhar atento e sensível de quem soube, e teve a oportunidade de estar presente”. Nascido após a Revolução de Abril, Daniel Bastos é autor de várias obras dedicadas às memórias da ditadura, ao processo de construção da democracia e à história da emigração portuguesa. O seu percurso tem sido marcado pelo contacto direto com as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, afirmando-se, no seio da diáspora, como um investigador atento às dinâmicas da portugalidade contemporânea. Marques Valentim, nascido em 1949, cumpriu o serviço militar obrigatório em Moçambique entre 1972 e 1974, como furriel miliciano na especialidade de fotocine. Após o regresso a Portugal, na sequência do 25 de Abril, iniciou uma carreira de relevo no fotojornalismo, acompanhando momentos decisivos da vida nacional durante o processo de transição e consolidação da democracia portuguesa.

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