Morgado de Fafe
O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Manuel Eduardo Vieira e a Ordem do Infante D. Henrique: um rosto maior da diáspora portuguesa na América
A comunidade portuguesa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença se consolidou entre o primeiro quartel do século XIX e o último quartel do século XX — período em que se estima terem emigrado cerca de meio milhão de portugueses, maioritariamente oriundos dos arquipélagos da Madeira e dos Açores — distingue-se hoje pela sua plena integração, pelo seu inegável espírito empreendedor e pelo relevante papel económico, social e até político que desempenha na principal potência mundial.
No seio desta numerosa comunidade lusa, que segundo os dados mais recentes dos censos norte-americanos integra mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, sobressaem múltiplos percursos de vida que corporizam o chamado American dream. Histórias de homens e mulheres que, partindo muitas vezes do nada, ascenderam social e profissionalmente graças ao trabalho árduo, ao mérito e a uma notável resiliência.
Entre essas trajetórias exemplares destaca-se, de forma particularmente inspiradora, o percurso do comendador Manuel Eduardo Vieira, hoje reconhecido como o maior produtor mundial de batata-doce biológica e uma das figuras mais marcantes da comunidade portuguesa na Califórnia.
Natural da Silveira, pequena localidade da ilha do Pico, no arquipélago dos Açores, Manuel Eduardo Vieira emigrou aos 17 anos, em 1962, num contexto marcado pelo início da Guerra do Ultramar. Antes de se fixar nos Estados Unidos, partiu para o Rio de Janeiro, ao encontro de um tio que o acolheu a pedido da mãe e lhe proporcionou a possibilidade de prosseguir estudos para além da 4.ª classe, concluída na terra natal, no seio de uma família humilde.
A permanência no Brasil, durante cerca de uma década, foi determinante: permitiu-lhe formação nas áreas da Contabilidade e da Gestão, experiência profissional em diversas empresas, o encontro com a futura esposa, Laurinda — também emigrante, natural de Chaves — e foi ainda o berço de nascimento dos seus três filhos.
A ida para os Estados Unidos ocorreria no início da década de 1970, quando os pais e o irmão Artur já se encontravam emigrados na Califórnia, trabalhando no Vale de São Joaquim, numa empresa agrícola do tio António Vieira Tomás. Foi nesse contexto que Manuel Eduardo Vieira teve o primeiro contacto direto com a atividade agrícola em solo norte-americano.
O esforço persistente e a recusa em desistir perante as adversidades — bem patentes no facto de estudar inglês à noite e trabalhar no campo durante o dia — moldaram um homem que construiu, a pulso, o seu percurso de sucesso. Um momento decisivo ocorreu em 1977, quando o tio lhe propôs a aquisição da empresa A.V. Thomas Produce, então dedicada à produção de batata-doce em cerca de 20 hectares, com uma única linha de tratamento e embalagem instalada num simples barracão, na cidade de Livingston.
Com engenho, visão estratégica e capacidade de inovação, o duplo emigrante açoriano relançou a empresa, adquirida por 145 mil dólares, introduzindo práticas pioneiras, como a certificação de produção biológica em 1988, ou, mais recentemente, a batata-doce em embalagem individual, pronta a ir ao micro-ondas. Paralelamente, expandiu a exploração agrícola, que hoje ultrapassa os 1200 hectares. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, esta realidade transformou a empresa na maior produtora mundial de batata-doce biológica, com um volume de negócios superior a 50 milhões de euros e cerca de mil trabalhadores nas épocas de colheita. Não é por acaso que, na década de 1990, a cadeia de supermercados Safeway lhe atribuiu uma placa de matrícula personalizada com a designação “King Yam” — o “Rei da Batata-Doce”.
Empresário de mérito reconhecido, Manuel Eduardo Vieira viu o seu percurso distinguido em 2013, ao vencer a primeira edição dos Best Leader Awards (BLA) EUA, na categoria Lifetime Achievement. Dois anos antes, o então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, já lhe havia atribuído a Comenda da Ordem do Mérito. Apesar do sucesso alcançado, mantém uma ligação profunda e afetiva à sua terra natal.
Em 2017, foi inaugurada, na praceta do Centro Social da Silveira, no concelho das Lajes do Pico, uma estátua em sua homenagem, sendo ele o principal benemérito da construção do Salão do Centro Social, Cultural e Recreativo. A obra simboliza a generosidade que tem estendido a inúmeras associações da ilha do Pico. O seu nome permanece gravado no coração dos conterrâneos, tanto na pátria de origem como na de acolhimento. O seu percurso de vida e a sua constante filantropia valeram-lhe já cerca de duas dezenas de distinções internacionais, nacionais, regionais e locais, entre as quais se destaca a 18.ª Chave de Ouro do Município das Lajes do Pico, atribuída ao longo de mais de 500 anos de história da vila apenas a personalidades de mérito extraordinário.
É neste quadro de mérito amplamente reconhecido que, no passado dia 6 de janeiro, Manuel Eduardo Vieira foi condecorado em Lisboa pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem do Infante D. Henrique, distinção destinada a reconhecer serviços relevantes prestados a Portugal, no país e no estrangeiro, bem como contributos para a projeção da cultura, da História e dos valores portugueses.
Na cerimónia realizada no Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, o Chefe de Estado enalteceu o percurso profissional do condecorado e a sua ação filantrópica junto da comunidade luso-americana e de Portugal, destacando-o como uma figura maior da comunidade portuguesa na Califórnia e um símbolo inequívoco do dinamismo, da capacidade de liderança e da força afirmativa da diáspora portuguesa, que continua a projetar e a dignificar Portugal além-fronteiras através do exemplo, do trabalho e da generosidade.
sábado, 3 de janeiro de 2026
Natal Solidário da Fundação Nova Era leva amor e esperança a centenas de famílias, unindo Portugal, França e a Diáspora
A campanha solidária de Natal “Um Natal de Amor, um Presente de Esperança”, promovida anualmente pela Fundação Nova Era, voltou, no final de 2025, a afirmar-se como uma das mais relevantes iniciativas de solidariedade social no espaço luso-francês. A ação levou apoio material, dignidade e conforto humano a centenas de famílias em situação de vulnerabilidade, tanto em Portugal como em França, reforçando o papel da diáspora portuguesa como agente ativo de coesão e desenvolvimento social.
Sob a presidência do empresário e benemérito luso-francês Jean Pina, profundamente ligado às comunidades portuguesas no estrangeiro, a Fundação Nova Era voltou a mobilizar uma ampla rede de voluntários, parceiros institucionais e embaixadores locais, traduzindo o espírito natalício em respostas concretas às necessidades mais urgentes.
No âmbito desta edição da campanha, foram distribuídos mais de 1.000 cabazes solidários, compostos por bens alimentares e produtos essenciais. Parte dos donativos foi entregue diretamente às famílias, enquanto outra foi enviada em paletes para instituições sociais, permitindo uma distribuição mais estruturada, eficaz e equitativa.
Em Portugal, a iniciativa abrangeu várias regiões do país. Na Guarda, terra natal do empresário e benemérito luso-francês, a ação contou com a colaboração da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação da Guarda, garantindo que a ajuda chegasse de forma célere e digna aos beneficiários. O envolvimento dos embaixadores locais, Luís Vendeiro e Beatriz Pissarra Vendeiro, revelou-se decisivo para o sucesso da campanha, com o apoio de Sónia Monteiro, colaboradora da Fundação Nova Era há vários anos, cuja dedicação foi amplamente reconhecida.
Em Longos, freguesia do concelho de Guimarães, a distribuição decorreu através da Casa da Criança, com o contributo do embaixador Miguel Neves, reforçando o compromisso da fundação com o apoio a crianças e famílias em contextos de maior fragilidade social. Também no Minho, mas já em Fafe, a parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação local permitiu o envio de cerca de 2.000 quilos de bens alimentares e produtos de limpeza, aumentando significativamente a capacidade de resposta social durante o período natalício.
A campanha teve igualmente um impacto expressivo junto das comunidades portuguesas em França, sublinhando a importância da diáspora no apoio solidário ao território de origem e às próprias comunidades emigrantes. Foram distribuídas várias centenas de cabazes em cidades como Lyon, Saint-Étienne, Grenoble, Castres, Paris e Yvelines, com especial destaque para Mimizan, onde o forte envolvimento local foi determinante para o êxito da iniciativa.
Paralelamente à ação solidária, a Fundação Nova Era anunciou uma reestruturação interna, com a nomeação de Marie Françoise Morgado, natural de Vide Entre Vinhas (Celorico da Beira), para o cargo de Vice-Presidente da instituição. Esta nomeação reconhece o seu trabalho exemplar e o contributo logístico decisivo, particularmente na coordenação das ações solidárias desenvolvidas em território francês. À qual se soma, a cooperação excecional do embaixador na região de Le Havre, Flipe Pereira, bem como da esposa e filha, Manuela e Salomé Pereira, assim como do responsável da empresa de transportes JB7, Joaquim Brandão e filha Rita Brandão.
A campanha “Um Natal de Amor, um Presente de Esperança” traduz, assim, o compromisso contínuo da Fundação Nova Era com os valores da solidariedade, união e responsabilidade social, demonstrando como a mobilização da diáspora portuguesa — em especial em França — continua a desempenhar um papel fundamental no apoio às comunidades, aquém e além-fronteiras, transformando gestos de partilha em verdadeiras oportunidades de esperança.
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
2026: Presidenciais, diáspora e um novo ciclo de valorização das comunidades portuguesas
À medida que nos aproximamos do final de 2025, período simbolicamente associado ao balanço, à renovação e à esperança num futuro melhor, impõe-se uma reflexão serena sobre os grandes desafios que se projetam para 2026. Um ano que todos desejamos marcado pelo cessar dos conflitos armados que continuam a ferir a Humanidade — com particular destaque para a guerra na Ucrânia —, bem como pela dissipação das incertezas que ainda pairam sobre a economia mundial.
Este contexto torna-se igualmente propício para perspetivar novas dinâmicas no relacionamento de Portugal com as comunidades portuguesas, as mais autênticas e duradouras embaixadas da pátria de Camões espalhadas pelos quatro cantos do mundo.
O início de 2026 ficará indelevelmente marcado pela Eleição do Presidente da República Portuguesa, um momento maior da vida democrática nacional. O Chefe de Estado, que nos termos da Constituição da República “representa a República Portuguesa”, “garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas” e assume a função de Comandante Supremo das Forças Armadas, deve igualmente afirmar-se como um referencial de proximidade, reconhecimento e valorização da diáspora portuguesa.
No confronto de ideias e visões que caracteriza o debate presidencial, é essencial que aquele a quem o povo português confiar a mais alta magistratura da Nação assuma um compromisso claro e consistente com os emigrantes e lusodescendentes. Tal compromisso deve traduzir-se numa ligação efetiva e contínua às comunidades, através de discursos mobilizadores, visitas oficiais, presença em celebrações emblemáticas e, sobretudo, numa defesa firme e consequente dos seus direitos e aspirações. Reconhecer a diáspora como parte integrante da identidade nacional implica sublinhar o seu contributo histórico, económico, cultural e simbólico, sem esquecer os desafios específicos que enfrenta no quotidiano.
Neste quadro, torna-se imperioso promover um amplo debate nacional, envolvendo a sociedade civil, as instituições políticas, os órgãos de soberania e os parceiros sociais, em torno da (re)valorização da participação cívica e política das comunidades portuguesas. Um dos eixos centrais dessa reflexão deverá incidir sobre a representação parlamentar da emigração. Os atuais quatro mandatos atribuídos aos dois círculos eleitorais da emigração — Europa e Fora da Europa — configuram uma manifesta sub-representação de mais de cinco milhões de portugueses espalhados pelo mundo, número que corresponde, sensivelmente, a metade da população residente no território nacional.
Este debate mais vasto deve também conduzir a uma renovada perceção dos emigrantes e lusodescendentes enquanto um ativo estratégico e identitário para Portugal. Mais do que nunca, impõe-se refletir sobre a criação de um Ministério das Comunidades Portuguesas, dotado de autonomia política, dignidade institucional e escala de intervenção adequadas. Tal estrutura permitiria uma execução mais eficaz e integrada das políticas dirigidas à diáspora, reforçando o papel das comunidades no desenvolvimento económico, na projeção internacional do país, no aprofundamento da democracia e na coesão nacional.
Paralelamente, é fundamental que este debate sustente a introdução plena e estruturada da História da Emigração Portuguesa nos currículos escolares. Uma abordagem que vá muito além das referências às remessas financeiras ou aos fluxos migratórios, reconhecendo a emigração como uma constante estrutural da história contemporânea portuguesa, e como um elemento essencial da sua memória coletiva e da dignificação de milhões de percursos de vida.
Nesse mesmo horizonte, ganha particular relevância a conceção de um Museu Nacional da História da Emigração Portuguesa, pensado como espaço de preservação da memória, de produção de conhecimento e de valorização cultural e turística da diáspora. Este projeto nacional deverá articular-se com a já existente e meritória rede museológica dedicada à emigração, onde se destacam, entre outros, o Museu das Migrações e das Comunidades, em Fafe; o Espaço Memória e Fronteira, em Melgaço; ou o Museu da Emigração Açoriana, na Ribeira Grande.
Importa ainda não olvidar os espaços museológicos criados por portugueses no estrangeiro ao longo das últimas décadas, testemunhos vivos da capacidade organizativa e da vontade de preservação identitária das comunidades. Exemplos disso são a Galeria dos Pioneiros Portugueses, em Toronto, no Canadá; o Museu Etnográfico Português, em Sydney, na Austrália; o Museu Histórico Português, em São José, na Califórnia; ou o Museu de Herança Madeirense, em New Bedford, nos Estados Unidos da América.
A Eleição Presidencial de 2026 constitui, assim, uma oportunidade decisiva para recentrar o debate público na relação entre Portugal e a diáspora. Um momento para afirmar, com clareza e visão estratégica, que o país não termina nas suas fronteiras geográficas, mas prolonga-se na memória, no trabalho, na cultura e no compromisso cívico de milhões de portugueses espalhados pelo mundo. O futuro da democracia portuguesa passa, também, por saber escutar, integrar e valorizar plenamente as suas comunidades.
A todos os compatriotas e às comunidades portuguesas, deixo votos de uma Quadra Natalícia vivida em união, com afeto e serenidade, e de um Ano Novo repleto de saúde, esperança e renovada confiança no futuro.
domingo, 14 de dezembro de 2025
Manuel Viegas: um fautor da portugalidade na Flórida
Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é indubitavelmente a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico, político e associativo.
Nos vários exemplos de dirigentes associativos e fautores da cultura lusa na diáspora, cada vez mais percecionados como um ativo estratégico na promoção e reconhecimento do país, tem-se destacado, ao longo das últimas décadas, o percurso altruísta de Manuel Viegas em prol da portugalidade na Flórida, um estado situado no extremo sudeste dos Estados Unidos da América.
Natural da povoação de Parada de Gonta, município de Tondela, no distrito de Viseu, onde nasceu em 1944, Manuel Viegas emigrou para os Estados Unidos, no alvorecer dos anos 60, ao encontro da figura materna. A chegada do jovem tondelense ao estado de Nova Jérsia, marcou o início de um percurso de vida pautado pelo esforço hercúleo e dedicação incansável, “life marks” que Manny Viegas, como é conhecido na América, continua a cultivar em conjunto com os valores da amizade e da família.
Com uma carreira profissional sólida e feita de consistência, que iniciou ainda na adolescência na construção civil, Manuel Viegas tem como principais referências socioprofissionais as funções desempenhadas entre 1961 e 1976 na “Garden City”, durante mais de 25 anos na “Jomar Displays Inc.”, e até 2003 na “Boxer Displays”, empresas onde progrediu constantemente até chegar a encarregado geral.
Concomitantemente, o emigrante tondelense estabeleceu um forte comprometimento com a comunidade portuguesa em Nova Jérsia, onde se concentra uma das mais conhecidas e numerosas comunidades luso-americanas. Como revela o notável trabalho associativo em relevantes instituições luso-americanas a favor da dinamização e preservação da cultura portuguesa. Assim testemunha o seu envolvimento comunitário, no Portuguese Heritage Group of Perth Amboy, no Portuguese Sporting Club of Perth Amboy, no Heritage Festival Ball Inc., na Federação das Associações de New Jersey, no Sport Club Português ou na Casa de Tondela em Newark, à frente da qual, foi o grande mentor da construção no concelho beirão da construção de um “Monumento ao Emigrante”.
Nesse sentido, e com o intuito de perpetuar o valor dos emigrantes de Tondela, a edilidade beirã criou, em 1994, o largo do Monumento ao Emigrante, composto por uma estátua de Joaquim Machado e três espirais helicoidais de Luz Correia. A iniciativa teve o contributo da comunidade tondelense em Nova Jérsia, que esteve representada na inauguração pelo então Presidente da Casa de Tondela em Newark, Manuel Viegas. Na memória descritiva do monumento refere-se: “O emigrante vai nu, ou seja, despido de tudo quanto é material, de artificialismos e preconceitos”.
Quando atingiu a idade da reforma, o emigrante e dirigente associativo mudou-se, em 2005, para a Flórida, estado norte-americano onde vivem atualmente mais de 75 mil emigrantes portugueses e lusodescendentes. Também aqui, ao longo das últimas décadas, Manny Viegas tem realizado um importante trabalho em defesa da portugalidade, como evidencia o facto, por exemplo, de ter sido eleito em 2015, e reeleito em 2024, Conselheiro das Comunidades Portuguesas. Assim como, as suas conhecidas ligações ao Portuguese American Cultural Center of Palm Coast, à associação Os Beirões de Palm Coast e aos Sportinguistas de Palm Coast.
Não por acaso, o laborioso dirigente associativo da diáspora e hodierno Conselheiro das Comunidades Portuguesas pela Flórida, tem recebido diversas homenagens e distinções, e diplomas mérito e beneficência, entre as quais se incluem, as Chaves da Cidade de Perth Amboy. A Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, Grau Ouro, uma distinção atribuída pelo Governo Português, através do Secretário de Estado das Comunidades, a individualidades que se destacam no apoio e representação da diáspora portuguesa no estrangeiro, reconhecendo o seu trabalho e dedicação. E, a Comenda Oficial da Ordem de Mérito, uma das Ordens Honoríficas Portuguesas, que distingue atos ou serviços meritórios de abnegação em prol da coletividade, seja em funções públicas ou privadas.
Uma das figuras mais consideradas e respeitadas da comunidade portuguesa na Flórida, o esforço e dedicação desprendida de Manuel Viegas, genuíno fautor da portugalidade que não olvida as suas raízes, presentemente o confrade da Confraria de Saberes e Sabores da Beira ‘Grão Vasco”, está empenhado na criação de uma confraria irmã neste estado norte-americano, inspira-nos a máxima do filósofo romano Séneca: “O esforço chama sempre pelos melhores”.
domingo, 7 de dezembro de 2025
A inspiração solidária e universalista da Fundação Família Carvalho
Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é seguramente a sua dimensão solidária, uma genuína marca genética da diáspora lusa, constantemente expressa em gestos, campanhas e iniciativas fautoras de valores humanistas.
Dentro da inspiração solidária que resplandece no seio da dispersa geografia das comunidades portuguesas, destaca-se ao longo das últimas décadas, a criação e dinamização de fundações assentes nos princípios da filantropia, instituídas por iniciativa de emigrantes de sucesso com o propósito de dar expressão organizada ao dever moral de justiça, e de solidariedade nas pátrias de acolhimento e de origem.
Uma das latitudes paradigmáticas da diáspora onde avultam os exemplos de fundações, instituídas por emigrantes portugueses, que desempenham um papel fundamental no cenário filantrópico, é indubitavelmente os Estados Unidos da América (EUA).
A cultura altruísta, profundamente enraizada na nação mais influente do mundo, onde o impacto social do investimento benemérito feito por empresas e entidades é reconhecido na sociedade, tem ao longo das últimas décadas inspirado vários emigrantes luso-americanos a instituir fundações sem fins lucrativos, dedicadas à beneficência, à cultura, ao ensino e a outros fins de interesse público.
No seio da numerosa comunidade lusa nos EUA, segundo dados dos últimos censos americanos residem no território mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, tem-se destacado nos últimos o papel notável da Fundação Família Carvalho, em Mineola, uma vila nova-iorquina que alberga uma população de 20 mil habitantes, entre eles, cerca de 20% portugueses e lusodescendentes.
Instituída em 2017, pelo emigrante anadiense Manuel Carvalho, conhecido empresário na área da restauração em Mineola, em conjunto com a sua esposa Jackie Carvalho, natural do Panamá, a instituição filantrópica tem dinamizado um conjunto significativo de atividades e apoios nas áreas sociais, culturais e educativas. Desde logo, o espírito bairrista e benemérito do empresário luso-americano tem possibilitado, através da Fundação Família Carvalho, apetrechar ao longo dos anos, os Bombeiros Voluntários de Anadia.
Têm sido inúmeros os eventos, que o empresário luso-americano tem organizado no seu icónico restaurante Bairrada, unanimemente considerado um dos melhores restaurantes portugueses na ilha situada no sudeste do estado de Nova Iorque, em prol dos Bombeiros Voluntários de Anadia. Assim como, os contributos que a Fundação Família Carvalho, têm dado em prol da promoção e preservação da língua, costumes e tradições portuguesas em Long Island.
Ainda no decurso deste ano, a Fundação Família Carvalho, no âmbito da sua 15.ª edição do Torneio de Golfe, uma iniciativa, cuja dimensão eminentemente solidária aglutinou uma vez mais a comunidade luso-americana, distribuiu 30 mil dólares pelo “Mineola Junior Fire Department”, o “Mineola Volunteer Ambulance Corps” e o Centro de Bem Estar Social da Freguesia de Tamengos, estabelecido na localidade de onde é natural o benemérito empresário luso-americano, e que tem como missão promover o bem-estar de crianças e idosos do território anadiense.
Esta centelha solidária da Fundação Família Carvalho, tem-se alargado igualmente ao longo dos últimos anos ao Panamá, país no istmo que liga a América Central e a América do Sul, e de onde é natural Jackie Carvalho. O grande suporte e companheira de vida do benemérito empresário luso-americano, tem carrilado para a sua pátria de origem um conjunto significativo de apoios, entre muitos outros, aos Bombeiros da República do Panamá; às vítimas de inundações neste território localizado na América Central, e inclusive às vítimas dos terramotos recentes do Equador, nação situada na costa oeste da América do Sul.
Não por acaso, o benemérito empresário luso-americano e a esposa desfilaram no passado dia 27 de novembro, na 99.º parada anual do Dia de Graças da Macy’s, em Nova Iorque, naquela que é conhecida como a maior loja do mundo. E cujo tradicional desfile, é um dos eventos mais esperados do ano nos Estados Unidos, atraindo uma multidão de moradores e turistas para assistir nas ruas à parada dos balões gigantes com personagens de desenhos animados, carros alegóricos, apresentações de celebridades e muita música, que este ano foi também abrilhantada pela “Banda de Música La Primavera”, do Panamá. A primeira banda escolar da América Central, a participar, graças ao espírito filantrópico da Fundação Família Carvalho, no maior desfile do Dia de Ação de Graças dos Estados Unidos, e que representaram o seu país com grande entusiasmo e talento, num evento que proporcionou orgulho nacional e destaque para a cultura panamiana na icónica metrópole de Nova Iorque.
O notável exemplo benemérito do casal Manuel e Jackie Carvalho, rostos visíveis da missão, visão e valores da Fundação Família Carvalho, inspira-nos a máxima de Madre Teresa de Calcutá: “Nem todos nós podemos fazer coisas grandiosas. Mas todos podemos fazer pequenas coisas com muito amor”.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Orlando Pompeu inaugurou “Cânticos de Natalidade” em Braga
No início do presente mês de dezembro, o mestre-pintor Orlando Pompeu, um dos mais consagrados artistas plásticos portugueses da atualidade, inaugurou na capital do Minho, uma nova exposição intitulada “Cânticos de Natalidade”.
A inauguração da exposição, na Loja Urban Project, em pleno coração da cidade de Braga, no alvorecer da quadra natalícia, contou com a presença de vários amigos, admiradores e colecionadores do pintor de referência nacional e internacional.
Nesta nova exposição, patente ao público durante a quadra natalícia, Orlando Pompeu exibe uma mostra artística de pinturas em acrílico e aguarela inspiradas na força relacional, criadora e transformadora da maternidade. Com pinceladas de criatividade e originalidade, e cores vibrantes e gestos pictóricos soltos, o artista plástico explora um território artístico fértil, onde a experiência íntima e a reinvenção estética compõem narrativas visuais plurais e emocionalmente densas, e afirmam a maternidade como eixo a partir do qual o mundo pode ser visualizado.
Detentor de uma obra que está representada em variadas coleções particulares e oficiais em Portugal, Espanha, França, Suíça, Inglaterra, Brasil, Canadá, Estados Unidos, Dubai e Japão, Orlando Pompeu nasceu no concelho minhoto de Fafe. Estudou desenho, pintura e escultura em Barcelona, Porto e Paris, e nos anos 90 progrediu no seu percurso artístico ao ir trabalhar para os Estados Unidos da América, onde expôs na Galeria Eight Four, em Nova Iorque, e depois, Japão, tendo exposto na TIAS – Tokio International Art Show e na Galeria Garou Monogatari em Tóquio. Em 2022 foi distinguido em Paris com a Medalha de Bronze da Academia Francesa das Artes, Ciências e Letras.
terça-feira, 25 de novembro de 2025
Fundação Nova Era Jean Pina difunde Cruz Vermelha Portuguesa na Diáspora
Ao longo dos anos, as comunidades portuguesas têm demonstrado um enorme espírito de solidariedade, o mais importante valor que nos humanizam e dão sentido à vida, apoiando quer os nossos compatriotas no estrangeiro, assim como os portugueses residentes no território nacional.
Um desses exemplos de solidariedade dinamizada no seio da diáspora, é o que tem sido prosseguido desde a segunda década do séc. XXI, pela Fundação Nova Era Jean Pina, constituída nessa época pelo empresário português João Pina, radicado na região de Paris, um dos mais dinâmicos e beneméritos empresários portugueses em França, a mais numerosa das comunidades lusas na Europa.
Natural do concelho da Guarda, o empresário de sucesso na área da construção civil, administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, tem incrementado uma notável dinâmica solidária em prol dos mais desvalidos. Alicerçando a missão da Fundação Nova Era Jean Pina, no lema da instituição “Solidariedade em Movimento”, o emigrante guardense tem dinamizado inúmeros projetos de solidariedade para com as pessoas mais desfavorecidas e vulneráveis, como seniores, crianças institucionalizadas e desempregados na pátria de origem e de acolhimento.
Ainda no passado dia 24 de novembro, a instituição luso-francesa estabeleceu um protocolo com a Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), uma das mais relevantes instituições humanitárias de Portugal, reconhecida pelo seu papel crucial no apoio aos mais vulneráveis e na promoção da dignidade humana, através de uma vasta gama de serviços como emergência, saúde, apoio a idosos, vítimas de violência doméstica e programas sociais.
Fundada em 1865, a organização não governamental, voluntária e de interesse público, que atua em conformidade com os princípios fundamentais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, passa assim a auferir de uma parceria estratégica no seio da Diáspora, porquanto o protocolo assinado com a Fundação Nova Era Jean Pina prevê que a instituição luso-francesa difunda esta cooperação “junto dos seus associados e parceiros da Diáspora”, assim como disponibilize “espaço próprio para eventuais campanhas de divulgação e/ou promocionais da CVP”. Refira-se que, a Fundação Nova Era Jean Pina, compromete-se ainda “a divulgar o Cartão de Saúde da CVP e as suas respetivas regalias junto da Diáspora em diversas regiões do mundo, utilizando para tal os seus meios de comunicação e redes internacionais”.
Nesse sentido, a Cruz Vermelha Portuguesa passa a ter na Fundação Nova Era Jean Pina, um parceiro estratégico junto das numerosas comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, por exemplo, na promoção do seu novo Cartão de Saúde, criado com o duplo propósito de facilitar o acesso a cuidados de saúde de qualidade a preços acessíveis e reforçar a missão humanitária da instituição.
Este novo cartão, que se assume como um compromisso social, uma forma de promover a prevenção, incentivar hábitos de vida saudáveis e reforçar a proximidade humana que sempre caracterizou a atuação da Cruz Vermelha Portuguesa, foi apresentado no passado dia 24 de novembro, numa cerimónia que decorreu no Palácio do Conde D’Óbidos, em Lisboa.
O evento contou com a presença do Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, António Saraiva, e da Comissão de Honra do Cartão Saúde, que inclui personalidades como Maria de Belém Roseira, Rosa Mota, Armindo Monteiro, José Bento, Miguel Ribeiro Ferreira, João Silveira, Nazim Ahmad, José Germano de Sousa, Isabel Miguéns e Leonor Chastre. Assim como, do empresário luso-francês João Pina, presidente da Fundação Nova Era Jean Pina, que no decurso da cerimónia assinou o singular protocolo de promoção da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), uma das mais importantes organizações humanitárias em Portugal, na dispersa geografia da Diáspora.
A recente parceria estratégica firmada entre a Cruz Vermelha Portuguesa e a Fundação Nova Era Jean Pina, robustecem as palavras do Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, no ocaso do ano transato, aquando do encontro anual do Conselho da Diáspora Portuguesa: “A Diáspora Portuguesa é inseparável da nossa história e do nosso soft power. Nós somos portugueses, somos universais e por isso a Diáspora é um fator estratégico essencial para o país pelo impacto artístico, cultural, científico e tecnológico que promove”.
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