Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo


Quadra marcada pelo espírito da solidariedade e fraternidade, desde sempre percepcionei o Natal como uma época de reflexão interior e familiar aquecida pelo crepitar da lenha na lareira.
Coincidente com um período socioeconómico incerto, esta época festiva impele-nos a (re) pensar as nossas acções e atitudes que devem assentar essencialmente na axiologia da dignidade, do amor, da autenticidade e do respeito, quantas das vezes imersas pelo lufa-lufa de um consumismo desenfreado, ou de uma vaidade egocêntrica balofa!

Gerard van Honthorst,
Adoração dos Pastores, 1622

Que esta festa de essência divina e humana nos alavanque na redefinição do nosso futuro e nos desvaneça as nuvens que subsistem no horizonte proporcionando-nos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

António Joaquim Vieira Montenegro: um benemérito emigrante “brasileiro” de torna-viagem

António Joaquim Vieira Montenegro (┼1874), natural da freguesia de Travassós foi um emigrante “brasileiro” que enriqueceu no Rio de Janeiro e deixou uma marca indelével no campo da benemerência em Fafe.

António Joaquim Vieira Montenegro
Quadro da Santa Casa da Misericórdia de Fafe,
Lar Cónego Leite de Araújo

Este benemérito fafense insere-se no fenómeno emigratório com raízes profundas na sociedade portuguesa, que no 2.º quartel do séc. XIX se caracterizou pela singular mobilidade migratória para o Brasil, consequência do baixo nível de vida no país assente numa agricultura arcaica e de subsistência, numa industrialização incipiente e um elevado índice de analfabetismo.
António Joaquim Vieira Montenegro, como menciona Miguel Monteiro em Fafe dos “Brasileiros” (1860 – 1930) – perspectiva histórica e patrimonial, Fafe, inclui-se no grupo de «“brasileiros” que foram, inicialmente, gente de um estrato social de parcos recursos, filhos de pequenos proprietários agrícolas ou de comerciantes, apoiados por parentes já instalados no Brasil».
Alguns deles, como António Joaquim de Vieira Montenegro, foram membros activos de lojas maçónicas, e participaram em associações de beneficência e clubes de leitura em cidades brasileiras.
 Nestes espaços de sociabilidade beberam os ideais do mérito, da razão e da solidariedade. “Aristocratizados” pelo dinheiro no retorno à terra de origem influíram profundas transformações socioeconómicas, políticas e filantrópicas.
 Entre 1860 e 1924 fruto desse retorno assomaram em Fafe as marcas, ainda hoje presentes dos “brasileiros”, que já em 1886 eram descritas por José Augusto Vieira na obra O Minho Pitoresco: «vae n’uma phase crescente de prosperidade a velha Fafe e que o elixir da fortuna a remoça deveras; as construções particulares ahi estão na sua abundância para o comprovar, tanto mais que em muitas se lê o sorriso da abastança alegre, que deve animar a physionomia dos seus proprietários. (...) o asylo, o município, o hospital, o passeio, a política formam (…) o caminho do progresso, em que se vae encarreirando o espírito local».
Quando foi aberto o testamento de Joaquim António Vieira Montenegro além de outras disposições, este legava: a) ao Hospital de Fafe 2.000$00o reis; b) à Câmara de Fafe 7.000$000 reis para mandar construir uma escola primária masculina; e c) 14.000$00 para a Câmara mandar construir uma casa para asilo de meninas pobres, sendo a autarquia obrigada a dar a casa pronta dois anos depois de receber o legado, sendo que se estas disposições não fossem observadas no prazo determinado, o legado reverteria a favor do Hospital de Fafe.
O Asilo de Montenegro funcionou desde 1877 até 1959, sendo admitidas no Asilo as meninas órfãs de pai e mãe «sem pessoa que as ampare», as expostas que não tivessem quem as amparasse e as filhas de pais pobres que não pudessem ser alimentadas nem educadas «em virtude de serem doentes ou de avançada edade, ou tendo ellas qualquer lesão pysica» (Arquivo Municipal de Fafe, Asylo de Montenegro). 

A rua Montenegro que recebeu o nome do “brasileiro” benemérito.
Do lado esq. o  Asilo da Infância Desvalida
(Postal antigo da vila de Fafe – 1.º quartel do séc. XX)

O antigo edifício da Infância Desvalida
albergou desde a década de 70 até à década de 90
 do séc. XX o Centro de Saúde  de Fafe

A idade de admissão das meninas no Asilo era entre os 7 e 8 anos, salvo as meninas órfãs de pai e mãe, estas eram entre os 4 e 11 anos. As asiladas podiam permanecer na instituição até completarem 16 anos, «excepto quando alguma asilada se destinga por suas qualidades moraes e especiaes, aproveitáveis dentro do asylo». (Arquivo Municipal de Fafe, Asylo de Montenegro).

Orfãos
 Thomas kennington (1885)

A instrução das asiladas assentava num ensino elementar ajustado à doutrina cristã, e procurava incutir nas meninas a humildade e obediência, visando que adquirissem prática no serviço doméstico, como abalizava o art.º 8 do regulamento do Asilo «trabalhos e prendas adequadas ao fim que teve em vista o instituidor, como são: os trabalhos de agulha, o cosinhar, o lavar e engomar, e finalmente todos os concernentes ao governo interno d’uma casa».

“LE PARIS DE GERALD BLONCOURT”

O benemérito fotógrafo Gérald Bloncourt num gesto de enorme amabilidade pouco depois de lhe ter dado conhecimento da intenção de publicar no Morgado de Fafe e na imprensa local um artigo sobre a sua experiência de vida e papel basilar na preservação da memória da emigração portuguesa, mostrou-se disponível para enviar uma tradução do texto em francês para divulgação na blogosfera.
Este gesto altruísta de enorme apreço acaba ser materializado no envio do texto em língua francesa que se encontra já disponível para consulta no blogue.
Aproveito o ensejo para agradecer encarecidamente a Gérald Bloncourt a honra de tamanha deferência, assim como para divulgar junto da comunidade emigrante portuguesa, particularmente à que se encontra radicada em Paris, que “Gérald Bloncourt âme photographe lusitanien” lança no dia 20 de Dezembro às 18h00 o livro “LE PARIS DE GERALD BLONCOURT”. O lançamento será na Mairie du 11 / 12 Place Léon Blum 75011Paris (Métro Voltaire), e contará com a presença de Patrick Bloche député-maire du 11e.



Gérald Bloncourt âme photographe lusitanien

Au retour de la Révolution des Œillets au Portugal,
avec l'œillet sur la casquette, le 22 mai 1974
photo © collection Gérald Bloncourt

       Farmer amour de l'art et redimensionnée à la photographie, la poésie et la peinture, Géradl BLONCOURT clôturant une personnalité à multiples facettes moulée dans une expérience de vie origines multiculturelles de sa sensibilité écrasante et la politique sociale.
        Originaire d'Haïti eut bientôt à l'exil en France en remettant en cause la dictature en Haïti, continue sans relâche dans la lutte pour les idéaux de liberté et le développement d'une nation constamment marquée par des périodes de grand bouleversement social, politique et économique.
        La France a mis sur votre chemin et voyage de la vie à jamais lié à sa manière d'être, qui est entrecoupé de Lusitanity dans les années 50 lorsque des milliers d'immigrants en provenance du Portugal dans un sol pauvre, analphabète et vers l'arrière est entré français, souvent le saut à la recherche d'une vie meilleure.
      Le déracinement résultant et les conditions de vie misérables qui ont marqué les premières années de l'émigration vers la France, affirmée exposés dans les bidonvilles "Bidonville" qui abritait la prise de conscience de main-d'œuvre portugaise impressionné et la sensibilité de photographe professionnel lentille tellement enracinée militant dans la presse.
      A partir des années 50 et 60, BLONCOURT commencé représentant la vie des citoyens sans cesse à la périphérie de Paris, formant un contexte historique et sociologique de pénétration où humainement saisir le chemin de la vie héroïque de milliers de lusitanien inventé par l'incertitude et de nostalgie.
     Les vagues d'émigrants portugais constante dans les années 70, contraint par la misère patrie augmenté avec la guerre coloniale, finirait propulser BLONCOURT désireux de voir le lieu de naissance de l'éminent navigateur Vasco da Gama, afin de comprendre "in loco" pourquoi tant d'enfants Les Argonautes du vieux marins entreprendre un maintien des débouchés pour l'Europe centrale. A cette époque, il a visité le Portugal de Salazar Grey a décidé de la trilogie «Dieu, Patrie et de la famille», avec accompagnement de métro et quelques immigrants portugais en France pour sauter le rail
       Gérald Bloncourt finirait par rentrer au Portugal au milieu du siècle. Siècle, une période de contrastes en profondeur avec l'expérience et la réalité vécue personnellement dans les dernières années de l'Estado Novo. Mais son enthousiasme pour le développement de la démocratie et la liberté de la nation lusitanienne, ainsi que le respect de l'immense épopée de l'émigration portugaise est restée inchangée, comme en témoigne en 2009, suite à l'exposition "For a Better Life" un an avant était présent au Musée Berardo, don de près de la moitié d'une centaine de photos sur la vie des immigrants portugais en France à la ville de Fafe
       Ce geste extraordinaire de l'altruisme considérablement enrichi la collection du Musée de l'Emigration et des Collectivités, un projet conçu par le regretté maître Miguel Monteiro et adopté par la ville de Fafe qui cherchent à donner une continuité à la dignité humaine par BLONCOURT représenté par la préservation et la reconnaissance du rôle central les hommes et les femmes qui contribuent de manière significative au développement du pays à l'étranger.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Paradigma remuneratório dos agentes da “res publica”


É incompreensível que em Portugal qualquer cidadão que exerça a sua actividade na vida pública possa auferir mais que o chefe de Estado. Enquanto garante da independência nacional e do funcionamento das instituições democráticas, e na senda da ética republicana portadora dos ideias da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, o presidente da República tem que ser ipso facto o limite do paradigma remuneratório dos agentes da “res publica”.
            Este princípio tem que ser assumido pela classe politica portuguesa, porque é condição “sine qua non” para a ascensão e regeneração de elites políticas imbuídas de uma ética de responsabilidade, e geradoras de decisões políticas e económicas de futuro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Classe política portuguesa

A Liberdade Guiando o Povo (1830)
Eugène Delacroix
Museu do Louvre-Paris

A classe política portuguesa tem que assentar o seu discurso e acção política numa estratégia de futuro e numa ética de responsabilidade.
            A actividade política tem que ser essencialmente uma missão de serviço público, uma vocação desprendida de contacto constante e próximo das pessoas e da realidade. A prossecução da actividade partidária, enquanto promotora do exercício da democracia e da cidadania exige(-nos) disponibilidade, abnegação e desprendimento.
A linha da frente do combate cívico e político tem que ser ocupada por quem está para servir, para dignificar, para acrescentar e marcar a diferença: o exercício político tem que assentar neste húmus ético. Os arautos da vida pública têm que ser os primeiros a darem o exemplo, a assumirem uma atitude de inconformismo e de equidade perante o curso dos acontecimentos da sociedade.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Gérald Bloncourt o fotógrafo da alma lusitana

Cultor da arte e do amor redimensionado na fotografia, na poesia e na pintura, Gérald Bloncourt encerra uma personalidade multifacetada moldada numa experiência de vida multiculturalista génese da sua avassaladora sensibilidade social e política. 
Oriundo do Haiti cedo teve que se exilar em França por contestar a ditadura haitiana, continuando afincadamente a lutar pelos ideais de liberdade e desenvolvimento de uma nação constantemente marcada por períodos de grande conturbação social, política e económica.

Géradl Bloncourt (n. 1926)

Na França definiu o seu percurso e trajecto de vida indelevelmente ligado à sua forma de ser e estar, que se entrecruzou com a lusitanidade na década de 50 quando milhares de emigrantes oriundos de um Portugal pobre, analfabeto e atrasado entraram em solo francês, quase sempre a salto, em busca de uma vida melhor.
O consequente desenraizamento e as miseráveis condições de vida que pautaram os primeiros anos da emigração para França, assertivamente exposta nos bairros de lata “"bidonvilles" que albergaram a mão-de-obra portuguesa, impressionaram a consciência e a lente sensível deste fotógrafo então profissionalmente embrenhado na imprensa militante.
A partir da década de 50 e 60, Bloncourt começou a retratar incessantemente a vida dos portugueses nos arredores de Paris, compondo um penetrante quadro histórico e sociológico onde apreendemos humanamente a senda heróica da vida de milhares de lusitanos cunhados pela incerteza e saudade.

Família de emigrantes portugueses, Paris 1964
Gérald Bloncourt 
De bidonville en bidonville Lisbonne – Paris
 Camp de l' Abbé Pierre à Noisy le Grand (1954)
Gérald Bloncourt

As levas constantes de emigrantes portugueses na década de 70, compelida pela miserabilidade pátria acrescida com a guerra colonial, acabariam por impelir Bloncourt a querer conhecer o berço do egrégio navegador Vasco da Gama, de modo a compreender “in loco” o porquê de tantos filhos dos velhos argonautas marítimos empreenderem uma reiterada saída para o centro da Europa. Nesta época visitou o Portugal cinzento de Salazar pautado pela trilogia “Deus, Pátria e Família”, tendo acompanhando clandestinamente e solidariamente emigrantes portugueses no trilho do salto para França.


Pequena portuguesa
       Bidonville de Saint-Denis, 1969
Gérald Bloncourt


L' enfant du taudis comment s' evader Paris 11e (1964)
Gérald Bloncourt 

Gérald Bloncourt acabaria por regressar a Portugal em pleno séc. XXI, num período profundamente contrastante com a experiência e realidade vivenciada pessoalmente nos anos finais do Estado Novo. No entanto o seu entusiasmo pelo desenvolvimento da democracia e da liberdade da nação lusitana, assim como o incomensurável respeito pela epopeia da emigração portuguesa mantiveram-se inalteráveis, como comprovou em 2009, no seguimento da exposição “Por uma Vida Melhor” que um ano antes esteve patente no Museu Berardo, a doação de cerca de meia centena de fotografias sobre a vida dos emigrantes portugueses em França ao Município de Fafe
Este gesto ímpar de altruísmo enriqueceu sobremaneira o espólio do Museu da Emigração e das Comunidades, um projecto delineado pelo saudoso mestre Miguel Monteiro e abraçado pelo Município de Fafe, que pretende dar continuidade à dignidade humana retratada por Bloncourt mediante a preservação e reconhecimento do papel estruturante dos homens e mulheres que contribuem significativamente para o desenvolvimento do país além fronteiras.


domingo, 21 de novembro de 2010

O Teatro-Cinema de Fafe durante o Estado Novo

Ponto de encontro de cultura e gerações, o Teatro – Cinema de Fafe, obra arquitectónica que remonta à década de 20, encerra inolvidáveis memórias de acontecimentos locais e está intrinsecamente ligada à minha primeira incursão aprofundada no campo da investigação da história local.
Durante as férias de verão no inicio do séc. XXI, após ler na imprensa que o velho espaço do Teatro – Cinema de Fafe tinha sido em 1949 e 1958 palco de entusiásticas sessões oposicionistas durante o Estado Novo, passei as férias embrenhado no então Palacete da Imprensa à volta do velho jornal republicano “O Desforço”, da Biblioteca Municipal de Fafe, do Arquivo Municipal de Fafe e do Arquivo do Governo Civil de Braga.

 
Postal antigo do Teatro – Cinema de Fafe

O resultado das pesquisas, leituras, recolha de dados e consulta de documentos redundaram na elaboração de um trabalho intitulado “Para uma História das Eleições Presidenciais de 1949 e 1958 na Vila de Fafe”, que acabaria por ser publicado na revista cultural “Dom Fafes”, e onde então apreendi o papel preponderante que os oposicionistas locais como o major Miguel Ferreira, o médico Maximino de Matos, o advogado Parcídio de Matos, o proprietário do café Avenida, António Saldanha, o advogado Alexandre de Freitas Ribeiro, o proprietário do edifício José Summavielle Soares, a professora Miquelina Summavielle Soares, entre muitos outros, desempenharam na defesa dos ideais de liberdade.
Numa época em que ousar colocar em causa a perenidade do regime e defender valores democráticos eram pagos com perseguições, exonerações, prisões, e muitas das vezes com a própria vida, pelo palco do Teatro – Cinema de Fafe durante o Estado Novo (1933-1974) e nos períodos das campanhas eleitorais, como as de 1949 e 1958 para a Presidência da República, só passaram aqueles que nunca abafaram a consciência da liberdade e da democracia.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O magusto na aldeia

O Magusto é uma festa popular por excelência. Manda a tradição que a festa se realize no dia de S. Martinho, a 11 de Novembro, data em que este Santo falecido três dias antes no ano de 397 foi a enterrar em Tours, França. Um dos santos mais populares da Idade Média, o culto de S. Martinho encerra um espírito de partilha, generosidade e humildade.

 
S. Martinho de Tours
El Greco (1541-1614)

O ambiente de fraternidade é próprio desta quadra festiva, quando os amigos e as famílias se juntam à volta de uma fogueira degustando umas saborosas castanhas e provando o vinho novo. Ainda que nos tempos actuais a fogueira acesa com caruma dos pinheiros esteja em desuso, este fim-de-semana passado tive oportunidade de reviver este ambiente de amizade e partilha na minha freguesia, em Cepães, onde as pessoas, sobretudo as mais velhas persistem no adro da Igreja em assinalar o tradicional magusto colectivo da paróquia.

Magusto da paróquia de Cepães
Fotos de Daniel Bastos (2010-11-07)

O calor do “verão” de S. Martinho aqueceu o rosto dos convivas e os corações das famílias, que entre umas castanhas quentinhas e um trago de vinho novo, desafiaram  irmanados as memórias e tradições da freguesia e incitaram os vindouros a darem continuidade ao espírito da solidariedade.  

domingo, 7 de novembro de 2010

Justiça e Educação

É inadiável a assunção de uma política de esperança, de acção responsável e solidária que encare definitivamente a necessidade essencial de reestruturação do sistema de Justiça e Educação em Portugal. É impensável a construção de uma sociedade democrática com a permanência constante de um sentimento generalizado de impunidade, e da ideia comum de que o sistema protege os prevaricadores.
 A classe política portuguesa tem que dar sinais claros de prossecução de um sistema de justiça eficaz e isento para não ser associada ao receio de ser apanhada na teia da Justiça.

Justiça 
Rafael Sanzio (1483-1520)

            A escola tem também que se assumir definitivamente como espaço de um ensino de excelência. O futuro só pode ser assegurado com uma formação de qualidade e de exigência dos jovens, cujo percurso escolar influi irremediavelmente nas suas vidas e no rumo do país. 

Escola de Atenas
Rafael Sanzio (1483-1520)

O ensino tem essencialmente que se basear na responsabilidade conjunta dos alunos, das famílias e dos docentes, pilares fulcrais na construção da sociedade e do desenvolvimento sustentado do país. O ensino, adequado às reais necessidades do país, tem que se estabelecer em alicerces de responsabilidade, numa cultura de empreendedorismo, numa cultura de disciplina e rigor que permita enfrentar os desafios constantes que enfrentamos ao longo da nossa existência.

sábado, 6 de novembro de 2010

A crise também é material


A crise também é material. Sente-se no dia a dia atingindo com particular indiferença aqueles que já são bastante fustigados pelo desemprego, pela doença ou pela descrença de que melhores dias virão, e joga-se num plano especulativo e global. A necessidade imperiosa de tomar medidas para estabilizar os mercados e o provir nacional, ao impelir novos cortes socioeconómicos geradores de contestação só podem ser legitimados aos olhos de uma população cansada de sacrifícios, se os mesmos forem equitativamente repartidos, e assegurarem a resolução dos problemas estruturantes dos país.
            Assim como uma aplicação correcta e fundamentada dos exíguos fundos nacionais, que têm que ser canalizados para o desenvolvimento sustentado do país e para suprir as carências dos que são fortemente atingidos pela crise. Exige-se assim uma cultura de rigor e transparência ao Estado capaz de pôr cobro à falácia recorrente de derrapagens nas obras públicas, e exige-se ao cidadão uma cultura de responsabilidade e solidariedade que não pode ser complacente com meros subsídios dependências. É o nosso futuro, o futuro das novas gerações, o futuro do país que está em causa.

Entrevista na Antena1

No dia 5 de Novembro, “O Morgado de Fafe” esteve nos estúdios da RTP no Monte da Virgem no programa de informação “Portugal em directo” da Antena1 para falar sobre este novo blog, e a Cultura, História e Tradição de Fafe. Para ouvires a entrevista acede ao ficheiro de som (Início da entrevista minuto 24:20 / Fim da entrevista minuto 31:40).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A crise é primeiro de tudo uma crise de valores

Salvador Dalí – O sono (1937)

O tema é incontornável. O clima de crise da sociedade portuguesa é o tema recorrente das conversas de café, das tertúlias com amigos, das aberturas de telejornais e das manchetes da imprensa.
Começamos pelo aspecto positivo da crise, sim porque vejamos antes de mais um aspecto positivo no quadro económico, social e politico nacional lúgubre: a crise teve o condão de despertar consciências e incomodar os espíritos. No fundo obrigou (-nos) a assentar as ideias e os pés em terra firme, na realidade. Não tenhamos ilusões, muitos de nós não viviam ou pareciam não viver neste mundo, tal é (era) a conduta e estilo de vida, o individualismo egocêntrico, a superficialidade mental e a balofice material degenerada em crédito(s) sobre crédito(s) deixando de (a)creditar no essencial da vida: dignidade, simplicidade e capacidade de sacrifício pessoal e de trabalho.
A famigerada crise é primeiro de tudo uma crise de valores: uma ausência de referências, de ideais de um “élan” que nos faça levantar todos os dias e acreditar que vale a pena trabalhar, lutar e sacrificar. A ausência de um imperativo ético que nos alavanque a moral, nos responsabilize pelas nossas acções e atitudes, e nos empole a legar um mundo melhor do que recebemos às gerações vindouras.
Este deve ser o nosso principal objectivo de vida, a nossa meta tem que estar sempre direccionada para o futuro, para o(s) outro(s), para o além e nunca para o aquém. As nossas acções e atitudes quotidianas têm que assentar numa ética responsável, numa ética de incomodidade interior que valorize o amor, a família, o trabalho, a amizade, o conhecimento, a cultura e a vida.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vestígios da presença muçulmana no concelho de Fafe


O concelho de Fafe encerra inegáveis testemunhos de que pelo actual território concelhio passaram em distintos períodos históricos povos de várias proveniências, como por exemplo, os Romanos como confirmam os vestígios arqueológicos espalhados pelo concelho, particularmente notórios no Castro de Santo Ovídio.
Escrevo, no entanto, este artigo para chamar a atenção para uma outra civilização que esteve igualmente presente na região, nomeadamente a Civilização Muçulmana.
A maioria de nós tem a ideia de que a presença islâmica em Portugal, iniciada com a invasão da Península Ibérica no ano de 711, abrangeu somente os territórios do sul do país dada a enorme profusão de vestígios. Conquanto a influência tenha sido mínima a norte do Douro, Porto e Braga foram reconquistadas no ano de 868, nesta zona chegaram a estar contingentes de tropas beberes.
Assim se entende a reconquista de “Villa Guntini” (Gontim) aos Muçulmanos, enunciada em 747 no testamento do bispo Odoário e referida por Damião Peres (História de Portugal – Edição Monumental Comemorativa do 8.º Centenário da Fundação da Nacionalidade).
O estudo das origens dos nomes das freguesias do concelho de Fafe evidencia igualmente possíveis raízes muçulmanas, segundo o filólogo Joseph M. Piel o nome “Fafe” é bastante comum na designação árabe “Halafafe”. Ainda na toponímia local, Lopes Oliveira acentua que o nome “Seidões” seria de origem árabe.
Nesta esteira, o historiador português do séc. XIX, Pinho Leal, autor da obra “Portugal Antigo e Moderno”, sustenta que o nome “Fareja” é de origem árabe “Fareija”, que significa “prazer”, referindo na mesma obra que nos limites da actual freguesia de Fareja existiu a antiquíssima cidade “Eufragia”, que segundo o mesmo foi destruída no ano de 965, pelo mouro Al-Coraxi, rei de Sevilha, que a arrasou completamente!
Refira-se ainda que a partir da reconquista cristã as terras que se desintegravam do domínio muçulmano, processo comum desde o séc. IX ao séc. XII, tornavam-se pontos estratégicos na defesa do reduto cristão, sendo que essa estratégia de defesa está patente no chamado Penedo dos Mouros na freguesia de Quinchães, local onde terá existido um castelo “roqueiro” e possivelmente na freguesia de Travassós, no lugar da Atalaia, designação que significa torre ou lugar de vigia.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Conselhos Municipais da Juventude: um instrumento ao serviço dos jovens e das associações juvenis

Numa democracia participada e pluralista, como é o caso da portuguesa, a intervenção dos jovens na actividade cívica é elementar, nesse sentido os Conselhos Municipais de Juventude constituem-se como órgãos consultivos dos municípios, passando a assegurar a representação jovem nos concelhos, através de representantes das associações RNAJ (Registo Nacional de Associações Juvenis), juventudes partidárias, ou instituições que desenvolvam a título principal actividades relacionadas com a juventude, embora estas últimas sem direito de voto na tomada de decisões do C.M.J.


 Os Conselhos Municipais de Juventude, além de serem um novo incentivo às actividades associativas jovens dos concelhos mediante a (re) definição das políticas municipais de juventude, representam igualmente um grau acrescido de disponibilidade, exigência, participação e responsabilidade para os jovens, assim como para os municípios, as associações e instituições.
A filosofia subjacente aos Conselhos Municipais de Juventude demanda que as associações e instituições que desenvolvam a título principal actividades relacionadas com a juventude se inscrevam no RNAJ – Registo Nacional do Associativismo Jovem, realidade que, por exemplo, abrange ainda um número reduzido de associações / instituições locais, e que devido a esta situação não beneficiam dos direitos e da apresentação de candidaturas aos programas de apoio financeiros nacionais.

O espírito crítico de Nietszhe

Nascido no seio de uma família alemã protestante luterana no findar do 2.º quartel do séc. XIX, Nietzsche aprimorou o seu espírito crítico na rejeição das tradições familiares e do Cristianismo, que para o filósofo tinha tomado “partido de tudo o que é fraco, baixo, incapaz” (O Anticristo), vindicando que o ““Evangelho” morreu na cruz” e assentando o seu pensamento na argamassa da cultura clássica grega.

Frederico Nietzsche (1844-1900)

Assim despontou, em Nietzsche, a crítica feroz à cultural ocidental, à moral tradicional, censurada pelo filósofo alemão por não estar “em contacto com a realidade” e ser “o melhor meio para conduzir a humanidade pelo nariz”. Para Nietzsche o martelo de Zaratustra derrubaria essa “receita da décadence, da própria imbecilidade”, e ao mesmo tempo reedificaria através do paradigma da tragédia grega, “os grandes espíritos” que seriam alimentados pela “força e liberdade, nascidas do vigor”.
 Celebrando a osmose entre a “forma” apolínea e o “irracional” dionisíaco, Nietzsche, pretendia assomar um Ubermensch, um novo homem, “uma espécie de super – homem” que fosse “superior à humanidade em força, em grandeza de alma, – e em desprezo”.
Nietzsche foi autor de uma obra profícua, perpassada pelo seu próprio drama de solidão, desilusão, loucura e enfermidade, que no início do séc. XX, o conduziria à presença perante Hades, mas que não impediu que ocupasse o seu lugar no Olimpo do pensamento e cultura contemporânea.
No plano filosófico o legado nietzschiano centra-se na necessidade imperiosa do Homem ultrapassar a ambiguidade da verdade – mentira, assumindo a sua essência criadora, não através de algum tipo de “superioridade” mas no fomento da cultura enquanto fonte de valores.

Juventude da Cruz Vermelha de Fafe: uma geração jovem solidária

Numa época marcada pelo discurso e estatísticas sobre o alheamento dos jovens face à sociedade em que estão inseridos, e cujo comportamento parece revelar uma atitude imobilista e de costas voltadas para os problemas e desafios da comunidade, a Juventude da Cruz Vermelha de Fafe assume-se no contexto local, distrital e nacional como um paradigma de excelência ao nível da participação dos jovens em grupos cívicos e sociais que contraria o discurso instituído.
A Juventude Cruz Vermelha de Fafe, elo jovem do movimento da Cruz Vermelha Portuguesa, composto por crianças e jovens entre os 8 e os 35 anos, prossegue um ideário assente no respeito pelo ser humano, pelo entendimento mútuo, pela amizade, pela cooperação e solidariedade. 

Actividades diversas da JCV-Fafe

Trata-se de uma verdadeira escola de cidadania e valores, de uma geração dinâmica e empreendedora, que envolvendo crianças e jovens locais, tem de forma altruísta dinamizado inúmeras actividades que vão ao encontro das necessidades reais da juventude, assumindo-se como um complemento importante na educação não formal, uma ocupação útil, saudável e solidária dos jovens
Saliente-se, por exemplo, porque são inúmeras as campanhas, acções de sensibilização e projectos promovidos por este grupo, o projecto “Colorir o Sábado”, um projecto de acção comunitária proactiva dinamizado no Bairro da Cumieira, que promove a inclusão social de crianças de agregados familiares com baixo rendimento económico, mediante o desenvolvimento de competências com a ocupação de tempos livres.

Uma abordagem ao “Dicionário dos Fafenses”

O nosso concelho desde há algum tempo que possui um conjunto de homens devotados ao estudo da história de Fafe, que entre uma desprendida dedicação têm estudado e valorizado o nosso passado, o nosso património, a nossa memória, elos essenciais para a compreensão da nossa herança colectiva.
No campo da investigação da história de Fafe impõe-se pela pesquisa e trabalho publicado um grupo primário de personalidades como Américo Lopes Oliveira, Miquelina Summavielle, e o cónego Leite de Araújo, já falecidos. E presentemente um conjunto de investigadores composto por Aureliano Barata (séc. XIX-XX), Artur Leite (Ensino), Luís Gonzaga (Retratos Biográficos), Daniel Bastos (séc. XX) José Emídio Lopes (essencialmente centrado na freguesia de Cepães), o saudoso Miguel Monteiro (Emigração Brasileira) e Artur Coimbra, estes dois últimos, referências estruturantes no campo da história local.

                             Miguel Monteiro                           Artur Coimbra

No conjunto de investigadores locais, o percurso do historiador Artur Coimbra evidencia-se por possuir uma obra dispersa em várias áreas, sobretudo pela poesia, jornalismo e história local. Com mais de uma vintena de livros publicados, Artur Coimbra ao nível da história local tem feito diversas incursões no campo das monografias, e das biografias, género histórico em que se enquadra a 2.ª edição da obra “Dicionário dos Fafenses”.
Editado pela primeira vez em 2001, com a chancela do Núcleo de Artes e Letras de Fafe (NALF), do qual o autor é membro fundador, e desde longa data o principal dinamizador e rosto, a obra recentemente reeditada, novamente com o timbre do NALF, é composta por 280 entradas que percorrem vários períodos da história local, e que dão a conhecer a vida e a obra de personalidades, que em diferentes áreas, segundo o autor «merecem constar da “tribuna” dos fafenses ilustres, pelo seu trabalho, pela sua projecção, pelo enriquecimento que representam do nome e dos valores desta terra».
A obra “Dicionário dos Fafenses” enquadra-se assim em dois géneros historiográficos, por um lado, penetra no campo da história local, assumindo-se como uma ferramenta de trabalho indispensável para o estudo e análise da história de Fafe. Como salienta, o historiador Francisco Ribeiro da Silva, o estudo e trabalho da história local não é fácil: “porque exige muito tempo – o trabalho de pesquisa documental é lento (…); porque exige muita paciência e perseverança; porque exige coragem, sobretudo quando verificamos que os nossos dados não coincidem ou até contradizem verdades estabelecidas; porque exige discernimento, lucidez e espírito crítico para escolher os melhores materiais em vista dos objectivos previamente fixados; porque exige grande rigor e honestidade intelectual. O cultor da história local não pode contentar-se com o “é mais ou menos assim””.

Capa da obra "Dicionário dos Fafenses"

Por outro lado, o “Dicionário dos Fafenses”, (re)visitando o(s) outro(s) possui uma evidente dimensão biográfica, um género histórico que tem tido enorme visibilidade. Como salienta o historiador António Manuel Hespanha «a biografia ficou de moda em Portugal», sendo notório nas estantes e montras das livrarias, e inclusivamente nos palcos mediáticos da televisão e cinema, uma profícua profusão de obras biográficas.
No entanto, as dificuldades na construção de uma obra desta natureza são evidentes, e reconhecidas pelo autor: “O caminho seguido foi o da selecção, necessariamente subjectiva, dos homens e das mulheres que fizeram ou estão a construir Fafe, em variados domínios. Os homens e as mulheres que deram e vão dando o rosto inconfundível e singular a esta terra de todo o nosso coração”.
Reconhecendo, desde logo, que englobar todos aqueles que de algum modo se tenham destacado no panorama local “resultaria numa ciclópica, irrealista e fastidiosa tarefa”, o “Dicionário dos Fafenses”, obra sempre inacabada, e que não está balizado por barreiras cronológicas e delimitada por critérios historiográficos formais, englobando possíveis imprecisões, omissões e referências biográficas imberbes, assume-se essencialmente como um porto de abertura e partida no campo da história de Fafe, revivendo as memórias disseminadas pelo espaço e sociedade local.

Globalização, Política e Dignidade Humana

A essência da contemporaneidade, que encontra a sua génese na Revolução Francesa e na Independência dos Estados Unidos da América, e foi perfumada pela filosofia iluminista, assenta num valor fundamental para o modus vivendi et operandi democrático: a dignidade humana. A velha estrutura social de Antigo Regime, firmada numa pirâmide social estática e amorfa, fortemente marcada pela desigualdade em que a “honra” de classe abalizava os “privilegiados” e os “não – privilegiados”, jaz à muito nos escombros da História, embora em diversas sociedades hodiernas o paralelismo histórico possa ser ainda facilmente estabelecido e evidenciado, como por exemplo, na Índia ou Nepal, onde o sistema de castas pauta ainda a vida dos grupos sociais.


O paradigma sociopolítico das sociedades democráticas, em que nos contextualizamos, herdeiro dos valores do Iluminismo e marcado actualmente pelo Multiculturalismo, isto é, a existência de diversas culturas na (s) sociedade (s) e consequente emergência e apologia das minorias adopta como exigência para a vida em sociedade o respeito e a promoção da dignidade humana não enquanto mera consideração ou simples gesto caritativo para com o (s) outro (s), mas como refere Charles Taylor enquanto “necessidade humana vital” para o reconhecimento do (s) outro (s) como pessoa. 


Como promover então o exercício da dignidade humana perante a revolução científica, a evolução galopante da técnica, e o derrube das fronteiras a velocidade internáutica?
A dignidade humana no Homem argonauta do milénio, será tanto mais efectiva e exercida, como refere Charles Taylor, consoante acentuarmos a “ênfase moral”, da Autenticidade “ser quem eu sou”, aceitando as minhas diferenças e semelhanças com o outro (s). De facto, para não regredirmos nas conquistas da História, a dignidade e autenticidade humana não se coadunam com o actual exacerbamento dos papéis sociais, fruto de um individualismo monológico, ou seja, fechado em si (nós) próprio (s) sedento de “auto realização e auto – satisfação”.
Nesse sentido, o apelo primordial intrínseco e político, deve valorizar (nos) enquanto “pessoa”, o que exige (- nos) um “ideal dialógico na vida”, isto é, partilha, cedência, respeito, responsabilidade e amor pelo outro (s), como assinala o filósofo francês, Emmanuel Lévinas, em Ética e Infinito: “as possibilidades do outro como as minhas próprias possibilidades, de poder sair do fechamento da minha identidade e do que me foi concedido para algo que não me foi concedido e que apesar de tudo, é meu”.
Assim, a dignidade humana exige (-nos) uma reestruturação profunda da “praxis” e discurso político, que tem que assentar numa cultura de paz, numa cultura de diálogo “multicultural”, numa cultura ambiental e de solidariedade, pilares sólidos da Igualdade, Liberdade, e Fraternidade do séc. XXI. Como aponta o médico humanista Enrique Rojas “A Europa, o velho continente, tem de voltar a redefinir a sua identidade”.

Europa desenhada pelo cartógrafo
Abraham Ortelius (séc. XVI)