Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador, professor e político minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Historiador Daniel Bastos apresentou conferência sobre Migrações, Cidadania e Ensino em Viana do Castelo



Na passada terça-feira (27 de fevereiro), o historiador Daniel Bastos foi um dos oradores convidados da 9.ª edição dos “Contornos da Palavra”, uma iniciativa cultural organizada pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, que durante uma semana proporciona momentos culturais a todos os alunos, professores e educadores das escolas do concelho do Alto Minho.

Legenda – Da esq. para a dir.: o historiador Daniel Bastos, o moderador Manuel António Vitorino, e a investigadora Irene Flunser Pimentel


No decurso da iniciativa, que decorreu na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, no âmbito do Encontro de Bibliotecas Escolares – Conhecer, Respeitar e Incluir, e que computou a presença a investigadora portuguesa dedicada ao estudo do período contemporâneo de Portugal, Irene Flunser Pimentel, o historiador minhoto apresentou em representação da Galeria dos Pioneiros Portugueses, um espaço museológico em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá, uma comunicação intitulada “Migrações, Cidadania e Ensino”.

Partindo da enunciação de Almada Negreiros “Nós hoje estamos ao mesmo tempo na melhor época da humanidade e na pior”, artista multidisciplinar português homenageado na iniciativa, Daniel Bastos sustentou que por um dever de memória histórica e de dignidade humana, a Europa em geral, e Portugal em particular, tem que integrar e proteger os migrantes. Para o investigador da nova geração de historiadores portugueses, as migrações hodiernas representam um desafio para as políticas dos Estados democráticos, sendo urgente repensar a educação para a cidadania enquanto meio para a promoção da democracia e dos direitos humanos.
 

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Os descendentes dos judeus sefarditas portugueses



No final do ano passado, a Comunidade Israelita do Porto, revelou que mais de mil descendentes de judeus expulsos de Portugal no século XV obtiveram nacionalidade portuguesa desde março de 2015, data da entrada em vigor de um decreto-lei que veio permitir a concessão da nacionalidade aos descendentes de judeus sefarditas.

Os chamados judeus sefarditas são descendentes das antigas comunidades judaicas da Península Ibérica, cuja presença imemorial no território é anterior à formação dos reinos ibéricos cristãos, como por exemplo de Portugal no século XII. 

No ocaso quatrocentista, após o Édito de Alhambra de 1492, também conhecido como Édito de Granada e Édito de Expulsão, um decreto régio promulgados pelos Reis Católicos, inúmeros judeus perseguidos pela Inquisição Espanhola refugiaram-se em Portugal. Porém, a partir de 1496, o monarca português D. Manuel, que inicialmente havia promulgado uma lei que lhes garantia proteção, acabou por determinar a expulsão de todos os judeus sefarditas que não aderissem ao batismo cristão. 

Assim, numerosos judeus sefarditas foram expulsos de Portugal na transição do séc. XV para o séc. XVI, tendo encontrado sobretudo em países como a Holanda, o Reino Unido e a Turquia, e em regiões do Norte de África e, mais tarde, em territórios americanos, mormente no Brasil, Argentina, México e Estados Unidos da América, as suas pátrias de acolhimento.

Malgrado as perseguições e o afastamento do vetusto território ibérico, muitos judeus sefarditas de origem lusa e os seus descendentes mantiveram não só a língua portuguesa, mas também os ritos tradicionais do antigo culto judaico em Portugal, conservando, ao longo de gerações, os seus apelidos de família, objetos e documentos comprovativos da sua origem portuguesa, a par de uma forte relação memorial que os leva a denominarem-se a si mesmos como “judeus portugueses” ou “judeus da Nação portuguesa”.

Nesse sentido, o hodierno decreto-lei que veio permitir a concessão da nacionalidade aos descendentes de judeus sefarditas, é um ato legislativo de inteira justiça que mais do que procurar reparar os erros do passado, constitui uma reconciliação do país com um capítulo pouco conhecido da sua história, e um sinal eminente que o futuro de Portugal constrói-se na base do diálogo e de pontes entre as diversas culturas e comunidades

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A presença portuguesa na Birmânia



Durante o primeiro trimestre deste ano vai ser lançada, pela Gradiva e a Macaulink, com o apoio do Instituto Internacional de Macau, a versão portuguesa do livro “Cannon Soldiers of Burma”, de James Myint Swe, uma obra incontornável sobre a presença multissecular portuguesa na Birmânia.

Situada a sul da Ásia continental, e limitada ao norte e nordeste pela China, a leste pelo Laos, a sudeste pela Tailândia, ao sul pelo Mar de Andamão e pelo Canal do Coco, a oeste pelo Golfo de Bengala e a noroeste pelo Bangladesh e pela Índia, a Birmânia, oficialmente República da União de Myanmar, encerra ainda hoje como sustenta James Myint Swe, marcas vivas da presença pioneira dos portugueses na Ásia.

O investigador formado em Ciência Política pela Universidade de Western Ontário no Canadá, salienta a existência neste território asiático, nas mesmas zonas onde os portugueses se estabeleceram nos sécs. XVI e XVII, de populações descendentes dos navegadores, mercadores, exploradores e soldados do período da expansão marítima. 

Como anota o autor com raízes birmanesas, a presença pioneira dos portugueses na Ásia no séc. XVI e XVII, catalisadora dos primeiros contactos entre a Europa e o Oriente, subsiste nas atuais comunidades bayingys, uma etnia birmanesa conhecida como o “povo de olhos verdes”, cujas populações de cabelo e pele clara, maioritariamente católicas, conservam afinidades com o imaginário coletivo português.   

Num período em que a diplomacia e a projeção cultural têm desempenhado um papel fundamental na política externa portuguesa, e a língua de Camões é uma das mais faladas no mundo, é importante que o país não deixe cair no esquecimento o seu contributo ecuménico na história mundial. 

É a partir do valioso legado histórico da diáspora portuguesa, que Portugal deve continuar a afirmar-se no seio das nações como um país construtor de pontes de diálogo e cooperação entre povos, que no caso da antiga Birmânia pode ter um importante contributo na consolidação da democracia na atual Myanmar. Este estreitar de laços de amizade e cooperação, por via de um passado comum na Ásia, um imenso território de oportunidades e crescimento, pode inclusivamente revelar-se estratégico na prossecução da internacionalização da economia portuguesa e da afirmação de Portugal no mundo.