Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Serafão reviveu história da Santa Casa da Misericórdia de Fafe


No passado sábado à noite, 22 de Dezembro, a freguesia de Serafão, situada no noroeste do concelho de Fafe, recebeu na sede da Junta de Freguesia a Exposição itinerante da Santa Casa da Misericórdia de Fafe evocativa dos Cortejos de Oferendas em benefício do Hospital da Misericórdia de Fafe.

A iniciativa cultural, promovida pela Junta de Freguesia de Serafão, terra de nascimento e de repouso eterno do afamado “médico dos pobres”, Maximino de Matos, que exerceu desde 1931 e durante mais de um quarto de século, as funções de director clínico do Hospital da Misericórdia de Fafe, contou com a presença da Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, Maria das Dores Ribeiro João, e do historiador, Daniel Bastos, autor do livro “ Santa Casa da Misericórdia de Fafe – 150 Anos ao Serviço da Comunidade”.
 
Correio do Minho (2012-12-26)
 
A sessão, que lotou por completo o auditório da Junta de Freguesia e contou com a presença das forças vivas da povoação, iniciou-se às 21h30 com a inauguração da exposição. Composta por uma dezena de painéis enriquecidos com fotografias e documentos da época, a exposição sobre a realização dos Cortejos de Oferendas em benefício do Hospital da Misericórdia entre 1944 e 1965, despertou nos participantes lembranças de outros tempos marcados pela generosidade da população de Serafão ao longo da secular história da instituição de assistência.


No decurso da iniciativa, aberta pelo presidente da Junta de Freguesia de Serafão, Artur Neves, que agradeceu a presença de todos, e em particular da Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, Maria das Dores Ribeiro João, e do historiador Daniel Bastos, o autor do livro que retrata os 150 anos desta instituição social de referência na região, proferiu uma palestra que abordou os vários contributos da freguesia de Serafão ao longo da história da Misericórdia de Fafe.
 


Daniel Bastos, que elencou os contributos da freguesia nos Cortejos de Oferendas de 1944, 1955 e 1965, destacou a generosidade de vários beneméritos naturais de Serafão, como o comerciante Joaquim Fernandes Costa Vale, os irmãos José Joaquim Fernandes da Costa e Angelina Rosa Fernandes Costa, e em particular do médico democrata e humanista Maximino de Matos, face mais visível do esforço colectivo e generoso da comunidade que proporcionou nos anos 40 e 50 a modernização do estabelecimento hospitalar.
 
Por seu lado, a Provedora da Misericórdia de Fafe, Maria das Dores Ribeiro João, que agradeceu o convite endereçado à instituição para estar presente na sessão, destacou os vários serviços sociais prestados pela organização estreitando os laços que unem a Misericórdia de Fafe à comunidade. Dirigindo os seus votos de Boas Festas a todos os presentes, Maria das Dores Ribeiro João assegurou que a instituição acompanha os sinais e os desafios dos tempos na prossecução dos princípios da solidariedade, amor e caridade.


Refira-se que a Exposição evocativa dos Cortejos de Oferendas em benefício do Hospital da Misericórdia de Fafe estará patente à comunidade, até ao final do ano, durante a parte de tarde na Junta de Freguesia de Serafão, de modo a que a mesma possa ser visitada pelos emigrantes que regressam à sua terra e família para celebrar a quadra natalícia.

 

 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Feliz Natal e um Bom Ano Novo

Battolomé Esteban Murtillo - A Adoração dos Pastores (1650)
 
A todos os amigos, colegas e conterrâneos um sincero desejo de um Feliz Natal e um Bom Ano Novo, com o desígnio que nas noites frias de Inverno o calor da nossa amizade aqueça os nossos corações e nos guie no rumo da Esperança e Solidariedade.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Artista fafense Cloé inaugurou exposição em Felgueiras


A artista fafense Cloé (Conceição Antunes) inaugurou no passado sábado à tarde, a exposição de pintura “Passado e presente” na Casa das Artes em Felgueiras.

A abertura da exposição, patente até dia 15 de Janeiro, contou com a presença de amigos e admiradores da pintora fafense que aproveitou a oportunidade para dar a conhecer a sua faceta de escritora, falando do seu primeiro romance, editado em 2011, com o título A que cheiram as giestas!

No decurso da abertura, o escritor Carlos Afonso, que apresentou a obra, enalteceu que o livro de Conceição Antunes “é um hino à condição feminina”. Por seu lado, o vereador da Cultura do Município de Fafe, Pompeu Martins, igualmente presente na iniciativa, assegurou aos presentes que “Cloé é uma mulher extraordinária que revela nas suas obras como a arte pode estar ao serviço da pessoa humana”.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Associação de Futsal de Fafe realizou Jantar de Natal


A Associação de Futsal de Fafe realizou no passado sábado um Jantar de Natal, no Restaurante o Retiro, um dos apoios da época futsalística concelhia, que contou com a presença de elementos da direcção, atletas, amigos da colectividade, e do historiador Daniel Bastos, em representação da Câmara Municipal de Fafe.


O jantar convívio da Associação de Futsal de Fafe, uma das maiores colectividades do concelho, fundada em 2005, que organiza todos os anos um campeonato concelhio disputado por colectividades fafenses e uma outra prova, a Taça Cidade de Fafe, e que durante o presente ano formou uma equipa de futsal feminino, escalão sénior, filiada na Associação de Futebol de Braga, teve como principal objectivo fortalecer o espírito de equipa e união através da confraternização na tradicional ceia de Natal.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cepães em Festa


No passado sábado, 8 de Dezembro, a freguesia de Cepães, uma freguesia do concelho de Fafe situada no Vale do Rio Vizela, com intensa actividade industrial e aptidão agrícola, foi palco de um conjunto de simbólicas cerimónias que enriqueceram a cultura e o património colectivo da povoação.
Correio do Minho (2012-12-13)
 

No decurso da Missa da Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria que decorreu na Igreja Paroquial de Cepães, celebrada pelo padre José Marques, foi simbolicamente benzida ao final da manhã a bandeira do Grupo de “Trampolineiros” de S. Mamede de Cepães, um grupo de bombos ligado à Casa do Povo de Cepães essencialmente constituído por jovens.

Procurando assumir-se como um verdadeiro cartão-de-visita da freguesia, o Grupo de “Trampolineiros” de S. Mamede de Cepães, nova agremiação que vem enriquecer o património e os valores da freguesia, e que tem na sua criação como principais beneméritos os cepanenses Francisco Castro e José Mendes Ferreira de Melo, desfilou acompanhada de dezenas de populares até à Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, onde deleitou os presentes como um reportório musical popular e tradicional que promete animar festas, romarias, comemorações, inaugurações e celebrações.


A parada num dos mais antigos monumentos religiosos conhecidos no concelho de Fafe serviu de mote à inauguração de uma pequena placa evocativa, responsabilidade da Comissão de Festas, da padroeira da agricultura, que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Fafe, José Ribeiro, autarca natural de Cepães, e do presidente da Junta de Freguesia de Cepães e do Presidente da Assembleia de Freguesia de Cepães, Manuel Silva e Daniel Bastos.


Ainda no Largo Francisco Fernandes, os principais responsáveis políticos da freguesia e do concelho, acompanhados dos responsáveis da Comissão de Festas, da Casa do Povo de Cepães, do pároco de Cepães e do professor e investigador cepanense José Emídio Martins Lopes, procederam à inauguração do Presépio de Natal que se encontra no Largo Francisco Fernandes. Organizado uma vez mais pela Junta de Freguesia de Cepães, com o apoio do activo de Francisco Castro e de vários cepanenses, o Presépio de Cepães pretende desejar um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a toda a população da Freguesia e visitantes.
Refira-se ainda que ao final da tarde, a Sociedade de Recreio Cepanense, uma das mais antigas colectividades do concelho de Fafe, fundada em Maio de 1926, procedeu à inauguração da remodelação das instalações da sua sede, localizada na antiga Estação, cerimónia que contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Fafe, José Ribeiro. A iniciativa computou um jantar-convívio, que decorreu nas instalações da agremiação, em que participaram dezenas de associados, e onde tomaram assento, além do autarca José Ribeiro, o presidente da Sociedade de Recreio Cepanense, Joaquim Mendes, o presidente da Junta de Freguesia de Cepães, Manuel Silva, o pároco de Cepães, José Marques, e o chefe de Gabinete do presidente da Câmara, Carlos Mota.


                              CASA DO POVO DE S.MAMEDE DE CEPÃES

                                           Grupo de “TRAMPOLINEIROS”

                                                                HINO


Cá vem a malta recordar                                                

Uma velhinha tradição                                    

 Mas para não desafinar                                                                            

Tragam-nos verde carrascão


Escutem os nossos tambores

Com gente nova e animada

Também somos bons cantores

E amigos da noitada


Vamos todos acordar

Pela manhã, de madrugada

Sempre a dar, sempre a rufar

Pr’animar a alvorada


CORO

Cá estamos nós

Em Cepães nascidos

Esta é nossa voz

Os nossos gemidos

        

Belas tradições

Broa e bom vinho

Também salpicões

E um chouricinho

Depois de bebidos

E bem enfartados

Também vos pedimos

Dinheiros trocados

A volta vamos dar

Cepães no coração

E todos saudar

Com um abração

Música de “ O Carioca”, da Tuna da Sociedade de Recreio Cepanense e adaptação da letra de Nelson Fafe, das janeiras da década de sessenta do século passado.


Sobre “Os Trampolineiros”:

Em épocas recuadas, sempre que havia necessidade de anunciar qualquer evento numa aldeia, juntava-se um grupo de amigos, com tambores artesanais e lá se faziam ao caminho a troco de uns copitos. Mais que música, faziam barulho, mas o objectivo era alcançado. Com o andar das horas, quem “comandava” o grupo já era o vinho. Apresentavam-se com aspecto pouco cuidado, mal vestidos e, por vezes, até descalços.

Também pelo Carnaval, nas fogueiras da noite, não havendo bombos ou tambores, utilizavam-se tachos e panelas.

Eram verdadeiros maltrapilhos, com uma meia de “vidro” a tapar a cara e um chapéu de palha, cheio de sulfato, na cabeça, para não serem identificados.

Perante tais representações, a população divertia-se e desabafava – “que raio de trampolineiros”.

Assim se apelidou, com uma raiz muito popular, os grupos de tambores e bombos.

Texto e referências de autoria de José Emídio Martins Lopes

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

“Grande Entrevista” ao Historiador Daniel Bastos


I

O Senhor Dr. frequentou a Escola Secundária de Fafe e desde bem cedo que começou a escrever. Como é que nasceu esse seu gosto pela escrita e como se sentiu enquanto jovem, a transmitir os seus pensamentos?

De facto, iniciei o meu percurso pré-universitário na Escola Secundária de Fafe, onde tive óptimos professores que me ajudaram a perceber a importância da cultura na vida das pessoas, e que despertaram em mim o gosto pelo estudo, leitura e pesquisa. O desafio da escrita surgiu durante este período na imprensa local, mais concretamente nas páginas acolhedoras do “Povo de Fafe” que recebia textos diversos de alunos do ensino secundário, e onde pela primeira vez publiquei artigos sobre a história de Fafe, o que constituiu para mim motivo de enorme entusiasmo e incentivo.

II

Feito o Secundário, o meu bom Amigo rumou à Universidade de Évora onde se licenciou em História (Ensino). Estando tão longe, dentro do território de um país tão pequeno, como é que interagia com os seus concidadãos e com a cultura fafense?

O ingresso na Universidade de Évora no final da década de 90, uma fase de maturação e aquisição de competências, na esteira do desígnio democrático de Abril que tem permitido a jovens oriundos de agregados com parcos recursos trilharem um percurso académico, não impediu o envio de artigos sobre a história local para a nostálgica crónica “Torre da Universidade”. Pelo que é com muito orgulho e satisfação que reafirmo publicamente que o jornal “Povo de Fafe” enquanto escola de cidadania e de valores teve um papel importante na minha formação a nível pessoal e profissional, possibilitando-me interagir com os nossos concidadãos e a cultura fafense.


III

Entretanto, já fixado em Fafe, inicia a sua carreira no campo da investigação. E quando menos se esperava concorreu ao Prémio de “História Local – Câmara Municipal de Fafe 2005”, tendo ganho esse Prémio com a obra “As Eleições Presidenciais no Estado Autoritário Português – Processos e Actores Políticos – O Exemplo de Fafe”. Contava, sinceramente, com essa distinção? E que valor teve para a sua carreira futura?

Quando assentei arraiais em Fafe encetei um ciclo de vida socioprofissional que passou pela nobre missão de leccionar em Trás-os-Montes. Esta etapa, novamente marcada pelo papel da imprensa, então com a crónica “ A História menos visível de Fafe” no jornal “Correio de Fafe”, foi ainda profícua numa enriquecedora experiência no associativismo local, designadamente no Cineclube de Fafe, e na realização de um conjunto de trabalhos sobre o ocaso do regime monárquico, e o consulado republicano e estadonovista no concelho de Fafe. Esta última área de investigação seria em 2005 contemplada com o Prémio de História Local / Câmara Municipal de Fafe, distinção que tinha esperança de almejar e que se assumiu como um estímulo definitivo para o aprofundamento da história local.

IV

O Senhor Dr. não parou e perdendo muitas horas de sono continuou a investigar e como resultado foi publicado um livro, que evidencia o seu enorme talento, “Fafe Estudos de História Contemporânea”. Em termos sucintos diga-nos, por favor, qual a mensagem que quis transmitir?

O livro “Fafe – Estudos de História Contemporânea” foi resultado de um processo de novas abordagens e releituras, e por outro, um esforço de introduzir unidade aos estudos que realizei na última década no âmbito da história contemporânea de Fafe, através da elaboração de ensaios inéditos sobre a I República, o Estado Novo e a Revolução de Abril, regularmente publicados na Revista Cultural “Dom Fafes”. Reflectindo um percurso e trajecto de vida ligado a Fafe, a edição do meu primeiro livro pretendeu essencialmente ser um reconhecimento histórico a todos os homens e mulheres que lutaram pela liberdade, desenvolvimento e afirmação do concelho de Fafe.

V

E como se sentiu na Gala deste jornal, no Teatro Cinema de Fafe, quando recebeu o galardão dos Prémios “Os Mais 2011 – Excelência”?

Foi indubitavelmente um momento alto no meu percurso de vida. O reconhecimento público do nosso trabalho constitui sempre um incentivo para podermos fazer mais e melhor, nesse sentido recebi o galardão como um estímulo que agradeci e partilhei com a família, amigos, colegas e conterrâneos, a todos quantos nos une um sentimento de afinidade ao concelho de Fafe.

VI

Tenho de lhe confessar que pensava que esse seu brilharete se confinaria aos muros do nosso concelho, mas quando surpreendentemente soube que tinha sido convidado para ir a Paris, a convite do Consulado Português para divulgar a sua obra à comunidade Portuguesa, como é que apareceu esse convite e que efeitos teve nessa ocasião?

O convite surgiu pelo prestígio que a comunidade emigrante portuguesa em geral, e a fafense em particular, goza em França. O dinamismo de vários conterrâneos nossos, como o do conselheiro das Comunidades Portuguesas, Parcídio Peixoto, natural de S. Gens, e a abertura do Consulado a iniciativas de carácter cultural visando contribuir para o reforço da imagem de Portugal, estiveram na base do convite para a apresentação do livro “Fafe – Estudos de História Contemporânea” no dia 23 de Setembro de 2011 no Consulado de Portugal em Paris, um dos momentos mais marcantes da minha carreira.

A sessão, que encheu por completo a Sala Eça de Queirós, serviu de rampa de lançamento do protocolo de geminação recentemente assinado entre Fafe e a cidade francesa de Sens, através de uma reunião de trabalho, intermediada pelo então cônsul Luis Ferraz, que se realizou nesse dia entre o presidente da Câmara Municipal de Fafe, José Ribeiro, e uma delegação de Sens representada pela adjunta do “maire”, Marie-Paule Chappuit e a conselheira municipal portuguesa Manuela Godinho. Além do fortalecimento dos laços fraternos com a comunidade emigrante, a apresentação da obra promoveu uma prova de vinhos verdes “Vinhos Norte”, uma relevante actividade económica local.

VII

É evidente que o sucesso é só seu e de mais ninguém. Mas isso não implica que não considere que na nossa terra haja historiadores com todo o Mérito. Quer citar os que para si são os mais consagrados?

Reitero sinceramente que o sucesso deve-se essencialmente a todos os homens e mulheres que lutaram pela liberdade, desenvolvimento e afirmação de Fafe, insignes personagens que construíram o concelho com a argamassa da nossa memória e história colectiva. Felizmente, o nosso concelho desde há algum tempo que possui um conjunto de homens devotados ao estudo da história local, que entre uma desprendida dedicação têm estudado e valorizado o nosso passado.

No campo da investigação da história de Fafe impõem-se pela pesquisa e trabalho publicado um grupo primário de personalidades como Américo Lopes Oliveira, Miquelina Summavielle, e o cónego Leite de Araújo, já falecidos, e presentemente um conjunto de investigadores composto por Aureliano Barata, Artur Leite, Luís Gonzaga, José Emídio Lopes, o saudoso Miguel Monteiro e Artur Coimbra, estes dois últimos, referências estruturantes no campo da história local, com que tive e tenho o privilégio de aprender e aperfeiçoar os meus trabalhos que procuram igualmente contribuir para a compreensão da história de Fafe.

 
VIII

O Senhor Dr. pertence ao Núcleo de Artes e Letras de Fafe a que preside o Dr. Artur Ferreira Coimbra e uma das actividades relevantes do Núcleo foi o curso sobre de História Local (O Concelho de Fafe durante a Primeira República). Qual é o seu juízo final sobre essa iniciativa?

Enquanto espaço que visa a promoção da arte, da literatura, da cultura e dos valores locais, através da edição de obras literárias e de revistas, exposições, colóquios, seminários, visitas de estudo e outras actividades culturais que enriquecem a cidade, é para mim uma honra e prazer pertencer ao NALF superiormente presidido pelo confrade Artur Coimbra. Uma das actividades mais relevantes do Núcleo foi sem dúvida o Curso Livre de História Local, sob o tema “O concelho de Fafe durante a Primeira República (1910-1926)”, que decorreu em Outubro e Novembro de 2010 com apreciável adesão e teve como propósito proporcionar ao público em geral um melhor conhecimento sobre um período histórico fundamental no desenvolvimento do concelho de Fafe.

A importância da iniciativa ficou patente no livro recentemente editado pelo NALF, “A Primeira República em Fafe – Elementos para a sua história”, que tem como ponto de partida a matéria apresentada naquele curso pelos investigadores Artur Coimbra, Artur Leite e eu próprio, co-autores da obra, que a historiadora Maria Alice Samara classifica como “importante não só para a história local mas para a história nacional”.

IX

No seu entender, caro Amigo, deve-se ficar por aqui ou é adepto de novos Cursos de outros ciclos históricos, como do Estado Novo e da Era Democrática, originária do 25 de Abril de 1974?

Certamente que a iniciativa irá ter seguimento, abordando outros aspectos e dimensões da história de Fafe. Naturalmente está dependente da disponibilidade dos colaboradores do NALF, que contribuem dedicadamente com o seu tempo e a sua investigação, muitas das vezes em detrimento das suas famílias.

X

O Senhor Dr. Foi o historiador escolhido para fazer a História dos 150 anos da Santa Casa da Misericórdia de Fafe e publicou o respetivo livro de sua autoria apresentado na Gala de Encerramento das Comemorações a 25 de Maio, no Teatro-Cinema, com a presença de ilustres figuras. Considera Senhor Dr. Que esta foi a sua melhor obra? E o que significa ela para si?

A génese do livro da Santa Casa da Misericórdia de Fafe surgiu de um convite – desafio lançado em meados de 2011, pela provedora Maria das Dores Ribeiro João, a quem me unem laços recíprocos de amizade e consideração, que conjugados com o facto de se tratar de uma instituição de referência na região me levaram a aceitar a “empreitada” que realizei a título gracioso. Por ser uma obra monográfica completa, consistente, escorada em exaustivas pesquisa em arquivos, bibliotecas, jornais e bibliografia diversa, será seguramente das minhas melhores obras.

Este livro é também um justo reconhecimento histórico a todos os homens e mulheres que com dedicação, generosidade e sacrifício expressaram o sentido do humano no concelho de Fafe. Desempenhando um papel social relevante no concelho e na região, a instituição sempre foi um pólo aglutinador de vontades, com uma capacidade única na conjugação de esforços para a promoção da solidariedade, daí o brilhantismo e singularidade das Comemorações dos 150 anos da Santa Casa da Misericórdia de Fafe (1862-2012) que mobilizaram a comunidade e contaram com a presença de figuras ilustres.

XI

Não era muito previsível que esse seu livro ultrapassasse as fronteiras de Portugal, mas a verdade é que foi divulgado no Rio de Janeiro recentemente, junto da Comunidade Portuguesa. Quer reviver esse momento histórico e o que mais o sensibilizou?

Enquanto obra paradigmática dos brasileiros de torna – viagem em Fafe, a Misericórdia de Fafe está indelevelmente ligada à benemerência brasileira, tanto que o Hospital de S. José é uma réplica arquitectónica do Hospital da Beneficência Portuguesa no Rio de Janeiro. Nesse sentido, e no ano em que se assinala o Ano de Portugal no Brasil,  iniciativa que visa promover a cultura e os vínculos entre as sociedades luso-brasileiras, a Fundação Casa de Rui Barbosa, uma instituição pública federal, vinculada ao Ministério da Cultura Brasileiro, destinada ao fomento da produção intelectual, consulta bibliográfica e preservação memorial, antiga moradia do comendador Albino de Oliveira Guimarães, uma personagem influente na Comunidade Portuguesa oitocentista do Rio de Janeiro e um construtor da modernidade na cidade de Fafe, convidou-me em meados do Verão passado a apresentar no Rio de Janeiro o livro da Misericórdia de Fafe.

A apresentação decorreu no dia 6 de Novembro, no decurso de um seminário em que participei como palestrante, e que abordou a presença portuguesa nos acervos da Casa de Rui Barbosa, e a actuação das associações beneficentes Brasil – Portugal. Foi um momento único e cimeiro na minha vida, pelo contacto e carinho caloroso como fui recebido pelas instituições brasileiras, por elementos da comunidade emigrante fafense que fizeram questão de estar presentes na sessão, e pela rede de contactos que foram estabelecidos, nomeadamente com investigadores brasileiros que se dedicam ao estudo da Migração e dos Hospitais da Beneficência Portuguesa.

Uma vez mais, além de estreitar vínculos com a comunidade emigrante, a sessão motivou uma prova de vinhos verdes promovida pela empresa de Fafe “Vinhos Norte”, uma das mais relevantes actividades económicas do concelho, numa altura em que o Brasil é o quarto consumidor internacional de vinho português, e importou no ano passado mais de um milhão de garrafas.

XII

E depois do seu regresso do Brasil, voltou a Paris junto da Comunidade Emigrante no Consulado Geral, onde teve grande sucesso. Quer contar-nos o que se passou de mais positivo?

Uma vez mais o prestígio da comunidade emigrante portuguesa em geral, e a fafense em particular, e o dinamismo do conselheiro das Comunidades Portuguesas, Parcídio Peixoto, concorreram para a apresentação de um livro de minha autoria no Consulado de Portugal em Paris. O convite foi-me endereçado pelas autoridades consulares quando as mesmas tiveram conhecimento que uma comitiva de Fafe, liderada pelo presidente da Câmara Municipal de Fafe estaria em Sens no fim-de-semana de 17-18 de Novembro para formalizar a geminação com a cidade francesa. Daí ter sido possível contar na sessão com a presença de três destacados representantes das forças vivas locais, o presidente José Ribeiro, a provedora Maria das Dores Ribeiro João, e o benemérito empresário fafense, radicado na capital francesa, Manuel Pinto Lopes, que nos concedeu a honra de apresentar a obra.

A apresentação do livro, que contou ainda com a presença do provedor da Misericórdia de Paris, Joaquim Silva Sousa, encheu novamente por completo a Sala Eça de Queirós. Além da divulgação da nossa história junto da comunidade emigrante, que continua a desempenhar um papel estruturante no desenvolvimento da nossa terra e do nosso país, no final da sessão decorreu uma prova de vinhos da Quinta de Naíde, cujos produtos vitivinícolas se assumiram como um importante cartão-de-visita do concelho de Fafe.

XIII

E a propósito, quer referenciar as Instituições e pessoas que mais o apoiaram no seu percurso, designadamente na publicação e propagação das suas obras?

O meu percurso literário não teria sido possível sem a colaboração de várias pessoas e instituições, desde logo, nas pessoas dos seus principais responsáveis, do Município de Fafe, da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, da Editora Labirinto, dos Vinhos Norte, e do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, importantes impulsionadores da actividade cultural no concelho.

Ao apoio imprescindível da família e amigos, tenho tido a felicidade de contar, fora do concelho, com a cooperação de prestigiadas personalidades e entidades, como do Consulado de Portugal em Paris, da Fundação Casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro, e do conselheiro das Comunidades Portuguesas, Parcídio Peixoto, que têm tido um papel activo na promoção do meu percurso e das minhas obras. Reconhecimento e agradecimento que é extensível a todos quantos de forma desprendida me têm apoiado e motivado para o conhecimento da história local.

XIV

E o que é que o Senhor Dr. promete como Historiador a curto ou médio prazo?

Que continuarei igual a mim mesmo. Intelectualmente honesto, objectivo e dedicado à história local, comprometido com as gentes e terra de Fafe, acreditando que a cultura, história e tradição são referenciais essenciais para o presente, futuro e desenvolvimento sustentado da nossa sociedade. Tenho muito orgulho neste sentido de responsabilidade ética, afirmando publicamente que o meu trabalho desprendido de investigação é feito em prol da história de Fafe, em tempo de lazer ou férias, como as aulas de voluntariado que lecciono na Universidade Sénior de Rotary Fafe, ou as deslocações que realizei recentemente ao Rio de Janeiro e a Paris, em que os custos inerentes às mesmas, como em viagens anteriores, foram suportados a expensas próprias.   

Para os cépticos, que tenham porventura dificuldades em acreditar, disponibilizo-me pessoalmente para comprovar isto mesmo, o meu enriquecimento e valorização pessoal passam pelo conhecimento, pela cultura, e pelo prazer de ver as minhas obras divulgadas. Como o que tive no final do mês de Outubro, quando uma jovem mestranda de Ciência Politica e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa entrou em contacto comigo, solicitando o envio do meu livro, “Por dentro de uma Jota – Uma experiência de intervenção cívica e politica em Fafe”, que irá servir de base à sua dissertação “ As Juventudes Partidárias e o Recrutamento da Elite Politica no Portugal Democrático”.

XV

Quer deixar alguma mensagem ou agradecimento especial?

Aproveitava o ensejo para agradecer ao “Povo de Fafe”, na pessoa do seu director, Ribeiro Cardoso, a gentileza da entrevista e o papel importante que este semanário tem tido na afirmação do meu percurso pessoal e profissional. Uma palavra especial de agradecimento à Misericórdia de Fafe, na pessoa amiga da provedora Maria das Dores Ribeiro João, e do diligente funcionário, Paulo Gonçalves, pela colaboração incansável na promoção da história da instituição no concelho, e recentemente no Rio de Janeiro e Paris.

Um obrigado também muito especial à comunidade emigrante fafense, que no Brasil e em França, marcaram presença na apresentação do livro da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, os meus agradecimentos particulares e sentidos aos amigos conterrâneos Gervásio Almeida, José Saldanha e Parcídio Peixoto pelos apoios e incentivos prestados. 

Com o aproximar de mais uma quadra natalícia, desejo a todos os fafenses um Feliz Natal e um Bom Ano Novo, no rumo da esperança e solidariedade.


 
  in CULTURAL, suplemento do jornal Povo de Fafe n.º 2184 de 30 de Novembro de 2012






 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

História da Misericórdia de Fafe juntou a comunidade emigrante no Consulado Geral de Portugal em Paris


No passado dia 16 de Novembro, o historiador Daniel Bastos apresentou no Consulado Geral de Portugal em Paris o livro “Santa Casa da Misericórdia de Fafe – 150 Anos ao Serviço da Comunidade (1862 – 2012)”. A sessão, que juntou a comunidade emigrante em França, em particular a fafense, e encheu por completo a Sala Eça de Queirós, contou com a presença da provedora da Misericórdia de Fafe, Maria das Dores Ribeiro João, do presidente do Município de Fafe, José Ribeiro, do empresário fafense, radicado na capital francesa, Manuel Pinto Lopes, e do provedor da Misericórdia de Paris, Joaquim Silva Sousa.
Discurso - Daniel Bastos
Sessão



Vídeo reportagem da Lusopress.TV sobre a apresentação do livro da Misericórdia de Fafe no 

Consulado de Portugal em Paris 


A apresentação do livro, que assinala os 150 anos da Santa Casa da Misericórdia da Fafe (SCMF), actualmente uma das maiores instituições sociais do Norte do país, com centenas de utentes, de vários escalões etários, e mais de 200 funcionários, decorreu às 18h30, tendo a obra sido apresentada pelo benemérito empresário fafense Manuel Pinto Lopes, que ao longo dos últimos anos, directa ou indirectamente, ofereceu à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Fafe quatro veículos para combate a fogos florestais, duas ambulâncias, um veículo de fogos urbanos e uma auto-escada. O benemérito emigrante fafense, nomeado este ano pela Lusopress, no seio das Comunidades Portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, um dos Dez Portugueses de Valor 2012, realçou o trabalho realizado por Daniel Bastos em prol da História da Misericórdia de Fafe, que considerou uma instituição de referência na solidariedade e apoio social no seu concelho.
Discurso - Manuel Pinto Lopes
Antes, Pedro Lourtie, Cônsul-Geral de Portugal em Paris, que saudou o autor, e a provedora da Misericórdia de Fafe, referiu a importância para a comunidade portuguesa, em particular para a fafense, da presença do autarca José Ribeiro na sessão, concelho onde se situa o Museu da Emigração e das Comunidades que o mesmo elogiou enquanto espaço de aprofundamento do conhecimento das migrações na diáspora portuguesa.
Discurso - Pedro Lourtie

O historiador fafense, que agradeceu aos responsáveis consulares, designadamente ao Cônsul-Geral de Portugal em Paris, Pedro Lourtie, e à conselheira cultural, Ana Nave, assim como ao conselheiro das Comunidades Portuguesas, natural de Fafe, Parcídio Peixoto, a oportunidade de apresentar novamente um livro de sua autoria à comunidade emigrante. Realçando com emoção o seu contentamento pela presença na sala de cerca de uma centena de patrícios e conterrâneos, Daniel Bastos sublinhou o contributo estruturante da emigração fafense na instituição, no concelho e no próprio fenómeno migratório português.


A provedora da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, que renovou os agradecimentos às autoridades consulares e das comunidades pelo empenho na divulgação da história da instituição, assegurou que a Misericórdia de Fafe, conta com a generosidade da sociedade local e dos emigrantes fafenses para continuar a prestar no concelho um papel de auxílio e de ajuda à comunidade. A principal responsável da organização, que assegurou que a instituição tem apostado no bem-estar dos seus utentes, evidenciando os significativos investimentos na remodelação do Lar do Ex-Grémio, e a construção de um novo Lar no Outeiro, possíveis através de candidaturas e do apoio do Município, é gerida por princípios de solidariedade social.
Discurso - Maria das Dores Ribeiro João

O provedor da Misericórdia de Paris, Joaquim Silva Sousa, que explanou o passado da Santa Casa da Misericórdia de Paris, fundada no dia 13 de Junho de 1994, cuja missão passa por promover toda a acção de assistência e de beneficência, prioritariamente a favor dos portugueses residentes em França em situação de carência material, moral ou afectiva, aventou a partilha de ideias e experiências entre as Misericórdias de Fafe e de Paris, como reforço do importante papel destas instituições no compromisso de cidadania e ética de responsabilidade. 
Discurso - Joaquim Silva Sousa

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Fafe, José Ribeiro, que durante o fim-de-semana formalizou em França a geminação entre as cidades de Fafe, e a cidade de Sens, com o objectivo de intensificar as relações entre as duas localidades, sobretudo na área da actividade económica, elogiou o trabalho que Daniel Bastos tem desenvolvido no campo da História de Fafe. Agradecendo ao Consulado Geral de Portugal em Paris o papel activo na materialização do protocolo de geminação com a cidade de Sens, José Ribeiro, enalteceu o papel meritório da Misericórdia de Fafe para com os que mais necessitam, um trabalho a que o Município se tem associado através de apoio e colaboração efectiva com a instituição.
Discurso - José Ribeiro

Paralelamente à sessão de autógrafos do autor, decorreu uma prova de vinhos da Quinta de Naíde, cujos produtos vitivinícolas se assumiram como um importante cartão-de-visita do concelho de Fafe, e que conjuntamente com a degustação de queijos portugueses e franceses promovida pela mestra queijeira, Aida Cerqueira, proporcionaram um sabor característico e inconfundível à iniciativa cultural.
Autógrafos
Degustação de Vinhos e Queijos
Refira-se ainda, que no final da manhã de sábado (dia 17 de Novembro), o historiador Daniel Bastos, a provedora da Misericórdia de Fafe, Maria das Dores Ribeiro João, e o conselheiro das comunidades, Parcídio Peixoto, foram entrevistados pelo jornalista Carlos Vieira, da Rádio Alfa. Uma emissora privada que emite desde 1987 na Grande Paris para cerca de 800 mil portugueses e luso-descendentes, onde foi aflorada a cultura e campo social da Misericórdia de Fafe, assim como temáticas da actualidade concelhia e nacional, em que interveio igualmente, via telefone, o autarca José Ribeiro.
Rádio Alfa
Rádio R.G.B.
Ainda no final da manhã de domingo (dia 18 de Novembro), o historiador e a provedora foram convidados pela jornalista portuguesa Aida Cerqueira, locutora da rádio francesa R.G.B., no âmbito do programa Café Central, um espaço radiofónico dedicado à Lusofonia, para uma entrevista – tertúlia que abordou a dimensão sociocultural da Misericórdia de Fafe, e a Cultura de Solidariedade em Portugal.


Luso Jornal - 21 de Novembro de 2001
Luso Jornal - 14 de Novembro de 2001
Diário do Minho (2012-11-21)

Povo de Fafe (2012-11-23)
Correio do Minho (2012-11-25)