Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

domingo, 15 de outubro de 2017

Orlando Pompeu inaugura exposição “ComTextos Pessoais”



No próximo sábado (21 de outubro) o mestre-pintor Orlando Pompeu inaugura às 18h00 na Galeria quarenta do Hotel Mestre de Avis, uma unidade hoteleira no centro de Guimarães, integrada no território classificado pela UNESCO, a exposição de pintura “ComTextos Pessoais”.
 
Orlando Pompeu

Um dos mais conceituados artistas plásticos portugueses da atualidade, Orlando Pompeu é detentor de uma obra que está representada em variadas coleções particulares e oficiais em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Brasil, Estados Unidos, Dubai e Japão.

Nesta nova exposição que apresenta ao público, composta por obras conceptuais, acrílico sobre tela e aguarelas, Orlando Pompeu acentua os elementos característicos sua carreira artística. Nomeadamente a sublimação do traço, da forma, do ritmo e do desenho que se revelam num conjunto significativo de trabalhos inéditos marcados pela criatividade, originalidade e contemporaneidade.
 
Convite

Convite

Refira-se que a apresentação da obra e do mestre-pintor estará a cargo do escritor e historiador Daniel Bastos, e quem caso de vendas, 20% será doado à Associação Vencedores do Cancro Unidos pela Vida, uma Associação sem fins lucrativos e que pretende que doentes e seus familiares tenham um apoio na luta contra o Cancro.

sábado, 14 de outubro de 2017

O inverno demográfico e o fluxo migratório em Portugal



O retrato do país, em termos de fecundidade, natalidade, envelhecimento e fluxo migratório, é expressivo e inquietante: Portugal é atualmente um dos países mais envelhecidos do Mundo.

Os relatórios publicados pelas Nações Unidas sobre o envelhecimento da população mundial apontam mesmo que em 2050, Portugal será a nação mais envelhecida da terra, estimando que cerca de 40% da população portuguesa terá mais de 60 anos. Não deixando de ser reflexo do aumento da esperança média de vida, resultado dos grandes progressos no campo da saúde e na melhoria da qualidade de vida, o acentuado envelhecimento da sociedade portuguesa acarreta a prazo graves consequências ao nível da sustentabilidade dos sistemas de proteção social, como as pensões e os sistemas de saúde.

A divulgação no início deste mês da 5.ª edição do Retrato Territorial de Portugal, onde o Instituto Nacional de Estatística (INE) analisa as dinâmicas territoriais centradas nos domínios Qualificação territorial, Qualidade de vida e coesão e Crescimento e competitividade, acentua o inverno demográfico que se instalou no país. Segundo os dados do INE, o índice de envelhecimento aumentou, entre 2011 e 2016, em 95% dos municípios portugueses e apenas 15 dos 308 concelhos do país registaram um decréscimo.

A análise do INE, que revela que o país está cada vez mais inclinado para o litoral, mostra que o envelhecimento demográfico é sobretudo acentuado nos concelhos das sub-regiões do Interior Norte (Alto Tâmega, Terras de Trás-os-Montes e Douro) e Centro (Beiras e Serra da Estrela, Beira Baixa e Médio Tejo), territórios onde se registam aumentos em mais de 100 idosos por 100 jovens.

 A necessidade de uma resposta global para a premência desestruturante da realidade demográfica, adensada por um saldo migratório negativo que continua a assistir à saída por via da emigração de milhares de trabalhadores portugueses em idade ativa, tem que entrar definitivamente na agenda, visão, estratégia e soluções dos agentes políticos, sociais e económicos para o país. Caso contrário, Portugal continuará um país constantemente adiado e as gerações vindouras terão o seu futuro coletivo irremediavelmente comprometido na pátria que viu nascer as suas famílias. 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A comunidade portuguesa no Reino Unido e o Brexit



O Brexit, palavra criada pela fusão de "Britain" e "exit" para a saída do Reino Unido da União Europeia, no âmbito do referendo de 23 de junho de 2016 em que a maioria dos britânicos, 52%, votou pela saída da UE, continua por estes tempos a ser um dos principias temas das agendas europeias e mundiais.

As consequências ainda imprevisíveis da saída do Reino Unido do espaço comunitário, adensadas pelo arrastar das negociações entre Londres e Bruxelas, não podem deixar de causar inquietude às centenas de milhares de portugueses que escolheram o país como destino de vida e de trabalho. Em particular, aqueles que chegaram há menos tempo a terras de sua majestade, um dos principais destinos da emigração portuguesa na atualidade, e que manifestam algum receio por uma hipotética revogação da liberdade de circulação e fechar de fronteiras a trabalhadores europeus.

Estimada em cerca de meio milhão de pessoas, a comunidade portuguesa no Reino Unido, tem sido nas décadas mais recentes engrossada por um fluxo contínuo de emigração qualificada, que tem sobretudo na estabilidade laboral e salários os principais fatores de atração por este Estado soberano insular localizado em frente à costa noroeste do continente europeu.

Como aponta o Observatório da Emigração, que registou em 2015 a entrada de mais de 30 mil portugueses no Reino Unido, quatro em cada dez profissionais lusos no mercado de trabalho britânico são licenciados. No campo hodierno da emigração portuguesa para o Reino Unido, para além de profissionais como enfermeiros, dentistas, médicos ou cientistas, encontra-se ainda uma considerável mão-de-obra lusa a desempenhar funções nas áreas da construção civil, hotelaria, restauração e limpezas.   

É este peso relevante que a emigração portuguesa ocupa em terras de sua majestade, na linha do papel fundamental que diversas nacionalidades desempenham no desenvolvimento socioecónomico britânico, que deve tranquilizar a comunidade lusa. Uma comunidade modelarmente integrada, que por prudência deve procurar cumprir as condições mínimas requeridas aos imigrantes fora da União Europeia quando pedem um visto de trabalho, mas que seguramente tem no seu esforço quotidiano um crédito que não será desbaratado pelas autoridades britânicas, e cujos direitos não deixarão de ser assegurados e defendidos pela autoridade nacionais e europeias.

sábado, 30 de setembro de 2017

O fluxo de estudantes estrangeiros em Portugal



O número crescente de estudantes estrangeiros que estão a procurar as faculdades e escolas superiores nacionais para cumprir um período de mobilidade estudantil ou para realizar um curso completo, evidencia que está na moda vir estudar para Portugal.

Os dados da Direção-Geral das Estatísticas do Ensino Superior e Ciência sustentam essa realidade, anualmente, mais de 30 mil estudantes provenientes de mais de uma centena de países vêm estudar para Portugal. No rol destas nacionalidades destaca-se a presença significativa de alunos oriundos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, designadamente do Brasil, Angola, Moçambique, São Tome e Príncipe e Guiné Equatorial, sendo que no território europeu, sobressai a presença de estudantes de Espanha, Itália e Polónia.

O aumento de 148% nos primeiros cinco meses deste ano, comparando com o mesmo período do ano passado, de pedidos de vistos de brasileiros para estudar em Portugal, é sintomático da presença significativa dos estudantes canarinhos nas instituições de ensino superior nacionais. Inclusivamente, segundo um estudo publicado pelo jornal brasileiro “O Globo”, os vistos de residência para estudar por um período superior a um ano em Portugal aumentaram 320%. 

Esta nova e relevante forma de mobilidade, termo que cada vez mais substitui o termo migração, uma vez que a saída de um país ou região não é necessariamente definitiva, exerce uma dinâmica frutífera no progresso cultural, económico e social português. O esforço de contínua melhoria que as faculdades e escolas superiores nacionais fazem para acolher os estudantes estrangeiros, tende a gerar não só um relevante impacto financeiro nestas instituições, como dinamiza, por exemplo, o mercado imobiliário através dos gastos com alojamento.

Um relatório apresentado no início deste ano pela Uniplaces, revela já que os alunos internacionais são responsáveis por mais de dois terços das reservas realizadas nesta plataforma de arrendamento online de casas para estudantes. Se há dimensão financeira, acrescermos o impacto deste fluxo na promoção do país, na riqueza intercultural e na dinâmica socioeducativa, percebe-se que é indispensável que o Estado Português, em geral, e as Instituições de Ensino Superior, em particular, continuem a trabalhar afincadamente na atração de estudantes estrangeiros para estudar em Portugal.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A realidade da imigração no sudoeste alentejano



Tradicionalmente um país de emigrantes, Portugal tem conhecido nas últimas décadas novas realidades de fluxos regulares de imigrantes, como é o caso do sudoeste alentejano, uma região onde coabitam entre outras múltiplas nacionalidades, tailandeses, siques, nepaleses, bengalis, vietnamitas, paquistaneses, cambojanos, ucranianos, bielorussos, búlgaros, romenos e moldavos. 

Tratam-se nomeadamente de trabalhadores agrícolas, que vivem nos seus países de origem com grandes dificuldades económicas, mas que encontram nas explorações hortofrutícolas do sudoeste alentejano um meio de melhorar as suas condições de vida e das suas famílias. A presença destas comunidades, que estão a transformar a realidade sociocultural alentejana, em 2011 a Associação de Horticultores do Sudoeste Alentejano registava a presença de 2500 cidadãos estrangeiros nas culturas intensivas, e no concelho de Odemira os imigrantes são já 12% da população local, é fundamental para os empresários agrícolas suprirem as necessidades do mercado de trabalho da região em mão-de-obra menos qualificada.

Sendo uma mais-valia para o desenvolvimento do sudoeste alentejano e para o país, mas também reveladora de uma realidade laboral marcada em muitos casos por baixos salários, o que leva a que mesmo com taxas de desemprego elevadas as populações locais rejeitem estas oportunidades profissionais, este fluxo migratório impõe às autoridades político-administrativas e aos agentes socioeconómicos nacionais, regionais e locais uma estratégia simultaneamente capaz de analisar problemas e encontrar soluções para diversos desafios. Como sejam, as políticas e práticas de acolhimento e integração, as necessidades de alojamento, as condições de habitabilidade e de trabalho, os direitos sociais e as remunerações salariais, ou as barreiras linguísticas e culturais.

Como sustenta o Pe. António Vaz Pinto, antigo Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, “A palavra imigração, é bom lembrá-lo, não é uma palavra neutra e fria, é uma realidade que encerra pessoas, muito concretas, com as suas vidas, alegrias, esperanças e desejos. Por outro lado, é uma realidade viva, em movimento contínuo que não se deixa fixar nem parar. É um puzzle humano colorido, de inumeráveis cores, línguas, sabores, tradições, culturas, religiões. Por isso mesmo, não pede apenas uma resposta, mas respostas variadas e sucessivas, um puzzle que se vai construindo com o esforço de todos”.