Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sábado, 8 de agosto de 2020

A Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto

Fundada em 2003 pelos luso-canadianos José Mário Coelho, Bernardette Gouveia e Manuel da Costa, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, é um espaço museológico singular em Toronto que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá.
 O historiador Daniel Bastos (esq.), cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, acompanhado em 2016 do comendador Manuel da Costa (dir.) na Galeria dos Pioneiros Portugueses, no âmbito de uma conferência sobre a Emigração Portuguesa


Conquanto a presença regular de portugueses neste território do norte da América remonte ao início do séc. XVI, a emigração portuguesa para o Canadá começou a ter expressão a partir de 1953. Ano em que ao abrigo de um acordo Luso-Canadiano, que visava suprir a necessidade de trabalhadores para o sector agrícola e para a construção de caminhos-de-ferro, desembarcaram a 13 de maio em Halifax, província de Nova Escócia, um grupo pioneiro de oitenta e cinco emigrantes lusitanos.
Se entre 1953 e 1973, terão entrado no Canadá mais de 90.000 portugueses, na sua maioria originários dos Açores, estima-se que atualmente vivam no segundo maior país do mundo em área total, mais de meio milhão de luso-canadianos, sobretudo concentrados em Ontário, Quebeque e Colúmbia Britânica, representando cerca de 2% do total da população canadiana que constitui um hino ao multiculturalismo.  

É a partir da dinamização deste legado histórico da comunidade portuguesa, uma comunidade que se destaca hoje no Canadá pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico, que a Galeria dos Pioneiros Portugueses, impulsionada no presente pelo comendador Manuel da Costa, a quem se deve desde 2013 as novas instalações museológicas na St. Clair Avenue West, se tem dado a conhecer à comunidade canadiana em geral e a outras culturas.

Mais do que um espaço de memória e de homenagem dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá, a Galeria dos Pioneiros Portugueses, alavancada na ação benemérita do comendador Manuel da Costa, fautor entre outros, do Portuguese Canadian Walk of Fame, que anualmente laureia portugueses que se têm destacado no território canadiano, é um exemplo inspirador para as comunidades portuguesas disseminadas pelo mundo, principalmente naquilo que deve ser o respeito pelo seu passado, a construção do seu presente e a projeção do seu futuro entre as pátrias de acolhimento e de origem.   

Como apontam Miguel Monteiro e Maria Beatriz da Rocha-Trindade no artigo “Emigração e Retorno”, o processo de musealização da memória histórica e social da emigração nacional, além de fomentar o conhecimento e a investigação, promove igualmente “a pesquisa do papel dos emigrantes nos territórios de emigração e de retorno na arquitetura, indústria, comércio, filantropia, jornalismo, associativismo, artes, no trânsito das ideias em Portugal e nos territórios de destino”.

sábado, 1 de agosto de 2020

Carlos de Matos, um empresário português da Diáspora


Uma das marcas mais características das Comunidades Portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é indubitavelmente a sua dimensão empreendedora, como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico e político. 

Nos vários exemplos de empresários portugueses da Diáspora, cada vez mais percecionados como um ativo estratégico na promoção e reconhecimento internacional do país, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do empresário Carlos de Matos.

Originário da freguesia de Carvide, no concelho de Leiria, Carlos de Matos emigrou “a salto” para França em 1969, então com 18 anos, após uma transição entre a infância e a idade adulta marcada por experiências como moço de recados e operário numa fábrica de vidro. Como grande parte dos portugueses que vivenciaram a epopeia da emigração para França nos anos 60, o leiriense chegou à região parisiense com uma mão à frente e outra atrás, conseguindo o seu primeiro trabalho como eletricista e a sua primeira solução de habitação no bidonville (bairro de lata) de Champigny.

As dificuldades de adaptação e o desejo de conhecer África, trouxeram ainda em 1972 Carlos de Matos ao torrão natal para fazer a tropa, da qual tinha fugido, e ser mandado para a guerra colonial em Moçambique. Após o 25 de Abril e depois de uma curta experiência ao volante de um dos táxis do pai em Leiria, voltou para França onde foi eletricista por uns anos, até se tornar no alvorecer dos anos 80 dono da sua primeira empresa, que batizou de ERA, especializada em reboco, e que através da sua vontade de vencer e dedicação ao trabalho se tornaria a maior empresa do ramo no território gaulês.

As vicissitudes da vida levaram o empresário e empreendedor luso nos anos 90 a criar o Grupo Saint Germain, direcionado para o ramo imobiliário, que em pleno séc. XXI viria a ser o responsável pelo gigantesco centro de negócios “Paris-Ásia Center”, junto ao aeroporto Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, destinado a promover trocas comerciais e profissionais entre a França, a Europa e a China. 

Nunca abdicando da coragem, frontalidade e audácia de pensar, dizer e fazer, Carlos de Matos tem ao longo dos últimos anos contribuído igualmente para o impulso da economia nacional, revelando a importância e potencialidade dos empresários das Comunidades Portuguesas no desenvolvimento do país.

Presentemente, o empresário luso-francês que parece seguir o lema do célebre magnata Jean Paul Getty: “O empresário verdadeiramente bem-sucedido é essencialmente um dissidente, um rebelde que raramente ou nunca está satisfeito com o status quo”-, prepara-se para levar a cabo dois relevantes projetos imobiliários em Portugal, num investimento global que ronda dos 90 milhões de euros. Um é no concelho do Barreiro, onde o Grupo Saint Germain vai reabilitar a Quinta Braamcamp, o outro é em Monte Gordo, no Algarve, um dos melhores destinos de férias da Europa.




sábado, 25 de julho de 2020

Camões Radio & TV, uma estação ao serviço da comunidade portuguesa em Toronto


Ao longo do anos a comunidade portuguesa em Toronto, capital da província do Ontário e maior cidade do Canadá, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes na nação canadiana, tem sido palco de uma notável multiplicidade de meios de comunicação social produzidos pelos emigrantes lusos e seus descendentes.

Como destaca a investigadora Sónia Ferreira em A emigração portuguesa e os seus meios de comunicação social: breve caraterização, no termo da primeira década do séc. XXI “existiam na província do Ontário cerca de seis rádios com difusão em português: cinco estações consideradas portuguesas e uma estação multicultural que dispõe de programação em língua portuguesa. Em termos de imprensa portuguesa foram contabilizados, para o Canadá, 22 publicações. O Canadá apresenta-se mesmo como um exemplo relevante pela multiplicidade de meios de comunicação social migrantes existentes”.
 
O historiador Daniel Bastos (dir.), cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, entrevistado em 2019 pela jornalista Telma Pinguelo (esq.) na Camões Rádio em Toronto
No profícuo campo dos órgãos de comunicação social luso-canadianos, uma das estações que mais se tem destacado ao longo da última década tem sido indubitavelmente a Camões Radio & TV. Uma estação radiofónica e televisiva integrada na empresa de comunicação social MDC Media Group, presidida pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que incorpora órgãos de informação como o jornal Milénio Stadium, as revistas Amar e Luso Life, que desde a sua génese se tem posicionado como uma plataforma de inovação e informação ao serviço da comunidade portuguesa, inclusive lusófona, no território canadiano.

Ao longo da última década a Camões Radio & TV tem-se destacado no panorama da imprensa luso-canadiana em Toronto através do lançamento de novos programas de rádio e televisão, novas secções de informação temática e novos conteúdos, inovando e seguindo os principais desafios da comunicação social da Diáspora. Prosseguindo uma missão e visão ao serviço da comunidade portuguesa em Toronto, a Camões Radio & TV destaca-se atualmente por produzir informação de qualidade, de forma ética e independente, que ajuda a promover a cidadania e o desenvolvimento económico, cultural e social da comunidade luso-canadiana.

A dimensão social, estreitamente ligada à solidariedade, é mesmo uma das marcas mais características da Camões Radio & TV, indelevelmente ligadas aos valores preconizados, em geral, pela MDC Media Group, e em particular pelo seu presidente, o comendador Manuel da Costa. 

Presentemente, nestes tempos difíceis que atravessamos devido aos efeitos da pandemia de coronavírus, que gerou num curto espaço de tempo uma crise mundial sem precedentes, e que também afetou a comunidade luso-canadiana, a Camões Radio & TV, em linha com a MDC Media Group, encontra-se a promover a recolha de alimentos para entregar no Food Bank of Canada, procurando assim ajudar a minimizar os efeitos da crise socioeconómica que bateu à porta de muitos concidadãos. Uma campanha de solidariedade, entre várias outras já dinamizadas pela Camões Radio & TV ao longo dos anos, que sublima a epígrafe de Victor Hugo: “A imprensa é a imensa e sagrada locomotiva do progresso”.