Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador, professor e político minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Daniel Bastos apresentou novo livro sobre Gérald Bloncourt e o nascimento da democracia portuguesa em Toronto


No passado sábado (22 de junho), foi apresentada em Toronto, a maior cidade do Canadá, o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.



A obra, concebida e realizada pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista recentemente falecido em Paris, e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, foi apresentada na Galeria dos Pioneiros Portugueses, um museu que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração lusa para o Canadá.

A sessão muito concorrida, que contou com a presença de vários representantes da comunidade luso-canadiana e órgãos de comunicação social da diáspora, esteve a cargo do comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que enalteceu o trabalho que o investigador da nova geração de historiadores nacionais tem realizado em prol das Comunidades Portuguesas. 






Segundo Manuel da Costa, a iniciativa promovida pela Galeria dos Pioneiros Portugueses, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal no Canadá, visou enriquecer a história, cultura e cidadania da comunidade luso-canadiana, incentivando nessa esteira Daniel Bastos, a conceber novos trabalhos junto da comunidade portuguesa, porquanto uma comunidade sem memória é uma comunidade sem história. 

Refira-se que no decurso da tertúlia, ocorreram várias intervenções por parte de representantes da comunidade luso-canadiana, como foi o caso de Armando Branco, presidente da Liga dos Combatentes do Núcleo de Ontário, e de Artur Jesus, representante da Associação Cultural 25 de Abril de Toronto, que explanaram a missão destas relevantes coletividades e destacaram as conquistas de Abril no desenvolvimento de Portugal. 








Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa, mas que retratou também a explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974. 

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, o historiador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia, aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.


domingo, 23 de junho de 2019

A memória histórica dos "bidonvilles" portugueses em França


Um dos capítulos mais marcantes da história da emigração portuguesa é seguramente o ciclo da emigração lusa para França nos anos 60, derivado ao processo de reconstrução gaulês do pós-guerra. Que em parte, foi suportado por um enorme contingente de mão-de-obra portuguesa pouco qualificada, que encontrou nos setores da construção civil e de obras públicas da região de Paris o seu principal sustento. 

Num país estruturalmente condicionado pelo regime autoritário e conservador que vigorou em Portugal entre 1933 e 1974, a miséria rural, a ausência de liberdade, a fuga ao serviço militar e a procura de melhores condições de vida, impeliram entre 1954 e 1974, a saída legal ou clandestina, de mais de um milhão de portugueses em direção ao território francês

Essencialmente masculino e oriundo das regiões rurais do norte e centro do país, o fluxo migratório em massa com destino à França, ficou desde logo assinalado pela vida difícil dos portugueses nos “bidonvilles” dos arredores de Paris. Enormes bairros de lata, com condições de habitalidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil, como os de Saint-Denis ou Champigny, que na década de 60 albergou mais de uma dezena de milhares de portugueses, tornando-se um dos principais centros de distribuição de trabalhadores de nacionalidade lusa em França.

Embora os “bidonvilles” não tenham constituído a residência predominante dos emigrantes lusitanos em território francês, como aponta o investigador em Geografia Humana, Hélder Diogo, “menos de 20% dos portugueses chegaram a viver nestes espaços”, a crise do alojamento francês no pós-guerra, e o projeto pessoal do emigrante de amealhar e poupar o máximo para regressar à terra de origem com o sonho de construir uma casa, esta forma de habitação e acolhimento marcou a primeira fase de chegada dos emigrantes portugueses a França.

O vislumbre dos tempos em que muitos portugueses viveram nos “bidonvilles”, constituiu na atualidade um dever de memória e de homenagem aqueles que com sacrifício alcançaram o direito a uma vida melhor, e um alerta à consciência das novas gerações lusas que não se podem afastar do espirito de solidariedade entre os povos e nações, porquanto essa é uma marca indelével da mundividência dos seus antepassados.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

O acervo bibliográfico sobre a emigração portuguesa

No decurso dos últimos anos o acervo bibliográfico sobre o fenómeno emigratório nacional tem sido profusamente enriquecido com o lançamento de um conjunto diversificado de documentos que ampliam o estudo e conhecimento sobre a relevância da emigração portuguesa.

Neste conjunto diversificado de trabalhos, onde se cruzam os olhares interdisciplinares das ciências sociais, encontram-se livros, capítulos de livros, artigos em revistas científicas, artigos em atas de congressos, conferências e outros tipos de encontros científicos, relatórios, assim como dissertações de licenciatura, mestrado e doutoramento. 

Como sustentam os vários investigadores sociais responsáveis pelo levantamento bibliográfico “Emigração portuguesa: bibliografia comentada (1980-2013)”, este relevante acervo documental “constitui um contributo importante para o conhecimento da emigração”.

Dentro da categoria temática dos livros, que na linha de pensamento do ensaísta Jorge Luis Borges, são “a grande memória dos séculos... se os livros desaparecessem, desapareceria a história e, seguramente, o homem”, são vários os exemplos que asseveram a importância que muitas publicações têm tido na compreensão e enriquecimento do fenómeno emigratório nacional.

É o caso, por exemplo, da obra “Portugal Querido”, um livro da autoria do argentino Mario dos Santos Lopes, filho de um português emigrante, que foi lançado em 2014 na Argentina. Uma edição que tem o condão de retratar as vivências dos portugueses no segundo maior país da América do Sul, através de testemunhos reais, e que recupera a memória de milhares de compatriotas provenientes na sua maioria dos distritos do Algarve e da Guarda, que durante a primeira metade do séc. XX se estabeleceram na Argentina, à época dos países mais ricos do mundo, em busca de uma vida melhor.


Ainda nesta esteira, enquadram-se dois livros lançados em 2015, designadamente, “A Vida numa Mala – Armando Rodrigues de Sá e Outras Histórias”, e “Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”, que resgatam da penumbra do esquecimento, respetivamente, a epopeia da emigração portuguesa para a Alemanha e França nos anos 60.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

O passeio da fama de portugueses no Canadá


No âmbito das comemorações do 10 de junho, uma vez mais assinalaram-se um pouco por todo o mundo, as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. 

Este ano as comemorações do Dia de Portugal, abriram oficialmente em Portalegre, capital de distrito do Alto Alentejo, e na senda dos três anos de mandato do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, estenderam-se às comunidades portugueses, mormente a Cabo Verde, arquipélago localizado ao largo da costa da África Ocidental, onde residem quase 20 mil compatriotas.

A singularidade das comemorações do Dia de Portugal junto das comunidades lusas, além de reveladora do papel essencial da Diáspora na afirmação da pátria de Camões, é um justo e merecido reconhecimento às trajetórias de vida dos inúmeros compatriotas que pelos quatro cantos do mundo alteiam o amor pátrio.  

Um destes prodigiosos exemplos de amor pátrio e exaltação da cultura e língua portuguesa além-fronteiras encontra-se nas celebrações do Dia de Portugal promovido pela comunidade portuguesa de Toronto, no Canadá. Território na América do Norte, onde uma vez mais, milhares de participantes e espectadores participaram na Parada de Portugal, uma das maiores manifestações de orgulho luso, no Mundo.

É também no seio da comunidade lusa em Toronto, estimada em cerca de 300 mil portugueses e luso-descendentes, que desde 2013, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, se assinala o Portuguese Canadian Walk of Fame. Uma iniciativa carregada de enorme simbolismo, impulsionada pelo comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, que tem como principal objetivo realçar os percursos de sucesso de luso-canadianos para que sirvam de inspiração às gerações vindouras.

O passeio da fama de portugueses no Canadá, localizado na Camões Square, onde pontifica uma estátua em homenagem ao poeta da epopeia dos descobrimentos, em pleno âmago de uma nação diversa e multicultural, espelha publicamente a notável capacidade de afirmação da comunidade lusa no Canadá. Um dos maiores países do mundo, onde os portugueses através da argamassa da cultura e língua de Camões, honram o seu passado, constroem o seu presente e projetam o seu futuro.