Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Prémio Literário A. Lopes de Oliveira/Câmara Municipal de Fafe – Estudos Histórico-Sociais de Âmbito Local ou Regional

Obrigado a todos os meus amigos, colegas e conterrâneos que constantemente me estimulam e motivam para a análise objectiva e pesquisa dedicada da História de Fafe. Aproveito o ensejo para convosco partilhar a alegria e o reconhecimento de ter sido um dos vencedores do Prémio Literário A. Lopes de Oliveira/Câmara Municipal de Fafe – Estudos Histórico-Sociais de Âmbito Local ou Regional, cuja entrega decorreu na sessão solene comemorativa do 25 de Abril no Salão Nobre do Município de Fafe.
Mesa de honra da sessão solene evocativa do 25 de Abril

Sessão solene evocativa do 25 de Abril

Entrega do Prémio Literário A. Lopes de  Oliveira

FOTOS: Manuel Meira

sábado, 23 de abril de 2011

Lévinas e a Ética no Rosto


Um dos mais importantes filósofos do séc. XX, Emmanuel Levinas nasceu no seio de uma família lituana de origem burguesa e judaica no alvorecer do séc. XX, e faleceu em Paris em 1995. Indelevelmente marcado pela barbárie nazi, que ceifou parte da sua família, o postulado filosófico levinasiano, paradigmaticamente consubstanciado na obra Totalidade e Infinito, assume uma vertente fracturante em relação à tradição filosófica ocidental. 
Emmanuel Levinas (1906-1995)
 Rejeitando o paradigma ontológico, dominante na História da Filosofia Ocidental, que demanda uma “tentativa de síntese universal, uma redução de toda a experiência, de tudo aquilo que é significativo, a uma totalidade em que a consciência abrange o mundo, não deixa nada fora dela, tornando-se assim pensamento absoluto”, Lévinas promoveu a Metafísica na análise do sentido humano – “el metafísco y lo Outro no constituyen alguma correlación reversible” –, para assim, como destaca Batista de Sousa, remover o discurso filosófico “do mesmo da imanência, da totalidade e abrir-se à dimensão da exterioridade, do Infinito. Enfim, sair do círculo do anonimato e impessoalidade do ser; lançar-se para o outro, para a verdadeira Metafísica”.
Em detrimento da visão filosófica globalizante e totalizante, em que “em ordem à totalidade abstrai-se do que individualiza cada um dos termos de modo a atingir o que é comum, obtendo-se assim uma mesmidade”, Levinas aduz uma relação de “face – a – face” na comunicação humana, uma relação de Infinito “entre el Outro y yo, que brilla en su éxpresión”, uma relação que não se esvai no conhecimento, a sua essência é ética.      
Salvador Dali - 1934
 A inquietação levinasiana perante o discurso ontológico dilui-se a partir da Ética no Rosto: “a filosofia primeira é uma Ética”. O rosto em Levinas é “significação sem contexto”. O rosto levinasiano é simultaneamente próximo e distante, não se manifesta – “ele é o que não se pode transformar num conteúdo, que o nosso pensamento abraçaria; é o incontível, leva-nos além” –, exprime-se na sua nudez, na sua pobreza, impelindo-nos a responder à sua primeira palavra “Tu não matarás”.
 A relação Eu – Outro é essencialmente ética, se “o rosto é o que não se pode matar ou, pelo menos, aquilo cujo sentido consiste em dizer: tu não matarás”, o Eu não é neutral, é constantemente responsável pelo Outro.
Assim na Ética levinasiana consuma-se a transcendência, o incomensurável, isto é, “a metafísica na sua radicalidade, como desinteresse que não pode ser apreendido numa intenção teórica nem fenomenológica”.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

UMA BREVE ABORDAGEM À ÉTICA EM WITTGENSTEIN

Proeminente filósofo da contemporaneidade, com importantes trabalhos no campo da Lógica, Ludwig Wittgenstein, assentou o seu arrazoado filosófico, na fase inicial do seu pensamento, no desenvolvimento da teoria da linguagem: na obra Tratado Lógico – Filosófico, primeira obra do filósofo austríaco publicada em vida, o mundo é concebido como “a totalidade dos factos”, sendo que “a totalidade das proposições é a linguagem”. 
Ludwig Wittgenstein (1889-1951)

Na esteira, de Bertrand Russell, a filosofia em Wittgenstein é uma “crítica da linguagem”, porquanto uma “proposição” constitui-se como um reflexo da realidade, ou como assevera, um paradigma da “realidade tal como nós a pensamos». Como constatou, Nicola Abbagnano, para Wittgenstein a linguagem é a “refiguração lógica mundo”, abalizando-se o seu postulado filosófico inicial, na premissa empirista basilar de que a acção de opinar e exprimir exige um facto do kósmos: “a linguagem é a manifestação do ser”.
Neste sentido, o pensamento em Wittgenstein corrobora uma ética exigente, condição sine qua non para iluminar as áreas escuras do pensamento, ou como refere, gizar “a linha de fronteira do pensamento”. Esta exigência, premente por exemplo na actualidade, dada a complexidade de problemáticas e situações com que nos confrontamos no quotidiano, confere à Ética, também uma dimensão insuflada pela inquietação, o que faculta “pensar aquilo que não se deixa ser pensado” de modo a poder-se descortinar-se “a solução final dos problemas”.
A Escola de Atenas -  Rafael (séc. XVI)
Legenda: Ao centro Platão e Aristóteles. Platão segura o Timeu e aponta para o alto, sendo assim identificado com o ideal,  o mundo inteligível. Aristóteles segura a Ética e tem a mão na horizontal, representando o terrestre, o mundo sensível.
 Este esforço que é exigido na estruturação do pensamento, foi um importante exemplo que Wittgenstein evidenciou e legou. Mencionamos aqui a sua recomendação, para quando os pensadores empregarem termos como “saber, objecto, eu, proposição, nome”, colocarem a si próprios a questão: “na linguagem onde vive, esta palavra é de facto sempre assim usada?”.

Sentimento Pascal e de Abril

Do centro do coração do Minho, para todos os cantos da Lusitânia e Além-mar, um sentimento Pascal e de Abril firmado no essencial da nossa existência: Amor, Amizade, Fraternidade, Saúde, Solidariedade…

Sentimento de Abril - 1974

Fafe – Prémio Literário A. Lopes Oliveira atribuído a duas obras monográficas


O Júri do Prémio Literário A. Lopes de Oliveira/Câmara Municipal de Fafe – Estudos Histórico-Sociais de Âmbito Local ou Regional e respeitante a obras publicadas nos anos de 2009 e 2010, deliberou declarar vencedoras as obras O Lugar Feminino no Liceu Sá de Miranda (1930-1947), de Maria Adília Fernandes e Fafe – Estudos de História Contemporânea, de Daniel Bastos, que assim repartem o valor do prémio, nos termos do regulamento.

         O Júri integrou os Professores José Viriato Capela, docente da Universidade do Minho, José Carlos Meneses e João Carlos Pascoinho, ambos docentes do Instituto de Estudos Superiores de Fafe.
Presidiu, em representação da Câmara e sem direito a voto, nos termos do regulamento, Artur Coimbra, Coordenador do Departamento de Cultura, Desporto e Juventude.
           O Prémio Literário A. Lopes de Oliveira/Câmara Municipal de Fafe – Estudos Histórico-Sociais de Âmbito Local ou Regional é atribuído de dois em dois anos à melhor obra publicada dentro daquele género e vai ser entregue no próximo dia 25 de Abril, no âmbito da sessão solene comemorativa da efeméride.

            FONTE: Câmara Municipal Fafe

terça-feira, 19 de abril de 2011

UMA ABORDAGEM AO PENSAMENTO E OBRA DE PABLO NERUDA


Pablo Neruda nasceu no alvorecer do séc. XX no Chile, disseminando na América Latina uma “poesia militante que explode em denúncia e cólera”, que se entroncou no comunismo e enalteceu a revolução cubana. O poeta chileno encaixa no paradigma de “bardo”, que estaria "entre os deuses e os homens, gerando o haver mundo e história no receber de uns e dar a outros" (Paulo A. E. Borges).
Pablo Neruda (1904-1973)
 A poesia em Neruda exara “o profético que há em mim ”, transportando “a perfeição com que se relaciona com a terra, tempo e homem”. O poeta em “Ode ao Homem Simples” aponta: «vejo a terra, / e a sua unidade, / a água, / o homem, / e tudo provo assim / buscando-te/ em tudo». Em “Eternidade” afirma o aedos contemporâneo: “A terra é uma catedral de pálpebras pálidas, / eternamente unidas e agregadas num / vendaval de segmentos, num sal de abóbadas, / numa cor final de Outono perdoado”. E quem é o poeta? Atentamos: “eu sou o nimbo metálico, a argola / encadeada a espaços, a nuvens, a terrenos / que toca despenhadas e emudecidas águas, / e volta a desafiar a tormenta infinita”.
O Amor, que em Pablo Neruda atinge uma totalidade primorosa – “Meu amor, / encontramo-nos / sedentos e bebemos / toda a nossa água e o nosso sangue” –, pois “tu e eu somos a luz que continua”.