Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador, professor e político minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Orlando Pompeu inaugurou exposição “Metamorfoses Pompeuanas II” em Chaves


Na passada sexta-feira (16 de novembro) o mestre-pintor Orlando Pompeu inaugurou na Galeria Carneiro Rodrigues, em Chaves, a exposição “Metamorfoses Pompeuanas II”.
 
LEGENDA - O mestre-pintor Orlando Pompeu, na inauguração da nova exposição em Chaves, acompanhado do galerista Carneiro Rodrigues (esq.), e do historiador Daniel Bastos (dir.), curador do artista plástico no espaço lusófono
A inauguração da exposição de um dos mais conceituados artistas plásticos portugueses da atualidade, detentor de uma obra que está representada em variadas coleções particulares e oficiais em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Brasil, Estados Unidos, Dubai, Japão e Canadá, contou com presença de vários amigos, admiradores e colecionadores do pintor de referência nacional e internacional. 

Nesta nova exposição, composta por obras cujo registo se carateriza pela espontaneidade e pela linha gestual de caráter expressionista, Orlando Pompeu infunde o seu notável e singular universo artístico marcado pela cor, criatividade e contemporaneidade. 

Refira-se que a exposição estará patente ao público até à quadra natalícia, durante o período normal de funcionamento da galeria arte localizada em pleno centro histórico da cidade transmontana.

Memórias de São Roque do Faial: as vozes dos emigrantes


Na freguesia de São Roque do Faial, uma freguesia do concelho de Santana, ao norte da Ilha da Madeira, encravada na base do Maciço Montanhoso Central, entre a Ribeira da Metade e a Ribeira do Castelejo, está a ser dinamizado nos últimos anos um projeto comunitário singular em torno da temática da emigração.

Intitulado “Memórias de São Roque do Faial: as vozes dos emigrantes”, o projeto é fruto de uma ideia inspirada nos fluxos emigratórios desta povoação madeirense conhecida pela sua ruralidade e fantásticos miradouros. Esta realidade sócio histórica conduziu à criação de um espaço de partilha, conhecimento e informação sobre as tradições e cultura da freguesia com o principal objetivo de estabelecer um elo de ligação entre os residentes e emigrantes de São Roque do Faial.

Procurando preservar, respeitar e transmitir a cultura e tradição associada à pitoresca freguesia madeirense, bem como contactar diretamente e ativamente com os seus usos e costumes, de forma a manter vivas as tradições, como é o caso das vindimas, das romagens no Natal, das festas do verão, designadamente o dia do padroeiro S. Roque, das lendas e das imensas belezas naturais misturadas com aromas e cores, o projeto assenta parte significativa do seu trabalho no levantamento das histórias de vida e testemunhos dos emigrantes.

Não poderia ser de outra forma, porquanto numa povoação fortemente marcada pela emigração, como reconhecem os responsáveis do projeto comunitário, não há casa que não tenha família emigrante ou residentes que tenham sido emigrantes no Brasil, Venezuela, Austrália, África do Sul, Estados Unidos ou Inglaterra.

Neste sentido, este projeto comunitário que tem sido dinamizado ao longo dos últimos anos na freguesia de São Roque do Faial, reveste-se de um valor cultural de importância local, regional e nacional. Pois além de preservar aspetos culturais de carácter etnográfico da povoação e da região, e de divulgar junto das novas gerações a cultura tradicional, através da recolha e registo de usos e costumes, saberes e fazeres, histórias e memórias, existe um claro propósito de reconhecer, valorizar e dignificar as sucessivas gerações locais, que à imagem e semelhança de muitos compatriotas, um dia deixaram o país para demandarem outras paragens à procura de uma vida melhor.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Gérald Bloncourt, o fotógrafo da emigração portuguesa


No decurso desta semana, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento, aos 92 anos, do fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista, e cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um contributo incontornável na (re)construção da identidade e memória coletiva nacional.
 
O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, no Consulado de Portugal em Paris, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador luso sobre a epopeia da emigração portuguesa para França
Radicado em Paris há mais de meio século, o antigo fotojornalista e colaborador de jornais de referência no campo social e sindical, teve o condão de retratar a chegada das primeiras levas massivas de emigrantes portugueses para França nos anos 60. A lente humanista do fotógrafo com dotes poéticos captou com particular singularidade as duras condições de vida dos nossos compatriotas nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, como os de Saint-Denis ou Champigny, com condições de habitabilidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil.

Menos conhecidas, mas nãos menos importantes, são as imagens que Gérald Bloncourt captou durante a sua primeira viagem a Portugal nos anos 60, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “s alto” que fez com emigrantes além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, que permanece ainda hoje como a maior manifestação popular da história portuguesa.

O trabalho fotográfico de Bloncourt sobre a emigração lusa constitui um valioso repositório do último meio século português, que resgata das penumbras do esquecimento os protagonistas anónimos da história portuguesa que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade. 

O trabalho e percurso de vida do fotógrafo francês de origem haitiana, que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e Portugal, foram em 2016 distinguidos pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. No âmbito das Comemorações do 10 de Junho em Paris, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, cujas comemorações oficiais nesse ano aconteceram pela primeira vez numa cidade fora do país, o nonagenário fotógrafo foi condecorado na cidade simbólica de Champigny, com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.