Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador, professor e político minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Memórias de São Roque do Faial: as vozes dos emigrantes


Na freguesia de São Roque do Faial, uma freguesia do concelho de Santana, ao norte da Ilha da Madeira, encravada na base do Maciço Montanhoso Central, entre a Ribeira da Metade e a Ribeira do Castelejo, está a ser dinamizado nos últimos anos um projeto comunitário singular em torno da temática da emigração.

Intitulado “Memórias de São Roque do Faial: as vozes dos emigrantes”, o projeto é fruto de uma ideia inspirada nos fluxos emigratórios desta povoação madeirense conhecida pela sua ruralidade e fantásticos miradouros. Esta realidade sócio histórica conduziu à criação de um espaço de partilha, conhecimento e informação sobre as tradições e cultura da freguesia com o principal objetivo de estabelecer um elo de ligação entre os residentes e emigrantes de São Roque do Faial.

Procurando preservar, respeitar e transmitir a cultura e tradição associada à pitoresca freguesia madeirense, bem como contactar diretamente e ativamente com os seus usos e costumes, de forma a manter vivas as tradições, como é o caso das vindimas, das romagens no Natal, das festas do verão, designadamente o dia do padroeiro S. Roque, das lendas e das imensas belezas naturais misturadas com aromas e cores, o projeto assenta parte significativa do seu trabalho no levantamento das histórias de vida e testemunhos dos emigrantes.

Não poderia ser de outra forma, porquanto numa povoação fortemente marcada pela emigração, como reconhecem os responsáveis do projeto comunitário, não há casa que não tenha família emigrante ou residentes que tenham sido emigrantes no Brasil, Venezuela, Austrália, África do Sul, Estados Unidos ou Inglaterra.

Neste sentido, este projeto comunitário que tem sido dinamizado ao longo dos últimos anos na freguesia de São Roque do Faial, reveste-se de um valor cultural de importância local, regional e nacional. Pois além de preservar aspetos culturais de carácter etnográfico da povoação e da região, e de divulgar junto das novas gerações a cultura tradicional, através da recolha e registo de usos e costumes, saberes e fazeres, histórias e memórias, existe um claro propósito de reconhecer, valorizar e dignificar as sucessivas gerações locais, que à imagem e semelhança de muitos compatriotas, um dia deixaram o país para demandarem outras paragens à procura de uma vida melhor.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Gérald Bloncourt, o fotógrafo da emigração portuguesa


No decurso desta semana, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento, aos 92 anos, do fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista, e cujas amplamente conhecidas imagens que imortalizam a história da emigração portuguesa para França, representam um contributo incontornável na (re)construção da identidade e memória coletiva nacional.
 
O fotógrafo Gérald Bloncourt, acompanhado do historiador Daniel Bastos, no Consulado de Portugal em Paris, aquando do lançamento em 2016 do livro realizado pelo investigador luso sobre a epopeia da emigração portuguesa para França
Radicado em Paris há mais de meio século, o antigo fotojornalista e colaborador de jornais de referência no campo social e sindical, teve o condão de retratar a chegada das primeiras levas massivas de emigrantes portugueses para França nos anos 60. A lente humanista do fotógrafo com dotes poéticos captou com particular singularidade as duras condições de vida dos nossos compatriotas nos bairros de lata nos arredores de Paris, conhecidos como bidonvilles, como os de Saint-Denis ou Champigny, com condições de habitabilidade deploráveis, sem eletricidade, sem saneamento nem água potável, construídos junto das obras de construção civil.

Menos conhecidas, mas nãos menos importantes, são as imagens que Gérald Bloncourt captou durante a sua primeira viagem a Portugal nos anos 60, onde retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves. Assim como as da viagem a “s alto” que fez com emigrantes além Pirenéus, e as das comemorações do 1.º de Maio de 1974 em Lisboa, que permanece ainda hoje como a maior manifestação popular da história portuguesa.

O trabalho fotográfico de Bloncourt sobre a emigração lusa constitui um valioso repositório do último meio século português, que resgata das penumbras do esquecimento os protagonistas anónimos da história portuguesa que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade. 

O trabalho e percurso de vida do fotógrafo francês de origem haitiana, que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em França e Portugal, foram em 2016 distinguidos pelo Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. No âmbito das Comemorações do 10 de Junho em Paris, Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, cujas comemorações oficiais nesse ano aconteceram pela primeira vez numa cidade fora do país, o nonagenário fotógrafo foi condecorado na cidade simbólica de Champigny, com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Fernando Cruz Gomes, decano dos jornalistas da comunidade portuguesa em Toronto

No decurso deste mês, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento, aos 78 anos, do decano dos jornalistas da comunidade portuguesa em Toronto, Fernando Cruz Gomes, um dos rostos mais conhecidos da numerosa prole luso-canadiana que vive na quarta maior cidade da América do Norte.  

Natural da vila de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, Fernando Cruz Gomes, iniciou nos finais dos anos 50 a sua vida profissional como jornalista, no vetusto “Primeiro de Janeiro”, um jornal diário que se publicou na cidade do Porto. Mas foi em solo africano, mais concretamente em Angola, antiga província ultramarina portuguesa, onde residiu durante 25 anos, que o seu trabalho jornalístico ganhou amplitude e profundidade, através do desempenho de funções em diversos meios de comunicação, jornais e rádios, como o "ABC Diário de Angola", a "Rádio Eclésia", no diário de Luanda "O Comércio", "A Província de Angola" (atual “Jornal de Angola”), no "Rádio Clube de Benguela" e na "Emissora Oficial de Angola".

No início da Guerra do Ultramar em Angola, a 15 de março de 1961, Fernando Cruz Gomes, chegou a acompanhar sozinho os combates entre as Forças Armadas Portuguesas e os Movimentos de Libertação deste território da costa ocidental de África. Durante o seu percurso jornalístico por terras africanas, o profissional de comunicação social, foi ainda presidente da secção de Angola do Sindicato Nacional de Jornalistas, onde se manteve até finais de 1974.

 A sua chegada ao Canadá ocorreu em 1975, ano do conturbado processo de descolonização. Na nova pátria de adoção, foi fundador e diretor de jornais comunitários, como "Popular", "Comércio", "Mundo", ABC Portuguese Canadian Newspaper e "A Voz", e editor e repórter na CIRV Rádio e na FPTV. 

As suas multifacetadas funções jornalísticas em Toronto, inclusive de correspondente durante vários anos da Lusa, foram fundamentais para a promoção e conhecimento da língua, cultura e pulsar da comunidade luso-canadiana. E estiveram na base do justíssimo reconhecimento de que foi alvo em 2014, com a atribuição da Ordem do Infante D. Henrique pelos serviços relevante que prestou à pátria de Camões.

sábado, 20 de outubro de 2018

Partido Socialista promoveu Roteiro Social em Fafe


A Secção do Partido Socialista em Fafe, em articulação com a Federação do PS-Braga, promoveu no passado sábado (20 de outubro), um Roteiro Social que abarcou a realização de um conjunto de visitas e reuniões de trabalho com instituições sociais do concelho de Fafe. 


A iniciativa, que contou com a presença do Presidente da Federação Distrital do PS de Braga, Joaquim Barreto, e dos deputados do PS eleitos pelo círculo bracarense, Sónia Fertuzinhos, Luís Soares e Nuno Sá, assim como de membros do secretariado socialista distrital e local, da Secretária-Coordenadora da JS-Fafe, Marisa Brochado, e dos vereadores do executivo socialista local Pompeu Martins e Márcia Barros, teve como principal objetivo o contato direto com instituições de caráter social, para que os deputados e demais agentes políticos reforcem o seu conhecimento acerca das realidades específicas destas organizações no concelho.

















Nesta primeira visita dedicada à temática social, a comitiva socialista reuniu com os responsáveis da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, da CERCIFAF e da ACR-Fornelos, contactando de perto com os seus funcionários e utentes, aprofundado assim o seu conhecimento sobre o conjunto de atividades, objetivos e projetos sociais presentes e vindouros que estas instituições prosseguem no concelho.






















Segundo Daniel Bastos, Presidente da Comissão Política do PS-Fafe, esta é a primeira de várias iniciativas dedicadas a roteiros temáticos locais que a estrutura pretende realizar ao longo do seu mandato em articulação com a distrital e a autarquia. E com as quais procurará alocar a Fafe a presença de figuras governativas, a envolvência de militantes e da sociedade civil, e assim dinamizar a agenda política local, fortalecer o conhecimento sobre as atividades e projetos de instituições de referência, e valorizar o contacto direto com as pessoas.