Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador, professor e político minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A volta ao mundo de Fernão de Magalhães


No segundo semestre deste ano assinalam-se os 500 anos da primeira viagem de circum-navegação do mundo, iniciada pelo navegador português Fernão de Magalhães em setembro de 1519 e concluída pelo explorador espanhol Sebastián Elcano, em setembro de 1522, após a morte do navegador luso.

Polémicas estéreis à parte, que recentemente sobrevieram na imprensa luso-espanhola a pretexto de uma pretensa “monopolização” portuguesa das Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação, as fontes históricas sustentam que o intrépido navegador, nascido no seio de uma família nobre no norte de Portugal, realizou a primeira volta histórica ao mundo, ao serviço do rei Carlos I de Espanha, vindouro Imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico.

 O propósito da audaciosa viagem, que representou um dos maiores feitos da humanidade, visava demonstrar que as atuais ilhas Molucas, na Indonésia, à época conhecidas como as “Ilhas das Especiarias”, se encontravam do lado espanhol do mundo, podendo ser alcançadas navegando para ocidente. Indo assim ao encontro dos termos do Tratado de Tordesilhas, que no final do séc. XV, com o beneplácito papal, dividiu o mundo “descoberto e por descobrir” em duas partes, com os direitos de exploração, de cada uma delas, destinadas a Portugal (Oriente) e a Espanha (Ocidente).

Liderando uma frota de cinco navios, com 256 homens a bordo, Fernão de Magalhães dobrou a América do Sul, atravessando o estreito que hoje tem o seu nome, conseguindo desse modo alcançar após três meses de navegação no oceano Pacífico o arquipélago das Marianas, situadas na região do Oceano Pacífico ocidental. No entanto, Magalhães não sobreviveria ao fim da viagem, tendo sucumbido em 1521 nas Filipinas, já na rota de regresso a Espanha, tendo então o comando da expedição sido assumido por Elcano, que regressou a Sevilha em setembro de 1522, acompanhado de apenas 18 homens.

A volta ao mundo de Fernão de Magalhães deve obviamente ser comemorada e compartilhada por Portugal e Espanha, nações europeias pioneiras nos descobrimentos marítimas, que têm que assentar o seu valioso legado histórico no diálogo hodierno sobre a globalização, a diversidade cultural e a sustentabilidade ambiental.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O futuro do movimento associativo das comunidades portuguesas


O movimento associativo das comunidades portuguesas constitui um dos mais importantes elos de ligação dos inúmeros compatriotas espalhados pelos quatro cantos do mundo à língua, cultura, história e memória da pátria de origem, e simultaneamente uma das marcas mais expressivas da inserção nos territórios de acolhimento onde encetaram os seus percursos de vida e de trabalho.

Espaços privilegiados de cultura e participação cívica, o movimento associativo é a argamassa identitária que une as comunidades portuguesas, catapultando as mesmas para um patamar de “verdadeiras embaixadoras de Portugal pelo mundo fora”, como sobrelevou numa das últimas comemorações do 10 de Junho o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

No entanto, é percetível no seio das comunidades portuguesas que o movimento associativo da diáspora enfrenta, hoje, um desafio fundamental para a sua própria sobrevivência futura, que advém essencialmente do envelhecimento dos seus quadros dirigentes e das dificuldades em captar a participação dos lusodescendentes. Este último ponto está inclusivamente neste momento, a ser alvo de uma pesquisa por parte do conselheiro das Comunidades Portuguesas no Canadá, Daniel Loureiro, luso-canadiano a residir em Montreal, que pretende através desta via "descobrir porque não há uma maior adesão dos lusodescendentes aos eventos da comunidade".

Segundo o mais jovem dos conselheiros das Comunidades Portuguesas, os jovens da comunidade "são orgulhos das suas raízes e de pertencerem à comunidade portuguesa", porém há que "preencher esse orgulho" com atividades para "manterem viva a comunidade" que dentro de 40 ou 50 anos terá que se "rejuvenescer".

O rejuvenescimento do movimento associativo das comunidades portuguesas é condição sine qua non para a sua sobrevivência, exigindo aos seus membros uma vivência cultural que seja capaz de ultrapassar os impactos e conflitos geracionais. Torna-se assim, indispensável a diversificação de atividades de animação sociocomunitária, que possam conciliar a cultura tradicional enraizada no movimento associativo, com novas dimensões socioculturais, como o cinema, a literatura, o design, a dança, o teatro, a arte ou a moda, entre outros, de modo a atrair as jovens gerações de lusodescendentes e as mesmas impulsionarem a presença portuguesa no mundo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Rotary Club de Fafe abordou importância da História Local


Na passada terça-feira à noite (12 de Fevereiro), no decurso da reunião semanal do Rotary Club de Fafe, os membros desde movimento de estímulo a uma ação profissional e comunitária ética e responsável, presente no concelho de Fafe há mais de três décadas, refletiram sobre a importância da História Local.
 
Os membros presentes na reunião semanal do Rotary Club de Fafe no decurso da palestra “Terras de Monte Longo – Uma abordagem à ruralidade de Fafe nos anos 70”.

A convite do presidente do Rotary Club de Fafe, Rodrigo Gonçalves, o historiador Daniel Bastos proferiu uma palestra intitulada “Terras de Monte Longo – Uma abordagem à ruralidade de Fafe nos anos 70”.

Através do espólio do consagrado fotógrafo José de Andrade, que nos anos 70 captou um conjunto expressivo e emblemático de imagens em povoados rurais de Fafe, acervo que esteve na base do livro “Terras de Monte Longo” concebido e realizado pelo historiador local, Daniel Bastos encetou uma viagem pelas memórias do passado, não muito distante, do concelho profundo e rural na transição da ditadura para a democracia.

Uma viagem guiada pela objetiva humanista de um fotógrafo que permaneceu quase incógnito até ao fim dos seus dias, e que encontrou em Fafe um palco privilegiado para revelar nessa época as agruras da vida quotidiana no interior norte de Portugal.