Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Baltasar Rebelo de Sousa: Cidadão Honorário do Concelho de Fafe


        A relação intrínseca de Baltasar Leite Rebelo de Sousa (1921-2002) com o concelho de Fafe tem a sua génese no vínculo materno. A mãe, que enviuvou muito nova, Joaquina Leite da Silva, natural de Celorico de Basto, uniu-se em segundas núpcias com o comerciante fafense, Joaquim Terroso, após o falecimento do pai de Baltasar, António Joaquim Rebelo de Sousa, emigrante “brasileiro de torna-viagem” natural de Cabeceiras de Basto.

       Tinha então Baltasar seis anos, sendo que da união da mãe com Joaquim Terroso nasceu uma ligação afectiva que se alentou nas férias de meninice passadas em Fafe, e se robusteceu em laços de amizade e vínculos sociais, como manteve com o comerciante Sousa Alves da “Loja Nova” onde era visita assídua da família.

       A afinidade de Baltazar Rebelo de Sousa revelou-se em inúmeras visitas oficiais e particulares a Fafe, coincidentes com alguns dos cargos políticos que exerceu durante o Estado Novo. Dessa proximidade beneficiaram algumas instituições locais, como os Bombeiros Voluntários de Fafe, a Associação Desportiva de Fafe, e o Município através de algumas obras públicas e subsídios, também possíveis, devido à amizade com elementos do poder político local, por exemplo, os presidentes de Câmara, Manuel Cardoso, e José Barros e Vasconcelos que considerava Baltazar Rebelo de Sousa “o protector e impulsionador deste Concelho, contribuindo com o seu prestígio e a sua influência, como ninguém o fizera anteriormente para o progresso desta Sala de Visitas do Minho”. (Povo de Fafe, 1971)



        Baltasar Rebelo de Sousa está associado à história sociopolítica contemporânea local, como sustenta, por exemplo, o seu papel impulsionador na construção da antiga Escola Industrial e Comercial de Fafe (1959), do antigo Centro de Saúde de Fafe (1971), do antigo Bairro das Casa da Renda Económica da Previdência (1972), actual Praceta 1.º de Maio e do antigo Bloco Escolar “Baltasar Rebelo de Sousa”(1970), actual Escola  EB1 do Santo.
Antigo Centro de Saúde Fafe (Rua Montenegro)
Actual Praceta 1.º de Maio
        Nesta esteira, o Município de Fafe no ocaso do Estado Novo, durante a presidência de António Marques Mendes, último autarca local estadonovista, deliberou por unanimidade em reunião extraordinária de 8 de Março de 1974, conferir o galardão de “Cidadão Honorário do concelho” a Baltasar Rebelo de Sousa, então Ministro do Ultramar, “como testemunho de gratidão e preito de homenagem pelos relevantes serviços que (…) há muito vem a prestar ao concelho”. (Povo de Fafe, 1974)
 
António Marques Mendes (década de 70)

         A entrega do diploma, marcada para o dia 30 de Março de 1974 em sessão solene nos paços do concelho, não se chegou a concretizar tendo sido adiada à última hora, sendo que a entrega do diploma, não chegaria a realizar-se, dado que pouco tempo depois estalaria a Revolução de Abril. 

        A ligação local de Baltasar Rebelo de Sousa, seria assinalada na década de 80 pelo Município de Fafe, durante a visita de uma delegação da edilidade, presidida pelo presidente da Câmara Municipal, Parcídio Summavielle, á cidade brasileira de S. Paulo.

Parcídio Summavielle (década de 80) 

            No decorrer dos diversos actos e encontros oficias, o Presidente do Município de Fafe, entregou ao antigo governante estadonovista durante um jantar oferecido pelo cônsul de Portugal em S. Paulo, o diploma de “Cidadão Honorário do concelho”, destacado então Parcídio Summavielle que a homenagem “teve um significado de reconciliação para com um homem que muitos e relevantes serviços prestou ao concelho de Fafe”. (Correio de Fafe, 1985)

terça-feira, 8 de março de 2011

Suplemento JN CIDADES


JN CIDADES, 2011-03-08, pp. 12-13

Saiu hoje no suplemento JN CIDADES, do Jornal de Noticias, uma entrevista sobre o livro “Fafe – Estudos de História Contemporânea”. Em duas páginas é abordado sinteticamente os últimos 100 anos da vida concelhia que perpassei nos seis capítulos da obra, designadamente transição do século XIX para o século XX, o consulado republicano, o período do Estado Novo e a Revolução de Abril numa perspectiva local assente em referenciais de análise regionais, nacionais e europeus.