Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador, professor e político minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

A homenagem da Comunidade Portuguesa em França a Gérald Bloncourt


No passado dia 26 de outubro, a Comunidade Portuguesa em França, no âmbito do primeiro aniversário do falecimento de Gérald Bloncourt, promoveu uma cerimónia pública de homenagem ao consagrado fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa para terras gaulesas nos anos 60.
 
A homenagem contou com o enquadramento histórico do investigador Daniel Bastos (dir.), que organizou dois livros com as fotografias de Bloncourt, assim como dos testemunhos da socióloga das migrações Maria-Beatriz Rocha Trindade (centro), e do dirigente associativo Parcídio Peixoto (esq.)
A sessão, que decorreu no Museu Nacional da História da Imigração em Paris, um espaço carregado de enorme simbolismo onde é evidenciado o papel estruturante dos imigrantes no desenvolvimento económico, social e cultural da França, como é o caso dos portugueses, uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas no território gaulês, teve como principais mentores os dirigentes associativos Manuel Vaz, do Comité Aristides de Sousa Mendes, e Parcídio Peixoto, Presidente da Associação Memória das Migrações.

Pautada pela emoção e saudade, a homenagem a título póstumo congregou a presença de vários amigos e familiares de Gérald Bloncourt, em particular da sua esposa, Isabelle Repiton, companheira de vida e responsável do acervo que assegura a preservação da memória do fotojornalista, pintor e poeta. Assim como, de autoridades diplomáticas, representantes de associações, artistas e órgãos de comunicação social da comunidade lusa em França, e muitos admiradores do fotógrafo franco-haitiano que teve o condão de retratar as duras condições de vida dos descendentes dos grandes navegadores nos bidonvilles e o nascimento da democracia em Portugal. 

No decurso da homenagem pública, abrilhantada pelo som da guitarra portuguesa interpretada por membros da Associação Gaivota, dedicada à disseminação e preservação do fado em França, e enriquecida pela projeção de fotografias e de um documentário alusivo à vida e obra de Gérald Bloncourt, foram vários os testemunhos emotivos de pessoas que conviveram com o antigo fotojornalista e colaborador de jornais de referência no campo social e sindical.

Uma vida e obra marcada pela defesa universal da solidariedade entre os povos, paradigmaticamente singularizada no olhar humanista e de compromisso que assumiu com os emigrantes lusos nos bairros de lata em Paris, e que se revelou fundamental na perpetuação da memória dos protagonistas anónimos da história portuguesa que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida melhor e à liberdade.

domingo, 20 de outubro de 2019

Daniel Bastos apresentou novo livro sobre Gérald Bloncourt e o nascimento da democracia portuguesa em Fafe


Na passada sexta-feira (18 de outubro), foi apresentado em Fafe o livro Gérald Bloncourt – Dias de Liberdade em Portugal”.



A obra, concebida e realizada pelo historiador Daniel Bastos a partir do espólio fotográfico de Gérald Bloncourt, um dos grandes nomes da fotografia humanista, e que é traduzida por Paulo Teixeira e prefaciada pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Direção da Associação 25 de Abril, foi apresentada no Auditório da Biblioteca Municipal de Fafe.





A sessão de apresentação, que encheu por completo o auditório, e que foi abrilhantada com canções de abril interpretadas pelo artista musical Carlos Miguel, esteve a cargo do advogado e comentador, Luís Marques Mendes, que caraterizou o livro como um verdadeiro serviço público que procura passar, em particular, às novas gerações a importância do 25 de Abril, a conquista da liberdade e da democracia. Um momento histórico que marcou a vida coletiva nacional, singularmente captado por Gérald Bloncourt, e que tem sido profusamente divulgado pelo historiador Daniel Bastos junto das comunidades portuguesas, embaixadoras da cultura e história do país, como também sublinhou Albino Costa, em representação do Município de Fafe. 







Neste novo livro, realizado com o apoio da Associação 25 de Abril, Daniel Bastos revela uma parte pouco conhecida do espólio de Gérald Bloncourt, afamado fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa, mas que retratou também a explosão de liberdade que tomou conta do país após a Revolução de 25 de Abril de 1974. 

Através de imagens até aqui praticamente inéditas, a obra aborda factos históricos que medeiam a Revolução dos Cravos e a celebração do Dia do Trabalhador na capital portuguesa. Designadamente, a chegada do histórico líder comunista Álvaro Cunhal ao Aeroporto de Lisboa, a emoção do reencontro de presos políticos e exilados com as suas famílias, o caráter pacífico e libertador da Revolução de Abril, e as celebrações efusivas do 1.º de Maio de 1974, a maior manifestação popular da história portuguesa.

Refira-se que esta sessão de apresentação antecede a cerimónia de homenagem pública que a comunidade portuguesa em França vai realizar no próximo dia 26 de outubro, no Museu Nacional da História da Imigração em Paris, no âmbito do primeiro aniversário do falecimento de Gérald Bloncourt.



Mala da Partilha – Histórias de Vida


No final do passado mês de setembro, a Cáritas Portuguesa, uma instituição oficial da Conferência Episcopal Portuguesa para a promoção e dinamização da ação social da Igreja Católica, que tem como missão o desenvolvimento humano e a defesa do bem comum, apresentou na Câmara Municipal de Santarém, o livro “Mala da Partilha – Histórias de Vida”.

A obra, coordenada por Filipa Abecasis, Responsável Operacional da Unidade Internacional da Cáritas Portuguesa, e prefaciada pelo Cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, nas Filipinas, e presidente da Caritas Internationalis, assenta num conjunto expressivo de cartas/testemunho de refugiados, emigrantes e imigrantes, que comparam e cruzam diferentes perspetivas do fenómeno migratório. Designadamente, as trajetórias de quem chega a Portugal à procura de uma vida melhor, com os percursos de quem sai do território nacional à procura de melhores condições de vida.

Segundo Filipa Abecasis, o livro, publicado no âmbito da campanha “Partilhar a Viagem” da Caritas Internationalis, que foi lançada pelo Papa Francisco, em 2017, com o tema “acolher, proteger, promover e integrar” migrantes e refugiados, enquadra uma “panóplia de testemunhos bastante diferentes que mostram a forma como as pessoas se sentem mais ou menos integrados, quais foram os desafios também na sua viagem até chegarem e depois também a história de integração”.

As diferentes histórias de vida reunidas na obra sublinham desde logo, que embora o país continue marcado pela emigração, estimativas da Nações Unidas apontam que o número de portugueses emigrados é de mais de 2,2 milhões, o processo de imigração em Portugal tem vindo a assistir nos últimos anos um crescente aumento. Dados recentes do Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo (RIFA) do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), registam que atualmente vivem em Portugal mais de 480 mil estrangeiros, maioritariamente oriundos do Brasil, Cabo Verde, Roménia, França e Itália.

Neste sentido, as diferentes histórias de vida partilhadas no livro, visam essencialmente a promoção de uma cultura do encontro propugnada pelo atual Papa Francisco, como contraposto à globalização da indiferença que grassa em muitas partes do mundo, e que não respeita a dignidade humana de migrantes e refugiados.