Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador, professor e político minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

A Santa Casa da Misericórdia de Paris


A Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP), instituída a 13 de junho de 1994 na esteira das Misericórdias Portuguesas, instituições de assistência social que ao longo dos tempos se têm assumido como pilares imorredouros do altruísmo nacional, desempenha um papel fundamental na dinamização da solidariedade no seio da comunidade portuguesa em França.

Desde a sua fundação, a Misericórdia de Paris mantém uma matriz de intervenção que não substitui nem entra em concorrência com os serviços existentes, tanto franceses como portugueses, antes pelo contrário, procura complementar e colaborar com os mesmos, atuando quando não há resposta aos problemas específicos da comunidade portuguesa ou quando as respostas não são satisfatórias ou são incompletas.

Nesse sentido, a sua missão e valores visam no quadro geral da assistência à comunidade portuguesa em terras gaulesas, através da realização campanhas e ações de solidariedade social, apoiar as pessoas idosas, os jovens sem formação com dificuldades de inserção, os indigentes, os desempregados de longa duração, os inválidos, os que padecem de abandono e solidão, os detidos e os que carecem de necessidade material, moral ou afetiva.

Uma missão e valores que assumem uma premência vital, tanto que a França continua a ser o país com mais emigrantes portugueses, mais de um milhão, e contrariamente à uma certa ideia preconcebida que associa os emigrantes portugueses a percursos de vida coroados de sucesso, vários são os que vivem com dificuldade, confrontados com situações de precariedade, de doença, de desemprego, de abandono ou de solidão.

Parte desta realidade social, encontra-se analisada no estudo realizado em 2008 pelo sociólogo e antigo provedor da SCMP, Aníbal de Almeida, intitulado “Os portugueses em França na hora da Reforma”. Ao longo da sua investigação, o sociólogo sustenta que um terço dos reformados portugueses residentes no território gaulês recebe "abaixo do limiar da pobreza", e que "são muitos os que sofrem de envelhecimento precoce em consequência da dureza da vida e dos empregos exercidos, penosos para muitos, expostos às intempéries ou a produtos nocivos, com muitas horas diárias trabalhadas, incluindo, muitas vezes, os sábados e os domingos, sendo frequente a ocorrência de acidentes de trabalho, de doenças profissionais e de invalidez".

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Erosão, um projeto comunitário dedicado à emigração


Na freguesia de Cepães, uma freguesia do concelho de Fafe, situada no distrito de Braga, com intensa atividade industrial e aptidão agrícola, está a ser dinamizado um original projecto comunitário em rede que está a envolver toda a comunidade local em torno da história e memória da emigração.  

Partindo dos percursos migratórios do final do século XIX e do século XX para o Brasil e França, assim como das expressões materiais e simbólicas do ciclo de retorno dos emigrantes que marcam indelevelmente a região do Vale do Ave. E em particular o concelho de Fafe, contexto que impeliu o município minhoto a instituir no início do séc. XXI o Museu das Migrações e Comunidades, o grupo local EnfimTeatro, núcleo dramático da Sociedade de Recreio Cepanense, está a desenvolver desde o primeiro trimestre de 2017 o projeto comunitário Erosão, tendo em vista a dinamização de atividades culturais nas áreas do teatro e cinema.

Tendo como objetivos capitais o desenvolvimento, formação, divulgação, produção e ação artística, cultural e educativa, através de um amplo, exigente e democrático acesso à cultura, o EnfimTeatro tem projetado em 2020 o lançamento do filme Erosão. Ano em que se celebrarão os 25 anos da morte de Miguel Torga, um dos mais influentes escritores portugueses do século XX, cujo percurso de vida e literário foi marcado pela sua experiência nos anos 20 como emigrante no Brasil.

No projecto Erosão, a comunidade é protagonista, e os termos viagem, emigração, esperança, utopia, tradições, memória, identidade e património são os pilares fundamentais da estrutura do argumento do filme que funciona simultaneamente como catalisador de uma rede cultural, porquanto a iniciativa conta com a colaboração de diversas instituições, associações e grupos comunitários.

Como sustentam os seus responsáveis, o projeto Erosão embrenha-se na comunidade, nas suas metamorfoses, linguagens, hábitos e tradições, comprometendo-se com as suas virtudes e dificuldades, ou seja, está vinculado com a paisagem, o património material e imaterial, as pessoas, enfim, o território.
 
Mais que uma abordagem singular ao fenómeno migratório, o projeto Erosão dinamizado pelo grupo comunitário EnfimTeatro, constitui uma necessária valorização da emigração portuguesa que é parte integrante da nossa história e da nossa identidade.

domingo, 20 de maio de 2018

Orlando Pompeu inaugurou exposição “Metamorfoses Pompeuanas” em Guimarães


No passado sábado (19 de maio) o mestre-pintor Orlando Pompeu inaugurou na Pousada de Santa Marinha (Prémio Nacional de Arquitetura em 1985), um Small Luxury Hotel localizado num antigo Mosteiro Agostiniano do século XII em Guimarães, a exposição “Metamorfoses Pompeuanas”.
 
O mestre-pintor Orlando Pompeu, na inauguração da nova exposição em Guimarães, acompanhado do poeta Acácio Almeida (esq.), e do historiador Daniel Bastos (dir.) que tem divulgado os trabalhos do artista plástico junto das Comunidades Portuguesas
A inauguração da exposição de um dos mais conceituados artistas plásticos portugueses da atualidade, detentor de uma obra que está representada em variadas coleções particulares e oficiais em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Brasil, Estados Unidos, Dubai e Japão, encheu-se de amigos, admiradores e colecionadores do pintor de referência nacional e internacional. 












Nesta nova exposição, assente em pintura com aguarela, Orlando Pompeu expande o seu inconfundível e notável universo artístico marcado pela cor, forma, criatividade e contemporaneidade. 




























Refira-se que a exposição, que computou um prelúdio musical abrilhantado pela violonista polaca Malgorzata Markowska, e a pianista checa Ingrid Sotolarova, estará patente ao público até ao dia 19 de setembro, durante o período normal de funcionamento da unidade hoteleira localizada num mosteiro cuja antiguidade se confunde com o próprio tempo da nacionalidade.