Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador, professor e político minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

domingo, 29 de julho de 2018

O projeto solidário da rede médica portuguesa na Venezuela


A Comunidade Portuguesa na Venezuela, segunda maior comunidade lusa na América Latina, a seguir ao Brasil, constituída por meio milhão de portugueses e lusodescendentes, vive por estes tempos marcada pela angústia do presente e a incerteza do futuro. 

Esta intranquilidade é resultante da grave crise económica e social em que mergulhou a pátria Simón Bolívar, que ainda no início deste século era o país mais rico da América do Sul, e onde na atualidade a população sofre uma séria escassez de alimentos e medicamentos. O panorama socioeconómico sombrio regista a falta de comida, o aumento nos índices de mortalidade infantil e materna, a privação de remédios essenciais, como antibióticos e analgésicos, a carência de luvas, gazes, seringas ou produtos de limpeza.

A Comunidade Portuguesa na Venezuela não está imune à crise, sendo conhecidas várias situações de compatriotas que já não conseguem satisfazer as necessidades mais básicas. Situação que tem contribuído para o regresso de milhares de luso-venezuelanos a Portugal, sobretudo à Madeira, onde nos últimos anos segundo o Governo Regional já regressaram mais de quatro mil emigrantes da Venezuela. 

Mas é também nestes tempos sombrios de crise, que se têm gerado genuínos exemplos de resiliência e solidariedade no seio da Comunidade Portuguesa na Venezuela. Como é o caso da Associação de Médicos Luso-venezuelanos (Assomeluve), que durante o mês de julho delineou uma rede médica portuguesa centrada em atender as necessidades prioritárias de saúde dos compatriotas.

Este projeto solidário, que conta com o apoio do Governo português, da Embaixada de Portugal na Venezuela e dos consulados locais, tem segundo a gastrenterologista Clara Maria Dias de Oliveira, porta-voz da Assomeluve, como principal missão “estabelecer as necessidades prioritárias dos portugueses na Venezuela, e prestar atenção médica geral e especializada", e irá começar em cinco regiões da Venezuela, no Distrito Capital (Caracas, Miranda e Vargas) e nos estados de Lara, Bolívar, Carabobo e Anzoátegui. 

O exemplo de solidariedade praticado pela Associação de Médicos Luso-venezuelanos em prol da Comunidade Portuguesa é digno de louvor e de reconhecimento público, e um sinal de esperança no futuro da Comunidade Portuguesa na Venezuela.

sábado, 21 de julho de 2018

José Batista de Matos, rosto da emigração portuguesa em França


No início do mês de julho, fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento, aos 84 anos, do antigo conselheiro das comunidades portuguesas, José Batista de Matos, um dos rostos mais conhecidos da emigração lusa em França, a maior comunidade de portugueses no estrangeiro.

Natural do concelho da Batalha, Batista de Matos emigrou para França na década de 1960, época em que a miséria rural, a ausência de liberdade e o deflagrar da Guerra do Ultramar impeliram a saída legal ou clandestina de centenas de milhares de portugueses em direção ao território gaulês. 

Como uma parte significativa dos emigrantes desse período o batalhense experienciou as condições miseráveis do enorme bairro de lata “bidonville” de Champigny, nos arredores de Paris, que nos anos 60 albergou mais de uma dezena de milhares de portugueses, e se tornou um dos principais centros de distribuição de trabalhadores de nacionalidade lusa em França.

Encarregado-geral no metro de Paris onde trabalhou trinta anos e ajudou a construir mais de duas dezenas de estações, e conhecido operário-ativista do maio de 68, Batista de Matos cedeu vários documentos sobre a emigração portuguesa ao Museu da História da Imigração, em Paris. Um espaço museológico que reconhece o contributo do fenómeno migratório em França, e que tem na trajetória de vida de Batista de Matos um exemplo paradigmático do relevante contributo da comunidade portuguesa no desenvolvimento da pátria francesa. 

Membro fundador e dirigente da Associação Portuguesa de Fontenay-sous-Bois, comuna francesa onde foi responsável pela inauguração do primeiro monumento ao 25 de abril de 1974, fora de Portugal, Batista de Matos foi em 10 de junho de 2011 distinguido pelo Presidente da República, Cavaco Silva, com a Comenda da Ordem de Mérito.

O percurso de vida de Batista de Matos, autor do livro Uma vida de militância cívica e cultural, constitui um rosto expressivo da emigração portuguesa dos anos 60 para França, um ícone da primeira geração de emigrantes cujo trabalho e sacrifício permitiu alcançar melhores condições de vida e de dignidade que o país de origem lhes privava.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Peter Francisco, o herói português dos Estados Unidos da América


No passado dia 4 de julho, assinalou-se o Dia da Independência dos Estados Unidos da América, um dos principais, senão mesmo o principal feriado da nação norte-americana, que evoca a Declaração de Independência de 1776, ano em que as Treze Colónias declararam a separação formal do Império Britânico.

O processo de independência dos EUA, ao corporalizar as aspirações à emancipação dos povos, ao triunfo dos direitos inalienáveis do homem, designadamente o direito à vida, liberdade, felicidade e segurança, constituiu um marco indelével para a humanidade. Nesse arrojado processo, abalizado pela Guerra da Independência, iniciada em 1775 entre os colonos americanos e a Coroa Inglesa, e o reconhecimento da emancipação com o Tratado de Versalhes em 1783, destaca-se a figura heroica do português Peter Francisco, a quem chamaram “o Gigante da Virgínia”, “o Gigante da Revolução”, “o Hércules da Virgínia”.

Pedro Francisco ou Peter Francisco terá nascido a 9 de Julho de 1760, na freguesia de Porto Judeu, na Ilha Terceira, no Arquipélago dos Açores, de onde foi raptado ainda em criança por corsários que o abandonaram na costa norte-americana. Após passar pelo orfanato de Prince George County, foi acolhido pelo juiz Anthony Winston, magistrado que em março de 1775 participou na Convenção da Virgínia, acompanhado do seu protegido de raízes lusas.

Com uma imponente estampa física de mais de dois metros altura e cem quilos de peso, Peter Francisco, desde cedo decidiu combater pela independência dos Estados Unidos, alistando-se no 10º Regimento de Virgínia, às ordens de George Washington, que viria a ser o primeiro Presidente dos EUA, distinguindo-se nas várias baralhas em que participou pelos seus atos de heroísmo e bravura.

Quando ainda recentemente as comunidades portuguesas de Boston e Providence acolheram as comemorações oficiais do Dia de Portugal, e o Presidente da Republica, Marcelo Rebelo de Sousa, deslocou-se a Washington para uma visita oficial que contou com um encontro com o Presidente dos EUA, Donald Trump, a figura heroica de Peter Francisco é um elo histórico memorável dos laços entre Portugal e os Estados Unidos da América.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Toronto acolhe exposição de pintura de Orlando Pompeu


No âmbito do programa das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no Canadá, o mestre-pintor Orlando Pompeu inaugurou na passada quinta-feira (5 de julho) na Peach Gallery em Toronto, a exposição de pintura Con-Textos de Criatividade”.
 
A curadoria da exposição, composta por quarenta aguarelas sobre papel que foram todas vendidas durante a iniciativa cultural aberta à comunidade luso-canadiana, esteve a cargo do historiador e escritor Daniel Bastos, que tem divulgado os trabalhos do artista plástico junto das Comunidades Portuguesas.
 
LEGENDA – O curador da exposição Daniel Bastos (esq.) acompanhado do comendador Manuel da Costa proprietário da Peach Gallery

A convite da Peach Gallery, uma das mais recentes e vibrantes galerias de arte em Toronto, Daniel Bastos, que se encontra na maior cidade do Canadá a apresentar o seu último livro “Terras de Monte Longo”, justificou a ausência do artista na exposição por motivos de saúde, assegurando que as obras expostas refletem um estilo pictórico singular, heterogéneo, criativo e contemporâneo que concorrem para que Orlando Pompeu seja um dos mais conceituados pintores portugueses da atualidade.



















No decurso da iniciativa cultural, que contou com a presença de vários elementos da comunidade luso-canadiana, o comendador Manuel da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto, e proprietário da Peach Gallery, mostrou-se muito satisfeito por receber a exposição de Orlando Pompeu, que ficará patente à comunidade luso-canadiana durante todo o mês de julho. Para Manuel da Costa, a arte é um elemento cultural importante na formação dos cidadãos e por conseguinte na valorização cultural da comunidade luso-canadiana em Toronto. 























Orlando Pompeu nasceu a 24 de maio de 1956, em Cepães - Fafe / Portugal. Estudou desenho, pintura e escultura em Barcelona, Porto e Paris. Nos anos 90 progrediu no seu percurso artístico ao ir viver para os Estados Unidos da América, primeiramente, e depois, Japão. A sua obra consta de variadas coleções particulares e oficiais em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Croácia, Áustria, Brasil, México, Dubai, Canadá, Estados Unidos da América e Japão.

Créditos Fotográficos – Jorge Ribeiro