Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador, professor e político minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Museu da Língua Portuguesa, a Casa Comum da Lusofonia


O Museu da Língua Portuguesa, inaugurado em 2006 na megametrópole brasileira de São Paulo, a maior cidade lusófona do mundo, assume-se desde a primeira década do séc. XXI, como a casa comum da vasta comunidade formada por todos os povos e nações que compartilham a cultura e a língua de Camões.

Desde a sua origem, o único Museu de Língua Portuguesa do mundo tem como missão e objetivos valorizar a diversidade da língua portuguesa, celebrá-la como elemento fundamental e fundador da cultura, e aproximá-la dos falantes do idioma em todo o mundo. 

Um idioma que é atualmente dos mais falados à escala planetária, abrangendo a língua oficial de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, e que desde 2010 foi sancionado como a terceira língua oficial da Guiné Equatorial. Como destacam os organizadores da obra “A Língua Portuguesa no Mundo - Passado, Presente e Futuro”, a língua de Camões ocupa hodiernamente um dos lugares cimeiros na lista dos idiomas que ostentam uma dimensão mundial, assim como um incomensurável potencial de expansão.

As singulares características linguístico-culturais e a diversidade dos públicos-alvo do Museu de Língua Portuguesa, que praticamente numa década recebeu cerca de quatro milhões visitantes, sofreram um duro revés no ocaso do ano de 2015, quando um incêndio de grandes proporções atingiu o edifício do espaço museológico situado no complexo da Estação da Luz. 

No entanto, a enorme onda de solidariedade que se gerou a nível mundial, e em particular lusófona, tem permitido desde a fatídica data encetar um processo sustentado de reconstrução, que está a procurar contribuir decisivamente para o alargamento do estudo, preservação, valorização e divulgação da cultura e língua portuguesa.

Estimando a reabertura do Museu de Língua Portuguesa no próximo ano, os responsáveis da sua reconstrução, de acordo com recentes declarações públicas, asseguram que o espaço museológico será modernizado com várias novidades tecnológicas e interativas, mantendo simultaneamente a sala de exposições temporárias, e a icónica Praça da Língua e o Auditório.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

As vivências da emigração portuguesa nos palcos do teatro


Realidade incontornável na sociedade portuguesa, o fenómeno da emigração tem merecido cada vez mais a atenção de diversos campos de produção artística, como é o caso do Teatro, umas das principais manifestações artísticas, e um fenómeno cultural de enorme alcance na formação e desenvolvimento da cidadania.

Em Portugal, ao longo da última década, é notório o interesse que várias companhias e estruturas teatrais têm dedicado a este elemento estruturante da identidade coletiva nacional, como comprovam as inúmeras peças que têm sido levadas à cena inspiradas nas experiências e vivências da emigração.

Os exemplos são variados e perpassam o território nacional, na esteira da transversalidade do fenómeno migratório na sociedade portuguesa. No ocaso de 2011, por exemplo, o Teatro Municipal da Guarda (TMG), encetou um espetáculo sobre a odisseia da emigração lusa dos anos 60 para França, justificando então o seu diretor artístico a aposta no mesmo, pela atualidade da temática e a ligação muito forte da mesma com a região.

Em 2014, ano em que a emigração portuguesa se manteve num patamar elevado, o Teatro Experimental do Porto, levou a cena no Auditório Municipal de Gaia a peça “Nós somos os Rolling Stones”, que se assumiu como um manifesto geracional sobre a emigração de jovens lusos. Este novo paradigma da emigração portuguesa foi retratado no ciclo Migrações, que decorreu em 2018 no Teatro Maria Matos, em Lisboa, onde foi abordada a experiência de emigrantes portugueses em Great Yarmouth, uma pequena vila na costa leste de Inglaterra, através do espetáculo “Provisional figures Great Yarmouth”, que tinha sido já apresentado no Reino Unido e no Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, no Porto.

Presentemente, ainda no fim-de-semana passado, a Casa da Cultura de Câmara de Lobos, na Madeira, acolheu a produção teatral “Nas entrelinhas da emigração”, que retratou as vivências de um emigrante na África do Sul, um dos principais destinos da emigração madeirense nas décadas de 60 e 70, que no próximo ano, em conjunto com a pérola do Atlântico, será palco das comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Aníbal Morgado, o construtor da cidade de Guayana na Venezuela


Numa época em que chegam diariamente a Portugal notícias sobre a grave crise política, económica e social em que mergulhou a Venezuela, nação onde vivem cerca de meio milhão de compatriotas que não são imunes aos efeitos da turbulência que atravessa este país da América do Sul, sobressaiu recentemente nos meios públicos de comunicação nacionais, um exemplo de esperança e resiliência de um dos mais considerados representantes da comunidade luso-venezuelana.

Mormente, o do empresário Aníbal Morgado, um aveirense que emigrou para a Venezuela há mais de seis décadas, e que é um dos principais responsáveis pela construção da cidade de Guayana, a metrópole mais povoada do Estado de Bolívar e do  Município de Caroní, com uma população de mais de um milhão de habitantes.

Um dos mais importantes centros industriais, económicos e financeiros da Venezuela, a cidade encerra a particularidade de ter sido construída de raiz nos anos 60 para responder à necessidade do poder central de criar uma metrópole no sul do país, com apoio do Instituto de Tecnologia do Massachussetts (MIT).

Ao longo do último meio século, o esforço de planificação, construção e desenvolvimento de Guayana, onde se encontram as principais barragens elétricas da Venezuela e as processadoras de ferro, alumínio, aço, bauxite e outros minerais, deve muito ao empreendedorismo de Aníbal Morgado, que através do Consórcio Empresarial Morgado (CEM), erigiu 80% do que é a metrópole em estradas, edificações, obras industriais e barragens.

Abordando o seu percurso de vida, marcado pela chegada à Venezuela em 1957, com 16 anos, território onde o irmão, Manuel Morgado, já vivia há dois anos. O empresário afirmou aos meios públicos de comunicação nacionais, que embora a Venezuela fosse “um país de muita esperança e neste momento essa esperança está bastante truncada”, está confiante que "depois de passar esta tempestade, o país ressurgirá porque a Guayana sempre tem sido uma zona de muita riqueza" e que por isso não pensa “ir embora”, acreditando que em Guayana “há futuro".

O exemplo de constância e resiliência perfilhado por Aníbal Morgado pode e deve constituir um renovado sinal de esperança no futuro da numerosa comunidade portuguesa, que tem enfrentado vários dilemas e momentos de incerteza na Venezuela.