No próximo
dia 4 de dezembro (sexta-feira), é lançado em Portugal o livro “Gérald Bloncourt – O olhar de
compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores”.
A
obra, concebida e realizada pelo historiador português Daniel Bastos a partir
do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a história da emigração
portuguesa para França nos anos de 1960, é apresentada às 21h30 no Auditório da
Biblioteca Municipal de Fafe, cidade que alberga o Museu das Migrações e das Comunidades, uma
instituição que tem como missão aprofundar o conhecimento das migrações
na diáspora portuguesa.
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Gérald
Bloncourt ladeado pelo historiador Daniel Bastos (dir.) e pelo tradutor Paulo
Teixeira (esq.)
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A
apresentação do livro com chancela da Editora Converso, uma edição bilingue
traduzida para português e francês pelo docente Paulo Teixeira, que conta com
prefácio do multipremiado ensaísta e pensador Eduardo Lourenço, e posfácio de
Maria da Conceição Tina, “a menina da boneca” fotografada por Bloncourt no
bidonville de Saint Denis na década de 1960, estará a cargo da reputada socióloga
das migrações Maria Beatriz Rocha – Trindade.
Além
das imagens emblemáticas e históricas que o fotógrafo de 89 anos captou sobre a
vida dos emigrantes portugueses nos bairros de lata nos arredores de Paris,
conhecidos como bidonvilles, que já integraram várias exposições em Portugal e
França, e que fazem parte do arquivo da Cité nationale de l’histoire de
l’immigration em Paris, e do Museu das Migrações e das Comunidades em Fafe, a
obra reúne memórias, testemunhos e mais de centena e meia de fotografias originais da maior
importância para a história portuguesa do último meio século. Designadamente
fotografias praticamente inéditas que o fotógrafo francês de origem haitiana
realizou durante a sua primeira viagem a Portugal na década de 1960, onde
retratou o quotidiano das cidades de Lisboa, Porto e Chaves, assim como as da
viagem a “salto” que fez com emigrantes portugueses além Pirenéus, e as das
comemorações do 1.º de Maio de 1974 na capital portuguesa que permanecem como a
maior manifestação popular da história portuguesa.
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Capa do livro
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Segundo
Daniel Bastos, a concretização deste projeto sobre o olhar comprometido de
Gérald Bloncourt com os portugueses, que o fotógrafo identifica desde os bancos
da instrução primária como os descendentes dos grandes descobridores do mundo,
constitui “um justo reconhecimento aos protagonistas anónimos da
história portuguesa que lutaram aquém e além-fronteiras pelo direito a uma vida
melhor e à liberdade. Todos eles representados por uma personalidade
ímpar que durante mais de vinte anos escreveu com luz a vida dos portugueses em
França e em Portugal”.
Para Eduardo Lourenço, consagrado intelectual
português de grande reputação internacional que assina o prefácio do livro, em
pleno drama da nossa
emigração de europeus, os portugueses “subiram do lugar sem luz como hoje milhares de
outros emigrantes atravessam os vários Mediterrânios da vida para o tombadilho onde o ar do largo lhes restitui
ao mesmo tempo a esperança e a dignidade”. Tendo nos anos 60 a sorte de
terem tido “como companhia o sorriso aberto
de marinheiro de Gérald Bloncourt. E a sua máquina para os lembrar para sempre
nos retratos com que os salvou do esquecimento”.
Refira-se
que a obra é patrocinada por duas dezenas de empresas representativas do tecido
socioeconómico luso-francês, como o Hipermercado E.Leclerc, a Companhia de Seguros
Fidelidade em Paris e a cadeia de lojas FNAC, em cujos espaços culturais será
comercializado o livro e circulará simultaneamente uma exposição fotográfica
evocativa da ligação de Gérald Bloncourt a Portugal. No início de 2016 estão agendadas
várias sessões de apresentação da obra junto das comunidades portuguesas
residentes no estrangeiro, em particular da numerosa comunidade portuguesa
radicada em Paris, uma sessão carregada de grande simbolismo que contará com a
presença do fotógrafo que seguiu durante 30 anos a vida dos portugueses em
França.
Além
de fotógrafo, Gérald Bloncourt é pintor e poeta, tendo participado na criação do
Centro de Arte Haitiana (1944) e publicado vários livros, com destaque para “Le
Paris de Gérald Bloncourt” (2010), foi no início deste ano condecorado cavaleiro da Ordem Nacional da Legião
de Honra francesa, a mais alta distinção civil de França.
Com
diversas participações em conferências nacionais e internacionais, assim como
livros publicados no domínio da História Local e da História Contemporânea, Daniel
Bastos exerce atualmente atividades docentes no Colégio João Paulo II e na
Cooperativa de Ensino Didáxis, instituições de referência no campo do ensino
particular e cooperativo no norte de Portugal.
O
tradutor Paulo Teixeira, especialista em Administração Educacional com
experiência profissional no Centro Europeu de Línguas, colabora regularmente na
publicação de várias obras com a tradução de textos, em prosa e em verso, para
Francês e para Inglês.