Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

domingo, 28 de julho de 2024

O apego dos emigrantes à terra de origem: o exemplo do luso-americano John Guedes

O verão em Portugal é sinónimo de regresso a casa para milhares de emigrantes, que vindos de vários pontos do mundo, retornam à terra-mãe para gozar um merecido período de férias, e simultaneamente matar saudades da família e dos amigos. As aldeias do interior enchem-se por esta altura de vida, de dinâmica no comércio, de ânimo nas festividades, de abraços reconfortantes e de casas que se abrem, quando ao longo de quase todo o ano se encontram fechadas, a aguardar a visita de muitos dos seus donos que demandam no estrangeiro melhores condições de vida. Um cenário de bem-estar que nesta época estival olvida momentaneamente o acentuado despovoamento e envelhecimento do interior do país. De facto, muitos dos emigrantes, os mais genuínos embaixadores de Portugal nos quatro cantos do mundo, mantém um profundo apego aos seus torrões de origem, e nos verões, mas também ao longo de todos os anos, têm dado um contributo fundamental para a subsistência da cultura, tradições e dinâmicas das suas povoações. Um desses exemplos paradigmáticos encontra-se plasmado na figura empreendedora e benemérita do emigrante luso-americano John Guedes. Natural de Vilas Boas, uma freguesia do concelho de Chaves, atualmente com pouco mais de 150 habitantes, o transmontano emigrou para a América no alvorecer da década de 1960, com 10 anos de idade. Numa época em que o fardo da pobreza, da interioridade e a estreiteza de horizontes na região trasmontana durante a ditadura compeliu uma forte vaga migratória para o centro da Europa e para a América. Detentor de um percurso que computou nos anos 70 a formação académica em arquitetura no Norwalk State College, no estado americano do Connecticut, John Guedes fundou no ocaso dessa década a Primrose Companies. Uma empresa de arquitetura e construção, sediada em Bridgeport, a cidade mais populosa do Connecticut, especializada em projetos de construção de escritórios comerciais, multiresidenciais e médicos no Connecticut e em Nova Iorque. O arquiteto luso-americano tem mantido um constate apego ao seu torrão natal através de um extraordinário sentimento benemérito. Na sua aldeia natal, onde regressa amiúde, entre outros exemplos notáveis de filantropia, pagou o terreno onde está o campo de futebol, financiou a abertura de um caminho e a construção de um parque de lazer, patrocina jornadas culturais e a festa anual da aldeia, como a deste ano, e doou cem mil euros para a construção da sede da associação cultural local. O espírito generoso de John Guedes tem-se estendido também, ao longo dos últimos anos, ao Patronato de São José, em Vilar de Nantes, uma instituição flaviense de solidariedade que acolhe crianças do sexo feminino. E à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vidago, a quem já doou um monitor de sinais vitais e uma Ambulância de Socorro devidamente equipada, no valor de 60 mil euros. Assim como um donativo para equipar todo o Corpo de Bombeiros com farda número 2, a aquisição de uma viatura de comando e duas destinadas a transporte de doentes não urgentes. Ainda no ano passado, no âmbito da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que trouxe o Papa Francisco a Portugal, um acontecimento religioso e cultural que reuniu centenas de milhares de jovens de todo o mundo, durante cerca de uma semana, o emigrante benemérito luso-americano custeou toda a logística inerente à participação de mais de três dezenas de jovens transmontanos. Naturais das povoações de Vidago, Boticas, Vilela do Tâmega, Loivos, Vilarinho das Paranheiras e Adães, territórios onde são notórias as marcas do despovoamento e envelhecimento do interior do país, os jovens transmontanos usufruíram de uma experiência singular que lhes possibilitou conhecer outros jovens de diferentes continentes, graças ao espírito generoso e solidário do ilustre concidadão. O apego do emigrante luso-americano John Guedes à sua terra-mãe, dá um genuíno sentido à conceção historiográfica de Francisco Ribeiro da Silva: “o amor à terra pode constituir uma boa razão para a História Local, porque o amor é mais perfeito e mais forte quando se apoia no conhecimento. Quem conhece a História da sua terra pode amá-la com mais consistência”.

domingo, 21 de julho de 2024

A homenagem na terra-mãe ao comendador Batista Sequeira Vieira

No início do presente mês, a Casa de Repouso João Inácio de Sousa, uma instituição de solidariedade social vocacionada para a prestação de apoio aos idosos da comunidade de Velas, na ilha açoriana de São Jorge, promoveu uma singela homenagem ao comendador Batista Sequeira Vieira, um dos mais ilustres filhos deste torrão arquipelágico, e uma das figuras mais gradas da numerosa comunidade portuguesa na Califórnia. Natural dos Rosais, freguesia do Município de Velas, Batista Sequeira Vieira emigrou nos anos 50 para São José, uma das mais populosas cidades do estado americano da Califórnia. Tendo encetado, a partir de então, um percurso de genuíno “self-made man”, que à base de trabalho hercúleo, esforço infatigável e mérito resiliente, transformou o emigrante açoriano num empresário de sucesso no ramo da construção e imobiliário. O sucesso que alcançou ao longo das últimas décadas no mundo dos negócios, tem sido constantemente acompanhado de um generoso apoio a projetos emblemáticos da comunidade luso-americana da Califórnia, a quem devota um forte sentido público de empenho cultural e identitário. Assim como, à terra que o viu nascer, que visita amiudadamente, e onde apoia prodigamente agremiações, mormente, a Casa de Repouso João Inácio de Sousa, que ao longo dos anos tem recebido do empresário e filantropo doações a nível monetário e de equipamentos. Contexto, que já em 2018, impeliu uma deliberação unânime da Assembleia Geral do estabelecimento de solidariedade social jorgense, de nomear por acalmação o emigrante açoriano, “Sócio Honorário, pelo seu já longo, cuidado com esta Instituição e perseverante contribuição”. Foi no mesmo sentido de reconhecimento, que no decurso da sua recente estadia nos Rosais, onde não deixou de participar nas festas de São João Batista, e uma vez mais apadrinhar um jantar de amigos da comunidade e uma tourada à corda. Os responsáveis da Casa de Repouso João Inácio de Sousa, durante a visita do insigne benfeitor à instituição, homenagearam singelamente Batista Sequeira Vieira pela sua generosidade constante na melhoria da qualidade de vida dos utentes, no apetrechamento do lar e na valorização dos seus profissionais. Com o nome gravado no coração dos seus conterrâneos, e associado a ruas e instituições no torrão natal que há três anos lhe descerrou um busto, bem como portador justíssimo da Insígnia Autonómica e da Ordem de Mérito, o percurso de vida e a constante generosidade do comendador Batista Sequeira Vieira, inspira-nos a máxima do poeta Friedrich Schiller: “Não temos nas nossas mãos as soluções para todos os problemas do mundo, mas diante de todos os problemas do mundo temos as nossas mãos”.

domingo, 14 de julho de 2024

In memoriam D. Arquimínio Rodrigues da Costa

No passado dia 8 de julho, assinalou-se o centenário do nascimento do último bispo português de Macau, D. Arquimínio Rodrigues da Costa (1924 – 2016), uma figura incontornável da Igreja Católica e da diáspora portuguesa. Natural da freguesia de São Mateus, no concelho de Madalena, na Ilha do Pico, o insigne açoriano partiu para Macau, antiga colónia portuguesa desde 1557 até 1999, no sudeste da China, no ocaso da década de 1930. Época em que ingressou no Seminário de São José, no âmbito do padroado português do Oriente, tendo em outubro de 1949 recebido a ordenação presbiteral. Entre as décadas de 1950-60 concluiu o curso de direito canónico na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e exerceu as funções de professor e reitor do Seminário de São José, sendo que no ocaso dos anos 60 ensinou as disciplinas de filosofia e latim no Seminário de Aberdeen, em Hong Kong. Em 1976, o Papa Paulo VI nomeou-o Bispo de Macau, sucedendo ao também açoriano D. Paulo José Tavares, tendo ao longo do seu múnus pastoral, que durou até 1988, revelado uma constante humildade e simplicidade, e sido capaz, entre outros, de solucionar problemas financeiros e administrativos da diocese; fundar cinco novos centros pastorais; estabelecer o Centro Diocesano dos Meios de Comunicação Social (CDMCS); e organizar a Associação das Escolas Católicas de Macau e a Associação das Religiosas de Macau. A celebração do centenário do nascimento D. Arquimínio Rodrigues da Costa, impulsionou uma singela homenagem na freguesia onde nasceu, São Mateus, no concelho da Madalena. Torrão natal arquipelágico que visitara em 1953 e 1983, e no qual a partir de janeiro de 1989, já como bispo-emérito de Macau, fixou novamente residência e viria a falecer aos 92 anos de idade. A efeméride, que computou uma cerimónia de descerramento de uma placa evocativa na casa onde nasceu, assim como uma missa, presidida pelo bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, no Santuário do Senhor Bom Jesus Milagroso, e uma conferência de Manuel Goulart Serpa sobre a vida e obra do homenageado, impele-nos igualmente três importantes dimensões de análise no seio das comunidades lusas. Desde logo, a importância e papel da diáspora açoriana, mais de 1,5 milhões de emigrantes e seus descendentes espalhados pelos quatro cantos do mundo. Uma indelével argamassa das comunidades portuguesas, que no caso de Macau, encerra a particularidade, como recordou o bispo de Angra, de «D. Arquimínio da Costa, com D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, D. João Paulino de Azevedo e Castro, D. José da Costa Nunes e D. Paulo José Tavares, faz parte de um grupo de açorianos missionários do Oriente e que foram todos eles, Bispos de Macau». Por outro lado, a efeméride ao revelar que no passado, mas também no presente e seguramente no futuro, a Igreja Católica desempenha um elo importante de identidade cultural e religiosa na diáspora lusa. Evidencia, nos mesmos moldes, que a comunidade portuguesa em Macau, é fundamental para o intercâmbio entre as culturas chinesa e portuguesa, assim como para a dinamização da cultura lusófona no Oriente.

domingo, 7 de julho de 2024

Luís Carvalhido lança livro de fotografia “Viagem ao Mundo dos Silêncios”

Na passada sexta-feira (5 de julho), o fotógrafo Luís Carvalhido, lançou na 41.ª edição da Feira do Livro de Barcelos, o seu novo livro de fotografia “Viagem ao Mundo dos Silêncios”. Natural de Viana do Castelo, mas a residir em Barcelos desde a década de 70, o fotógrafo, professor e formador de fotografia minhoto, que tem participações em vários concursos nacionais e estrangeiros, assim como em várias exposições fotográficas individuais e coletivas, na linha das obras anteriores "Reflexos Inexplorados" (2015), “O Fumo dos Dias” (2017), “O Sonho é ver o invisível” (2019), volta a escrever com luz, mais do que captar imagens, a expressar e exteriorizar sentimentos através de fotografias a cores.
O fotógrafo Luís Carvalhido (de pé), no decurso da apresentação do livro “Viagem ao Mundo dos Silêncios”, ladeado do investigador António Ferreira Afonso (esq.), o antigo diretor da Biblioteca Municipal de Barcelos, Víctor Pinho, e da profissional de saúde Joana Santos Como confluíram o investigador António Ferreira Afonso, e o antigo diretor da Biblioteca Municipal de Barcelos, Víctor Pinho, no decurso de uma sessão muito participada e abrilhantada pelos artistas Xico Malheiro e Zeca Torres (Grupo Raízes), e que contou com a presença, entre outros, do presidente da edilidade, Mário Constantino, e da vereadora da Cultura, Elisa Braga, o fotógrafo minhoto convoca os leitores a uma “Viagem ao Mundo dos Silêncios”. Nas palavras do autor: “Viajo convosco: pedras margens, rios, montanhas, sombras, sol, neve e encontros. Viagem ao vosso mundo, mundo dos silêncios que ouso invadir”.