Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Transatlântico – As Migrações nos Açores

 

No decurso dos últimos anos o acervo bibliográfico sobre o fenómeno migratório tem sido profusamente enriquecido com o lançamento de um conjunto significativo de livros que têm ampliado o estudo e conhecimento sobre a história da emigração portuguesa.

Um dos exemplos mais recentes que asseveram a importância destas obras na análise e compreensão da emigração nacional, encontra-se vertido no livro Transatlântico – As Migrações nos Açores, da autoria de José Andrade, atualmente Diretor Regional das Comunidades do Governo dos Açores.

Com chancela da Letras Lavadas, e prefácio de José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores, a obra lançada no alvorecer deste mês nas instalações da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, numa sessão que esteve a cargo do presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos, Rui Faria, e da presidente da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA), Cristina Borges, constitui-se como uma reflexão/retrato incontornável das Migrações nos Açores, de ontem e de hoje, para fora e para dentro.

Embrenhando-se num fenómeno marcante na vida de milhares de açorianos, estima-se que cerca de 1,5 milhões de açorianos e seus descendentes residam no estrangeiro, o livro do atual responsável das áreas da emigração, da imigração e das comunidades açorianas no exterior, tem não só o condão de (re)valorizar os movimentos da emigração açoriana para o Brasil, o Uruguai, o Havai, os Estados Unidos, a Bermuda ou o Canadá. Mas também destaca o papel de 4 mil cidadãos estrangeiros de mais de 90 nacionalidades diferentes, como é o caso de brasileiros, alemães, chineses ou ucranianos, que presentemente habitam e trabalham nos Açores, e contribuem assim de forma muito positiva para o desenvolvimento do território arquipelágico e do país.  

Com mais de duas dezenas de livros publicados, a mais recente obra de José Andrade, como acentua a casa editorial que apadrinha o trabalho literário, “ rima Açorianidade com Interculturalidade. O seu pretexto são textos produzidos pelo Diretor Regional das Comunidades do Governo da Região Autónoma dos Açores durante os anos de 2021 e 2022. O seu propósito é a consciência e o orgulho de sermos um arquipélago transatlântico que projeta identidade no mundo e que abraça continentes nas ilhas. Não estamos no fim da Europa ou no princípio da América. Estamos no centro do mundo”.

Daniel Bastos apresenta livro sobre as comunidades portuguesas no Festival das Migrações no Luxemburgo

No próximo 25 de fevereiro (sábado), o escritor e historiador Daniel Bastos apresenta no Festival das Migrações no Luxemburgo, a segunda edição do seu último livro “Crónicas - Comunidades, Emigração e Lusofonia”.


 

A segunda edição da obra, agora revista e aumentada, que reúne as crónicas que o historiador tem escrito nos últimos anos na imprensa de língua portuguesa no mundo, é apresentada às 13h00 na Sala 2B da LuxExpo, em Kirchberg, no âmbito do 40.º aniversário do Festival das Migrações, um certame que reúne milhares de visitantes e se assume como o encontro de todas as culturas no Luxemburgo.

A apresentação do livro, que é prefaciado pelo advogado e comentador Luís Marques Mendes, integra o programa da conferência-debate sobre a emigração lusófona promovida pelo Centro de Documentação sobre Migrações Humanas (CDMH). Uma iniciativa que contará com a presença de Maria Beatriz Rocha-Trindade, uma das maiores especialistas nacionais do fenómeno das migrações, e que será moderada pela socióloga Heidi Martins, investigadora do CDMH.

 


Refira-se que nesta última obra, o escritor revela o empreendedorismo, as contrariedades, a resiliência e a solidariedade das comunidades portuguesas, a riqueza do seu movimento associativo, e as enormes potencialidades culturais, económicas e políticas que as mesmas representam nas pátrias de acolhimento e de origem, como é o caso da comunidade lusa no Luxemburgo, a maior comunidade no Grão-Ducado, representando cerca de 20% da população total do país.

Professor e autor de vários livros que retratam a história da emigração portuguesa, Daniel Bastos é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.

 

 

domingo, 5 de fevereiro de 2023

O apoio na diáspora aos alunos lusodescendentes

 

Entre as características mais distintas da diáspora, a enorme capacidade empreendedora e o seu forte espírito de solidariedade, são seguramente das que mais sobressaem no código genético das comunidades lusas espalhadas pelos quatro cantos do mundo.

Ao longo das décadas têm sido inúmeras as campanhas solidárias, as iniciativas de apoio e os gestos de altruísmo protagonizados, a título individual ou coletivo, pelos portugueses no estrangeiro em prol de causas, valores e pessoas, muitas delas concidadãos que por vicissitudes da vida encontram na generosidade de muitos compatriotas uma bússola e um porto de abrigo.

Um desses exemplos paradigmáticos de espírito solidário é o que no decurso dos últimos anos tem sido protagonizado pelo “Dr. Edward Leitão Memorial Scholarship Fund”. Um fundo que atribui bolsas de estudo a luso-americanos na Nova Inglaterra, região no nordeste dos Estados Unidos, que abrange os estados de Maine, Vermont, Nova Hampshire, Massachusetts, Connecticut e Rhode Island.

Tendo como co-fundadora e presidente da Comissão do Fundo de Bolsas, a reputada médica portuguesa Helena Santos-Martins, que recentemente abriu uma clínica de medicina interna no Massachusetts, o Fundo para Bolsas de Estudo Dr. Edward Leitão é gerido pela Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers (MAPS). E foi criado em 2015, em memória do médico, que faleceu naquele ano, um conceituado clínico e diretor da Cambridge Health Alliance, que durante várias décadas cuidou de muitos pacientes da comunidade de língua portuguesa na área de Cambridge. 

O objetivo primacial do fundo é oferecer bolsas de estudo a alunos luso-americanos que prosseguem medicina e outras vertentes na área da saúde, procurando desse modo suprir a necessidade da comunidade por profissionais de saúde de língua portuguesa na Nova Inglaterra. Nesse sentido, os candidatos precisam de ser portugueses ou luso-americanos a estudar na Nova Inglaterra, assim como frequentarem o primeiro ou último ano do ensino médio, e estarem matriculados numa faculdade ou frequentarem a faculdade de medicina / odontologia.

Ainda no ocaso do mês passado, decorreu no Faialense Club, em Cambridge, uma cerimónia que reuniu as forças vivas da comunidade portuguesa da Nova Inglaterra, e no decurso da qual foram entregues a seis luso-americanas interessadas em seguir carreira na medicina e outras áreas da saúde, bolsas de estudos concedidas pelo “Dr. Edward Leitão Memorial Scholarship Fund”, no valor de 11 mil dólares.

Ao contribuir decisivamente para honrar o passado, dinamizar o presente e projetar o futuro da comunidade portuguesa da Nova Inglaterra, região que concentra uma das maiores comunidades lusas na América do Norte, e cuja relevância é aferida por várias organizações luso-americanas centenárias, histórias de sucesso empresarial e protagonistas sociopolíticos, o ativismo benemérito do Fundo para Bolsas de Estudo Dr. Edward Leitão, recorda-nos a máxima de José Saramago, um dos mais importantes nomes da literatura contemporânea: “Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos. Sem memória não existimos, sem responsabilidade talvez não mereçamos existir”.