Morgado de Fafe
O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
Neste Natal ofereça um livro!
sábado, 21 de novembro de 2020
Neste Natal ofereça um livro!
Está sem ideias para presentes de Natal? Então aceite mais uma sugestão, ofereça um livro que é um ótimo presente, como por exemplo o livro: "Terras de Monte Longo". Uma edição trilingue (português, inglês e francês), prefaciada pelo consagrado fotógrafo franco-haitiano Gérald Bloncourt e concebida a partir do espólio de um dos mais aclamados fotógrafos portugueses da sua geração, José de Andrade, que nos anos 70 captou imagens até aqui inéditas no interior Norte de Portugal.
Pode adquirir a obra nas livrarias de referência, ou receba comodamente por via postal em casa, bastando que nos forneça o nome da pessoa a quem se destina e a forma de pagamento.
Votos de uma Feliz Quadra Natalícia.
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
O projeto do futuro Museu da Emigração de Cabo Verde
Há sensivelmente um mês, o Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde, que tem por missão a identificação, inventariação, investigação, salvaguarda, defesa e divulgação dos valores do património cultural, móvel e imóvel, material e imaterial da nação insular, antiga colónia portuguesa, localizada perto da corta noroeste de África, apresentou virtualmente o projeto do futuro Museu da Emigração de Cabo Verde.
A iniciativa, que visa a preservação e valorização da identidade cultural do arquipélago, formado por dez ilhas vulcânicas na região central do Oceano Atlântico, através de um espaço museológico que permita perpetuar e salvaguardar todo o processo histórico da emigração cabo-verdiana, constitui no âmbito da cultura lusófona uma excelente notícia e um projeto estruturante. Pois como assinalam os responsáveis do IPC, Cabo Verde é “historicamente desde a sua génese um país de emigração, migração interna entre as ilhas, emigração para o estrangeiro”, como seja, a emigração para o continente africano, como por exemplo, para outras antigas colónias lusas, designadamente São Tomé e Angola, e para vários países europeus, mormente para Portugal.
Na esteira das palavras do antropólogo Gaudino Cardoso, Cabo Verde, cuja metade da população vive fora do país, consequência da escassez de recursos naturais e da pobreza económica do território insular, constitui “Avenidas de Comunicação com o resto do Mundo”.
Uma “avenida de comunicação” que no caso concreto de Portugal contribui para que a comunidade cabo-verdiana seja atualmente uma das comunidades imigrantes mais representativas. No início deste século estimava-se que havia 83 000 descendentes ou originários de Cabo Verde a residirem no território nacional, dos quais 90% na Grande Lisboa. Como sustenta Sandra Maria Moreira Cabral da Veiga, na tese Os Emigrantes cabo-verdianos em Portugal: Identidade construída, os cabo-verdianos “constituem o grupo contemporâneo de emigrantes com níveis de consolidação mais significativos no contexto da sociedade portuguesa” e são “uma das mais importantes comunidades de emigrantes em Portugal, quer em termos numéricos, quer históricos”.
Futuro polo dinamizador das profundas relações históricas e culturais da nação cabo-verdiana com a pátria lusa e o mundo lusófono, o recente anúncio da criação do Museu da Emigração de Cabo Verde pode ter igualmente o condão de despertar em Portugal o adormecido projeto do Museu Nacional da Emigração, cuja criação foi aprovada, como recomendação, pela Assembleia da República, a 27 de outubro de 2017, e cuja construção está prevista desde 2018 em Matosinhos.
Um projeto, há muito ambicionado pelas comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo, cuja passagem do papel para a realidade peca por tardia, que além de uma perspetiva polinuclear de articulação com vários museus municipais e regionais ligados ao fenómeno migratório, como é o caso por exemplo, do Museu das Migrações e das Comunidades, em Fafe, o Espaço Memória e Fronteira, localizado em Melgaço, e o Museu da Emigração Açoriana, instalado na Ribeira Grande. Deve igualmente, possuir uma dimensão de articulação e cooperação transnacional, não só com outros núcleos museológicos espalhados pelas comunidades portuguesas, como é o caso da Galeria dos Pioneiros Portugueses, um espaço museológico em Toronto, que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros da emigração portuguesa para o Canadá, mas também com o mundo lusófono, como é o caso do vindouro Museu da Emigração de Cabo Verde.
terça-feira, 17 de novembro de 2020
Neste Natal ofereça um livro!
Está sem ideias para presentes de Natal? Então aceite uma sugestão, ofereça um livro que é um ótimo presente e um símbolo de cultura, como por exemplo o livro: "Gérald Bloncourt – O olhar de compromisso com os filhos dos Grandes Descobridores". Uma edição bilingue (português e francês), concebida a partir do espólio do conhecido fotógrafo que imortalizou a história da emigração portuguesa nos anos 60.
Pode adquirir o livro nas livrarias de referência, ou receba comodamente por via postal em casa, bastando que nos forneça o nome da pessoa a quem se destina e a forma de pagamento.
Votos de uma Feliz Quadra Natalícia.
sábado, 7 de novembro de 2020
Prisioneiros Portugueses da Primeira Guerra Mundial, Frente Europeia - 1917/1918
A I Guerra Mundial (1914-1918) ocupa um papel preponderante no seio da historiografia nacional, porquanto além dos efeitos militares repercutiu em Portugal consequências de natureza socioeconómica e política que contribuíram decisivamente para a queda da Primeira República Portuguesa (1910-1926).
Embora desde 1914 existissem confrontos entre patrulhas lusas e germânicas nos territórios moçambicanos e angolanos, dada a proximidade limítrofe das colónias africanas portuguesas com as colónias alemãs, e inclusive tenham perecido no decurso do conflito mais portugueses em Angola e Moçambique do que na Flandres, a entrada do país na frente europeia ocorreu somente em 1917.
Com incontáveis dificuldades para constituir o Corpo Expedicionário Português (CEP), foram mobilizados mais de cinquenta mil soldados para as trincheiras da Flandres, região norte da fronteira franco-belga onde ocorreu a 9 de abril de 1918 a fatídica batalha de Lys em que o exército alemão destroçou o CEP. No desfecho do conflito que consagrou a vitória militar da Inglaterra, França, Estados Unidos e restantes aliados, nos quais se incluíam Portugal, a aritmética nacional era reveladora: mais de 7 mil mortos, mais de 7 mil feridos, quase 6 mil desaparecidos e quase 9 mil incapazes.
As raízes da emigração portuguesa no território francês remontam precisamente a este período, quando milhares de soldados lusos não regressaram a Portugal, optando por se tornarem emigrantes em terras gaulesas. Ainda hoje, existem descendentes destes soldados e emigrantes lusos que preservam a sua memória e zelam o cemitério militar português de Richebourg, no norte de França, um cemitério militar exclusivamente português, que reúne um total de 1831 militares mortos na frente europeia.
É o caso da nonagenária Felicia Assunção Pailleux, filha do soldado e depois emigrante João Assunção, um minhoto de Ponte da Barca, que fez parte da 2ª Divisão do CEP e que como outros compatriotas que optaram no final do conflito bélico por não regressar a Portugal, onde grassava uma profunda crise política, económica e social, fixou-se na zona onde combateu, no Norte-Pas de Calais, uma zona de minas de carvão que absorveu muita mão-de-obra. Ao longo das últimas quatro décadas, Felicia Paileux tem sido a porta-estandarte da bandeira de Portugal nas cerimónias evocativas da Grande Guerra no cemitério de Richebourg e no monumento aos soldados lusos em La Couture, no Norte-Pas de Calais, honrando a memória do seu pai, soldado e emigrante português falecido em 1975, que muito antes da emigração massiva dos anos 60 escolheu como muitos outros antigos companheiros de armas a França para viver, trabalhar e constituir família.
O historiador Daniel Bastos, cujo percurso tem sido alicerçado no seio das Comunidades Portuguesas, acompanhado em 2019 de Felícia Assunção Pailleux, filha do antigo combatente na I Guerra Mundial e depois emigrante em França, João Assunção, no Museu Nacional da História da Imigração em Paris
Há poucos anos, a investigadora Maria José Oliveira, autora do livro "Prisioneiros Portugueses da Primeira Guerra Mundial, Frente Europeia - 1917/1918", difundiu um novo olhar e importante contributo para a história da participação portuguesa na frente europeia da Grande Guerra, através da elaboração de uma lista inédita de 259 prisioneiros onde é revelado além do nome, data de nascimento e morte, a causa do falecimento e, em 178 casos, o local da sepultura.
Como sustenta a investigadora, cujo avô foi um dos milhares de soldados portugueses que foram feitos prisioneiros na batalha de La Lys, houve vários cativos lusos, com menos de 30 anos, que morreram em campos de internamento e de trabalhos forçados na Alemanha, França, Bélgica e Polónia, vítimas de tuberculose pulmonar, de gripe pneumónica ou ferimentos, tendo a grande maioria sido trasladada para o cemitério militar português de Richebourg.
Segundo a mesma, além deste cemitério, existem ainda portugueses sepultados noutros locais de França como Loisne, Fresnes, Pont du Hem ou os cemitérios militares de Vieille Chapelle e Sainghin-en-Mélantois, sendo que a investigação permitiu encontrar um português em Gadenstedt e em Fort Blucher, na Alemanha, um outro em Ninove, na Bélgica, assim como apreender que alguns ficaram sepultados nos próprios campos onde foram feitos prisioneiros.













