Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cepães em Festa


No passado sábado, 8 de Dezembro, a freguesia de Cepães, uma freguesia do concelho de Fafe situada no Vale do Rio Vizela, com intensa actividade industrial e aptidão agrícola, foi palco de um conjunto de simbólicas cerimónias que enriqueceram a cultura e o património colectivo da povoação.
Correio do Minho (2012-12-13)
 

No decurso da Missa da Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria que decorreu na Igreja Paroquial de Cepães, celebrada pelo padre José Marques, foi simbolicamente benzida ao final da manhã a bandeira do Grupo de “Trampolineiros” de S. Mamede de Cepães, um grupo de bombos ligado à Casa do Povo de Cepães essencialmente constituído por jovens.

Procurando assumir-se como um verdadeiro cartão-de-visita da freguesia, o Grupo de “Trampolineiros” de S. Mamede de Cepães, nova agremiação que vem enriquecer o património e os valores da freguesia, e que tem na sua criação como principais beneméritos os cepanenses Francisco Castro e José Mendes Ferreira de Melo, desfilou acompanhada de dezenas de populares até à Capela de Nossa Senhora de Guadalupe, onde deleitou os presentes como um reportório musical popular e tradicional que promete animar festas, romarias, comemorações, inaugurações e celebrações.


A parada num dos mais antigos monumentos religiosos conhecidos no concelho de Fafe serviu de mote à inauguração de uma pequena placa evocativa, responsabilidade da Comissão de Festas, da padroeira da agricultura, que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Fafe, José Ribeiro, autarca natural de Cepães, e do presidente da Junta de Freguesia de Cepães e do Presidente da Assembleia de Freguesia de Cepães, Manuel Silva e Daniel Bastos.


Ainda no Largo Francisco Fernandes, os principais responsáveis políticos da freguesia e do concelho, acompanhados dos responsáveis da Comissão de Festas, da Casa do Povo de Cepães, do pároco de Cepães e do professor e investigador cepanense José Emídio Martins Lopes, procederam à inauguração do Presépio de Natal que se encontra no Largo Francisco Fernandes. Organizado uma vez mais pela Junta de Freguesia de Cepães, com o apoio do activo de Francisco Castro e de vários cepanenses, o Presépio de Cepães pretende desejar um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a toda a população da Freguesia e visitantes.
Refira-se ainda que ao final da tarde, a Sociedade de Recreio Cepanense, uma das mais antigas colectividades do concelho de Fafe, fundada em Maio de 1926, procedeu à inauguração da remodelação das instalações da sua sede, localizada na antiga Estação, cerimónia que contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Fafe, José Ribeiro. A iniciativa computou um jantar-convívio, que decorreu nas instalações da agremiação, em que participaram dezenas de associados, e onde tomaram assento, além do autarca José Ribeiro, o presidente da Sociedade de Recreio Cepanense, Joaquim Mendes, o presidente da Junta de Freguesia de Cepães, Manuel Silva, o pároco de Cepães, José Marques, e o chefe de Gabinete do presidente da Câmara, Carlos Mota.


                              CASA DO POVO DE S.MAMEDE DE CEPÃES

                                           Grupo de “TRAMPOLINEIROS”

                                                                HINO


Cá vem a malta recordar                                                

Uma velhinha tradição                                    

 Mas para não desafinar                                                                            

Tragam-nos verde carrascão


Escutem os nossos tambores

Com gente nova e animada

Também somos bons cantores

E amigos da noitada


Vamos todos acordar

Pela manhã, de madrugada

Sempre a dar, sempre a rufar

Pr’animar a alvorada


CORO

Cá estamos nós

Em Cepães nascidos

Esta é nossa voz

Os nossos gemidos

        

Belas tradições

Broa e bom vinho

Também salpicões

E um chouricinho

Depois de bebidos

E bem enfartados

Também vos pedimos

Dinheiros trocados

A volta vamos dar

Cepães no coração

E todos saudar

Com um abração

Música de “ O Carioca”, da Tuna da Sociedade de Recreio Cepanense e adaptação da letra de Nelson Fafe, das janeiras da década de sessenta do século passado.


Sobre “Os Trampolineiros”:

Em épocas recuadas, sempre que havia necessidade de anunciar qualquer evento numa aldeia, juntava-se um grupo de amigos, com tambores artesanais e lá se faziam ao caminho a troco de uns copitos. Mais que música, faziam barulho, mas o objectivo era alcançado. Com o andar das horas, quem “comandava” o grupo já era o vinho. Apresentavam-se com aspecto pouco cuidado, mal vestidos e, por vezes, até descalços.

Também pelo Carnaval, nas fogueiras da noite, não havendo bombos ou tambores, utilizavam-se tachos e panelas.

Eram verdadeiros maltrapilhos, com uma meia de “vidro” a tapar a cara e um chapéu de palha, cheio de sulfato, na cabeça, para não serem identificados.

Perante tais representações, a população divertia-se e desabafava – “que raio de trampolineiros”.

Assim se apelidou, com uma raiz muito popular, os grupos de tambores e bombos.

Texto e referências de autoria de José Emídio Martins Lopes

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