.jpg) |
Notícias de Fafe (2014-01-10)
|
1-Gostas de ler?
A
leitura é essencial na minha vida, através dela construi parte significativa da
minha consciência e cidadania. Sou o que sou hoje, em grande parte, devido ao
que li e ao que leio. O conhecimento, a pesquisa e a escrita, que estão
presentes nos vários trabalhos que tenho desenvolvido no campo da História, eram
impossíveis de realizar sem uma leitura aprofundada das fontes e dos
documentos. Para um historiador ler é como respirar, é natural e fundamental.
2-Televisão, cinema ou computador?
Um
pouco dos três. O computador é uma ferramenta quotidiana que uso no trabalho. Desde
a Universidade que me habituei a usar o computador portátil como ferramenta de
trabalho no campo da pesquisa e da escrita. A televisão é um dos principais
meios de informação de que dispomos, será mesmo o mais poderoso meio de
comunicação de massas. No entanto, nunca como hoje foi tão notória a dicotomia
entre boa e má televisão, por isso ainda são muitos os momentos em que prefiro
ouvir rádio ou música, que me ajudam bastante a concentrar quando leio ou
escrevo, ou então redescobrir a magia de um bom filme da “sétima arte” no
cinema.
3-Dás importância aos signos?
Acho
piada, como parte das pessoas, mas não dou importância aos signos. Eu, por
exemplo, sou Capricórnio, e o senso comum afirma que os nativos deste signo são
trabalhadores, responsáveis, persistentes e práticos, mas são características
que se encontram nas mais variadas pessoas. A nossa vida é determinada pelo que
somos, pelo que pensamos, pelo que fazemos aos outros e deixamos legado aos
vindouros, e não pelas aparências, pelo que temos ou por pseudo-características
de signos.
4-Qual o teu número favorito?
Não
tenho número preferido. O problema da nossa sociedade é que somos todos
perspetivados como números e não como pessoas. Antes da frieza ou crueza dos
números, estão os sentimentos e o respeito pelas pessoas. O meu “número”
preferido é o princípio da dignidade da pessoa humana, o valor moral e
espiritual.
5-Apresenta alguém que seja uma referência para a sociedade.
Tenho
uma enorme empatia pela personalidade de Miguel Torga, a sua vida e obra sempre
dignificaram o Homem. A sua profunda consciência humana e ligação à terra, o
seu despreendimento material, o seu combate à tirania e injustiça, e a sua
ternura rural longe do restolho da fama, tornaram-no um dos escritores mais
marcantes do séc. XX, e uma grande referência para a nossa sociedade.
6-A história tem princípio, meio e fim, bem defenidos?
A história
não tem princípio, meio e fim, bem definidos. A história não é uma ciência exata,
nada nela é definitivo, não oferece certezas nem aproximações seguras. Como
professa Miguel de Cervantes na sua obra-prima Dom Quixote: "A história é émula do tempo, repositório dos
factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do
futuro."
7-Os rios fazem história?
Os
rios influenciam o curso da história. Em Fafe, a fertilidade trazida pelas
águas do rio Vizela, afluente
da margem esquerda do rio Ave, que banha ao longo de quase 40 quilómetros, o
nosso concelho e o de Felgueiras, Guimarães, Vizela e Santo Tirso, originou no território
o estabelecimento das comunidades humanas, o florescimento da agricultura e o
aparecimento das primeiras indústrias.
8-Dizem que a história se repete. É verdade?
A
história nunca se repete. O que se repete são os erros e inconsciências dos
homens que são os criadores da história, dos acontecimentos e dos factos. Cada
acontecimento histórico é único, enquadrado num determinado espaço e tempo, daí
advém a História ser a ciência social que estuda o Homem e a sua ação no tempo
e no espaço, e a importância do seu papel, porque como adverte o filósofo
George Santayana “Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a
repeti-lo”.
9-Qual a palavra mais bela?
Dignidade.
É uma palavra e ideia-chave que deve estar sempre subjacente à vida. A palavra
dignidade, enquanto valor fundamental, tem que ser a argamassa dos alicerces da
nossa sociedade e civilização. A dignidade abarca a justiça, o respeito, o amor,
a ética, a cidadania, a igualdade, a solidariedade e a liberdade da pessoa
humana. Todos somos portadores da mesma dignidade original, todos temos direito
a uma vida digna.
10-Um bom passeio.
Um
bom passeio é essencialmente aquele que for realizado em boa companhia. Um
passeio à beira-mar acalma-me, inspira-me e renova-me a energia para viver. Um
passeio pelo verde do Minho, em particular pelo concelho de Fafe, evoca as
minhas raízes, dá sentido à minha existência e impele-me a trabalhar em prol da
História.