Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma atitude proativa perante o mundo. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente. Nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor, historiador e professor minhoto, natural de Fafe, Daniel Bastos.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Daniel Bastos destaca contributo madeirense na comunidade luso-canadiana

O historiador e escritor Daniel Bastos, que ao longo dos últimos anos tem publicado vários livros no domínio da História e Emigração, cujas sessões de apresentação o têm colocado em contacto estreito com as comunidades portuguesas, participou na passada sexta-feira (4 de fevereiro), como orador convidado no VIII Encontro de História Regional e Local na Escola, promovido pela Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia da Região Autónoma da Madeira.

 

No decurso da iniciativa, subordinada ao tema “Movimentos Migratórios Regionais: passado e presente”, e destinada a professores de todos os grupos de recrutamento, investigadores e outros agentes culturais, Daniel Bastos apresentou uma comunicação intitulada “Galeria dos Pioneiros Portugueses - um espaço de memória da comunidade luso-canadiana em Toronto: o exemplo dos madeirenses”.

Ao longo da sua comunicação, o investigador destacou a integração, o empreendedorismo e a dinâmica associativa da comunidade portuguesa no Canadá. Em particular, da comunidade madeirense, que representará cerca de 5% da comunidade luso-canadiana, cerca de 20 mil madeirenses, principalmente em Toronto, capital do Ontário, e cidade onde se encontra a maior comunidade madeirense no Canadá.

O historiador realçou a dinâmica associativa do Canadian Madeira Club (Casa da Madeira), agremiação estabelecida no início dos anos 60, e as festas tradicionais madeirenses, com especial destaque para a de Nossa Senhora do Monte, que se realizam no Madeira Park. Assim, como o papel dos fundadores madeirenses da Galeria dos Pioneiros Portugueses em Toronto, José Mário Coelho e Bernardette Gouveia, que em conjunto com o comendador vianense Manuel DaCosta, um dos mais ativos e beneméritos empresários lusos em Toronto, impulsionaram este espaço singular que se dedica à perpetuação da memória e das histórias dos pioneiros portugueses para o Canadá, entre eles, alguns naturais da pérola do Atlântico.

Historiador, escritor e professor, Daniel Bastos, é atualmente consultor do Museu das Migrações e das Comunidades, sediado em Fafe, e da rede museológica virtual das comunidades portuguesas, instituída pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, que pretende criar uma plataforma entre diversos núcleos museológicos, arquivos e coleções respeitantes à história e à memória, à vida e às perspetivas de futuro dos portugueses que vivem e trabalham fora do seu país.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Fundação Nova Era Jean Pina doou bens à Misericórdia de Fafe

 

A Fundação Nova Era Jean Pina, uma instituição presidida pelo empresário benemérito luso-francês, João Pina, administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, que tem cooperado várias com associações locais, doou no início desta semana uma tonelada e meia de bens à Santa Casa da Misericórdia de Fafe.



O historiador fafense Daniel Bastos (dir.), representante da Fundação Nova Era Jean Pina junto das comunidades portuguesas, e que tem intermediado a chegada dos diversos bens ao concelho, no armazém da Misericórdia de Fafe, acompanhado do vice-provedor da instituição local, Joaquim Antunes Rodrigues (esq.)

 

Uma das maiores instituições sociais do Norte do país, já com uma longa história, e cuja ação promove o desenvolvimento de respostas sociais direcionadas para a Terceira Idade, Infância e Saúde, como é o caso da gestão do Hospital de São José, a Misericórdia de Fafe foi contemplada com a oferta de tonelada e meia de produtos de higiene para bebés e seniores, assim como materiais didáticos para crianças.

Além da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, foi novamente contemplada com o envio de bens a Associação de Defesa dos Direitos dos Animais e Floresta (ADDAF), entidade local responsável pelo trabalho de voluntariado no canil municipal, que recebeu 100 kgs de ração para cães.

Refira-se que a instituição luso-francesa ao longo dos últimos anos tem apoiado quer na Diáspora, como em Portugal, o desenvolvimento de projetos de solidariedade em prol de diversas associações de cariz social, tem previsto a breve trecho continuar a apoiar mais instituições sociais de Fafe. E que os custos de transporte dos bens que chegaram no início desta semana ao concelho provenientes de França, foram suportados pela Transnós, uma empresa local especializada no transporte, armazenagem, logística e distribuição de mercadorias.

domingo, 30 de janeiro de 2022

Luís Pedroso: um exemplo de empreendedorismo e filantropia na comunidade luso-americana

 

A comunidade lusa nos Estados Unidos da América (EUA), cuja presença no território se adensou entre o primeiro quartel do séc. XIX e o último quartel do séc. XX, período em que se estima que tenham emigrado cerca de meio milhão de portugueses essencialmente oriundos dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira, destaca-se hoje pela sua perfeita integração, inegável empreendedorismo e relevante papel económico e sociopolítico na principal potência mundial.

Atualmente, segundo dados dos últimos censos americanos, residem nos EUA mais de um milhão de portugueses e luso-americanos, principalmente concentrados na Califórnia, Massachusetts, Rhode Island e Nova Jérsia. A grande maioria da população luso-americana trabalha por conta de outrem, na indústria, mas são já muitos os que trabalham nos serviços ou se destacam na área científica, no ensino, nas artes, nas profissões liberais e nas atividades politicas.

No seio da numerosa comunidade lusa na América, onde proliferam centenas de associações recreativas e culturais, clubes desportivos e sociais, fundações para a educação, bibliotecas, grupos de teatro, bandas filarmónicas, ranchos folclóricos, casas regionais e sociedades de beneficência e religiosas, destacam-se percursos de vida de vários compatriotas que alcançaram o sonho americano ("the American dream”).

Entre as várias trajetórias de portugueses que começaram do nada nos EUA e ascenderam na escala social graças ao trabalho, ao mérito e ao empenho, destaca-se o exemplo inspirador de empreendedorismo e filantropia de Luís Pedroso. Natural da Ribeira da Areia, na ilha de São Jorge, nos Açores, Luís Pedroso emigrou para Massachusetts, estado norte-americano localizado na região da Nova Inglaterra, no final dos anos 60, ainda criança, acompanhado da mãe e três irmãos, após curtas passagens no decurso dessa década por África, designadamente Angola, pelo vale de São Joaquim, na Califórnia, e pela ilha da Terceira onde assistiu ao falecimento precoce do pai.

A chegada a Massachusetts, mormente à cidade de Lowell, onde a mãe e a irmã mais velha começaram a trabalhar numa fábrica de sapatos para sustentar a família, permitiu a Luís Pedroso completar os estudos e iniciar, depois de uma experiência laboral passageira num banco, calcorrear um percurso fulgurante na indústria eletrónica. O trabalho, o esforço e a resiliência, valores coligidos na figura materna, acabariam por impelir o luso-americano com raízes açorianas, a fundar em 1984, com 24 anos, a Qualitronics, uma empresa que desenhava, testava, construía e vendia serviços de reparação de componentes eletrónicos, que chegou a ter um volume de vendas anual de 25 milhões de dólares, quase duas centenas de funcionários, e que vendeu em 2000.

Quatro anos depois, a disposição para o trabalho e o espírito empreendedor levou-o a fundar com os irmãos a Accutronics, uma empresa na mesma área, com cerca de uma centena de funcionários, de que atualmente é presidente. O sucesso que Luís Pedroso alcançou ao longo das últimas décadas no mundo dos negócios, tem sido constantemente acompanhado de um generoso apoio a projetos da comunidade luso-americana.

Como é o caso da doação de 850 mil dólares (660 mil euros) que destinou à fundação do Centro Pedroso-Saab para Estudos Portugueses e Culturais na Universidade de Massachusetts em 2013, em homenagem aos pais, ou da generosa doação que auxiliou a construção do edifício da Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers (MAPS), inaugurado no ano passado em Lowell.

Uma das figuras mais ativas da comunidade luso-americana, Luís Pedroso, que integra ainda a gestão do Enterprise Bank, do Lowell General Hospital e da Theodore Edson Parker Foundation, e que no final do ano de 2014 foi distinguido com o primeiro prémio "American Dream" do International Institute of New England, inspira-nos a máxima do filósofo Henri-Frédéric Amiel: “O nosso dever é ser útil não de acordo com os nossos desejos, mas de acordo com as nossas forças”.