Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

domingo, 21 de novembro de 2010

O Teatro-Cinema de Fafe durante o Estado Novo

Ponto de encontro de cultura e gerações, o Teatro – Cinema de Fafe, obra arquitectónica que remonta à década de 20, encerra inolvidáveis memórias de acontecimentos locais e está intrinsecamente ligada à minha primeira incursão aprofundada no campo da investigação da história local.
Durante as férias de verão no inicio do séc. XXI, após ler na imprensa que o velho espaço do Teatro – Cinema de Fafe tinha sido em 1949 e 1958 palco de entusiásticas sessões oposicionistas durante o Estado Novo, passei as férias embrenhado no então Palacete da Imprensa à volta do velho jornal republicano “O Desforço”, da Biblioteca Municipal de Fafe, do Arquivo Municipal de Fafe e do Arquivo do Governo Civil de Braga.

 
Postal antigo do Teatro – Cinema de Fafe

O resultado das pesquisas, leituras, recolha de dados e consulta de documentos redundaram na elaboração de um trabalho intitulado “Para uma História das Eleições Presidenciais de 1949 e 1958 na Vila de Fafe”, que acabaria por ser publicado na revista cultural “Dom Fafes”, e onde então apreendi o papel preponderante que os oposicionistas locais como o major Miguel Ferreira, o médico Maximino de Matos, o advogado Parcídio de Matos, o proprietário do café Avenida, António Saldanha, o advogado Alexandre de Freitas Ribeiro, o proprietário do edifício José Summavielle Soares, a professora Miquelina Summavielle Soares, entre muitos outros, desempenharam na defesa dos ideais de liberdade.
Numa época em que ousar colocar em causa a perenidade do regime e defender valores democráticos eram pagos com perseguições, exonerações, prisões, e muitas das vezes com a própria vida, pelo palco do Teatro – Cinema de Fafe durante o Estado Novo (1933-1974) e nos períodos das campanhas eleitorais, como as de 1949 e 1958 para a Presidência da República, só passaram aqueles que nunca abafaram a consciência da liberdade e da democracia.

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