Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

UMA BREVE ABORDAGEM À ÉTICA EM WITTGENSTEIN

Proeminente filósofo da contemporaneidade, com importantes trabalhos no campo da Lógica, Ludwig Wittgenstein, assentou o seu arrazoado filosófico, na fase inicial do seu pensamento, no desenvolvimento da teoria da linguagem: na obra Tratado Lógico – Filosófico, primeira obra do filósofo austríaco publicada em vida, o mundo é concebido como “a totalidade dos factos”, sendo que “a totalidade das proposições é a linguagem”. 
Ludwig Wittgenstein (1889-1951)

Na esteira, de Bertrand Russell, a filosofia em Wittgenstein é uma “crítica da linguagem”, porquanto uma “proposição” constitui-se como um reflexo da realidade, ou como assevera, um paradigma da “realidade tal como nós a pensamos». Como constatou, Nicola Abbagnano, para Wittgenstein a linguagem é a “refiguração lógica mundo”, abalizando-se o seu postulado filosófico inicial, na premissa empirista basilar de que a acção de opinar e exprimir exige um facto do kósmos: “a linguagem é a manifestação do ser”.
Neste sentido, o pensamento em Wittgenstein corrobora uma ética exigente, condição sine qua non para iluminar as áreas escuras do pensamento, ou como refere, gizar “a linha de fronteira do pensamento”. Esta exigência, premente por exemplo na actualidade, dada a complexidade de problemáticas e situações com que nos confrontamos no quotidiano, confere à Ética, também uma dimensão insuflada pela inquietação, o que faculta “pensar aquilo que não se deixa ser pensado” de modo a poder-se descortinar-se “a solução final dos problemas”.
A Escola de Atenas -  Rafael (séc. XVI)
Legenda: Ao centro Platão e Aristóteles. Platão segura o Timeu e aponta para o alto, sendo assim identificado com o ideal,  o mundo inteligível. Aristóteles segura a Ética e tem a mão na horizontal, representando o terrestre, o mundo sensível.
 Este esforço que é exigido na estruturação do pensamento, foi um importante exemplo que Wittgenstein evidenciou e legou. Mencionamos aqui a sua recomendação, para quando os pensadores empregarem termos como “saber, objecto, eu, proposição, nome”, colocarem a si próprios a questão: “na linguagem onde vive, esta palavra é de facto sempre assim usada?”.

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