Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Uma abordagem ao “Dicionário dos Fafenses”

O nosso concelho desde há algum tempo que possui um conjunto de homens devotados ao estudo da história de Fafe, que entre uma desprendida dedicação têm estudado e valorizado o nosso passado, o nosso património, a nossa memória, elos essenciais para a compreensão da nossa herança colectiva.
No campo da investigação da história de Fafe impõe-se pela pesquisa e trabalho publicado um grupo primário de personalidades como Américo Lopes Oliveira, Miquelina Summavielle, e o cónego Leite de Araújo, já falecidos. E presentemente um conjunto de investigadores composto por Aureliano Barata (séc. XIX-XX), Artur Leite (Ensino), Luís Gonzaga (Retratos Biográficos), Daniel Bastos (séc. XX) José Emídio Lopes (essencialmente centrado na freguesia de Cepães), o saudoso Miguel Monteiro (Emigração Brasileira) e Artur Coimbra, estes dois últimos, referências estruturantes no campo da história local.

                             Miguel Monteiro                           Artur Coimbra

No conjunto de investigadores locais, o percurso do historiador Artur Coimbra evidencia-se por possuir uma obra dispersa em várias áreas, sobretudo pela poesia, jornalismo e história local. Com mais de uma vintena de livros publicados, Artur Coimbra ao nível da história local tem feito diversas incursões no campo das monografias, e das biografias, género histórico em que se enquadra a 2.ª edição da obra “Dicionário dos Fafenses”.
Editado pela primeira vez em 2001, com a chancela do Núcleo de Artes e Letras de Fafe (NALF), do qual o autor é membro fundador, e desde longa data o principal dinamizador e rosto, a obra recentemente reeditada, novamente com o timbre do NALF, é composta por 280 entradas que percorrem vários períodos da história local, e que dão a conhecer a vida e a obra de personalidades, que em diferentes áreas, segundo o autor «merecem constar da “tribuna” dos fafenses ilustres, pelo seu trabalho, pela sua projecção, pelo enriquecimento que representam do nome e dos valores desta terra».
A obra “Dicionário dos Fafenses” enquadra-se assim em dois géneros historiográficos, por um lado, penetra no campo da história local, assumindo-se como uma ferramenta de trabalho indispensável para o estudo e análise da história de Fafe. Como salienta, o historiador Francisco Ribeiro da Silva, o estudo e trabalho da história local não é fácil: “porque exige muito tempo – o trabalho de pesquisa documental é lento (…); porque exige muita paciência e perseverança; porque exige coragem, sobretudo quando verificamos que os nossos dados não coincidem ou até contradizem verdades estabelecidas; porque exige discernimento, lucidez e espírito crítico para escolher os melhores materiais em vista dos objectivos previamente fixados; porque exige grande rigor e honestidade intelectual. O cultor da história local não pode contentar-se com o “é mais ou menos assim””.

Capa da obra "Dicionário dos Fafenses"

Por outro lado, o “Dicionário dos Fafenses”, (re)visitando o(s) outro(s) possui uma evidente dimensão biográfica, um género histórico que tem tido enorme visibilidade. Como salienta o historiador António Manuel Hespanha «a biografia ficou de moda em Portugal», sendo notório nas estantes e montras das livrarias, e inclusivamente nos palcos mediáticos da televisão e cinema, uma profícua profusão de obras biográficas.
No entanto, as dificuldades na construção de uma obra desta natureza são evidentes, e reconhecidas pelo autor: “O caminho seguido foi o da selecção, necessariamente subjectiva, dos homens e das mulheres que fizeram ou estão a construir Fafe, em variados domínios. Os homens e as mulheres que deram e vão dando o rosto inconfundível e singular a esta terra de todo o nosso coração”.
Reconhecendo, desde logo, que englobar todos aqueles que de algum modo se tenham destacado no panorama local “resultaria numa ciclópica, irrealista e fastidiosa tarefa”, o “Dicionário dos Fafenses”, obra sempre inacabada, e que não está balizado por barreiras cronológicas e delimitada por critérios historiográficos formais, englobando possíveis imprecisões, omissões e referências biográficas imberbes, assume-se essencialmente como um porto de abertura e partida no campo da história de Fafe, revivendo as memórias disseminadas pelo espaço e sociedade local.

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