Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Cultura castreja no concelho de Fafe

Castro de S. Ovídio

          Entre os numerosos vestígios arqueológicos existentes no território concelhio destacam-se os povoados da primeira metade do I milénio a.C., comummente conhecidos por "Castros." Estes povoados formados por casas de pedra com cobertura de colmo eram por razões de natureza defensiva construídos em locais altos
As características geográficas do Norte de Portugal, onde o relevo sempre desempenhou um papel estruturante, proporcionaram o estabelecimento nesta região de inúmeros núcleos populacionais pré-romanos. O actual concelho de Fafe foi assim palco de implantação populacional pré-romana ou castreja, porquanto oferecia garantias de defesa em locais altos, permitia a prática de actividades agro-pecuárias e possibilitava o aproveitamento dos recursos fluviais.
 Este período histórico é designado pelos historiadores de Proto-História, ou seja, é o período de transição entre a Pré-História e a História, etapa civilizacional em que o homem se torna gradualmente sedentário, passando a dedicar-se à agricultura, pastorícia e ao artesanato. É nesta fase histórica que surge o elemento que estabelece a distinção ente a Pré-Historia e a História – a escrita.
Actualmente no concelho de Fafe são conhecidos vários povoados castrejos disseminados pelas freguesias, como por exemplo: S. Gens (Castro da Subidade ou Castro de Paredes), Cepães (Castro da Retortinha), Serafão (Castro de Vilarelho), S. Cristina de Arões (Castro de Santo Antonino), S. Vicente de Passos (Lugar de Lustoso), Revelhe (Outeiro Mau), Ribeiros (Castro da Portela) –, sendo que o Castro de Santo Ovídio, espaço arqueológico onde no séc. XIX foi descoberta uma estátua de um guerreiro galaico, e que se encontra na Associação Martins Sarmento em Guimarães, constitui o mais afamado destes elos remotos da história da Fafe.

1 comentário:

Jesus Martinho disse...

Quero felicitar o meu amigo de longa data, Daniel Bastos, dedicado historiador deste "burgo".
Desta vez tocou em uma das feridas do nosso Património Arqueológico; os Castros, ou como eu prefiro designá-los, Povoados Castrejos.
Relativamente ao post refiro que o povoado de Vilarelho em Serafão já não existe, o de Santo Antonino foi destruído "a meias" com Guimarães, Lustuso em Paços foi bastante agredido, Outeiro Mau em Revelhe foi arrasado e o povoado da Portela em Ribeiros foi tambem destruído em parte pela construção de algumas moradias!
O Povoado de Santo Ovídio lá ciontinua a resistir. Pelo que que se ouve dizer as ruínas já escavadas vão ser brevemente recuperadas... que assim seja.
Depois desta "mortandade" resta-nos ainda um belissimo povoado de origem castreja no Alto do Castelo em Moreira do Rei e um outro no Alto do Santinho da freguesia de Quinchães.
Realço o facto de alguns dos sítios arqueológicos aqui referidos não serem Castros mas sim povoados fundados já na presença dos romanos que como todos sabemos invadiram o nosso território, dominando e subjugando as populações indígenas pré-existentes.
Obrigado também por divulgares o nosso Património Arqueológico, cada vez mais empobrecido.