Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Cristianismo perante os desafios do Multiculturalismo

Na obra “Quebrar o Feitiço”, o filósofo ateu americano Daniel Dennett, ao abordar a questão se “É a religião que dá sentido à vida das pessoas?” observa que as sondagens confluem mundialmente no sentido da importância que as pessoas atribuem à religião na sua vida, nas palavras do autor, “muitas destas pessoas diriam que, sem a religião, as suas vidas não teriam sentido”.
Tal situação, à primeira vista parece claramente contraditória com a realidade das sociedades actuais em que estamos inseridos. Com a revolução científica, a evolução galopante da técnica, e a Globalização, que resposta dá a sociedade (?), à questão formulada pelo cientista judeu Gerald Schroeder: a “Ciência terá substituído a Bíblia?”.
No mundo ocidental, cuja cultura, tradição e história está intrinsecamente ligada ao Cristianismo, onde obviamente se insere o nosso país diametralmente marcado pela religião católica, a situação sociopolítica e cultural actual, como aponta o teólogo espanhol Juan Martin Velasco, robustece a crise do cristianismo. O cientista social José Maria Mardones, no artigo “Religião e Religiões: Donde vimos, onde estamos, para onde vamos?”, amplia ainda mais o ângulo de visão da crise do Cristianismo, ligando-a “a uma crise ou desencantamento mais amplo do mundo e da cultura actual, inclusive a uma crise da condição humana”, indo ao encontro do retrato escurecido do “homem light” matizado pelo médico humanista Enrique Rojas, que afirma no livro “O Homem Light – Uma Vida sem Valores que o homem actual “é frio, não crê quase em nada, suas opiniões mudam rapidamente e vive afastado dos valores transcendentes”.
A “Criação de Adão”, Miguel Ângelo
(Capela Sistina, séc. XVI)
 
Os desafios que se apresentam ao Cristianismo são indubitavelmente complexos, ambíguos e jogam-se à escala global, como sejam os direitos humanos, a pobreza, as migrações, num conceito amplo a dignidade humana, e são ainda mais prementes com o Multiculturalismo, isto é, a existência de diversas culturas na (s) sociedade (s) e consequente emergência e apologia das minorias, como sejam as correntes feministas e os sexualmente excluídos.
Uma breve análise, a alguns destes desafios, designadamente a temática das “Mulheres e o Cristianismo”, e o “Cristianismo e a Homossexualidade”, permite-nos apreender que as estruturas religiosas subjacentes ao Cristianismo, como a Igreja Católica, estão perante desafios prementes ao nível da sua heterodoxia / ortodoxia e da sua praxis religiosa. Podemos afirmar, que se tratam de desafios que se jogam ao nível da essência religiosa, e para os quais necessariamente têm que encontrar respostas assertivas, conciliadoras e que não entrem em contra – ciclo com a sociedade, e com a história, porque senão o fosso entre a sociedade em que vivemos e a religião tenderá irremediavelmente a aumentar.

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