Morgado de Fafe

O Morgado de Fafe, personagem literária consagrada na obra camiliana, demanda uma consciência crítica contra uma visão de sociedade enfeudada em artificialismos. A figura do rústico morgado minhoto marcada pela dignidade, honestidade, simplicidade e capacidade de trabalho, assume uma contemporaneidade premente, nesse sentido este espaço na blogosfera pretende ser uma plataforma de promoção de valores, de conhecimento e de divulgação dos trabalhos, actividades e percurso do escritor e historiador Daniel Bastos.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Florêncio Monteiro Vieira de Castro (1853 – 1925): uma das mais importantes personagens políticas fafenses no inicio do séc. XX

Uma das mais importantes personagens políticas fafenses na transição do séc. XIX para o séc. XX, senão a mais importante do período monárquico, Florêncio Monteiro Vieira de Castro, filho do “brasileiro de torna – viagem” Miguel António Monteiro de Campos e de Miquelina Rosa Vieira de Castro, recebeu em 1906 e 1907 o rei D. Carlos I em sua casa, na actual Rua António Saldanha).

Casa onde foi recebido o rei D. Carlos I em 1906-7,
na actual rua António Saldanha

O pai de Florêncio Monteiro Vieira de Castro, que almejou fortuna no Rio de Janeiro, estabeleceu-se em Fafe durante a segunda metade do séc. XIX, como importante negociante e proprietário do município, tendo como descendentes, além de Florêncio, António, Ana Joaquina, Emília, Maria Castro Martins, José Maria, Álvaro, João Bernardino (Monsenhor), Albino e Júlia.
No ramo varonil, o monsenhor João Monteiro Vieira de Castro, como o seu irmão Florêncio foi um dos principais dinamizadores da construção do Hospital de Fafe, ocupando um papel de destaque na política local da época. Administrador do município nos últimos anos do séc. XIX, e por diversas ocasiões Presidente da Câmara, chegou inclusive a desempenhar em Lisboa alguns mandatos como deputado.

João Monteiro Vieira de Castro 
 
Florêncio Monteiro Vieira de Castro, não seguiu o sacerdócio do irmão João, formou-se em direito, tornando-se num dos mais importantes advogados do concelho de Fafe. Casou-se com Gracinda de Sousa Carneiro, sobrinha e uma das herdeiras de Fortunato José de Oliveira, rico ”brasileiro de torna -viagem”. Parte da herança da esposa de Florêncio Monteiro Vieira de Castro, incluiu a casa onde foi recebido o rei D. Calos I, moradia que tinha sido mandada construir pelo tio da sua esposa.
Rei D. Carlos I
  
A família Monteiro Vieira de Castro ocupou e desempenhou papéis sociopolíticos preponderantes em Fafe. No alvorecer do séc. XX, os irmãos Florêncio e João Monteiro Vieira de Castro impulsionavam e integravam o “Club Fafense da Villa de Fafe”, que visava “desenvolver e cimentar relações de benevolência e boa sociedade entre os associados, proporcionando-lhes passatempo honesto e civilizador, por meio de conferencias litterarias, reuniões de famílias, conversação, dança, jogos, lícitos e outros quaesquer divertimentos de boa sociedade”.
A chegada do comboio a Fafe no domingo de 21 de Julho de 1907, teve também o cunho de Florêncio Monteiro Vieira de Castro. Membro integrante da comissão de festejos, foi proponente do telegrama que foi expedido por ocasião da inauguração da linha – férrea ao rei D. Carlos I, onde era assinalada a importância desta no desenvolvimento da região.
A actividade política de Florêncio Monteiro Vieira de Castro, enquanto presidente do Partido Progressista em Fafe, levou a que fosse durante o regime monárquico vereador e administrador do concelho.
A implantação da República em 5 de Outubro de 1910 alterou radicalmente a dimensão sociopolítica deste monárquico convicto, que foi profundamente afectado pelo ao seu posicionamento político – partidário. A sua convicção e lealdade monárquica limitaram a sua acção e poder político, contexto que terá concorrido para inexistência de imagens suas.
Na década de 20, os papéis sociais desempenhados pelo antigo conselheiro régio restringiam-se a presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Fafe e da Assembleia-geral do Orfeão de Fafe.

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